Transexuais sofrem agressões e abusos dentro de penitenciárias

Maria passou por seis penitenciárias e diz que abusos se repetiam Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia

Rio – Se a vida dos transexuais e travestis já é difícil do lado de fora, dentro das celas do sistema penitenciário do Rio é um verdadeiro calvário. Alvos de todos os tipos de abusos, elas não têm sua identidade reconhecida pelos agentes e são tratadas com agressões e violações de direitos.

Esta foi a constatação do relatório inédito feito pelo Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos da Defensoria Pública, que ouviu 50 pessoas nos presídios Evaristo de Moraes, Esmeraldino Bandeira, Instituto Penal Plácido Sá Carvalho e Alfredo Tranjan (Bangu 2), entre fevereiro e março deste ano.

A coordenadora do núcleo, defensora Lívia Cásseres, relata que uma transexual entrevistada ficou três meses sem tomar banho de sol porque se recusava a ficar sem camisa. Outra disse que foi torturada por policiais.

“Ela conta que pediu auxílio aos agentes para ir ao hospital e, quando viram que era transexual, bateram muito nela. Então, a dor que ela tinha ficou pior ainda”, relatou.

Entre os problemas relatados, as transexuais têm seus cabelos raspados à máquina pelos agentes, são obrigadas a tomar banho de sol sem camisa — mesmo que muitas delas tenham próteses de silicone. Além disso, são forçadas a ficarem nuas nas revistas íntimas na frente de outros presos.

Os agentes também proíbem a entrada de hormônios (o que faz com que desenvolvam barba) e de produtos femininos, como maquiagem e esmaltes. As presas também são chamadas por seus nomes de batismo, masculinos, o que contraria a lei.

A transexual e ex-presidiária Maria Silva (nome fictício), que hoje é assessora parlamentar, ainda sofre com os traumas adquiridos pelas violações que sofreu nas prisões (ela esteve em seis unidades). Segundo Maria, a cada vez que era transferida, passava por um ‘corredor polonês’, para ser agredida pelos agentes.

“As trans eram as que mais apanhavam. Eles me derrubavam no chão e me chutavam. À noite, me colocavam em outra cela ‘para fazer a diversão dos presos’. A sorte era que os presos me respeitavam e não faziam nada. Os agentes são homofóbicos”, afirma.

De acordo com Maria, as transexuais tinham que se virar dentro das prisões para manter a sua identidade.

“Não dá para ser trans na prisão. Não podemos ter o mínimo de feminilidade. Para não entrar em depressão, usávamos lápis de cor como batom. Quando conseguíamos uma pinça, era uma felicidade”, lembra Maria, que ficou presa um ano e três meses, acusada de ser cúmplice de seu namorado em um roubo.

Rejeição pode gerar trauma

De acordo com o coordenador da Câmara de Psiquiatria e Saúde Mental do Conselho de Medicina do Rio, Miguel Chalub, as transexuais podem sofrer depressão e até cometer suicídio quando não têm a identidade respeitada. “São pessoas que desde a infância foram estigmatizadas e rejeitadas e, quando são jogadas nessa situação de confinamento, são tratadas como bichos”, disse.

A Resolução Conjunta nº 1 dos conselhos nacionais de Combate à Discriminação e de Política Criminal e Penitenciária prevê aos travestis e gays privados de liberdade em unidades prisionais masculinas deverão ser oferecidos espaços de vivência específicos. Já transexuais masculinas e femininas devem ser encaminhadas para as unidades femininas.

Pelo texto, é facultado o uso de roupas femininas ou masculinas e está previsto o direito de ser tratados pelos nomes sociais. A norma, que é apenas consultiva, também garante a manutenção do tratamento hormonal.

Protocolo de conduta será proposto

A defensora pública Lívia Cásseres vai propor à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) um protocolo de conduta para lidar com transexuais, além de sugerir que entidades GLBT ligadas ao governo façam cursos de educação de agentes penitenciários.

Coordenador do Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, disse que vai se reunir esta semana com a Seap para discutir o relatório. “Essas denúncias são muitos sérias.”

A assessoria da Seap respondeu que estão sendo elaboradas adequações, de acordo com a resolução dos conselhos nacionais. Informou também que está em negociação com a Uerj para a criação de um ambulatório para a manutenção do tratamento hormonal dos internos, prevista pelo SUS.

O defensor público-geral, afirmou que o secretário Erir Ribeiro manifestou preocupação com o tema. “Confio que ele dará o necessário tratamento”, disse.

(Constança Rezende, O Dia)

Brasileiros produzem anticorpo que neutraliza vírus HIV

Foi no laboratório do cientista brasileiro Michel Nussenzweig, na Universidade Rockefeller, em Nova York, que um grupo de pesquisadores reproduziu um anticorpo com capacidade de neutralizar tanto o vírus HIV quanto o seu receptor nas células humanas. Os resultados foram comemorados pela comunidade científica porque os pacientes testados tiveram a carga do vírus reduzida a níveis classificados como baixíssimos.

O anticorpo, apelidado de 3BNC117, foi criado pelo próprio sistema imunológico de um paciente infectado, mas que não desenvolveu o HIV. Os cientistas isolaram o anticorpo, clonaram em laboratório e testaram em 17 soropositivos e 12 soronegativos.

A pesquisadora brasileira Marina Caskey lidera o grupo que trabalha no estudo. Os cientistas ministraram uma dose do anticorpo nos 29 pacientes. Em uma semana, o nível do vírus chegou a cair 99%, mas o efeito durou pouco tempo. Ainda assim, o resultado não desmotivou os pesquisadores. Outros estudos com anticorpos, disse Marina, não conseguiram mostrar uma atividade significante em pessoas com HIV. Esta é a primeira com resultados tão positivos.

– A pesquisa representa o potencial que uma nova classe de medicamentos tem contra o HIV – afirmou a responsável pela pesquisa.

O grupo da Universidade Rockefeller crê que, assim como demais antirretrovirais, o 3BNC117 terá de ser combinado com outros anticorpos ou drogas para manter a doença sob controle. Isso porque o corpo pode construir estratégias de resistência quando é submetido a tratamento por um longo período. O infectologista do Hospital de Clínicas, Eduardo Sprinz, salienta que hoje as pessoas infectadas precisam tomar os medicamentos antirretrovirais todos os dias:

– Cerca de 500 anticorpos foram analisados individualmente. Esse que se mostrou positivo foi clonado e testado. Uma combinação com outros dois ou três, em fases futuras do estudo, podem se mostrar ainda mais eficazes. Da forma como esse anticorpo atuou, podemos dizer que, no futuro, se vir a ser aprovado como medicamento, em vez de tomar todos os dias o remédio, a pessoa infectada poderá ter de tomar uma vez por semana ou, ainda, uma vez por mês e ter resultados muito melhores do que as medicações que estão disponíveis hoje.

Luta tem evoluído nos últimos anos

Ainda em 2015, os pesquisadores que trabalham nesta pesquisa pretendem entrar na segunda fase do estudo. Mais pacientes estarão envolvidos e mais doses serão aplicadas para testar se os anticorpos podem eliminar de vez o vírus. Há alguns anos, Nussenzweig conseguiu prevenir ou reprimir a infecção em ratos e primatas utilizando essa versão de anticorpos considerados mais potentes. Mas, segundo o professor, apenas o teste com humanos pode mostrar o avanço do estudo e apontar para uma possível cura da Aids. A primeira fase foi comemorada por ser a primeira vez que a nova geração de anticorpos anti-HIV foi testada em humanos.

No ano passado, outro feito na luta contra a aids foi divulgado: os primeiros testes realizados com uma possível vacina contra o HIV, desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP), apresentaram resultados melhores do que os pesquisadores esperavam. Alguns primatas submetidos ao medicamento tiveram resposta imunológica até 10 vezes mais intensa do que a registrada em camundongos, em estudos anteriores. Em 2013, médicos do Centro Médico da Universidade do Mississipi anunciaram o primeiro caso de cura funcional de um bebê infectado pela mãe durante a gravidez.

Via http://zh.clicrbs.com.br

 

Conselho Nacional LGBT apura denúncias no município de Itatira, no Ceará

Pollyane Marques

Uma comitiva do Conselho Nacional LGBT, que representa lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, está no município de Itatira, no Ceará. O município, de cerca de 20 mil habitantes, tem registrado, desde o início do ano, casos de apedrejamento a casas de homossexuais e travestis, de violência psicológica e ameaças de agressão física a esta população. Os casos foram encaminhados à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e agora serão acompanhados mais de perto. 

Nesta quinta-feira (9), representantes do Conselho se reuniram com o prefeito, vereadores e ministério público na cidade. Em nota, o conselho afirma que após análise, dará os devidos encaminhamentos para coibir os casos. A equipe permanece na cidade até esta sexta-feira. 

Até que as ações propostas pela Secretaria de Direitos Humanos sejam implementadas, outras medidas já estão sendo adotadas. Uma delas é um projeto de lei que institui o Dia Municipal de Combate à Homofobia, em tramitação na Câmara de Vereadores. O autor do projeto, vereador Paulo Ruberto, afirma que é dever dos representantes da população defender as minorias. 

Sonora 

A ativista LGBT Alice Oliveira, que acompanhou de perto as situações de violência em Itatira, fala da importância de denunciar estes tipos de agressão. 

Sonora 

As denúncias de homofobia e qualquer outra violação aos direitos humanos podem ser feitos pelo Disque 100. O serviço é gratuito e funciona sete dias por semana, 24 horas por dia, incluindo domingos e feriados.

Via http://radioagencianacional.ebc.com.br

Rio terá Centro de Saúde Integral para Travestis e Transexuais

FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

Rio de Janeiro – Representantes da sociedade civil organizada e do governo do Rio de Janeiro debateram ontem (8) a criação do Centro de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, previsto para o segundo semestre deste ano. O primeiro objetivo do centro será desafogar a fila de espera para cirurgias de transgenitalização, que hoje chegam a 300 pessoas no estado. O coordenador do Programa Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, da Secretaria Social de Direitos Humanos, explicou que, com a nova estrutura, será possível acabar com a fila em dois anos.

“Se calculássemos hoje a aplicação das cirurgias por ano, terminaríamos essa fila talvez em 2050 e as pessoas aqui hoje estariam mortas quando fossem chamadas para fazer a cirurgia. Por isso esse esforço para mudar essa lógica e criar uma estrutura que abarque as demandas mais complexas de saúde”, explicou. “O centro também proverá serviços como hormonoterapia, cirurgias plásticas e outras demandas da saúde em identidade de gênero”.

O Programa Transgenitalizador no Rio é feito somente no Hospital Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), único centro público no Rio e um dos quatro únicos do país que fazem essas cirurgias. Desde 2003, são feitas em média cinco cirurgias por ano, fruto de um projeto de pesquisa. A ideia é transformar esse serviço em política pública de saúde com critérios definidos pelo Sistema Único de Saúde.

Em sessão extraordinária nesta tarde, o Conselho dos Direitos da População LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) do estado e movimentos sociais traçaram as principais diretrizes do centro. Ativistas e usuários do sistema fizeram demandas e tiraram dúvidas. Eles propuseram mais protagonismo dos usuários no controle da gestão do centro e na sugestão de ajustes de demandas e insumos. Outras preocupações diziam respeito às formas de garantir o tratamento pós-operatório e a cirurgia de construção de pênis para mulheres trans, que ainda é de caráter experimental no país e não é feito no Rio.

O microempreendedor Bruno Chaves, 28 anos, está na fila de espera para uma mastectomia desde 2013. Os exames que precisou fazer perderam a validade e agora ele faz campanha na internet para tentar angariar cerca de R$8 mil para fazer a cirurgia em um hospital particular. “Na teoria o centro é lindo, se existir vai ser perfeito, mas por enquanto não tenho expectativas”, disse.

O superintendente de Saúde da Uerj, Edmar Santos, explicou que a nova unidade pretende atender as novas demandas impostas pela política nacional sobre o tema. “Esta é uma parceria com outros órgãos, que deve ter financiamento de outros órgãos, pois não temos com fazer com recursos próprios. Se houver investimento, será possível fazer cerca de 40 cirurgias por semestre, considerando duas cirurgias por semana”.

O representante da Uerj lembrou dos papeis fundamentais da instituição, que precisam ser fortalecidos, que são capacitar profissionais e desenvolver conhecimento científico de pesquisa para melhorar as políticas de saúde. Atualmente, existem apenas três profissionais especialistas em cirurgias de transgenitalização no sistema público de saúde do Rio.

A ativista Kathyla Katheryne, 48 anos, esperou seis anos na fila para efetivar a cirurgia de trangenitalização feminina. “Há meninas que esperam até mais para fazer a cirurgia. Mas a portaria do Ministério da Saúde preconiza que essa espera seja de até dois anos”, disse. “O processo transexualizador no Brasil foi criado quase como um tropeço. O acaso gerou a construção de um projeto. O hospital aqui foi credenciado porque o médico fez um curso lá fora, mas não há aperfeiçoamento técnico para o aperfeiçoamento dessas cirurgias. E o Brasil não fabrica dilatadores vaginais”, acrescentou, ela ao explicar que a transexual precisa de dilatadores para manter aberto o canal vaginal feito pela cirurgia.

Os ativistas lamentaram que as políticas públicas e portarias do Poder Público voltadas para esse público tenham sido quase sempre consequência de cumprimento de decisões judiciais de indivíduos e grupos que se sentiram lesados pelo Estado, excluídos de direitos fundamentais.

Os recursos garantidos para o segundo semestre são de R$1,6 milhão, mas os órgãos envolvidos tentam por meio de articulações com os Ministérios da Saúde e do Planejamento e a Secretaria de Saúde do Rio viabilizar o projeto de forma permanente.

(Flávia Villela, Rede Brasil Atual)

Ex-diretor de colégio é detido por pagar por sexo com 12 mil mulheres, incluindo menores

Um ex-diretor de colégio japonês foi detido nesta quarta-feira sob a suspeita de ter mantido relações sexuais pagas com mais de 12 mil mulheres, incluindo menores de idade, durante muitas viagens às Filipinas, informa a imprensa local.

O homem foi detido depois da apresentação de uma denúncia de uma adolescente de 13 anos, vítima do acusado.

Yuhei Takashima catalogou de maneira minuciosa quase 150 mil fotos das mulheres em 400 álbuns, em um período de 27 anos, supostamente porque desejava “guardar recordações” das relações, informaram a agência de notícias Jij e outros meios de comunicação.

Takashima, de 64 anos, afirmou à polícia que começou a pagar por suas relações sexuais quando foi enviado por três anos a uma escola japonesa em Manila, em 1988, segundo a agência Jiji.

Depois, ele estabeleceu um ritmo de três viagem por ano às Filipinas, acumulando um total de 65 estadias, de acordo com a imprensa.

O japonês teria mantido relações sexuais com 12.600 mulheres, de 13 a 70 anos.

A polícia de Kanagawa, perto de Tóquio, não confirmou as informações da imprensa.

(France Presse)

A transfobia nossa de cada dia: o caso Bruna Salles

Foto Créditos: Facebook Bruna Salles

Foto Créditos: Facebook Bruna Salles

Usar o banheiro é algo comum, não é? Em geral, as pessoas sentem vontade de ir ao banheiro e vão. Fazem suas necessidades sem nenhum problema ou transtorno. Mas isso não vale para pessoas transsexuais e travestis. Muitas de nós, quando vamos a estabelecimentos públicos e tentamos usar o banheiro feminino, somos expulsas de lá, as vezes agressivamente, pelos seguranças, que nos consideram “homens” e nos impõe a utilização do banheiro masculino.

Se no banheiro feminino querem nos expulsar, no masculino somos assediadas, ridicularizadas e chamadas de “traveco”. Meu texto de hoje, segue um curso diferente dos demais, quero falar sobre algo que aconteceu com uma amiga minha travesti de Fortaleza que é modelo e dançarina, Bruna Salles. Ela foi barrada e expulsa de um banheiro em um estabelecimento de uso público. Tendo sido humilhada por querer usar o banheiro feminino, no qual ela se sente a vontade, e que condiz com sua identidade de gênero. Antes de qualquer análise, quero que leiam o relato de Bruna com atenção:

Fui convidada a conhecer, pela primeira vez, um estabelecimento/barraca de praia chamado “Sunrise” no dia 25 de Março por amigos e aceitei o convite. A tarde, chegando na barraca fui ao banheiro do estabelecimento e entrei normalmente. No final da tarde, por volta das 15h,  voltei ao banheiro e fui barrada por dois seguranças (um homem e uma mulher). Eles disseram que receberam ordens de superiores através de seus pontos no ouvido e de rádio – equipamento que eu nem sabia existir. As ordens diziam que eu não poderia entrar em banheiro feminino e que se eu quisesse ir ao banheiro, teria que me direcionar ao banheiro masculino, sendo que os banheiros da barraca só tem uma única entrada, o que tornava o fluxo de homens e mulheres bastante intenso. Enfim, fiquei em estado de choque e não consegui reagir, mesmo sendo uma pessoa de personalidade muito forte. Fazia tempo que não me deparava com uma situação tão humilhante em um lugar tão público. Tudo que eu queria era um buraco pra me esconder. A única coisa que tive coragem de falar foi vou: ‘procurar meus direitos‘ ao que o segurança homem respondeu em alto e bom som: ‘essa lei não existe aqui na barraca’. Por fim ligamos pro PROCON. Saindo percebi piadas, cuchichos e dedos apontados pra mim. Então, me retirei de vez da barraca e fui embora abalada moralmente e me sentindo humilhada. Quero minha dignidade de volta!

Este depoimento, concedido a mim com exclusividade pela Bruna, possui importantes elementos para analisarmos como a cidadania de pessoas trans e travestis é precária e limitada. Como nos obrigam a existir como sujeito não-humanos, sem direito nem de sequer usar o banheiro.

Antes de prosseguir, informo que tentei contato com o estabelecimento sem ter sido atendida, e que já encaminhei Bruna para o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra, em Fortaleza, para que ela processe a Barraca Sunrise e tenha seus direitos garantidos e possa, quem sabe, ter sua dignidade legalmente reconhecida apesar da violência a qual foi exposta.

Contudo, existem muitas perguntas a serem feitas neste caso: De quem foram as “ordens superiores”? O que dá direito aos demais de ridicularizarem-na?  A resposta desta é clara: o fato dela ser travesti. Sabemos que a existência de alguém que transgride as normas de gênero é sempre um problema para a “cis-heteronorma”, e se torna também um problema para o nosso sistema jurídico. Porém, Bruna não está sozinha. Coletivos LGBTs de Fortaleza estão organizando um ” beijaço” e “banheiraço” na barraca. Eu, aliás, estarei presente.

Este caso é mais um, entre tantos, Brasil a fora, de pessoas trans e travestis expulsas de banheiros públicos. É preciso que se construa uma legislação nacional com relação a isso. Medidas punitivas para empresas que desrespeitarem as pessoas trans e travestis. Uma legislação de incentivo fiscal para empresas que cumprirem a legislação e promoverem o enfrentamento à homotransfobia, e mais, a aprovação urgente da Lei João Nery para que não dependamos de um procedimento interminável, médico e legal. Para que nosso gênero seja reconhecido.

Outro importante aspecto são os comentários que li sobre o caso. As pessoas insistem em perguntar: “Mas ela é operada?”. Ao que deduzo que se ela fosse “operada” poderia usar o banheiro feminino, caso contrário não. Então nosso gênero se limitaria ao genital? E quando um homem perde o pênis vitimado por um câncer ou mutilado em uma guerra? Ele automaticamente deixaria de ser homem e deveria usar o banheiro feminino? John Money, lá nos idos dos anos 50, nos mostrou que Gênero e Genital são coisas de ordem distintas, sem contar que: O meu genital importa pra quem além de mim?

Esta coluna informa pouco, mas digo veementemente: Não a transfobia! Travesti não é bagunça! Mexeu com uma, mexeu com todas!

(Por Fernanda Dantas Vieira, via http://www.revistaforum.com.br/osentendidos)

 

Onde estavam as travestis durante a Ditadura?

Foto de Juca Martins

” (…) certas vidas não se qualificam como vidas, ou, desde o princípio não são concebidas como vida, dentro de certos marcos epistemológicos, então, tais vidas nunca se considerarão vividas ou perdidas no sentido pleno de ambas as palavras”. (BUTLER, Judith. Marcos de Guerra: las vidas lloradas. 2010, pg. 13)

A história é uma narrativa, disso não há dúvidas. Quando abrimos um livro de história, ou ouvimos uma aula, ou estudamos para o vestibular, sabemos que aquilo que nos é contado é uma narrativa, uma forma de interpretar os fatos, a partir de certa perspectiva relacionada a um sujeito específico. Uma forma de olhar, ou como nos diria Donna Haraway, em seu artigo, “Saberes Localizados“, uma tecnologia do olhar. Um saber localizado, a partir dos “corpos que importam” naquele contexto. Com a história da Ditadura ocorreu o mesmo. Nós aprendemos a lê-la e conhecê-la a partir de narrativas de heróis: Carlos Marighela, Vladimir Herzog, Frei Tito, e tantos outros nomes, que nos surgem em narrativas (merecidamente) heróicas de luta pela democracia. Aos poucos, a história começa a nos contar nomes de mulheres, um trabalho árduo de pesquisadoras e feministas que olham novamente para aquele período e se perguntam: Onde estavam as mulheres? Assim surgiram nomes de mulheres vitais na luta contra o Regime Militar de 64: Amélia Teles, Ana Maria Aratangy, Crimeia de Almeida, Nildes Alencar, Maria Aparecida Contin, entre outras. Mulheres que foram invisibilizadas pelos relatos hegemônicos (masculinos) do período, mas que têm surgido como nomes importantes na luta pela redemocratização do país.

transbordando

O saber histórico, ou seja, das narrativas, está em constante disputa. Precisa ser visto e revisto o tempo todo. No caso específico das pessoas transexuais, travestis, gays e lésbicas, é preciso um esforço na releitura do período da Ditadura civil-militar para encontrarmos nossa participação. Tanto as violações que sofremos, quanto nossa participação nas lutas, como foi o caso de Herber Daniel, do Colinas (Comando de Libertação Nacional), organização à qual também pertenceu Dilma Roussef, nossa atual Presidenta.

Herber Daniel (Herbert Eustáquio de Carvalho), como nos relata o historiador James Green, brasilianista da Brown University, que por ser um homem gay, teve de esconder sua sexualidade para poder pertencer ao coletivo de luta anti-golpe, uma vez que a figura do homossexual, era tão apagada, desprezada e temida, que nem mesmo nos meios de esquerda eles eram aceitos. O homem gay afeminado não “combinava” (cof) com a Revolução, havia, obviamente, um ideal de corpo revolucionário – este era geralmente viril, forte, másculo, heterossexual, cisgênero -, e não um corpo “degenerado”, “perverso”, “doentio” e “afeminado”.

Assim como Hebert, suponho que muitos outros homossexuais não podiam viver sua sexualidade livremente dentro de coletivos anti-golpe. Mas não foi apenas na “esquerda” que enfrentamos a intolerância e o preconceito. O governo autoritário da Ditadura Militar, tinha também, obviamente, um ideal de “povo” e de corpo são. Para isso, pôs em curso, um processo de higienização e caça à homossexuais, travestis, transexuais, e todo e qualquer desviante sexo-gênero, e “degenerados”. Amparados por uma ideologia cristã de família e moral, os governos municipais e estaduais realizaram verdadeira caça à homossexuais e travestis no Brasil, como nos conta o relatório da Comissão Nacional da Verdade – CNV , em capítulo destinado à violência contra a população LGBT.

O processo de limpeza e higienização era feito através de “rondões”, nas palavras do relatório da CNV, escrito por Renan Quinalha:

Em 1º de abril de 1980, O Estado de São Paulo publicou matéria intitulada “Polícia já tem plano conjunto contra travestis”, no qual registra a proposta das polícias civil e militar de “tirar os travestis das ruas de bairros estritamente residenciais; reforçar a Delegacia de Vadiagem do DEIC para aplicar o artigo 59 da Lei de Contravenções Penais; destinar um prédio para recolher somente homossexuais; e abrir uma parte da cidade para fixá-los são alguns pontos do plano elaborado para combater de imediato os travestis, em São Paulo”. (Relatório CNV, pg. 297)

Ainda segundo o mesmo relatório, foi estabelecido formas de  “medir” o corpo das travestis, recolher suas imagens para “averiguação” a fim de determinar o quanto perigosas elas poderiam ser. O risco que ofereciam, nas palavras da Polícia, era de perverter e incentivar a juventude, além de propagar tais “abomináveis” práticas. Foi estabelecida uma associação direta entre os desvios sexo-gênero e a ideologia comunista. De modo que, a prisão de homossexuais e travestis, deveria ser feita de forma prioritária, como uma das formas de combate à perversão perpetrada por “comunistas”.

É importante perceber a ênfase sobre a “imagem” da travesti. No período da Ditadura, conhecemos nomes de travestis que se saíram muito bem, como é o caso da travesti Rogéria. Mas que imagem ela possuía? Porque não era uma imagem perseguida? Esta não é uma reflexão que caiba neste texto, talvez em um próximo. Mas pensarmos acerca disso é importante.

No RJ, a travesti, negra e chacrete, Weluma Brum, nos relata suas experiências com a polícia. Naquele momento, Weluma nos narra, que certa vez, ao ser parada pela polícia enquanto se prostituía na Central do Brasil-RJ, fora obrigada a fazer sexo oral nos policiais para não ser presa. Isso depois de apanhar de 4 policiais, que lhe batiam e davam choques. Depois, Weluma conheceu a estratégia mais comuns entre as travestis para evitar a prisão, segundo ela “Nós nos cortávamos com gilete, para que os policias não nos prendessem, vejam aqui, tenho ainda cicatrizes. Eles tinham medo que a gente se cortasse”. Este medo, é claro, advinha do estigma de serem soropositivas, afinal, é neste período que a AIDS é considerada ” o câncer gay”, a partir de uma cruel biopolítica.

Outro importante aspecto do depoimento de Weluma, é quando ela diz: “Eu não sabia o que era uma travesti, jamais tinha ouvido falar disso”. No período da Ditadura, como nos relata o texto final da CNV, outra forma de perseguir e invisilibizar travestis e gays é a censura, que impedia que o tema fosse falado, comentado, na televisão e em jornais. O jovem homossexual, a jovem trans ou travesti, não tinha como saber de sua sexualidade ou de sua identidade de gênero. Não havia representação na mídia, revistas, ou outras formas de conhecimento. O que havia era aquilo que Hannah Arendt chama de ” profundo sentimento de não-pertencer”, o pensar estar sozinho ” Será que apenas eu sou assim? “. Havia bares e todo um sub-mundo “gay”, frequentemente invadidos pela polícia, e de difícil acesso para o jovem homossexual ou travesti pobres. Não havia parâmetro de identificação com outros sujeitos como eles. Havia, outrossim, os discursos pecaminosos. Na pesquisa para a elaboração deste texto, não tive contato com nenhuma pesquisa sobre a taxa de suicídio de jovens durante a Ditadura Militar, suponho que deva ter sido alta, sobretudo entre os jovens LGBTs (termo ausente naquele período).

Também gostaria de exemplificar, com um trecho do Relatório da Comissão Nacional da Verdade, o olhar que a Ditadura civil-militar de 64, possuía acerca de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e demais desviantes sexo-gênero:

A Revista Militar Brasileira, por exemplo, entusiasta do golpe, publicou artigos lamentando o declínio moral e o perigo da homossexualidade para a sociedade defendida por eles. Em 1968, no artigo “Rumos para a educação da juventude brasileira”, o general Moacir Araújo Lopes, membro do conselho editorial da revista, culpou a “infiltração comunista” feito por “pedagogos socialistas-radicais” como a causa do “desastre” cultural, religioso e sexual que a juventude vivia: “realmente, como designar a aceitação do homossexualismo, a vulgarização, entre a mocidade, do uso de entorpecentes e de anticoncepcionais, o enaltecimento do adultério, a aceitação pública da troca de esposas por uma noite, etc., etc., etc.”. Em 1969, o general Márcio Souza e Melo escreveu que “publicações de caráter licencioso (…) poder[ão] despertar variadas formas de erotismo, particularmente na mocidade, (…) contribuindo para a corrupção da moral e dos costumes, (…) sendo uma componente psicológica da Guerra Revolucionária em curso em nosso País e no Mundo”. Já em 1970, na revista Defesa Nacional, um autor, que usou um pseudônimo, argumentou que a mídia estava sob a influência da “‘menina dos olhos’ do PC” ( Partido Comunista, parênteses incluído por mim)  e que os filmes e a televisão estavam “mais ou menos apologéticos da homossexualidade”. O general Lopes também publicou, na Defesa Nacional, um artigo contra “a subversiva filosofia do profeta da juventude” Herbert Marcuse, cuja filosofia promovia “homossexualismo” junto com “exibicionismo, felatio e erotismo anal”, além de ser parte de um plano de “ações no campo moral e político que (…) conduzirão seguramente ao caos, se antes não levassem ao paraíso comunista”. (Relatório CNV, pg. 292)

Além da caça à homossexuais e travestis nas ruas, para “limpeza”, empreendeu-se forte mecanismo de censura contra jornais, revistas, ou quaisquer outros meios que dessem alguma visibilidade a essas pessoas transviadas. Notório foi o caso do jornal “O Lampião da esquina“, destinada ao público homossexual, e que foi combatida amplamente pela censura, porém resistiu.

Quero destacar aqui, que para o olhar da Ditadura e dos sujeitos naquele período, não havia a distinção entre orientação sexual e identidade de gênero, como hoje o fazemos. Éramos todos “homossexuais” para eles. De modo que os registros da Ditadura, não esclarecem com clareza quem era travesti e quem não era.

Outro aspecto importante é sabermos que durante este período a homossexualidade (então conhecida como “homossexualismo”) era entendida como uma patologia. Muitos gays, lésbicas, travestis e transexuais foram internadas em manicômios como o Manicômio do Juquery, em SP, e o Manicômio de Barbacena, em MG. Alguns dos relatos destas pessoas podem ser conhecidos nos textos da historiadora Maria Clementina, do Departamento de História da Unicamp.

Quero ressaltar ainda a participação das lésbicas na resistência à Ditadura, com destaque à Cassandra Rios, autora do livro, censurado e proibido em livrarias, “Eudemônia”. Cassandra foi diversas vezes processada e perseguida pela Ditadura, não tendo havido ninguém que a defendesse ou se mobilizasse contra a perseguição realizada contra ela. No movimento LGBT, lembramos sempre da Revolta de Stonewall, e esquecemos (ou desconhecemos) que o Brasil teve também a ” mini-revolta de Stonewall” que ocorreu em São Paulo, no Ferro’s Bar, bar em que lésbicas reagiram a tentativa de expulsão delas, tanto pelo dono do estabelecimento, quanto pela polícia. Naquele espaço, panfletos de luta e liberdade sexual eram vendidos, e o ainda incipiente ativismo era discutido.

Renan Quinalha e James Green, recentemente lançaram um livro sobre o tema intitulado: “Ditadura e homossexualidades: Repressão, Resistência e busca da verdade” (Publicado pela EdUFSCar. Conversei ontem com Renan acerca do título do livro, e perguntei: “Por que homossexualidades?”, Renan me respondeu que não queriam ser anacrônicos, pois naquele momento, não havia a sigla “LGBT” e nem tampouco, se falava em “travestis”. A justificava do autor é plausível, porém, é importante a problematização (que o livro traz já em seu primeiro capítulo) de que a travestilidade e a transexualidade não são “tipos de homossexualidade”, como sugere o título, uma vez que, já o sabemos com clareza desde Gayle Rubin e o artigo “Traffic in women: notes on the political economy of sex“, que orientação sexual e identidade de gênero são conceitos distintos. No caso específico do livro de Quinalha, é importante notar que, para o olhar da Ditadura, a travesti é apenas mais um tipo de ” gay”, e que o livro, por pretender-se fiel ao período, optou por tal nomenclatura.

O trabalho de encontrar onde estávamos ao longo da Ditadura apenas começou. Os sujeito desviantes, passam, agora, pelo momento de olhar para si, e se perguntar “Onde estávamos? “. O que sabemos hoje, é que a violência contra a comunidade LGBT, se deu em diversos âmbitos, na limitação de suas potências artísticas, na participação política, no trabalho, no exercício da liberdade, no conhecimento de si mesmo. Na patologização (ainda hoje sofrida pelas pessoas trans).

Post Scriptum: A foto ilustrativa da matéria pertence ao fotógrafo Juca Martins, que pode ser conhecido através do hiperlink associado ao nome do fotógrafo.

 

(Por Fernanda Dantas Vieira, via http://www.revistaforum.com.br/osentendidos)

Estado americano aprova lei que permite proibição de gays em estabelecimentos

Washington, 26 mar (EFE).- O governador de Indiana, nos Estados Unidos, o republicano Mike Pence, aprovou nesta quinta-feira uma lei que dá carta branca aos comércios desse estado para proibir a entrada de casais de homossexuais em nome da “liberdade religiosa”.

“Este projeto de lei não é discriminatório, e se eu pensasse que legaliza a discriminação de alguma maneira, o teria vetado”, defendeu Pence, que disse que a lei garante que “a liberdade religiosa esteja totalmente protegida sob a legislação de Indiana”.

“A Constituição dos Estados Unidos e a Constituição de Indiana proporcionam um forte reconhecimento da liberdade de religião mas, hoje em dia, muitas pessoas de fé sentem que sua liberdade religiosa está sendo atacada pela ação do governo”, argumentou.

Esta nova legislação anularia as leis estaduais e locais que “impedem” a habilidade das pessoas, incluídos negócios e associações, de seguirem suas crenças religiosas.

A controvertida iniciativa despertou a oposição de associações defensoras dos direitos dos homossexuais e da Associação Nacional Atlética Colegial (NCAA), que deve jogar a final de basquete masculino daqui a duas semanas em Indianápolis, a capital de Indiana.

“Estamos examinando os detalhes desta lei. No entanto, a NCAA está comprometida com um ambiente inclusivo, onde todos os indivíduos podem desfrutar do mesmo acesso aos eventos”, disse em comunicado o grupo da NCAA de Indianápolis.

A Indiana é o primeiro estado a aprovar uma mudança legislativa deste tipo, e no estado da Califórnia uma iniciativa popular também provocou nesta semana a firme rejeição de organizações defensoras dos direitos dos homossexuais.

(EFE)

Bandidos invadem sauna gay, estupram clientes e são presos de cueca no telhado

Você já deve ter ficado meio chocado logo no título, né? Mas o bafo é sério: seis homens armados (com armas de verdade) renderam cerca de 50 pessoas em um assalto dentro de uma sauna gay na 503 Sul, área central de Brasília, na noite da última quarta-feira (25). Testemunhas que estavam no local afirmam que três clientes foram abusados sexualmente. Os quatro adultos e dois adolescentes foram rendidos pela Polícia Militar quando tentavam fugir pelo telhado. Alguns deles ainda estavam de cueca.

Por volta das 22h, três homens teriam abordado os usuários, dando coronhadas e chutes nas pessoas que não quisessem se deitar. Enquanto isso, os outros três pegavam itens no armário e no caixa e revistavam o estabelecimento. Ao todo, foram roubados 12 celulares, dinheiro e relógios.

“Eles já subiram anunciando o assalto. Aí cada bandido já subiu para um andar do prédio e foi mandando todo mundo descer para um local só, para a recepção. Todo mundo ficou na recepção e mandavam deitar, entendeu, eles mandavam deitar”, disse uma vítima.

Um funcionário conseguiu escapar e chamou a polícia. O aspirante Guilherme Fonseca conta que a equipe foi imediatamente para o local. “Vimos a porta do estabelecimento semiaberta, e nesse momento a gente avistou um dos indivíduos que estava cometendo o assalto, e ele correu.”

Os adultos foram levados para a delegacia da região e os adolescentes para a unidade especializada. A Polícia Civil informou que investiga por quais crimes eles vão responder.

Vídeo do Youtube: 

Alô, Camilo Santana! É hora de tirar do papel a Coordenadoria LGBT do Ceará

O Núcleo LGBT do Partido Verde está cobrando do governador Camilo Santana o funcionamento da Coordenadoria Especial de Políticas Públicos para LGBT. De acordo com o organismo, Camilo tomou posse, mas ainda não fez essa coordenadoria sair do papel. Em nota, o PV Diversidade externa sua preocupação, que chegou também a todos os deputados estaduais.

O Núcleo quer que a bancada estadual intervenha junto ao Governo do Estado cobrando a nomeação de um profissional para ser o titular dessa pasta, além da retomada dos trabalhos desse organismo. Em nota, Thiago Costa, ativista Núcleo PV Diversidade acentua:

“Precisamos urgentemente que sejam retomados os trabalhos da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas LGBT do Governo do Estado do Ceará, pois é inadmissível esse retrocesso. As denúncias não estão sendo devidamente apuradas e, mais que isso, muitas das conquistas estão sendo violadas”.

Via http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/alo-governador-e-hora-de-tirar-papel-coordenadoria-lgbt-ceara/

Homofobia motivou um assassinato a cada 27 horas em 2014 no Brasil

Em 2014, 326 pessoas morreram no Brasil em razão da homofobia, o que significa um assassinato a cada 27 horas.  Os dados fazem parte do Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil, divulgado em fevereiro pelo GGB (Grupo Gay da Bahia). 

O levantamento é feito com base em notícias veiculadas na imprensa. De acordo com o documento, o número de casos cresceu em 4,1 % na comparação com 2013.

A subnotificação impede uma radiografia fiel da realidade.  O antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB e coordenador da pesquisa,  estima que todos os dias, no mínimo, um homicídio com motivação homofóbica ocorra no País, o que coloca o Brasil no topo do ranking.

— Hoje, 50% dos assassinatos de pessoas trans no mundo acontecem no Brasil.

Mott afirma que os crimes contra os LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) são marcados pela imprevisibilidade.

— A falta de um padrão sistemático, regular da intolerância e da violência é um problema. A única tendência fixa é que sempre são mais gays [vítimas]. Em segundo lugar, as travestis e, em terceiro, as lésbicas.

O antropólogo completa, enfatizando que, em termos relativos, travestis e transgêneros estão mais expostos, uma vez que essa população não chega a 1 milhão no País, enquanto a de gays está na casa dos 20 milhões, conforme organizações que atuam junto a esses segmentos. Uma das explicações para essa vulnerabilidade estaria no estilo de vida marginalizado.

— Ninguém quer empregar uma travesti. Na escola, elas são humilhadas, expulsas e a prostituição se torna meio de sobrevivência.

Dos 326 mortos registrados no levantamento de 2014, 163 eram gays, 134 travestis, 14 lésbicas.

Disque 100

Dados do Disque 100, serviço mantido pela SDH/PR (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), apontam que das denúncias de violência homofóbica recebidas no ano de 2014, em 67,10% as vítimas eram homens; 19,45%, mulheres e, em 13,45% dos registros, o sexo não foi informado.

Conforme as estatísticas do serviço, os alvos mais recorrentes são gays (20,05%), travestis (11,57%), lésbicas (9,51%) e transexuais (8,31%). A faixa etária mais vulnerável é a de 18 a 24 anos, que corresponde a 31,71% das vítimas, segundo a SDH/PR.

Violência física e psicológica

?Entre as denúncias de violência física contra LGBTs recebidas pelo Disque 100, a lesão corporal foi a mais frequente, totalizando 188 registros. Maus-tratos e homicídio aparecem na sequência, com 148 e 35 casos, respectivamente.

Já quando a violência é psicológica, a humilhação está no alto da lista. Foram 659 denúncias levadas à central em 2014. Em segundo lugar, vem a hostilização (592), seguida por ameaça (349), Calúnia/injúria/difamação (149) e perseguição (111).

Os tipos de violações contra LGBT mais recorrentes no ano passado foram: discriminação, com 864 registros (85,29%);  violência psicológica, com 781 (77,10%) e violência física, com 284 (28,04%).

No acumulado, o número de denúncias de violência homofóbica recebidas pelo serviço foi de 1.013, 40% a menos do que em 2013 (1.695 registros).

País de contradições

Na análise do antropólogo e ativista Luiz Mott, o Brasil é permeado por contradições.

— O Brasil tem um lado cor-de-rosa:  a maior parada gay do mundo, a maior e mais dinâmica associação LGBT do mundo [ABGLT], as novelas estão cada vez mais incluindo personagens gays, lésbicas e trans. Há ainda conquistas institucionais importantes, como o casamento homoafetivo, o nome social para travesti em mais de 20 entidades, universidades e até Ministério Público. Mas, ao mesmo tempo, há um lado vermelho sangue, que é representado pelos assassinatos. Diferentemente do Irã, do Sudão, onde há pena de morte contra os homossexuais, o Brasil não tem legislação punitiva, mas aqui se mata muitíssimo mais do que nos países onde há pena de morte.

Para a especialista em questões de gênero, escritora, psicanalista e professora da USP (Universidade de São Paulo) Edith Modesto, o aumento da aceitação das diferenças de orientação sexual por parte da sociedade e a maior incidência do tema nos meios de comunicação explicariam, de certa forma, as reações violentas contra a população LGBT.

— As pessoas com problema, que a costumamos chamar de homofóbicas, ficam muito amedrontadas quando veem que isso está caminhando. É uma dialética. A coisa está melhorando por um lado, o respeito é maior, está havendo um movimento interno nas pessoas de aceitação, de acolhimento das diferenças. Por outro lado, aqueles que já têm o problema mais acentuado ficam apavorados e  começam até a recrudescer. Então, o preconceito vira rejeição, intolerância e passa da paixão para a ação. Assassinato, agressão física, xingamento.

Na avaliação da psicanalista, apesar da sensação de que há um retrocesso, hoje o homossexual “existe” socialmente.

— O homossexual já “existe”. Mesmo que a pessoa não aceite. Antes, ele nem podia existir, não era um sujeito, tinha que viver à margem da sociedade, porque não tinha um lugar como cidadão. As coisas melhoraram um pouco. Mas pouco.

A professora da USP entende que a intervenção do Estado na questão, por meio de projetos e de leis, é fundamental para contornar o problema das agressões contra os LGBTs e para evitar que essa população fique à margem.

— Eu luto para ter uma casa de passagem para jovens, para que eles possam estudar, viver fora da família enquanto houver essa dificuldade […] Penso também que temos que ter leis que protejam as diferenças. Por exemplo, as diferenças étnico-raciais estão protegidas. As diferenças de orientação sexual e de identidade de gênero não estão. A proteção legal é fundamental. É preciso leis que protejam essas pessoas para que elas sejam respeitadas mesmo por aqueles que não são a favor das diferenças.

Luiz Mott também enfatiza a urgência na aprovação de leis para frear a violência anti-homossexual, que, segundo estatísticas do GGB, atingiu nos últimos quatro anos patamares nunca vistos – média de 310 assassinatos anuais.

— Do mesmo modo que hoje em dia todo mundo se policia para não fazer piada racista, eu tenho muita convicção de que a penalização da homofobia com multa e com prestação de serviços em Organizações Não Governamentais LGBT vai ter um impacto importante, sobretudo, com o apoio da mídia e com o governo fazendo seu papel.

Além de legislação que garanta a cidadania da população LGBT, Mott defende como medida de erradicação dos crimes homofóbicos, a educação sexual para ensinar o respeito aos direitos humanos dos homossexuais e a exigência de que a polícia e a Justiça investiguem e punam esse tipo de crime. Para ele, é importante ainda que gays, lésbicas, travestis e transexuais  evitem situações de risco.

Via Tribuna Hoje

James Franco sobre sexualidade: “Sou gay na minha arte e hétero na vida”

Alvo de constantes boatos com relação à sua sexualidade, James Franco se pronunciou sobre o assunto em entrevista à revista Four Two Nine e contou que se considera gay… até certo ponto.

“Bem, eu gosto de pensar que eu sou gay na minha arte e hétero na minha vida. Embora, eu também seja gay na minha vida, mas só até o ponto da relação sexual, a partir daí você poderia dizer que eu sou hétero. Então, eu acho que depende de como você define gay. Se isso significa com quem você faz sexo, eu acho que eu sou hétero”, declarou.

“Mas nos anos 20 e 30, eles costumavam definir homossexualidade pela forma como você age e não por quem você dormiu. Marinheiros f* caras o tempo todo, mas por se comportarem de maneira masculina, eles não eram considerados gays”, continuou.

Em 2014, a vida pessoal do ator virou notícia no Brasil em razão do suposto affair comThaila Ayala. No seu novo longa, I Am Michael, James interpretará Michael Glatze, um ativista dos direitos homossexuais que passa a condenar sua própria condição, arranja uma namorada e transforma-se em pastor ferrenho na luta contra os gays.

(Revista Quem)

Igreja presbiteriana dos EUA aprova casamento entre pessoas do mesmo sexo

A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, com pouco menos de 2 milhões de fiéis, votou na terça-feira (17) uma reforma que amplia sua definição de casamento para incluir os casais homossexuais.

A igreja, a maior denominação presbiteriana, fez o anúncio depois que a maioria de seus 171 órgãos de governo regionais aprovaram as mudanças.

A Constituição revisada desta igreja sustenta agora que o casamento é “um compromisso entre duas pessoas, tradicionalmente um homem e uma mulher”.

Este texto substitui um anterior que mencionava que o casamento era a união “apenas de um homem e uma mulher”.

Em 2011 a mesma igreja aprovou a ordenação de sacerdotes abertamente gays ou lésbicas.

(France Presse)

Confira o que funciona e não funciona no feriado de São José em Fortaleza

Nesta quinta-feira, 19, será o dia de São José, festa religiosa católica do santo padroeiro do Estado. Em Fortaleza, o dia de São José é oficializado como feriado pela lei 8.796, de 9 de dezembro de 2003, sancionada pelo então prefeito Juraci Magalhães.

O dia de São José é um marco para o sertanejo que, pela crença popular, acredita que a chuva ou a ausência dela neste dia indica se haverá ou não quadra chuvosa favorável ao plantio. Confira o funcionamento na Grande Fortaleza:

Instituto Doutor José Frota (IJF)
Nesta quinta-feira, 19, a emergência e o atendimento hospitalar funcionará normalmente com equipes de plantão 24 horas.

Cagece
Funcionará em regime de plantão, pelo telefone 0800 2750 195 e site http://www.cagece.com.br.

Coelce
O atendimento ao cliente funcionará com a Central de Relacionamento (0800.2850196) normalmente, 24 horas por dia, oferecendo todos os serviços da companhia. As lojas de atendimento estarão fechadas durante o feriado e abrirão normalmente na sexta-feira, 20.

Hemoce
O hemocentro coordenador funciona de 8h às 13h na quinta-feira, 19, e o Posto de Coleta no IJF, das 13h às 17h30min.

Supermercados
Funcionamento normal, conforme a Associação Cearense de Supermercados (Acesu).

Bancos
Os bancos fecham na quinta-feira, 19, e o atendimento volta a partir das 10 horas de sexta-feira, 18.

Postos de Gasolina
O funcionamento é facultativo, dependendo do posto, segundo o Sindipostos-CE.

Lojas
O feriado desta quinta-feira, 19, é facultativo, conforme o Sindlojas.

OFF Outlet Fashion Fortaleza
Funcionamento normal, das 9h às 21h.

(O Povo)

Levy Fidelix é condenado a pagar R$ 1 milhão por declarações homofóbicas

O ex-candidato à presidência da República pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) Levy Fidelix foi condenado, na última sexta-feira, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a pagar uma multa de R$ 1 milhão numa ação civil pública por danos morais movida pelo movimentos Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT). Em 28 de setembro de 2014, quando participava de um debate na TV, ao ser questionado sobre o motivo pelo qual muitos dos que defendem a família se recusam a reconhecer o direito de casais de pessoas do mesmo sexo ao casamento civil, ele respondeu que “dois iguais não fazem filho” e “aparelho excretor não reproduz”. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

Na ocasião, Fidelix comparou a homossexualidade à pedofilia, afirmando que o Papa Francisco vinha promovendo ações de combate ao abuso sexual infantil, afastando sacerdotes suspeitos da prática. O candidato teria afirmado ainda que o mais importante é que a população LGBT seja atendida no plano psicológico e afetivo, mas “bem longe da gente”. O Tribunal de Justiça de SP considerou que as declarações do então candidato à presidência haviam “ultrapassado os limites da liberdade de expressão, incidindo em discurso de ódio”.

A sentença destaca ainda que muitos homossexuais sofrem agressões por causa de sua orientação sexual – algumas chegando a resultar em morte: “isso reflete uma triste realidade brasileira de violência e discriminação a esse segmento, a qual deve ser objeto de intenso combate pelo Poder Público, em sua função primordial de tutela da dignidade humana”. E concluiu, então, que, por esses motivos, “agiu de forma irresponsável o candidato Levy Fidelix e, em consequência, o seu partido ao propagar discurso de teor discriminatório. Na qualidade de pessoa pública formadora de opinião, que obteve número relevante de votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2014, ao discursar em rede televisiva a todo o Brasil, tinha o dever ético e jurídico de atuar em consonância com os fundamentos da Constituição”.

Segundo a sentença, os R$ 1 milhão da multa serão revertidos para as ações de promoção de igualdade da população LGBT, conforme definição do Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT.

Polêmica

As declarações de Levy Fidelix durante o debate causaram fortes reações e repercussão internacional. “Aparelho excretor não reproduz (…) Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar”, afirmou à época.

No Twitter, a hashtag #LevyVoceENojento chegou ao topo dos Trending Topics no Brasil. O britânico “The Guardian” também criticou as declarações do então candidato. Fidelix só ganhou apoio de políticos assumidamente conservadores e também alvos de polêmicas, como o deputado federal Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia.

Leia mais: http://extra.globo.com

Bonecas sexuais hiper-realistas são vendidas por até R$ 18 mil reais

Uma empresa em Duppigheim, perto de Estrasburgo, na França, fabrica bonecas sexuais hiper-realistas que são vendidas por 5.500 euros (R$ 18 mil). As bonecas feitas de silicone e estrutura de alumínio pesam cerca de 40 quilos.

Os clientes podem escolher no catálogo com base em quatro tipos de cabelos e cor dos olhos. Com três funcionários, a empresa produz cerca de 100 bonecas sexuais por um ano, principalmente para clientes europeus.

Via http://campomaioremfoco.com.br/bonecas-sexuais-hiper-realistas-sao-vendidas-por-ate-r-18-mil-reais.html

15 mulheres que mudaram o nosso jeito de ver o sexo e a feminilidade

Leila Diniz

Fernanda Maranha, IG SP

“Mulheres comportadas raramente fazem história”. Atribuída equivocadamente à diva Marylin Monroe, a frase de Laurel Thatcher Ulrich, historiadora americana vencedora do Pulitzer, serve bem para resumir a trajetória de brasileiras que foram fundamentais no avanço dos direitos femininos.

Da Marquesa de Santos no século 18 a contemporânea Valeska Popozuda, esses ícones femininos abriram o caminho para as que vieram depois delas. Mas para isso, precisaram enfrentar preconceitos e desafiar padrões que definem o que é uma ‘mulher comportada’.

Neste Mês da Mulher, o Delas aponta, com ajuda de especialistas em comportamento feminino e em sexualidade, quem são as mulheres que mudaram o nosso jeito de ver o sexo e a feminilidade.  

1 – Marquesa de Santos (1797 – 1867)

Para a história, Domitila de Castro Canto e Melo ficou conhecida como a amante de Dom Pedro I. Mas a Marquesa de Santos foi mais do que isso. Depois de ter sido ser agredida pelo marido, ela pediu a separação quando poucas tinham coragem de fazer isso. Logo depois, Domitila conheceu o imperador e decidiu se mudar para o Rio de Janeiro para ficar perto dele.

“Sem dúvida ela teve uma posição bem diferente das mulheres da época”, comenta a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora geral do Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (ProSex). Carmita ainda aponta a coragem de Domitila, que não escondia sua posição de amante do homem mais importante do Brasil na época.

2 – Dona Beja (1800 – 1873)
Ana Jacinta de São José, conhecida como Dona Beja, foi recebida em Araxá (MG) com muito preconceito. Para se vingar dos olhares tortos das mulheres da cidade, ela construiu um bordel onde recebia os maridos de suas detratoras, em troca de dinheiro e muitas joias.

Mas em sua cama só deitavam os homens que ela queria. “O caso de Dona Beja é bastante emblemático, caracteriza um tipo de comportamento que vai mudando”, avalia Carmita, a respeito das prostitutas e das casas de prostituição no País.

3 – Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935)
O fato de ser uma compositora e maestrina em pleno século 18 já faz de Chiquinha Gonzaga uma revolucionária. Mas ela também merece destaque por sua ousadia na vida pessoal. Com 52 anos e separada, Chiquinha sacudiu o Rio ao viver um grande amor com um jovem de 16 anos. “Isso é uma revolução até hoje”, afirma Mirian Goldenberg, antropóloga e autora do livro “Homem não chora. Mulher não ri” (Nova Fronteira).

4 – Nísia Floresta (1810 – 1885)
Nísia é considerada uma das precursoras do feminismo no Brasil por ter escrito o livro “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, aos 22 anos. Além disso, chocou a sociedade do século 19 ao deixar o marido para assumir um romance proibido.

5 – Pagu (1910 – 1962)
“A Pagu teve o papel de desmistificar o comportamento de gênero. Ela mostrou que pra ser mulher, não precisa ter um certo cabelo, roupa ou comportamento”, avalia Carmita sobre o ícone feminino, cujo nome de batismo era Patrícia Galvão. Militante política histórica, a artista fumava na rua, falava palavrões e usava roupas transparentes. Sem falar dos vários namorados que tinha sem se preocupar com o que iam dizer.

6 – Leila Diniz (1945 – 1972)
A atriz merece um capítulo a parte na história da mulher no Brasil. “Ela representa uma geração de mulheres que revolucionou o comportamento feminino nos anos 60”, ressalta Mirian. Um ato memorável de Leila Diniz foi ter ido à praia de biquíni grávida, mostrando a todos que a maternidade não exclui a sensualidade.

“Muitos dos hábitos que ela trouxe pela primeira vez foram adotados de forma muito mais comum”, analisa Carmita. Leila inclusive não tinha vergonha de falar sobre sexo. Uma declaração ao jornal O Pasquim ficou famosa: “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo.”

7 – Hilda Hilst (1930 – 2004)
Grande escritora brasileira, Hilda Hilst se diferenciou por ter uma vertente pornográfica, um universo ainda marcado pela produção e consumo para homens. “Algo que até hoje é muito mais aceito ao gosto masculino, mas não quer dizer que as mulheres não acessem e não se beneficiem”, pondera Carmita.

8 – Betty Faria (1941)
A atriz foi uma diva sexual nos anos 70 e 80, mas, até hoje, não perdeu sua majestade. Bem resolvida com a chegada da maturidade, Betty Faria não teve embraço em ir à praia de biquíni aos 72 anos, mesmo causando furor na mídia. “Assumir a idade e não ter vergonha do seu corpo também é libertário”, observa Mirian.

9 – Marta Suplicy (1945)
De família quatrocentona paulistana, a sexóloga e hoje senadora Marta Suplicy desafiou tabus de um País recém-saído da ditadura, falando de orgasmo e do prazer feminino na TV. “É essencial trazer a educação sexual como um fator importante para a população”, diz Carmita, citando a importância de Marta por ter difundido conhecimento neste tema.

10 – Carmita Abdo (1949)
Contribuindo com nomes desta lista, Carmita Abdo também merece estar nela, especialmente pelo seu papel fundamental na pesquisa do comportamento sexual. Mesmo com mais de dez anos de realizado, o grande levantamento que ela conduziu sobre sexualidade no Brasil ainda é uma importante referência. O estudo deu origem ao livro “Descobrimento Sexual do Brasil” (Summus).

11– Sônia Braga (1950)
Vivendo como ninguém personagens do escritor Jorge Amado, um mestre em retratar o sexo no Brasil, Sônia Braga representou o desejo ao sul do Equador ao encarnar Gabriela e Dona Flor. “Ela foi um ícone da sensualidade e sexualidade dentro da sua época. E trouxe isso com uma grande elegância. Ela trouxe tudo de uma forma muito genuína, sem que isso fosse agressivo para ninguém”, afirma Carmita.

12 – Daniela Mercury (1965)
Para Carmita, Daniela Mercury merece destaque por ela mesmo ter decido levar a público o seu amor por outra mulher, sem medo das consequências para sua carreira de sucesso dentro e fora do Brasil. A cantora assumiu uma relação homossexual com uma jornalista depois de ser casada com um homem e ter três filhos, mostrando que não há limitações para o desejo.

13 – Monique Evans (1956)
Monique Evans praticamente inventou, em 1984, a posição de rainha de bateria no carnaval, saindo de topless na Sapucaí. Carmita acredita que a importância maior da modelo não está na sua nudez, “mas por dar à mulher uma posição de destaque nessa festa importante do folclore brasileiro”.

14 – Valeska Popozuda (1978)
Em 2013, Mariana Gomes virou notícia em todo o Brasil por passar em 2º lugar na Universidade Federal Fluminense com um mestrado que celebra a importância da fanqueira para a liberação sexual. “Ela questiona certa hipocrisia do sexo feminino: a mulher quer transar e quer gozar, sim!”, justifica Mariana ao Delas.

Carmita concorda com esse entendimento: “Eu acho que ela traduz e veicula algumas coisas que muitas mulheres querem dizer e não se permitem”. Repetindo em suas entrevistas a frase ‘ser vadia é ser livre’, Valeska mostra que sabe muito bem o que está cantando.

15 – Tati Quebra Barraco (1979)
Mariana também defende a importância desta outra fanqueira desbocada para a liberação sexual feminina.  “Quando ela fala ‘sou feia mais tô na moda’, traz uma série de incômodos. De repente, ela fala não estou nem aí pra isso e eu continuo exercendo minha sexualidade do jeito que eu quero”.

Joalheria Tiffany lança seu primeiro comercial de TV com casal gay

Homens formam um casal na vida real, contou porta-voz da loja – Divulgação

Tudo como sempre no anúncio da marca de luxo: bom gosto, sofisticação e… um casal gay. Iniciativa faz sucesso nas redes sociais e até Miley Cyrus escreveu no Instagram celebrando

São Paulo – Pela primeira vez em seus 177 anos de história, a joalheria americana Tiffany & Co. traz um casal gay em uma de suas campanhas publicitárias.

Nas novas peças de 2015, que celebra o casamento, há um casal real de homens em um dos anúncios. Os outros da série trazem casais heterossexuais.

A série é chamada de “Will You?” para falar de noivado e casamento. As fotos foram feitas por Peter Lindbergh.

Segundo a representante da joalheria Linda Buckley para a CNN, as outras fotos trazem modelos posando, mas o casal de homens é real, já que buscaram pessoas que realmente namorassem.

“O amor verdadeiro pode acontecer mais de uma vez, em histórias que vêm nas mais variadas formas”, disse a marca para a revista Elle.

Muitos consideraram a campanha acertada, social e financeiramente falando: a marca se engaja em uma questão política importante e ainda aumenta o seu público-alvo, ganhando mais consumidores.

(Exame Online)

 

 

Vencedor do Oscar, roteirista de “Birdman” dedica prêmio a noiva travesti

O roteirista argentino Nicolás Giacobone com Mariana nos bastidores do Oscar – Reprodução/Twitter

O roteirista argentino Nicolás Giacobone foi um dos vencedores do Oscar 2015 na categoria melhor roteiro original e homenageou a sua noiva travesti ao receber o troféu.

Co-roteirista de “Birdman”, grande vencedor da premiação, Giacobone comemorou o triunfo do filme com Armando Bo, seu companheiro de equipe e compatriota, mas dedicou o prêmio a sua parceira. “À Mariana”, disse ele ao microfone, animado, chamando-a pelo seu nome verdadeiro.

Mariana ficou conhecida na Argentina com seu nome artístico, Ginna, quando apresentava o programa “Sábado Bus”.

Segundo o jornal El Clarin, ela está afastada da mídia há algum tempo por conta de uma polêmica com a atual apresentadora da atração, Florencia de la V. Na época, a publicação ressalta que Mariana faz questão de ser chamada de travesti.

“Não quero nem me reconhecer como uma mulher, porque não sou. Nem quero exigir que a sociedade me reconheça como mãe, se quiser adotar um criança algum dia. Meu ego não é tão elevado para impor a minha perspectiva de vida”, declarou.

Via http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2015/02/25/vencedor-do-oscar-roteirista-de-birdman-dedica-premio-a-noiva-travesti.htm

Conheça o acessório de smartphone que diagnostica o HIV em 15 minutos

Gadget: aparelho custa aproximadamente 34 dólares para ser fabricado – Samiksha Nayak/Columbia Engineering

Uma equipe de pesquisadores da universidade de Columbia, em Nova York, desenvolveu um aparelho que, acoplado a um celular, detecta o HIV e a sífilis em menos de 15 minutos.

De acordo com os pesquisadores, o dispositivo, que custa apenas 34 dólares para ser fabricado, pode “transformar a forma como serviços de saúde são disponibilizados pelo mundo”.

Durante testes realizados em Ruanda, onde 200 mil pessoas estão infectadas com HIV, os cientistas descobriram que a ferramenta, que detecta a doença com apenas uma gota de sangue, teve um nível de eficácia parecido com aparelhos usados por hospitais, muito mais caros.

O dispositivo pode ser acoplado na saída para fones de ouvido de um smartphone e é equipado com reagentes químicos que testam a amostra de sangue em até 15 minutos.

De acordo com o estudo publicado nesta quarta (4) pela revista científica Science Translational Medicine, o aparelho conseguiu atingir sensibilidade de 92% e 79% de especificidade dos casos HIV.

A sensibilidade é a medida dos pacientes corretamente identificados com o HIV, enquanto a especificidade mede a precisão que o aparelho teve em identificar as pessoas que não eram portadoras do vírus.

O aparelho também registrou 70% de sensibilidade e 80% de especificidade no teste da sífilis, o que, segundo os pesquisadores, pode reduzir em dez vezes o número de mortes pela doença, considerando a possibilidade de um diagnóstico precoce.

“Nosso trabalho mostra que testes imunológicos com qualidade laboratorial podem ser feitos em um acessório de smartphone˜, afirma Samuel Sia, professor de engenharia biomédica em Columbia.

“Alguns diagnósticos que precisam de laboratórios para serem feitos podem ficar acessíveis a qualquer população com acesso a smartphones”, diz Sia.

Quase 70% das infeções por HIV no mundo acontecem nos países da África Subsaariana, uma das regiões mais pobres do planeta.

Via http://info.abril.com.br

40 entidades repudiam indicação de Dra. Silvana (PMDB-CE) para Comissão de Direitos Humanos

Quarenta entidades, entre associações, fóruns, institutos e movimentos, assinaram nota de repúdio contra a indicação da deputada estadual Dra. Silvana (PMDB) para presidir a comissão de Direitos Humanos e Cidadania, da Assembleia Legislativa.

Segundo a nota, a comissão tem um papel histórico no sentido de estabelecer “espaço de diálogo e ações políticas em defesa do meio ambiente e de grupos socialmente vulneráveis que lutam pela igualdade de direitos, como mulheres, lésbicas, gays, bissexuais”.

As entidades defendem que a comissão deve ser instrumento que ajude a sociedade a enfrentar problemas urgentes como as diferentes violências. “Não podemos aceitar que essa importante função seja ocupada por um ou uma parlamentar que não tenha compromisso com essas lutas e que inclusive tem usado o mandato para ir de encontro a diversas reivindicações dos movimentos sociais”, diz o texto. (WM)

(O Povo)

Aids em alta, camisinha em baixa

ILUSTRAÇÂO ELSON SOUTO

Essa constatação pode estar diretamente ligada ao aumento de jovens infectados pelo vírus HIV e a queda na procura por preservativos 

Conforme os dados divulgados pelo Ministério da Saúde no Dia Mundial de Combate à Aids, nos últimos seis anos, a taxa de contaminação aumentou cerca de 68% entre os jovens de 16 a 24 anos no Brasil. Conforme estimativas feitas pelo Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e hepatites virais há cerca de 720 mil brasileiros infectados pelo vírus HIV/Aids no País. Se levarmos em consideração o acumulado das estatísticas a partir do ano de 1980 chegamos aos seguintes números: 686.478 casos de Aids, dos quais 445.197 (64,9%) são do sexo masculino e 241.223 (35,1%) do sexo feminino. Do total de casos registrados entre 1980 e junho de 2013, 379.045 (55,2%) são da Região Sudeste; 137.126 (20,0%) da Região Sul; 95.516 (13,9%) da Região Nordeste; 39.691 (5,8%) da Região Centro-Oeste; e 35.100 (5,1%) da Região Norte.

Em Goiás, conforme dados divulgados pelo Boletim Epidemiológico HIV/Aids do Estado de Goiás 2014, 8.032 casos já foram notificados desde 2002 até o último ano. E desde a descoberta do primeiro caso no Estado, ocorrida no ano de 1984, já foram constatados 4.489 óbitos causados pelo vírus.

Já relacionado à exposição dos casos de Aids em indivíduos no período analisado, os heterossexuais foram os mais afetados com 53,7%(4316) dos casos. Em seguida, os homossexuais 15,8% (1270); bissexuais 4,7% (378); usuários de drogas 2,2% (178); transmissão vertical 0,2%(14); transfusão 0,1% (8); hemofílicos 0,04% (3) e ignorados 23,2% (1865).

“A epidemia da Aids no Estado tem sido expressiva entre a população de adultos jovens e economicamente ativos. Ainda, é representativo a elevação no percentual de casos em indivíduos idosos, que de 2000 para 2013 teve um aumento de 700% passando de cinco casos para 36 casos respectivamente, ratificando a necessidade de implementação de ações direcionadas a essa importante parcela da população, que possui características intrínsecas e extrínsecas que elevam a vulnerabilidade para a aquisição e disseminação de agentes de transmissão sexual.” Afirma o relatório Boletim Epidemiológico HIV/Aids do Estado de Goiás 2014.

 

soropositivos

Outro dado que deve ser levado em consideração é em relação à procura de preservativos, por parte dos brasileiros, houve queda. A pesquisa realizada pela Drogaria Nova Esperança aponta que a procura por preservativos no País caiu cerca de 14%, um dado que pode estar diretamente ligado ao aumento no percentual de jovens soropositivos.

Devido a essas estatísticas, a reportagem do Diário da Manhã conversou com Marcos Antonio Ribeiro, que é técnico da coordenação de DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde (SES) para saber a real situação do processo de distribuição de preservativos no estado. Marcos Antonio explica que os preservativos são direcionados para 17 regionais distribuídas pelo Estado e depois seguem para os municípios. “A secretaria libera, mensalmente, para as regionais distribuírem para os municípios o gel lubrificante, os preservativos masculinos e femininos, que está em falta atualmente.”

Para Marcos Antonio, a realidade de distribuição varia muito em relação ao tamanho dos municípios, assim como a procura pelos preservativos. O técnico do departamento ainda explica que a média mensal de distribuição de preservativos é de 600 mil a 900 mil por mês, sendo que em períodos de campanha esse total supera 1 milhão de unidades. “Temos quatro campanhas durante o ano. Uma em dezembro, que dia primeiro é o dia Mundial de Combate a Aids. A campanha de carnaval, no mês de julho devido as férias e em outubro por conta da campanha de combate à sífilis.”

O membro da SES ainda ressalta as dificuldades encontradas no âmbito da conscientização nas escolas. “Enfrentamos dificuldades em relação à conscientização por conta do tabu da sexualidade principalmente nas escolas. Fator que prejudica o trabalho, pois pessoas acham que a conscientização irá estimular o sexo, o que não é verdade.”

 

Goiânia

A reportagem do DM também conversou com a chefe da Divisão de Doenças Transmissíveis Crônicas do município de Goiânia, Ana Cecília Coelho, sobre a situação na Capital. Para Ana Cecília, nos três últimos anos tem sido constatado o consumo regular de preservativos, em Goiânia. “Hoje, não temos mais o controle de quem pega os preservativos, pois os cadastros inibiam as pessoas. Hoje, são colocados em displays com o livre acesso e sem quantidade limite. Mas percebemos que a quantidade de consumo tem se mantido equilibrada nos últimos três anos.”

Relacionado as campanhas de conscientização feitas pela Secretaria Municipal de Saúde (SES), Ana Cecília explica que estão em andamento. A responsável ainda diz que, atualmente, o principal foco, está na campanha “Fique Sabendo” que disponibiliza o teste rápido de sífilis e HIV para a população. Flyers também são distribuídos no intuito de conscientizar as pessoas de como se prevenirem das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

 

Estado

A secretária de Saúde do Estado de Goiás emitiu nota para esclarecer a real situação que ocorre no estado, a qual afirma: “Observa-se no entanto pouca distribuição e ou procura desse insumo nos municípios goianos.”

A publicação ressalta a importância do uso do preservativo no combate ao HIV/Aids e explica as principais ações tomadas pelo governo do Estado. “O Estado tem desempenhado seu papel de aquisição e distribuição dos insumos (preservativos e géis lubrificantes). Só de janeiro a novembro de 2014, o Estado distribuiu cerca de 7 milhões de preservativos. Cabe aos municípios a distribuição e execução de campanhas para que a adesão ao uso do preservativo seja incorporado no comportamento sexual, aumentando com isso, a procura do preservativo pela população nas unidades de saúde. A distribuição dos preservativos depende do quantitativo da população sexualmente ativa municipal, bem como do quantitativo presente em estoque.”

 

Ministério da Saúde

Em entrevista concedida ao Diário da Manhã, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que o crescimento da Aids na população jovem brasileira não se trata de algo exclusivo de nosso País. “O crescimento da aids entre jovens não é um fenômeno exclusivo do País, mas caraterístico dos países que como o Brasil têm epidemia considerada concentrada em populações de risco acrescido com vulnerabilidade.”

Chioro ainda ressalta que as campanhas terão estratégias voltadas a juventude. “A estratégia deste ano prevê a continuidade da campanha, com adaptações, para festas populares, como carnaval e outros eventos, durante todo o próximo ano. Além disso, o ministério desenvolve em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de saúde ações e campanhas regionais e municipais por ocasião de eventos específicos destinados à juventude, como shows e festas regionais.”

 

HDT já tem medicamento 3 em 1 para pacientes

O Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) foi uma das unidades que já recebeu a combinação dos medicamentos tenofovir (300 mg), lamivudina (300 mg) e efavirenz (600 mg) em um único comprimido.

O Ministério da Saúde enviou o medicamento 3 em 1 para o tratamento de pacientes com HIV/Aids.

O uso do medicamento 3 em 1 está previsto no Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV/Aids do Ministério da Saúde como tratamento inicial para os pacientes soropositivos e deve beneficiar 100 mil novos pacientes em todo o País. Atualmente, os medicamentos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e consumidos separadamente.

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a dose fixa combinada (3 em 1) representa um avanço importante na melhoria do acesso ao tratamento de HIV/Aids no País, uma vez que permitirá uma melhor adesão ao tratamento de pessoas que vivem com a doença. Além de ser de fácil ingestão, o novo medicamento tem como grande vantagem a boa tolerância pelo paciente, já que significa a redução de três comprimidos para apenas um comprimido por dia.

De acordo com a coordenadora do Setor de Farmácia do HDT/HAA, Mara Cristina Sampaio, o novo medicamento 3 em 1 começou a ser distribuído pela Farmácia Ambulatorial do hospital desde segunda-feira, dia 26 de janeiro.

A farmacêutica salienta que o medicamento 3 em 1 será disponibilizado, a princípio, somente para os pacientes que vão iniciar o tratamento. Posteriormente, as unidades de saúde receberão quantitativo de medicamentos suficiente para abarcar todos os pacientes em uso deste esquema terapêutico.

DST no Brasil

 

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são consideradas como um dos problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo. Em ambos os sexos, tornam o organismo mais vulnerável a outras doenças, inclusive a aids, além de terem relação com a mortalidade materna e infantil. No Brasil, as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) de infecções de transmissão sexual na população sexualmente ativa, a cada ano, são:

 

  • Sífilis: 937.000
  • Gonorreia: 1.541.800
  • Clamídia: 1.967.200
  • Herpes genital: 640.900
  • HPV: 685.400

 

Desde 1986, a notificação de casos de aids e sífilis é obrigatória a médicos e responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde, seguindo recomendações do Ministério da Saúde. Com as mesmas orientações, o registro de HIV em gestantes e recém-nascidos tornou-se obrigatório desde 2000.

 

Fonte: http://www.aids.gov.br

Fortaleza concentra 52% dos casos de Aids do CEARÁ

Doença que ataca o sistema imunológico responsável por defender o organismo de doenças, a Aids afeta 794 pessoas no Ceará. Destas, 52% estão em Fortaleza (414). Um dado que chama a atenção é que 23, dos 184 municípios cearenses, concentram 81% dos casos (646). As cidades de maior população e com zona industrial, de comércio ou turismo mais desenvolvido são, frequentemente, as que aglomeram maior número de registros da doença. É o que aponta a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), no Informe Epidemiológico Aids, de janeiro deste ano.

Depois de Fortaleza, Sobral é o município com mais notificações de Aids (37), seguido de Maracanaú (32), Caucaia (30), Aquiraz (14), Pacajus (12), Iguatu (10), Russas (9), Maranguape (7), Horizonte (7), Canindé (7), Itapipoca (7), Aracati (7), Jaguaribe (6), Cascavel (6), Santa Quitéria (6), São Gonçalo do Amarante (5), Paracuru (5), Acaraú (5), Tauá (5), Camocim (5), Beberibe (5) e Pindoretama (5).

Desde 1983, quando o primeiro caso da doença foi notificado no Ceará, 93% dos municípios já registraram pelo menos um caso da doença. De lá para cá, 14.732 casos de Aids já foram notificados em todo o Estado. A partir de 2013, observa-se um crescimento no número de casos da doença entre pessoas acima de 50 anos e entre adolescentes na faixa etária de 15 a 19 anos.

Incremento

Fabiana Sales, coordenadora da área técnica de DSTs e hepatites virais da Secretaria de Saúde do Município (SMS), salienta que ter o vírus HIV não é a mesma coisa que ter Aids – já que há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, mas podendo transmitir o vírus. Dessa forma, para estimar o número da pessoas com HIV, é preciso fazer um incremento de 25%.

Para reduzir o número de casos, a gestora informa que o município tem investido no diagnóstico precoce, descentralizando a testagem rápida. Antes, era feito só pelo método convencional. “A gente segue uma política nacional de que quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menos complicação a pessoa vai ter”.

Apesar de não ter cura e ser considerada uma doença crônica, Fabiana esclarece que existe tratamento e controle da Aids, por isso a importância do diagnóstico adiantado. “Quanto mais cedo a pessoa descobre que tem o vírus, melhor, pois já inicia o tratamento e, dependendo da adesão, o risco de ele adoecer é bem menor”, reforça. Ela acrescenta que a maior parte dos diagnósticos são feitos quando a pessoa ainda é assintomática. “Descobrindo precocemente, a qualidade de vida dela será maior”.

Exames serão realizados  no Centro

Agora adotada como método de prevenção contra a Aids, a testagem rápida para o vírus HIV será feita no próximo dia 7 de fevereiro, das 8h às 13h, na Praça do Ferreira, Centro da cidade. Adolescentes e jovens de 15 a 24 anos, população-alvo da atual campanha de prevenção do Ministério da Saúde, mulheres casadas que nunca realizaram exames, trabalhadoras do sexo e a população que tem dificuldade de ir a um posto de saúde podem se programar para fazer o teste antes do Carnaval.

Na nova campanha para o controle da Aids, lançada em 1º de dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde apresenta pela primeira vez a estratégia de prevenir, testar e tratar, com foco no público jovem.

Notificação

Apesar do quantitativo apresentado no boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Telma Martins, assessora técnica do Núcleo de Prevenção e Controle de Doenças e Agravos do órgão, lembra que, como nem sempre a notificação é imediata, os números podem ser maiores. Ela acrescenta que o que está sendo registrado é o número de pessoas doentes e não infectadas. O HIV passou a ser de notificação compulsória em dezembro de 2014.

Fique por dentro

Testes rápidos dão resultados minutos depois

A Aids é uma doença causada pelo vírus HIV, transmitida através da troca de secreções (sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno) entre uma pessoa infectada e outra sadia, em situações como relações sexuais desprotegidas ou transfusões de sangue. Por isso, hábitos simples como o uso do preservativo durante o sexo e a utilização de seringas e agulhas descartáveis são a melhor forma para evitar a transmissão do vírus.

O teste rápido é feito a partir da coleta de uma pequena quantidade de sangue da ponta do dedo. Os exames, colocados em um dispositivo de teste, dão o resultado minutos depois. Dependendo do diagnóstico, os encaminhamentos para os serviços de atendimento em DSTs já são feitos na hora. O resultado tem a mesma confiabilidade dos testes convencionais e não há necessidade de repetição em laboratório.

O exame de Aids não deve ser feito de forma indiscriminada e a todo o momento. O aconselhável é que faça quem tenha passado por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido. Após a infecção pelo HIV, o sistema imunológico demora cerca de um mês para produzir anticorpos em quantidade suficiente para serem detectados.

(Luana Lima, Repórter – Diário do Nordeste)

Transexuais são ofendidas, causam tumulto e acabam detidas em rodoviária de Fortaleza

foto meramente ilustrativa

Quatro transexuais se envolveram em uma confusão na rodoviária São Thomé, no bairro de Fátima, por volta das 18h desta terça-feira, 27. Por conta do tumulto, policiais do Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) foram chamados e o quarteto foi detido.

A equipe do portal O POVO Online esteve no local, mas os transexuais já haviam sido levados para o 34º Distrito Policial (DP). Conforme informações de testemunhas, o grupo desembarcou e, ainda no setor de embarque e desembarque, foi ofendido por uma pessoa que estava dentro de um ônibus. Após a ofensa, elas teriam começado a bater no veículo e discutido com o motorista.

Com o tumulto, um cabo do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur), que possui uma sala para atender ocorrências na rodoviária, desceu até o espaço de embarque e desembarque para controlar a situação. “As transexuais eram fortes. Apenas o cabo não iria dar conta”, disse um passageiro que não quis ser identificado.

Em seguida, o grupo de transexuais subiu até o saguão principal da rodoviária e o Raio foi acionado. De acordo com testemunhas, elas teriam xingado os policiais, gritado palavras de baixo calão e continuado o tumulto. Diante do desacato a autoridade, elas foram detidas pelos policiais e levadas para dentro da sala do BPTur, onde ainda quebraram um gelágua.

Um funcionário de uma empresa de ônibus, que preferiu não ser identificado, disse que dentro da sala do BPTur, que possui vidros transparentes, uma das transexuais tirou a camisa e mostrou os seios.

O grupo foi levado por uma viatura do Ronda do Quarteirão até o 34º DP. A pessoa que xingou as transexuais não foi identificada. Até o momento, o quarteto permanece detido na delegacia.

Redação O POVO Online

Medicamento 3 em 1 para tratamento da Aids começa a ser distribuído em todo o País

O Ministério da Saúde enviou esta semana, a todos os estados brasileiros, o medicamento 3 em 1 para o tratamento de pacientes com HIV e Aids. A previsão é de que a dose tripla combinada, composta pelos medicamentos Tenofovir (300 mg), Lamivudina (300 mg) e Efavirenz (600 mg) comece a chegar aos estados, responsáveis pela distribuição para os municípios, na próxima semana.

A combinação de medicamentos deverá beneficiar 100 mil novos pacientes com HIV e Aids. O Ministério da Saúde investiu R$ 36 milhões na aquisição de 7,3 milhões de comprimidos. O estoque é suficiente para atender os pacientes nos próximos doze meses.

O uso do medicamento 3 em 1 está previsto no Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids do Ministério da Saúde como tratamento inicial para os pacientes soropositivos. Atualmente, os medicamentos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e consumidos, separadamente.

Os estados do Rio Grande do Sul e Amazonas, que possuem as maiores taxas de detecção do vírus, recebem, desde novembro, a dose tripla combinada. Nesse período, cerca de 11 mil pacientes foram beneficiados nos dois estados.

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a dose combinada representa um avanço importante na melhoria do acesso ao tratamento de Aids no País. “A utilização de dose fixa combinada (3 em 1) irá permitir uma melhor adesão ao tratamento de pessoas que vivem com HIV e Aids. Além de ser de fácil ingestão, o novo medicamento tem como principal vantagem a boa tolerância pelo paciente, já que significa a redução dos 3 medicamentos para apenas 1 comprimido ”, explicou o ministro.

Incorporações

Em 2014, o Ministério da Saúde incorporou novas formulações para os pacientes com Aids, como o Ritonavir 100 mg, na apresentação termoestável, que permite que o medicamento seja mantido em temperatura de até 30°C.

A incorporação representou um importante avanço uma vez que o medicamento distribuído anteriormente no SUS necessitava de armazenamento em câmara fria. A apresentação termoestável proporciona mais comodidade aos pacientes, facilitando a logística de armazenamento, distribuição e dispensação.

Em dezembro, o SUS passou a oferecer o medicamento Tenofovir 300 mg composto com a Lamivudina 300mg em um único comprimido, o chamado 2 em 1. A nova formulação, produzida nacionalmente, é distribuída pela Farmanguinhos/Fiocruz.

Ainda em dezembro, o Ministério da Saúde passou a garantir a todos os adultos com testes positivos de HIV, mesmo que não apresentem comprometimento do sistema imunológico, o acesso aos medicamentos antirretrovirais contra a Aids pelo SUS. A medida também integra o novo Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids.

Tratamento

Entre 2005 e 2013, o Ministério da Saúde mais do que dobrou o total de brasileiros com acesso ao tratamento, passando de 165 mil (2005) pra 400 mil (2014). Atualmente, o SUS oferece, gratuitamente, 22 medicamentos para os pacientes soropositivos. Desse total, 12 são produzidos no Brasil.

Em julho de 2014, a revista britânica The Lancet, uma das mais importantes publicações científicas da área médica, divulgou um estudo mostrando que o tratamento para Aids no Brasil é mais eficiente que a média global. Segundo o estudo, as mortes em decorrência do vírus HIV no país caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, enquanto a média global apresenta uma queda de 1,5% ao ano.

“Esses números compravam o sucesso da política que vem sendo adotada pelo governo brasileiro, com o aumento da realização de testes e o início cada vez mais cedo do tratamento. No entanto, ainda temos como desafio incluir uma parcela significativa de pessoas na terapia com antirretrovirais. Isso ajuda a romper a cadeia de transmissão, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida às pessoas vivendo com HIV e Aids”, avaliou o ministro Chioro.

A rede de assistência conta hoje com 518 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), 712 Serviços de Assistência Especializada (SAE) e 724 Unidades de Distribuição de Medicamentos (UDM). Gradualmente, as Unidades Básicas de Saúde estão sendo incorporadas na atenção aos pacientes vivendo com Aids e HIV.

De acordo com o novo boletim epidemiológico, atualmente cerca de 734 mil pessoas vivem com HIV e Aids no país. Deste total, 80% (589 mil) foram diagnosticadas. Desde os anos 80, foram notificados 757 mil casos de aids no país. A epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 20,4 casos, a cada 100 mil habitantes. Isso representa cerca de 39 mil casos de Aids novos ao ano.

Fonte: Ministério da Saúde

“Estou preparada para assumir qualquer função”, afirma professora Luma Andrade

A nomeação dos novos ministros pela presidente Dilma Rousseff no primeiro dia do ano provocou uma surpresa para a professora Luma Andrade, professora da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) e conhecida por ser a primeira travesti do Brasil a concluir um doutorado. Ex-reitora da instituição, Nilma Lino Gomes assumiu a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o que fez com que um grupo de alunos iniciassem uma campanha pela nomeação de Luma para o cargo.

“Foi uma surpresa agradável, um reconhecimento do trabalho que está sendo feito na Unilab. Estou feliz porque é um movimento de estudantes”, diz Luma, que em 2010 recebeu uma medalha de honra ao mérito concedida pelo governo do Estado do Ceará a funcionários públicos por seu trabalho na área de educação.
“O fato de ser travesti não é critério para que se assuma uma função, mas também não pode ser o critério que me retire da possibilidade de ocupar qualquer espaço”

Localizada em Redenção, cidade a 66 km de Fortaleza, a Unilab, criada em 2010, é uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação, ocupado desde 1º de janeiro pelo ex-governador cearense, Cid Gomes, a quem cabe nomear o novo reitor. Os alunos do movimento “Luma Lá” chegaram a enviar uma carta a Gomes sugerindo a indicação da professora para o posto.

A assessoria de imprensa da universidade esclarece que a campanha foi uma iniciativa de um grupo de alunos e que não houve uma consulta à comunidade acadêmica sobre os possíveis candidatos à reitoria. Como seu estatuto ainda está em fase de aprovação, a Unilab não tem eleições para reitor, que é definido por portaria. A reitora anterior, Nilma Gomes, foi a primeira negra a assumir o cargo.

Luma admite que o fato de ser travesti pode ter dado impulso à candidatura, o que pode ter incomodado outros possíveis candidatos à reitoria. “O fato de ser travesti não é critério para que se assuma uma função, mas também não pode ser o critério que me retire da possibilidade de ocupar qualquer espaço. Às vezes essas possibilidades afrontam alguns interesses mais conservadores”, afirma.

Ela diz que decidiu não encampar a iniciativa dos estudantes, mas que também não vai tentar conter o apoio para assumir o cargo, para o qual diz se sentir “tão preparada quanto qualquer outro professor”. “O nome está posto e há uma parte dos alunos que estão lutando por isso. O fato de estarem colocando o nome de uma pessoa diferente, que não está de acordo com os padrões hegemônicos, é histórico, por isso é importante não silenciar.”
“Ser a primeira doutora travesti é motivo de muita felicidade e tristeza. Quantas Lumas não conseguiram ocupar espaço nessa sociedade?”

A cearense de 37 anos, que em 2012 defendeu tese de doutorado na Universidade Federal do Ceará sobre travestis nas escolas, acredita que sua eventual nomeação como reitora pode servir de exemplo para outros travestis. “Minha história sempre foi de resistência e de dizer que é possível. Estou preparada para qualquer situação que for definida, inclusive a reitoria se me derem oportunidade.”

Professora há 16 anos, Luma diz ter enfrentado todas as dificuldades durante toda sua trajetória. “Desde criança, não me identificava com o gênero masculino, isso irritava meus colegas, fui espancada”, recorda ela que, mesmo assim, conseguiu concluir os estudos e avançar na carreira como professora da alfabetização até a pós-graduação. “Cada espaço que você ocupa, tem que provar que é muito bom, se não, não permanece. Os menores erros são punidos de forma severa.”
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Favorável à aprovação da lei de combate à homofobia, ela reconhece que sua história pode ser uma exceção em meio aos travestis – considerado o grupo mais vulnerável à violência entre grupos de defesa dos direitos LGBT. “Ser a primeira doutora travesti é motivo de muita felicidade e tristeza. Quantas Lumas não conseguiram ocupar espaço nesta sociedade?”

Fonte: G1

A última fechação da boate Divine

CONCEPÇÃO ÉMERSON MARANHÃO/ ARTE GUABIRAS

As noites na rua General Sampaio, no Centro, não terão mais o mesmo brilho. A boate Divine, até então a mais antiga da Capital em atividade voltada ao público LGBT e a única com espaço aberto para shows de transformismo, fechou as portas prestes a completar 15 anos de história. O motivo é o aumento do valor do aluguel do imóvel, que saltou de R$ 7 mil para R$ 20 mil. A casa noturna, que vendia ingressos a preços populares, não pôde se manter e não mais abrirá em 2015.  

“Fortaleza perdeu uma mãe. Os artistas transformistas ficaram órfãos”, lamenta Paola Bracho, gerente da boate desde 2013. Ela reforça não ter havido nenhuma briga judicial envolvendo a casa, conforme especularam alguns dos frequentadores. O único motivo para o fechamento, afirma Paola, é que “ficou insustentável” manter aberto o casarão que abrigou muitos shows performáticos, concursos de drags e festas.

Sem que os funcionários, performers e frequentadores soubessem, 31 de dezembro foi a noite derradeira. A princípio, a gerência afirmou que o espaço entraria em “recesso por tempo indeterminado”. Porém, o letreiro da boate foi retirado, os equipamentos e móveis também e logo veio a confirmação. “Não fizemos festa de despedida. Os donos não queriam, seria uma coisa muito triste”, diz a gerente. Procurado pelo O POVO, Celso Leopoldino, um dos donos, preferiu não falar.

Para o bailarino e coreógrafo Júlio César Costa, o momento é de tristeza pelo fim do espaço que era “nacionalmente referência” na arte transformista. “A classe soberba colocava a Divine como uma coisa marginal, mas só quem estava lá dentro soube que era uma casa de livre acesso, que todo mundo podia pagar e que lançou vários artistas”, afirma Júlio, que dá vida à drag Adma Shiva. O artista integra o grupo seleto das “Divas” da boate, coletivo que se apresentava regulamente e que agora não tem novo reduto definido.

 

Novas Divines?

“Estamos na incerteza, mas os artistas já estão se juntando para estudar uma forma de ocupar novos lugares. Vamos para os espaços públicos, as praças, os teatros”, afirma Marcos André, assessor técnico de promoção da cidadania da Coordenadoria da Diversidade Sexual da Prefeitura de Fortaleza. Na última quinta-feira, as “Divas” se reuniram no Centro para buscar novos rumos.  

“Estamos pensando em ações e políticas públicas. Não vamos deixar que a Era de Ouro do transformismo se acabe depois de 14 anos”, completa André.

Além dos mais de 100 artistas que se revezavam nos shows, muitos outros profisisonais viviam direta ou indiretamente do funcionamento da boate. Eles agora esperam uma nova determinação sobre para onde o público migrará.

“Os donos não falaram nada ainda se vão abrir em outro lugar”, diz Paola Bracho. Enquanto isso, o elenco “Divas” prepara o show Divine Forever para o próximo dia 30, às 20 horas, na Cidade das Crianças. O objetivo é comemorar o aniversário simbólico de 15 anos da boate e provar que a performance trans cearense não vai parar.

 

REPERCUSSÃO

”A Divine apostou no trabalho das Travestidas. Eu depois virei apresentadora, foi um presente. A boate tinha um diferencial das outras que é valorização dos artistas. É uma perda muito grande para a noite LGBT”. 

Denis Lacerda, humorista e ator do Coletivo As Travestidas

 

”Lá era o divertimento da população, principalmente, aqueles que não podiam pagar caro para curtir. Era importante por ser no Centro, as pessoas frequentavam lá à noite, podiam andar, pegar ônibus”.

Tina Rodrigues, presidente da Associação das Travestis do CE

 

”A Divine era a principal referência transformista no Nordeste. Alguns tinham preconceito pelo público de lá, mas as outras casas de Fortaleza não abrem as portas para nós. Foi de surpresa, mas vamos continuar”.

Lorrana Layser, performer

(Por Paulo Renato Abreu, O Povo)

Prefeitura de São Paulo pagará salário mínimo para travestis estudarem

‘Minha esperança é que isso devolva a dignidade’, diz Aline Rocha, que voltará a estudar graças a programa da Prefeitura de SP – Fernando Donasci / Agência O Globo 

SÃO PAULO – A prefeitura de São Paulo anunciará no fim do mês a criação de uma bolsa de um salário mínimo mensal (R$ 788) para que, inicialmente, cem travestis e transexuais da capital voltem a estudar e se matriculem em cursos técnicos do Pronatec. Para receber o salário do município, as beneficiárias terão que comprovar presença nas aulas. A exigência é semelhante à do principal programa de transferência de renda do governo federal, o Bolsa Família. A iniciativa é inédita no Brasil e na América do Sul e custará cerca de R$ 2 milhões aos cofres públicos em 2015. O valor é três vezes maior do que o orçamento do próprio governo federal para ações voltadas ao público LGBT no ano passado.

– O Brasil é o país que mais mata travestis no mundo. Mata quatro vezes mais do que o México, o segundo mais violento. Essas pessoas nunca foram tratadas como cidadãs, sempre foram empurradas para as ruas pelas famílias, pela escola e pela sociedade. Queremos tratá-las como gente, com a opção de se prostituir ou não – afirma Rogério Sottili, secretário de Direitos Humanos do município, responsável pela coordenação do programa.

A ideia é prioritária para o prefeito Fernando Haddad, que pessoalmente pediu a elaboração do programa. A mãe de Haddad vive em uma zona de prostituição de travestis. O confronto cotidiano com a realidade teria gerado a urgência no prefeito.

EXPANSÃO ATÉ O SEGUNDO SEMESTRE

Segundo Sottili, o programa começa com poucas vagas, mas poderá ser ampliado já no segundo semestre. A ideia é que as travestis permaneçam no programa por dois anos e saiam de lá formalmente empregadas. Não existem estatísticas oficias sobre o número de transexuais e travestis vivendo em São Paulo, mas a secretaria estima que sejam ao menos quatro mil.

– Elas são alvo preferencial do tráfico de pessoas, do tráfico de drogas. Entre as beneficiárias, nenhuma tem renda fixa, todas vivem em moradia precária, não terminaram a escola e começaram a se prostituir ainda na infância. Delas, 31% admitiram ter silicone industrial injetado no corpo, e 60% afirmaram já ter sofrido alguma agressão física por sua identidade de gênero – explica Alessandro Melchior, coordenador de políticas LGBT da prefeitura e autor do programa.

A paulistana Aline Rocha, de 36 anos, é a face que ilustra os dados elencados por Melchior. Os traços femininos dos olhos e do nariz desenhados a bisturi são emoldurados por um espesso cabelo negro implantado cirurgicamente. Para custear as operações, Aline se prostitui há quase 20 anos. Parou de estudar na 4ª série — seu jeito afeminado a tornava alvo de espancamentos dos colegas. Ela tentou outros trabalhos, chegou a ser atendente de uma locadora de vídeo, mas diz que perdeu o emprego ao resistir aos assédios sexuais do patrão. A prostituição, segundo Aline, era sua única fonte possível de renda. Sem dinheiro para reconstruir o corpo todo com plásticas, apelou para a caseira solução de colocar silicone industrial nos glúteos. Como muitas travestis brasileiras, chegou a ir morar na Itália, onde fez centenas de programas. Acabou presa pela polícia italiana.

– Sair da rua é tudo o que eu mais quero na vida. Não tem nada pior do que ser tratada como um pedaço de carne, cada dia um estranho diferente passando a mão no seu corpo – conta, entre lágrimas.

Além de si mesma, Aline sustenta a mãe. Afirma que estava a ponto de “acabar com a própria vida” quando foi selecionada pelo programa:

– Minha esperança é que isso me devolva o respeito, a dignidade. Quero poder entregar currículos e ser selecionada para trabalhar como todo mundo.

Além de garantir educação (em salas mistas de duas escolas municipais no centro da cidade), o programa obriga as beneficiárias a prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em troca, além do dinheiro, a prefeitura irá fornecer hormônios femininos para as travestis em unidades básicas de saúde. Hoje há uma fila de quase duas mil pessoas à espera de tratamentos hormonais desse tipo na rede pública. Por falta de opção, muitas recorrem ao arriscado mercado negro.

Além disso, o município irá inaugurar o primeiro albergue público exclusivo para travestis. É para lá que deverá se mudar Jennifer Araújo, de 31 anos. Jennifer está sem casa nos últimos dois meses, desde que resolveu deixar de se prostituir e se inscreveu no programa municipal. Ela é reticente sobre sua condição anterior e desconversa quando perguntada sobre cafetinas e pontos de prostituição. Mas, com frequência, travestis são aliciadas sexualmente e pagam com o corpo pela moradia. Quando desistem da prostituição, ficam também sem teto.

– Tudo o que eu quero é trabalhar atrás de um computador ou ser assistente social. Acho um luxo – diz Jennifer, que começou a se prostituir aos 16 anos, depois que ficou órfã.

PREOCUPAÇÃO COM A VELHICE

Ela diz que sua motivação para procurar a prefeitura foi pensar no futuro, especificamente na velhice. E lembra que a prostituição a atraiu porque o dinheiro que recebia era maior do que nos empregos que conseguiria com sua baixa escolaridade.

O programa não obriga as travestis a deixar a prostituição. Mas, ao remunerá-las para estudar, cria uma inédita oportunidade para isso. Jennifer ostenta no rosto as marcas de uma paulada desferida por um cliente que quebrou seu maxilar. Ela sabe que nada vai apagar as cicatrizes de seu passado, mas abre um sorriso diante da possibilidade de recomeçar.

(Mariana Sanches, O Globo)

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Grupos LGBT querem envio de novo projeto sobre criminalização da homofobia

Brasília – Movimentos sociais estão trabalhando junto aos parlamentares em três frentes para fazer com que a criminalização da homofobia seja apreciada pelo Congresso Nacional este ano, mesmo com as dificuldades dos grupos contrários ao tema. Depois da notícia divulgada pelo Senado de que o Projeto de Lei Complementar 122 (PLC 122), referente ao assunto, seguiu para arquivamento na última quarta-feira (7), obedecendo ao regimento interno da Casa, entidades como a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT) articulam a realização de um seminário para discutir o assunto em fevereiro.

Segundo o presidente da associação, Carlos Magno Fonseca, existem várias opções a serem avaliadas em substituição ao texto arquivado. Uma delas é a proposta pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), de incluir a criminalização da homofobia no projeto do Código de Processo Penal (CPP), em tramitação no Congresso.

Outra alternativa é dar andamento a projeto apresentado anos atrás pela deputada Maria do Rosário Nunes (PT-RS), que está parado na Câmara. E a terceira possibilidade é manter contatos com o Palácio do Planalto para que as entidades voltadas à causa solicitem formalmente à presidenta Dilma Rousseff o envio de um projeto elaborado pelo Executivo ao Congresso.

‘Promessa de campanha’

“Vamos analisar todas as possibilidades, mas esperamos contar com o apoio da presidenta nesta luta. O movimento LGBT votou nela e ouviu, como promessa feita durante o período de campanha, que a homofobia tinha que ser criminalizada. Chegou a hora de pedirmos um envolvimento maior dela em relação ao assunto”, afirmou o presidente da ABGLT.

Embora tenha chamado a atenção dos movimentos que trabalham em defesa das minorias nos últimos dias, o arquivamento do projeto no Senado já era esperado. Para a senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da comissão de Direitos Humanos da Casa, os movimentos sociais não devem reclamar, uma vez que o caminho de apresentação de um novo texto, com melhorias na redação, tende a ser bem melhor para a aprovação da matéria – que foi muito alterada nas discussões feitas em 2014.

Isso porque, no último ano, o projeto foi alvo de diversas intervenções provocadas por representantes da bancada evangélica e grupos mais conservadores no Congresso Nacional, que fizeram de tudo para descaracterizar a matéria. “A ideia é manter o PLC 122 arquivado e construir uma nova proposta. Uma proposta que, inclusive, atenda melhor ao próprio movimento LGBT”, acentuou Ana Rita.

Emendas ao CPP

A senadora Marta Suplicy considera “um escândalo” o fato de a homofobia ainda não ser considerada um crime no país. Marta apresentou emendas ao projeto do CPP, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, com o intuito de tornar a identidade de gênero e a orientação sexual agravantes de vários crimes. “Vou buscar apoio dos senadores para fazer com que as emendas sejam mantidas”, frisou.

O PLC foi arquivado porque a secretaria-geral da mesa do Senado estabelece que todas as proposições que tramitem há mais de duas legislaturas devem ser arquivadas. A exceção para que possam tramitar por mais uma legislatura é no caso de ser aprovado em plenário um requerimento assinado com o mínimo de 27 senadores pedindo pela continuidade da apreciação. E no final da terceira legislatura, caso não tenha sido observada qualquer decisão, a proposta tem de seguir para o arquivamento. Foi o que aconteceu.

Tramitação exaustiva

Com tramitação prorrogada em função de um requerimento em 2010, a matéria ficou sob apreciação do Senado por oito anos sem aprovação definitiva, mesmo tendo sido cobrada pelos grupos ligados ao setor. Juntando Câmara e Senado, são 13 anos de tramitação da matéria (foi apresentada na Câmara, em 2010). A proposta tem como autora a ex-deputada federal Iara Bernardi (PT-SP) e foi aprovada na Câmara, para encaminhamento ao Senado, em 2006.

De acordo com a secretaria-geral da mesa do Senado, o arquivamento será formalizado até o final deste mês. O seminário que está sendo programado pela ABGLT será realizado em Curitiba.

(Hylda Cavalcanti, Rede Brasil Atual)

Oficial: Boate Divine fecha e põe fim ao legado de ouro da arte transformista no Ceará

Beto, saudoso gerente da boate Divine

O que todos nós temíamos se confirmou nesta terça-feira (07/01), com a retirada do nome da fachada do prédio aonde funcionou por quase 15 anos, a boate Divine, a mais tradicional do Nordeste, encerrou suas atividades e entregou o imóvel que tornou-se ponto de encontro de jovens gays que viveram ali boa parte de sua juventude e aonde o movimento artístico LGBT viveu seus momentos mais áureos.

A Divine foi e sempre será lembrada pelo imenso legado que deixa para a cultura LGBT do Ceará. Nos 15 anos de atividade, grandes artistas surgiram e se projetaram no palco que levava o nome de uma das figuras mais carismáticas da casa, que era o saudoso gerente Beto.

 

As festas inesquecíveis e os concursos que movimentaram a cidade serão eternamente lembrados: Halloween, Top Drag Divine, Novos Talentos, Transformistas do ano, Transfest, e tantas outras que emocionaram o público.

Festa Hallloween da Divine 2008

Concurso Top Drag Divine 2007

CHÃO DE ESTRELAS:

Outra tradição da Divine foi o incentivo e apoio aos concursos de beleza gay, com apresentação das candidatas e o Show das Coroadas, que reunia as vencedoras dos maiores concursos de nosso estado como Miss Gay Ceará, Top Gay Ceará, Garota G e Miss Beleza Gay Ceará. Criou-se assim a maravilhosa tradição de que toda miss eleita nos inúmeros concursos da cidade tinha que comparecer a casa para ser apresentada oficialmente ao público da Divine.

 

A ÚLTIMA FESTA:

Sem que o público e os próprios artistas soubessem, o The Best Off Drag foi a última festa promovida pela casa, que fechou suas portas na madrugada do dia 01 de janeiro, a exatos 27 dias de completar 15 anos. Ainda sem uma explicação oficial para clientes e amigos, sabe-se somente que a tradicional Boate Divine, situada na Rua General Sampaio 1374, no Centro de Fortaleza, já não existe mais e diante do tamanho vácuo que seu fechamento deixa na vida de quem viveu intensamente as emoções destes 15 anos e principalmente na arte transformista,  o que menos importa agora é o real motivo do que aconteceu, pois o mesmo chega a ser insignificante diante da saudade e da perda.

Via http://onixtababado.blogspot.com.br, com adaptações

Movimento Outubro Rosa e Alàgba discutem saúde da mulher no Ceará

A Associação Afro Brasileira de Cultura ( Alagba) e o Movimento Outubro Rosa realizam, até sexta-feira (9), na Escola de Saúde Pública do Ceará um ciclo de grandes atividades em busca de mais políticas públicas para a saúde da mulher.

Durante o evento, estão sendo realizadas discussões sobre iniciativas de âmbito estadual com repercussão nacional, como a criação da Rede Cearense de Combate ao Câncer e a capacitação de mil agentes rosa.

Há ainda ainda o debate sobre o papel de agentes de saúde e voluntários, a implantação dos “Pontos Rosa”, núcleos de orientação, informação e articulação, que deverão pautar e articular o tema câncer de mama na Casa da Mulher Brasileira, fortalecendo e valorizando os grupos de apoio, proporcionando espaço de partilha sobre o tema. As três ações serão desenvolvidas em parceria com o Ministério da Saúde. Integram ainda as discussões os preparativos do Movimento Outubro Rosa Ceará 2015.

Engajados

O evento reunirá lideranças, entidades e movimentos de mulheres engajados na luta contra o câncer de mama com a realização de Ciclo de Palestras e lançamento de Cartilha de prevenção, diagnóstico, tratamento e orientações sobre o convívio com a doença antes, durante e após sua detecção.

O objetivo é informar sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama, reduzir a desinformação e contribuir com a diminuição da mortalidade feminina. Num segundo momento, a Ação vai evoluir para a implantação de núcleos de orientação, informação e articulação.

A Associação Afro Brasileira de Cultura (Alagba), é uma associação civil, sem fins econômicos, apartidária, que tem por finalidade elaborar, debater e implantar projetos, programas e planos de ação que promovam o desenvolvimento social, cultural e científico seguindo os princípios e diretrizes da Lei Orgânica de Assistência Social (Loas).

Serviço:
Instituição: Movimento Outubro Rosa do Ceará
Telefone: (85) 9663.0822 e 8875.0176

(G1 Ceará)

Boate Divine, de Fortaleza, suspende atividades e gera onda de boatos

Fachada da Boate Divine no último domingo 04 de janeiro as 20:00 – Foto: site onixtababado

As vésperas de completar 15 anos de existência, a boate Divine se vê em meio a uma avalanche de boatos que dão como certo o encerramento de suas atividades.

Nossos telefones, emails e redes sociais foram “invadidos” por dezenas de pessoas assustadas com as “noticias” espalhadas pela rede, motivadas em sua maioria pelo recesso que fechou a casa no último final de semana e o silêncio por parte de sua direção, o que deixou artistas e clientes surpresos e preocupados.

Nossa equipe entrou em contato com a gerente da boate Divine e a mesma apesar de não negar o fechamento, informou que todos os funcionários estão de recesso por tempo indeterminado e que para quaisquer outros esclarecimentos a direção da casa poderá emitir uma nota oficial.

Nós que apreciamos a arte transformista e que acompanhamos a história da Divine como parceiros, esperamos que tudo não passe de boatos ou jogada de marketing, para alavancar os 15 anos de existência da mesma, afinal chega a ser doloroso pensar na Boate Divine como uma doce lembrança.

Esperamos ansiosos por um pronunciamento oficial da direção da mesma, através de sua pagina no Facebook.

Via http://onixtababado.blogspot.com.br/2015/01/boatos-sobre-o-fechamento-da-boate.html

A cura gay da Alemanha nazista

Jornal GGN – O médico dinamarquês Carl Vaernet, que buscou a cura da homossexualidade na Alemanha nazista, virou tema do documentário Triângulo Rosa. Após o fim da guerra, ele fugiu para a Argentina.

De acordo com o militante LGBT Peter Tatchell, os nazistas perseguiram homossexuais, pois entendiam que eles traíam o ideal ariano e representavam um risco demográfico para a nação. “Eles pensavam que a homossexualidade enfraquecia o Terceiro Reich, que precisava aumentar a população alemã para criar um exército e uma força de trabalho cada vez maior para conquistar a Europa”.

Em suas experiências, Vaernet introduzia nos pacientes uma cápsula que liberava testosterona gradualmente, como se fosse uma glândula artificial. No documentário, é dito que cerca de 20 homens foram submetidos aos experimentos, e que três morreram no processo.

Nazista que tentou ‘curar’ gays vira tema de documentário

Por Felipe Gutierrez

Da Folha de S. Paulo

Um nazista que buscou uma “cura” para a homossexualidade por meio de experimentos feitos em homens gays no campo de concentração de Buchenwald (Alemanha) virou tema do documentário “Triângulo Rosa”.

Carl Vaernet, o nazista, era um médico dinamarquês e foi um dos colaboradores que fugiram para o país sul-americano após a derrota do Eixo.

O médico Carl Vaernet fugiu para a Argentina após tentar buscar cura gay em campos nazistas

“[Heinrich] Himmler autorizou a pesquisa de Vaernet e demandou o extermínio de existência anormal'”, relata o militante LGBT Peter Tatchell, que, na década de 1990, pressionou o governo dinamarquês a abrir os documentos sobre o médico.

Segundo Tatchell, os nazistas perseguiram homossexuais por entender que traíam o ideal ariano masculino e por temer que pudessem causar um “dano” demográfico.

“Os nazistas descreviam os gays como sabotadores sexuais'”, explica. “Eles pensavam que a homossexualidade enfraquecia o Terceiro Reich, que precisava aumentar a população alemã para criar um exército e uma força de trabalho cada vez maior para conquistar a Europa”, diz.

Em suas experiências, Vaernet dava testosterona aos pacientes. O nazista desenvolveu uma cápsula que liberava o hormônio aos poucos (uma espécie de glândula artificial) após ser inserida cirurgicamente. De tempos em tempos, ele abria novamente os “pacientes” para trocar o aparato. Segundo Tatchell, trata-se do único caso conhecido de experimentos feitos em gays detidos em campos de concentração.

O argentino Esteban Jasper, um dos diretores do documentário “Triângulo Rosa”, afirma que cerca de 20 homens foram submetidos aos experimentos, e que três morreram no processo. “Ele não era um cientista com todas as letras”, diz Jasper.

Inicialmente, Vaernet não fazia pesquisa. Ele tinha uma clínica em Copenhagen, mas sua ligação com o nazismo o tornou alvo da resistência dinamarquesa. Ele viajou para a Alemanha e, com seus contatos, conseguiu trabalho em hospitais locais e acesso aos presos que usou como cobaia.

Logo depois da derrota do Eixo, Vaernet voltou à Dinamarca. “Ele foi preso logo, mas pouco depois enganou as autoridades dizendo que tinha uma doença séria que tinha de ser tratada na Suécia. De lá foi para a Argentina”, relata Jakob Rubin, autor de um livro sobre o nazista.

O médico chegou a Buenos Aires em 1947 e conseguiu um emprego no Ministério da Saúde da Argentina.

Segundo Rubin, Vaernet também teve uma clínica em Buenos Aires. Não se sabe, porém, se ele voltou a procurar a “cura” para a homossexualidade na Argentina.

Quando foi ao país, o médico deixou para trás os filhos do primeiro casamento. O empresário Jan Vaernet, de Copenhagen, é um dos descendentes que ficaram na Europa. Ele só soube do passado nazista de sua família quando era adolescente, pelos jornais dinamarqueses.

“Eu sabia que o meu avô paterno tinha ido para a Argentina. Mas meu pai era antinazista e tinha vergonha dos problemas e do nome do pai dele, que era reconhecidamente o de um colaboracionista. Eles se distanciaram antes de eu nascer.”

Os netos argentinos de Vaernet também cresceram desconhecendo a filiação ao nazismo e as experiências no campo de concentração.

O veterinário Sérgio Vaernet, que mora na cidade de Resistencia, na província do Chaco, nasceu quando o avô já estava morto. “Na minha família simplesmente não se falava da Dinamarca ou do passado. Era um tema que trazia muita dor. Só fui descobrir a história depois de adulto”, conta.

Via http://jornalggn.com.br/noticia/a-cura-gay-da-alemanha-nazista

Parada da Diversidade Sexual reúne milhares de pessoas em Fortaleza

BANCO DE DADOS/O POVO

Bandeiras, fantasias, música, cores e muito brilho marcou a 15ª edição da Parada pela Diversidade Sexual, que aconteceu na noite de ontem, na Avenida Beira Mar de Fortaleza, tradicional local de realização do movimento. Cerca de 800 mil pessoas estiveram presentes na grande festa.

Com o tema “Chega de Impunidade! É hora de tornar crime a homofobia, transfobia e lesbofobia”, o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), alerta para a necessidade da aprovação de uma lei, no Congresso Nacional que criminalize a homofobia e coíba agressões e violações de direitos humanos que afetam, diariamente, a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).  A parada faz alusão ao Dia Mundial do Orgulho Gay e LGBT.

“Este é um momento de visibilidade massiva dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. É o dia que falamos para as multidões a questão dos direitos, é o dia de encher a avenida com as cores da alegria para dizer chega à impunidade, às agressões negativas e à violência institucional”, afirmou o presidente do Grab, Francisco Pedrosa.

Sobre a lei que criminaliza a homofobia, Pedrosa diz que o Brasil deve tomar como exemplo os países vizinhos. “Países vizinhos como Argentina e Uruguai já têm a lei anti-homofobia. Esperamos esta aprovação há 13 anos”, disse acrescentando, que em 2006, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei que criminaliza a homofobia. Atualmente, a proposta está no Senado (PLC 122/060), onde tramita em conjunto com a Reforma do Código Penal (PLS 236/12). “A exemplo da Lei Maria da Penha, que coíbe a violência contra a mulher, queremos que a lei seja aprovada pelo Congresso Nacional”, informou.

De acordo com a presidente da Associação das Travestis e Transexuais do Ceará (Atrac), Tina Rodrigues, a parada pela diversidade sexual de Fortaleza é a 3ª maior do Brasil. “É importante que, a cada dia que passa, as pessoas vão tomando mais consciência da importância do respeito com  a população LGBT. Queremos ser inseridos no trabalho, na moradia, na sociedade com a nossa identidade de gênero preservada”, desabafou.

A festa contou com oito trios elétricos. Um da Prefeitura de Fortaleza, outro do Governo do Estado, outro do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab) e de associações da sociedade civil e boates.

Violência

Ainda segundo o presidente do Grab, pessoas LGBT são, hoje, um dos principais alvos de assassinatos no País, motivados pela orientação sexual. “O Brasil é campeão de assassinatos homofóbicos. São crimes de ódio. A cada 28 horas, uma lésbica, um gay ou travesti ou transexual é assassinado no Brasil por conta de crime de ódio. No Ceará, esses crimes, infelizmente, se renovam. A cada mês, é um assassinato. Consideramos um número expressivo. O Ceará é o 8º estado em assassinatos. Segundo Francisco Pedrosa, as agressões são mais comuns em órgãos públicos e na rua.

 

Diversidade

Pessoas de várias idades se divertiram na 15ª Parada pela Diversidade. A concentração teve início às 13 horas, e a animação continuou até as 22 horas, no Aterro da Praia de Iracema. O funcionário público Carlos Farias e a esposa Nívea Sampaio, por exemplo, levaram o filho José Davi, de 9 anos, para assistir a parada. Segundo eles, é importante despertar desde cedo o respeito ao próximo, independentemente das escolhas sexuais. “É divertido, e estamos achando bastante seguro. Com certeza, viremos nas próximas edições”, complementou Nívea. Para o presidente Pedrosa, “a participação das pessoas na parada é o retrato da consciência de dizer não à homofobia. É importante as famílias, sejam em qual configurações elas se apresentem, estarem presentes e mostrarem a vontade de ter uma sociedade mais inclusiva e com respeito aos direitos humanos”, contou.

Já Eduardo Noronha, turista do Rio Grande do Norte, diz que, todos os anos visita Fortaleza para participar da parada gay. “É um momento de alegria em que aproveito para rever os amigos e lutar pelo amor independente da opção sexual”.

As amigas Danúbia Reis, Camila Félix e Ana Caroline também estiveram n festa. “Sempre participamos da parada. Considero como importante a nossa participação já que o evento acaba sendo uma união de vozes na luta pelos direitos igualitários”, afirmou Caroline. Já Danúbia, que é de Goiânia, aproveitou para conhecer a parada pela primeira vez. “Na minha cidade não tem a parada pela diversidade, e gostei muito da de Fortaleza, pois é muito animada”, disse.

Comércio

O dia de ontem também foi bem proveitoso para os vendedores ambulantes. Arnaldo Silva, por exemplo, nas primeiras horas do evento já tinha vendido 50 leques. “É a primeira vez que venho vender na Beira Mar. Meu ponto é na Praça do Ferreira, mas me surpreendi com as vendas hoje”, disse.

Já o ambulante Gean Francisco, 37 anos, montou sua barraca de bebidas no calçadão da avenida no início da tarde. Segundo ele, o que mais vendeu foi cerveja. “Aqui vendo água, refrigerante e bebidas alcoólicas. Cerveja é o que mais vende. Já vendi mais de cem latinhas só nas duas primeiras horas de parada”, contou.

Mudança na data

A Parada pela Diversidade acontece, comumente, no mês de junho, em alusão ao Dia Municipal do Orgulho Homossexual. No entanto, este ano foi adiado para o mês de novembro. De acordo com o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), a alteração no calendário aconteceu devido à realização da Copa do Mundo, da campanha eleitoral em outubro e da realização do Enem. “Por estes motivos, tivemos que decidir, neste ano atípico, em caráter excepcional, por realizar a 15ª Parada no terceiro domingo do mês de novembro”. A data consta no calendário oficial do Município de Fortaleza (lei nº 8626/2002) e do estado do Ceará (lei nº 13644/2005). Além de Fortaleza, o evento também aconteceu nas cidades do Rio de Janeiro e Curitiba.

Trânsito

De acordo com o gerente de operações da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC), Disraeli Brasil, 70 agentes de trânsito atuaram durante o evento. A operação teve início na madrugada de ontem.  Os desvios ocorreram pela Rua Osvaldo Cruz, com bloqueio das ruas entre o clube Náutico ao Aterro da Praia de Iracema. O chefe de planejamento da Etufor, Miguel Guimarães, informou que mais 35 ônibus reservas saíram dos sete terminais de Fortaleza até o local do evento. Em frente ao Náutico, um posto fixo do Corpo de Bombeiros, do Samu e da Polícia Militar ficaram de plantão.

CAMILA VASCONCELOS

camila@oestadoce.com.br

(O Estado)

Conheça Will Golden e o incrível caso do homem sem pênis

O inglês Will Golden possui uma anomalia genética  que provoca a ausência total de de pênis e testículos. O problema ocorre em  1 a cada 20 milhões de crianças, ainda na fase embrionária.

Foto: reprodução

Indiferente ao problema, Golden não se incomoda em exibir suas fotos  na internet e diz que isso ajuda a diminuir o preconceito. 

A doença também chamada de Síndrome da Regressão Testicular, pode deixar alguns homens sem pênis, mas outros nasceram com testículos (interno ou externo). 

Depois de uma cirurgia, o rapaz  consegue urinar e defecar pelo reto. 

Via  Correio da Bahia.

Fortaleza realiza neste domingo (16/11) a 15ª edição da Parada pela Diversidade Sexual

Fortaleza sedia, no próximo domingo (16), a 15ª edição da Parada pela Diversidade Sexual do Ceará. O evento, que está previsto para acontecer das 13h às 22h, será sediado na Av. Beira Mar, tradicional local de realização do movimento.

A parada, que já aparece no calendário oficial de eventos de Fortaleza e do Estado do Ceará, tem o tema “Chega de Impunidade! É hora de tornar crime a homofofia, transfobia e lesbofobia”. O movimento é organizado pelo Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB).

Conforme o grupo, o evento busca alertar a população sobre a necessidade do País ter aprovado, no Congresso Nacional, uma lei que criminalize a homofobia e coíba agressões e violações de direitos humanos que afetam diariamente a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

A concentração dos ativistas tem início às 13h, em frente à barraca do Joca, na Av. Beira Mar. A saída acontece às 15h, em direção ao aterro da Praia de Iracema. Em 2013, a parada reuniu cerca de 500 mil pessoas, mesma expectativa para a edição 2014.

Preparação começa na quinta-feira

Além da Parada Gay no domingo, a Prefeitura de Fortaleza, em parceria com o GRAB, realizará outros 3 eventos preparatórios para o movimento. A Pré-Parada tem início na quinta-feira (13), com a Feira Mix LGBT, das 13h às 19h, na Praça do Ferreira.

Na sexta-feira (14), a programação na Praça começa às 8h, com o Balcão da Cidadania, que reúne serviços destinados à população LGBT. Já no sábado acontece o Ato Show da Pré-Parada, com apresentações de 13 atrações locais e uma nacional, também na Praça do Ferreira.

 

Serviço

Feira Mix LGBT

Data: 13 e 14 de novembro
Horário: 13h às 19h
Local: Praça do Ferreira

Balção da Cidadania

Data: 14 de novembro
Horário: 8h às 17h
Local: Praça do Ferreira

Ato Show da Pré-Parada

Data: 15 de novembro
Horário: 17h às 23h
Local: Praça do Ferreira

XV Parada pela Diversidade Sexual do Ceará

Data: 16 de novembro
Horário: 13h às 22h
Local: Avenida Beira Mar

(Diário do Nordeste)

Dois pacientes portadores do vírus HIV estão aparentemente curados graças a nova técnica

Os cientistas acreditam que a cura para a aids pode vir da integração do vírus ao DNA humano, que gera uma resistência transmissível aos descendentes (Thinkstock/VEJA)

A aparente cura de dois homens portadores de HIV graças a um fenômeno natural abre perspectivas interessantes nas buscas pela cura da Aids, revelou nesta terça-feira (4/11) um estudo científico. Este fenômeno natural permite ao organismo infectado integrar o vírus no DNA, neutralizando-o.

Os dois pacientes em questão estavam infectados com o HIV sem nunca terem estado doentes, nem terem uma quantidade detectável de vírus no sangue, segundo os autores do estudo, cujos resultados estão detalhados na revista especializada Clinical Microbiology and Infection. Nenhum deles foi submetido a tratamentos.

“Esta observação é muito interessante e pode representar um caminho para a cura” da Aids, explicou Didier Raoult, professor da Faculdade de Medicina de Marselha (França), co-autor do estudo com outra equipe francesa liderada pelo professor Yves Levy.

A análise realizada graças a tecnologias modernas permitiu reconstituir o vírus encontrado no genoma dos pacientes. Os pesquisadores conseguiram provar que o vírus foi inativado por um sistema de interrupção da informação fornecida pelos genes do vírus. O sistema, denominado “codon-stop” marca o fim da tradução de um gene em proteína. O vírus torna-se incapaz de se multiplicar, mas permanece presente no DNA dos pacientes.

Estas interrupções se devem a uma enzima conhecida, o Apobec, que faz parte do arsenal disponível nos seres humanos para combater o vírus, mas que normalmente é desativada por uma proteína do vírus.

Rever a definição de cura
O trabalho abre perspectivas de cura através da utilização ou da estimulação desta enzima, e também possibilidades de detecção nos pacientes recém-infectados, que têm uma chance de cura espontânea, segundo os autores do estudo. Para Raoult, isto poderia conduzir a uma revisão da definição de cura, que atualmente se baseia unicamente na ideia de desaparecimento do vírus no organismo.

A infecção pelo HIV de um dos pacientes ocorreu há mais de 30 anos. Aos 57 anos, ele foi diagnosticado com Aids em 1985 e aparentemente é imune ao vírus. A soropositividade do segundo paciente, de um chileno de 23 anos, foi identificada em 2011, mesmo que provavelmente tenha sido infectado três anos antes.

Nenhum deles apresentava outros fatores de resistência ao HIV conhecidos (mutações na proteína CCR5, que permite ao HIV infectar as células). O estudo baseia-se na suposição de que o vírus da Aids – um retrovírus que se integra ao DNA humano – teria o mesmo destino que os centenas de retrovírus já integrados no DNA de mamíferos, incluindo os seres humanos.

A hipótese também vem da observação de coalas, em que um vírus de macaco, causador de câncer e leucemia, já não os faz adoecer após a integração e neutralização do vírus em seu genoma, diz Raoult. “Nos coalas que se tornaram resistentes a este vírus do macaco através do mesmo fenômeno de integração ou de endogenização, a resistência é transmissível aos filhos”, ressalta Raoult.

Para os pesquisadores, trata-se de um mecanismo provavelmente comum em epidemias anteriores. Portanto, é lógico pensar que ocorre a um certo número de pessoas infectadas com o vírus da Aids. O estudo, segundo o professor francês Yves Levy, “é uma observação interessante e uma primeira demonstração, com o vírus HIV, de algo que a natureza foi capaz de fazer com outros vírus ao longo da evolução”.

(AFP)

Aids: entenda por que mulheres estão mais expostas à doença

O primeiro fator que torna a mulher mais propensa a adquirir o HIV diz respeito às suas próprias características físicas. A mucosa da vagina, ao ter contato com o esperma de um homem soropositivo, facilita que o vírus da aids se instale no corpo. “Há células ali propensas à penetração do vírus”, conta a médica pesquisadora Sandra Wagner Cardoso, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro. Além disso, a superfície de contato do órgão genital feminino é muito maior comparada ao masculino, o que também favorece a infecção.

O papel do sistema imunológico

Segundo Rowena Johnston, vice-presidente da Fundação Americana para a Pesquisa da AIDS (amfAR), há indícios de que as próprias defesas do organismo feminino contribuam para facilitar a propagação do vírus da aids pelo corpo. É que, de acordo com a especialista, a mulher teria um sistema imune mais ativo, o que, em se tratando de vírus como o HIV, pode ser algo ruim. “Como o sistema imunológico passa o tempo todo tentando, sem sucesso, combater esse agente infeccioso, eventualmente ele pode falhar e parar de responder como deveria”, informa Rowena.

Maior vulnerabilidade

Outra questão que influencia no fato de a mulherada estar contraindo o HIV com mais frequência é a vulnerabilidade do ponto de vista social, o que faz com que a prevenção seja deixada de lado. Muitas mulheres casadas não acham que podem contrair a doença do marido, e há solteiras, por incrível que pareça, que costumam ter dificuldade em negociar o uso do preservativo com o parceiro. “Sem falar que as mulheres estão muito mais sujeitas a sofrerem violência sexual”, lembra Rowena Johnston, que também é diretora de pesquisa da amfAR.

Aids e mulheres em números: por que você deve ficar alerta

  • Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres representam mais da metade das pessoas infectadas pelo vírus HIV no mundo inteiro.
  • De todas as mortes causadas pela aids no Brasil até 2012 28,4% ocorreram entre mulheres, de acordo com o Boletim Epidemiológico Aids HIV/Aids 2013.
  • O documento do Ministério da Saúde também aponta que a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres é de 13 a 19 anos.
  • No sexo feminino, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV, segundo o boletim.

Prevenir é fundamental

Para se proteger da aids, não tem jeito: é preciso usar camisinha. Além disso, se você teve relações sexuais com alguém que pode estar infectado, não hesite em fazer o teste. “O ideal é que toda mulher faça o exame em algum momento da vida, independente de ser casada ou solteira”, recomenda Sandra Cardoso.

Confira o vídeo a seguir e veja as vias pelas quais é possível pegar o HIV e aquelas que não oferecem perigo.

Fonte: M de Mulher

Pietra Accioly: Candidata de São Paulo vence edição do Miss Brasil Gay versão Nordeste

Paulista venceu concurso em Salvador (Foto: Genilson coutinho / Dois terços )

A noite de segunda-feira (3), foi de puro brilho no Teatro Vila Velha, em Salvador, com a realização da 20° edição do Miss Brasil Gay 2014, a versão Nordeste do concurso,  que é organizado e apresentado  pela star Bagageryer Spielberg. O evento reuniu no palco 20 candidatas que desfilaram seus  trajes típicos de vários estados brasileiros em uma noite de plumas, paetês e choros de emoção. A eleita da noite foi a bela Pietra Accioly, figurinista de TV, de São Paulo.

O segundo lugar ficou com a representante do Tocantins e o terceiro lugar para a Paraíba. A grande vencedora da edição de 2013, a manauara Letícia Freitas, também participou do evento para passar a faixa para nova vencedora. O Miss Brasil Gay 2014 contou, ainda com a alegria e irreverência da atriz e transformista Silvetty Montilla.

A miss Martha Vasconcellos, 66 anos, segunda brasileira a conquistar a coroa de Miss Universo, em Miami Beach, nos Estados Unidos, no final do anos 60, foi a grane homenageada da noite. Aplaudida de pé pelo público presente, Martha não escondeu a emoção da homenagem e a felicidade em ter sido coroada com o título de “Eterna Diva”.

Via http://www.uranrodrigues.com

Novembro Azul tem ações contra o câncer de próstata em Fortaleza

A Campanha Novembro Azul intensifica neste mês a prevenção e o tratamento da saúde do homem, em especial contra o câncer de próstata. No próximo dia 17 é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.

Em Fortaleza, o Centro de Saúde do Meireles, da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), disponibiliza consultas e exames para a saúde do homem. O espaço funciona das 17h às 21h na Avenida Antônio Justa, 3.161, no Bairro Meireles, em Fortaleza. A unidade de saúde oferta consultas com urologistas, clínicos gerais , cardiologistas e exames de prevenção do câncer de próstata.

O programa de atenção integral à saúde do homem foi implantado em novembro de 2009 em Fortaleza. No último ano foram realizados mais de 11 mil atendimentos, segundo a coordenadora do programa, Ana Célia Gazelli.

O urologista Ricardo Libório ressalta que os homens devem procurar fazer o exame de toque da próstata aos 40 anos de idade. Depois deste primeiro exame, recomenda-se o intervalo de cinco anos para um novo exame. A partir dos 70 anos o exame retal deve ser feito de seis em seis meses. “O homem deve procurar fazer o exame a partir dos 40 anos de idade. Não precisa estar sentindo nenhum problema para procurar o exame. Se ele sentir alguma dor óssea já é sinal que o problema avançou”, disse Libório.

O especialista disse que ainda que mesmo que o exame de sangue não aponte nenhuma interfência é recomendável fazer o exame retal. “Mesmo se o exame de sangue (PSA) der um resultado normal é recomendado fazer o exame de toque, pois, 27% dos pacientes que fazem o exame de sangue têm câncer de próstata.

O Centro de Saúde do Meireles também disponibiliza exames laboratoriais, tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e controle e tratamento de hipertensão e diabetes. Para as parceiras dos pacientes,o Centro de Saúde assegura consultas com ginecologista.

O Estado do Ceará deve ter no fim deste ano um total de 2.350 casos de câncer de próstata. Em 2011, foram registrados 562 óbitos causados pela doença.  Em 2012, o câncer de próstata causou a morte de 605 pessoas. Em 2013, foram 652 mortes.

(G1 Ceará)

Drag queen Marcia Pantera é chamada de “macaco” e é agredida em frente de clube gay

Ícone da noite LGBT, a drag queen Marcia Pantera passou por momentos de agressão e indignação na última sexta-feira (24). Ela foi chamada de “macaco” e agredida em frente ao clube Danger, no centro de São Paulo.

O ato racista partiu de dois homens gays e uma travesti, que estavam no clube e que foram colocados para fora depois de uma briga.

“Eu estava chegando na casa e eles estavam brigando do lado de fora. Quando olhei, um falou: ‘Não olha para a gente não, macaco’. Fui perguntar se eles estavam falando comigo, e eles partiram para cima de mim”.

Marcia conta ao A CAPA que eles a jogaram no chão, chutaram, arranharam, morderam e a socaram. Os seguranças da casa assistiram a agressão e só foram apartar depois que ela pediu ajuda. “Eu sou uma artista da casa, fui violentamente agredido na porta do trabalho e ninguém me ajudou. Fui desrespeitado de várias maneiras”.

Após subir ao camarim e ver as marcas da agressão, a artista voltou à portaria e viu que os agressores continuavam por lá. “Eles voltaram a me insultar, sempre reforçando a palavra ‘macaco’, mas desta vez eu não deixei barato e revidei. Eles foram covardes de me pegar os três juntos, mas com eles sozinhos eu soube me defender. Nunca fui de brigar em mais de 26 anos noite, mas não poderia ser tão desrespeitada desta maneira e ficar quieta”.

Marcia afirma que, depois de ter sofrido a agressão, teve que ir à Santa Casa sozinha e que só conseguiu registrar um boletim de ocorrência no domingo (26).

“Fiquei das 10h da manhã de sábado às 5h da tarde. Me mandaram de um lugar para o outro, diziam que iam demorar horas… Só consegui registrar no domingo, depois que o escrivão soube que a agressão foi racista”.

A artista, que recebeu o apoio de amigos e fãs em seu Faceboook, disse que é contra todos os tipos de preconceito e que não esperava sofrer racismo dentro do meio LGBT.

“A gente sempre escuta falar de agressões, mas nunca espera que vai acontecer com a gente. O que me revolta é que as pessoas esquecem muito facilmente e que nada é feito”, declarou ela, que faz questão de frisar que não estava no local errado e na hora errada. “Eu estava no lugar certo e na hora certa, pois era o horário do meu trabalho e a gente tem que ter segurança em qualquer lugar”.

O A CAPA tentou entrar em contato com a Danger, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.

Vídeo do incidente: http://www.youtube.com/watch?v=44X1yQF6YjQ

(A Capa)

“A igreja está finalmente abrindo as portas para os gays”

Publicado no Unisinos. 

Elas moram em uma casa como qualquer outra em uma rua como qualquer outra com uma minivan Honda na garagem e abóboras, fantasmas e cabeças de esqueleto que enfeitam o pequeno jardim da frente em preparação para o Halloween [dia das bruxas]. Fini, 11 anos, foi, ontem, à loja de fantasias e voltou com um traje de bailarina zumbi e batom preto. Emily, 12 anos, comprou uma fantasia de índia norte-americana. Agora, está tudo preparado para a festa do dia das bruxas. Poucos minutos antes das 6 da tarde, a mãe Becky chega em casa com caixas de pizza do Pizza Hut e elas comem antes de começar uma noite agitada de lições de casa, limpeza, chuveiro e de preparações para ir dormir cedo.

Nada de anormal aqui. Apenas uma típica família americana em uma típica noite durante o ano letivo nos Estados Unidos, com exceção disso: Becky é casada com Marianne. Fini e Emily têm duas mães.

A mãe Marianne é, na verdade, Marianne Duddy-Burke, diretora executiva nacional da Dignity USA, uma organização que existe há 41 anos, e que trabalha pela mudança nos ensinamentos da Igreja Católica sobre gays e lésbicas.

E, ontem, a família Duddy-Burke teve um dia extraordinariamente bem-sucedido: as duas mães e as duas crianças sentiram suas orações serem ouvidas quando os bispos católicos no Vaticano divulgaram um relatório preliminar pedindo à Igreja para acolher casais homossexuais e os filhos de suas uniões.

“Não temos ilusões de que este documento vai ser a solução de tudo. É apenas um documento provisório. Mas apenas a mudança de chamar-nos de “intrinsecamente más” para esse tipo de linguagem, bem, isso é um sinal significativo”, disse Duddy-Burke, na segunda-feira, em sua sala de estar em Boston.

“Só de imaginar como poderia ser, ter as nossas filhas totalmente incluídas na Igreja, sem ter dúvidas sobre se elas podem ir para a escola católica, se elas podem ser batizadas e receber os sacramentos”, disse ela. Entretanto, quando tudo parece bem, regular e normal, de repente, alguém pode ir até o padre ou bispo local – mesmo aqui em Massachusetts, onde o casamento gay é legalizado – e sussurrar que Marianne Duddy-Burke está casada com uma mulher. E que duas crianças estão vivendo naquela casa profana. E que algo deve ser feito.

“Nós chamamos essas pessoas de ‘snipers‘ [franco-atiradoras]“, disse Duddy-Burke ao se referir aqueles que preparam as emboscadas. Ela viu as suas vítimas muitas vezes. Parceiros que declaram seus parceiros em um obituário. De repente, eles são demitidos de um emprego que tinham na Igreja. E tem os funerais – como o do pai de um amigo próximo, em Massachusetts – onde o padre anunciou antes da comunhão: “Os gays não devem se apresentar para receber a Eucaristia”. Então a filha do homem morto permaneceu em seu banco, abandonada e humilhada. Duddy-Burke viu ministros voluntários da Igreja convidados a retirar-se do ministério, incluindo um jovem gay que escreveu em sua página no Facebook sobre ir a um evento do Dignity USA.

A associação Dignity opera diversos programas e serviços semanais para gays e lésbicas e suas famílias que permanecem na Igreja Católica, mas sentem que não podem por causa do preconceito flagrante contra eles ou pior, contra seus filhos. Em Boston, a “Missa da Dignidade”, como eles chamam, acontece todos os domingos na Igreja de São João Evangelista. Sacerdotes que apoiam a causa e, às vezes leigos, presidem a celebração.

Duddy-Burke não acha que o documento do Vaticano de ontem vai encerrar o trabalho do Dignity USA. “O Vaticano nunca tinha dito nada de positivo sobre as relações do mesmo sexo”, disse ela. “E neste documento, eles estão louvando o compromisso de longo prazo e o seu caráter sacrificial. Eles estão dizendo que os direitos e as necessidades das crianças devem ser primordiais”.

Ontem, as suas filhas disseram que a sua família não é diferente de qualquer outra. “Um dos meus amigos mais próximos tem duas mães”, disse Emily. “Outro amigo, que é educado em casa, tem duas mães, também. É normal”.

Marianne Duddy-Burke é a mais velha de quatro meninas em uma devota família de Nova Jersey. Estudou sempre em escolas católicas. Ela era a mais jovem leitora da sua paróquia, a salmista mais jovem. Durante a maior parte do ensino médio, ela ia à missa diariamente com as freiras e ajudava um capelão cego a servir o altar. Na faculdade, ela foi presidente do Newman Center, um grupo universitário católico, até que “o capelão de alguma forma ficou sabendo que eu era lésbica. Ele me perguntou sobre isso. Eu disse: ‘Sim, eu sou’. Ele disse: ‘Nós não podemos ter alguém como você representando os católicos no campus’, e me fez sair do grupo. Fiquei arrasada, sem uma comunidade”.

Mais tarde, ela encontrou uma nova comunidade com o Dignity. Ela conheceu Becky, convertida ao catolicismo e ex-freira, na Missa da Páscoa. Quando elas decidiram adotar, elas primeiro tentaram através da Catholic Charities [equivalente a Caritas nos EUA]. Mas foram rejeitadas porque elas eram gays. Elas finalmente fizeram o processo de adoção através do Departamento de Crianças e Famílias do Estado de Massachusetts.

“Lembro-me de quando, assim que Emily chegou à nossa casa, mas ainda não tinha sido adotada, o Vaticano começou a dizer que colocar crianças com casais do mesmo sexo estava causando violência”, disse Duddy-Burke. “Isso foi no meio do escândalo de abuso sexual. Eu pensei: ‘O que temos de violento? Nós somos apenas uma outra família”.

Enquanto comia sua pizza de queijo na noite de ontem, Fini Duddy-Burke disse que ela entende o que a mãe diz: ela é apenas mais uma criança em mais uma família que está super animada, antecipando o dia das bruxas. Se ela tivesse uma chance, ela diria ao Papa Francisco ela mesma. “É bom ter duas mães. Elas são as melhores. E nós as amamos”, disse ela, mesmo quando “elas gritam com a gente”.

Fortaleza se veste de rosa na luta contra o câncer de mama

FOTO: Rui Nóbrega

Vários pontinhos cor de rosa podiam ser vistos no calçadão da avenida Beira-Mar na manhã de ontem. Era a sexta edição da Caminhada Rosa contra o câncer de mama, que levou informação, alegria e saúde a centenas de homens e mulheres. Estimular as ações de prevenção, o diagnóstico precoce e o cumprimento de leis que alertam para o direito de pacientes foram os objetivos da caminhada, que teve fim com prestação de serviços de saúde na Praça dos Estressados. As vitoriosas -como são chamadas as mulheres que venceram a doença- tentaram ainda formar um laço rosa humano, símbolo do combate ao câncer de mama.

Para Cecília Oliveira, que integra a Rede Mama (organizadora do evento), é importante trazer atrações diferentes a cada edição. Ontem, a bateria feminina do Baqueta Clube de Ritmistas era responsável pela música ao longo da caminhada.
 

Cecília destacou ainda que as mulheres precisam saber das leis que garantem acesso à mamografia a partir dos 40 anos e, em casos de confirmação do câncer, início do tratamento em até 60 dias.

Coletivo de Mulheres Bancárias do Ceará presente na Caminhada Rosa 2014, em Fortaleza-CE.

Troca de informações
Saber o que fazer, onde procurar ajuda e, principalmente, com quem contar. O câncer de mama, o mais comum entre as mulheres, desperta interesse também em homens, que podem ser suscetíveis à doença. “Precisamos apoiar, porque mesmo que não seja com a gente, todo homem tem uma mulher em sua vida. E muitos precisam se informar para saber como agir”, disse o estudante Israel de Castro, 21.

 

Locais de trabalho também são importantes na hora de compartilhar informações. A bancária Carmem Araújo, 59, que acompanhava um grupo de trabalhadoras, destacou que o alerta precisa acontecer.

 

“Quando um caso acontece, é ruim para a empresa e pior para quem passa. Por isso achamos que um momento como esse chama atenção para como se prevenir”, avaliou. A caminhada contou com a participação de mulheres de municípios como Pacajus e Horizonte.

 

Durante o percurso, alguns transeuntes e ciclistas reclamaram. A ciclofaixa de lazer, na Beira Mar, precisou ser readequada a cada quarteirão por onde a caminhada passava.

(Sara Oliveira, O Povo)

Universidade Federal de Pernambuco fará cirurgias de mudança de sexo pelo SUS

Da Agência Brasil Edição: Marcos Chagas

Roberta Close fez uma cirurgia de redesignação sexual, em 1989, na Inglaterra.

O Ministério da Saúde habilitou o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, a oferecer atenção especializada no atendimento a transexuais para mudança de sexo.

A habilitação foi publicada hoje (14) no Diário Oficial da União  e leva em conta critérios definidos pelo ministério, em 2013, para o atendimento de transexuais no Sistema Único de Saúde (SUS), como a capacitação de profissionais para garantir tratamento humanizado e sem discriminação a esses pacientes.

O Hospital das Clínicas da UFPE já faz cirurgias de mudança de sexo, mas o serviço foi interrompido para a reformulação do atendimento e adequação às novas diretrizes do Ministério da Saúde.

As diretrizes em vigor para o atendimento a transexuais definem que os pacientes têm direito à atenção especializada com profissionais das áreas de endocrinologia, ginecologia, urologia, além de obstetras, cirurgiões plásticos, psicólogos, psiquiatras, enfermeiros e assistentes sociais.

De acordo com a portaria que habilita o hospital, assinada pelo secretário de Atenção à Saúde, Fausto Pereira dos Santos, “o custeio do impacto financeiro gerado por esta habilitação correrá por conta do orçamento do Ministério da Saúde”.

Jogadora de vôlei, Jackie Silva se casa com a bailarina Amália Lima


Tudo muito lindo

Medalha de ouro no vôlei de praia nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, Jackie Silva entrou para o time das casadas neste sábado. Depois de dez anos juntas, ela e a bailarina Amália Lima oficializaram a união numa cerimônia para poucos convidados, em Petrópolis. “As duas estavam felicíssimas, foi tudo muito lindo”, diz a ex-jogadora — e amiga de Jackie da vida inteira — Isabel.

Via http://oglobo.globo.com/blogs/blog_gente_boa

O que os candidatos à presidência propõem à população LGBT

Da Agência Brasil
Por Carolina Gonçalves
As reivindicações, os protestos e as denúncias sobre a violação de direitos e os crimes cometidos contra a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT) ganharam destaque maior no cenário eleitoral nas últimas semanas.
A polêmica sobre o posicionamento de candidatos à Presidência da República a respeito do tema foi aquecida no último fim de semana, quando Levy Fidelix (PRTB) classificou, em um debate na televisão, a homossexualidade como distúrbio psicológico, comparou homossexuais a pedófilos e chegou a conclamar a sociedade a “enfrentar” esse segmento da população.
Os direitos dessa população e os desafios enfrentados pela discriminação já compunham os programas de governo de grande parte dos candidatos. Veja, abaixo, o que os 11 presidenciáveis propõe sobre o tema.
Nas propostas apresentadas pelo candidato Aécio Neves (PSDB) à Justiça Eleitoral, o tucano se compromete a buscar uma renovação dos princípios de igualdade, segurança e paz e garante que irá priorizar as políticas afirmativas voltadas para as populações mais vulneráveis, entre elas, a população LGBT, assim como mulheres, idosos, crianças e afrodescendentes. Além de criar uma rede que concentre informações de assassinatos no país, Aécio afirma que vai implementar políticas contra qualquer tipo de intolerância e estimular pesquisas acadêmicas sobre a questão étnico-racial e de diversidade sexual. Para o candidato, é preciso estimular os movimentos, como o LGBT, e organizar protocolos de prevenção da discriminação dessa população. O tucano ainda promete ampliar a participação dessa população nos debates do Programa Brasil sem Homofobia, articular o programa com as iniciativas estaduais e municipais e criar debates permanentes com seus representantes para organizar as reivindicações no Fórum Nacional de Diálogo.
Dilma Rousseff (PT) afirma que a luta pelos direitos humanos esteve presente nos quatro anos de seu governo e será mantida como prioridade, caso seja reeleita. Segundo ela, essa meta só cessará quando não existir mais brasileiros “tratados de forma vil ou degradante, ou discriminados por raça, cor, credo, sexo ou opção sexual”. Dilma promete políticas que garantam mais empoderamento, autonomia e violência zero para as mulheres, com a implementação da Casa da Mulher Brasileira, apoio à luta contra a discriminação e a promoção da igualdade racial e da política de cotas e a continuidade da implementação do Viver sem Limite, que garante igualdade de oportunidades aos portadores de deficiência. Não há medidas específicas voltadas para a população LGBT.
Com uma seção dedicada ao tema “Cultura de paz”, Eduardo Jorge (PV) trata dos direitos de indígenas e afrodescendentes e reafirma o apoio à liberdade de orientação sexual, aos direitos ao casamento de pessoas do mesmo sexo e à adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Ele defende a criminalização da homofobia, nos mesmos moldes em que hoje são punidos os crimes de racismo. Segundo o ambientalista, o PV está tradicionalmente na vanguarda das questões que fazem parte da defesa dos direitos humanos no país.
Eymael (PSDC) não apresenta proposta específica para a população LGBT. O candidato defende igualdade de oportunidades entre os brasileiros, de forma geral. No que diz respeito a promessas relacionadas aos direitos humanos, ele se compromete com “imediatas e necessárias providências para assegurar ao deficiente físico o pleno exercício de seus direitos de cidadão”, além de defender políticas voltadas para a infância e juventude.
Autor da declaração que aqueceu a polêmica em torno do posicionamento de candidatos à Presidência da República sobre o tema, Levy Fidelix (PRTB) não faz qualquer referência, em suas propostas de governo, à população LGBT e não cita promessas relacionadas aos direitos humanos.
Luciana Genro (PSOL) define como um dos três eixos de seu governo, caso eleita, a ampliação “radical” dos direitos e das liberdades de trabalhadores e dos setores “socialmente mais vulneráveis e oprimidos”. Ao lado das questões relacionadas ao combate ao racismo e à violência contra as mulheres, Luciana afirma que também destacará o combate à homofobia. “Os ataques homofóbicos têm sido cada vez mais frequentes e a luta por direitos, como o casamento civil igualitário, ganha força principalmente junto à juventude”, afirmou.
Marina Silva (PSB) destaca, em seu programa de governo, que o país não pode mais permitir que “os direitos humanos e a dignidade das minorias sexuais continuem sendo violados em nome do preconceito. Para ela, o direito de “vivenciar a sexualidade e o direito às oportunidades devem ser garantidos a todos, indistintamente”. Entre as promessas de governo, a ex-senadora afirma que vai garantir os direitos da união civil entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção, e vai apoiar o Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira, conhecida como a Lei João W. Nery, que regulamenta o direito ao reconhecimento da identidade de gênero das “pessoas trans”. Marina Silva também pretende normatizar e especificar o conceito de homofobia na administração pública, criar mecanismos para identificar os crimes homofóbicos no país e incluir o combate ao bullying, à homofobia e ao preconceito no Plano Nacional de Educação.
Mauro Iasi (PCB) elenca, entre suas prioridades, a apuração e punição de todos os crimes contra os direitos humanos. O candidato declarou ser contrário à homofobia, assim como ao racismo, ao machismo e à xenofobia. Com a promessa de garantir direitos e políticas específicas para as mulheres e a população indígenas, Iasi lamenta que o país viva hoje “uma profunda individualização da vida, o reaparecimento e fortalecimento de estigmas e preconceitos, como o recrudescimento do machismo, da homofobia, da xenofobia e do racismo e da intolerância religiosa”.
Com um tópico específico sobre os direitos das famílias, Pastor Everaldo (PSC) se compromete a acabar com o uso do aparelho estatal para o que define como “promoção de atos que não coadunam com a tradição da sociedade brasileira” e a criar políticas inovadoras que “estimulem a recriação dos laços afetivos, morais e econômicos das famílias”. Ao tratar das liberdades civis, o candidato evangélico defende os direitos individuais e a liberdade irrestrita de expressão. Segundo ele, o Estado deve garantir tratamento isonômico para toda a sociedade a partir de políticas “que garantam que os menos afortunados possuam condições para o exercício do autodesenvolvimento, sem distinção de cor, credo ou de qualquer outra forma de discriminação”.
Rui Costa Pimenta (PCO) elenca compromissos com os direitos das mulheres, defendendo a descriminalização do aborto, os direitos da população negra, dos sem-terra e dos trabalhadores, mas não trata especificamente da população LGBT em seu programa de governo.
Zé Maria (PSTU) limita suas propostas relacionadas a direitos humanos ao fim do racismo e à equiparação salarial entre homens e mulheres.

Justiça autoriza transexual a mudar de nome e sexo nos documentos sem fazer cirurgia

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou uma transexual a mudar de nome e sexo nos documentos sem passar pela cirurgia de transgenitalização. A decisão da 15ª Vara de Família da Capital foi tomada no final de agosto e só agora divulgada.

A juíza Maria Aglae Tedesco Vilardo proferiu sentença favorável a Milena Pires Santana. A vitória na ação foi conseguida pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos (Nudiveresis).

Segundo a coordenadora do núcleo, Luciana Mota, a decisão é um avanço na luta pela cidadania dos transexuais e travestis.

(Jornal do Brasil Online)

Transexuais são discriminadas em shopping de Fortaleza

Achylla Nascimento foi vítima de transfobia (discriminação a transexuais), na tarde da última segunda-feira (29/09), no Shopping Benfica. A jovem transexual estava no banheiro feminino quando foi abordada por seguranças que alegaram que ela não poderia usar aquele banheiro e sim o masculino.

Para protestar contra a intolerância, um grupo de apoio às causas de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTs) realizou um ato contra a conduta preconceituosa do Shopping Benfica. Com cartazes, reivindicaram respeito e expuseram a Lei Municipal 8.211, de 1998, que prevê punição para estabelecimentos comerciais que discriminem clientes por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero. “Chegamos ao shopping às 20 horas, todos de forma pacífica e discreta, quando nos dirigimos ao banheiro. Logo os seguranças passaram o rádio falando da nossa presença”, disse Silvia Cavalleire, transexual, universitária e militante do movimento LGBTs.

Ao questionarem sobre o porquê de não poder usar o banheiro feminino, o grupo foi coagido a sair do local sob acusação de “tumulto”. “Além disso, fomos desafiadas a provar que somos mulheres”, criticou Silvia. “Em resposta a essas atitudes levantamos cartazes e fizemos falas expondo o preconceito que estávamos sofrendo. Logo depois, nos dirigimos às escadas quando formos cercados pelos seguranças, que nos mantiveram presos na escada rolante. Vários frequentadores do shopping apoiaram a nossa causa”, acrescentou.

Na mesma noite, as transexuais foram à delegacia prestar um Boletim de Ocorrência (BO) sobre os danos morais que nos foram causados. “Estamos tomando as providências legais para que o shopping seja devidamente punido e que situações como essa não voltem a se repetir”, ratificou Cavalleire.

Candidata a deputada estadual pelo PCdoB, Silvia Cavalleire defende a necessidade da aprovação da Lei que Criminaliza a homofobia (PLC – 122). “Criminalizar a homofobia não constitui uma busca de ‘direitos especiais’ às lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), mas a instituição de um mecanismo legislativo que consiga coibir, efetivamente, o preconceito. A sociedade deve ter lado nessa luta, o lado de quem respeita, aceita e defende a identidade de gênero e a diversidade sexual”, defende.

Veja o vídeo

De Fortaleza,
Carolina Campos (com a colaboração de Sarah Cavalcante)

Vaticano anuncia prisão de ex-arcebispo por pedofilia

Jornal GGN – O Vaticano, pela primeira vez, anuncia a prisão de acusado de pedofilia. O anúncio foi feito nesta terça-feira e o acusado é o ex-arcebispo Jozef Wesolowoski. A acusação é que, quando servia como embaixador papal na República Dominicana, teria pago para fazer sexo com crianças.

No comunicado feito, o Vaticano diz que o polonês foi deposto por um tribunal em junho e está em prisão domiciliar à espera de um julgamento criminal. O ex-arcebispo, de 66 anos, é a mais importante figura da Igreja a ser preso desde que Paolo Gabriele, o mordomo papal, foi condenado em 2012 por roubo e vazamento de documentos privados do papa emérito Bento XVI.

Wesolowaski, no entanto, não está detido na prisão do Vaticano, um conjunto de quartos anexos ao tribunal local, mas sim em prisão domiciliar em um apartamento, por motivos médicos.

Ele retornou ao Vaticano ano passado, ainda como diplomata em Santo Domingo. Foi dispensado de suas funções após a imprensa dominicana divulgar casos de pedofilia. Wesolowski vivia livremente em Roma, até que as vítimas de abuso pediram por sua prisão, com medo que fugisse.

O ex-arcebispo pode ser condenado a até 12 anos de prisão no primeiro julgamento a ser realizado dentro da Cidade do Vaticano, por abuso sexual. Ele também está sendo investigado na República Dominicana pelas acusações de pagamento a meninos para realizar atos sexuais.

Segundo o Vaticano, a prisão refletiu os desejos do Papa Francisco “que um caso grave e delicado como tal deve ser tratado sem demora, com justiça e o rigor necessários”. O Papa prometeu tolerância zero contra clérigos católicos que abusam sexualmente de crianças, tratando tais crimes como “horríveis” e os comparou a “uma missa satânica”. Francisco disse, em julho, às vítimas, que a Igreja “deve chorar e fazer reparação” pelos crimes.

Com informações do jornal O Globo.

Dois policiais militares se casam em Crateús

Os policiais militares Leônidas Leitão, do Ronda do Quarteirão, e Tiago Gonçalves, do Policiamento Ostensivo Geral (POG), que atuam na cidade de Tauá, casaram-se, na última quinta-feira (4), em Crateús.

A cerimônia aconteceu no Cartório do 1º Ofício Dr. Osvaldo Bezerra e, em seguida, os recém-casados receberam convidados num restaurante do município. Esse foi o segundo casamento entre pessoas do mesmo sexo realizado no cartório do município.

(Ceara7News)