Heyder Fontenele de Sousa, policial militar, assassinado em julho/2013.

Um policial militar de 35 anos foi assassinado a tiros, no início da manhã de ontem, no bairro José Walter, em Fortaleza. Samuel Rodrigues Tabosa estava fardado e voltava de um turno de trabalho, na cidade de Maranguape. Com a ação, chegou a 48 o número de policiais assassinados no Estado desde 2012 – 2015 contabiliza o primeiro caso. Desde 2014, a média é de um policial morto por mês no Ceará.

O crime modificou a rotina tranquila da rua 15 logo no início da manhã, por volta das 7h50min, quando Samuel chegou do trabalho para ficar com o filho de 7 anos. O menino estaria sob seus cuidados enquanto a esposa, Verbênia Mesquita, 35, iria ao trabalho com a irmã, uma das testemunhas do crime.

Ao estacionar o carro na garagem de casa, o soldado foi surpreendido por três homens armados, que teriam anunciado o assalto e percebido, pela farda, que se tratava de um policial. Samuel foi alvejado por três tiros que o atingiram no abdômen, no braço direito e na cabeça, e morreu no local.

Abalados pelo crime, na tarde de ontem os vizinhos tentavam entender o ocorrido. “Quando tinha uma confusão na rua, ele entrava em casa. Não se metia. Era uma pessoa muito boa, tranquila, de bom coração”, comentou Ana Karine, 36. A conduta sempre muito calma de Samuel é confirmada por um colega policial, que não quis se identificar. “Ele tinha um trato muito bom com a população. Ele não era de ir pra cima, como às vezes é normal que o policial vá”.

Segundo filho de uma família de três irmãos, evangélico da Igreja da Paz, químico industrial formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Samuel era PM há 11 anos. “Ele se tornou policial pela oportunidade que apareceu. Passou no concurso e depois acabou gostando”, relembrou o irmão mais velho, Luís Cláudio Rodrigues, 41, para quem Samuel era um “escudeiro”. “Ele cuidava de mim”. Depois que passou a trabalhar à noite, sempre que podia Samuel tomava o café da manhã na casa dos pais.

A irmã caçula, Manoela, 30, lamentou pelo último café não tomado com o irmão, pelos planos de crescimento que ele confidenciava buscar, pela perspectiva de um outro sobrinho. “Foi tão duro que a vida foi deixada no meio”.

No próximo dia 26, o casamento de Samuel e Verbênia completaria nove anos. Era uma história de amor que começou ainda na infância. Pedindo por justiça, Verbênia se transformou em um misto de raiva e desolo. “Destruíram minha vida. Ele é minha metade”, lastimava.(colaborou Lusiana Freire) 

Saiba mais

Na comunidade da Babilônia, dois homens chegaram a ser presos e um adolescente foi apreendido durante as investigações. Mas, de acordo com a Polícia, Jorgielson Nunes de Sousa, 26, o Buiú, e Josiel Nunes de Sousa, 37, o Oziel, não foram reconhecidos como participantes do homicídio. 

Ambos já respondem por tráfico de drogas. Conforme o coronel Francisco Souto, a dupla estava com várias cápsulas de pistola calibre ponto 40 e um revólver calibre 32.

(Domitila Andrade, O povo)

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