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Vencedor do Oscar, roteirista de “Birdman” dedica prêmio a noiva travesti

O roteirista argentino Nicolás Giacobone com Mariana nos bastidores do Oscar – Reprodução/Twitter

O roteirista argentino Nicolás Giacobone foi um dos vencedores do Oscar 2015 na categoria melhor roteiro original e homenageou a sua noiva travesti ao receber o troféu.

Co-roteirista de “Birdman”, grande vencedor da premiação, Giacobone comemorou o triunfo do filme com Armando Bo, seu companheiro de equipe e compatriota, mas dedicou o prêmio a sua parceira. “À Mariana”, disse ele ao microfone, animado, chamando-a pelo seu nome verdadeiro.

Mariana ficou conhecida na Argentina com seu nome artístico, Ginna, quando apresentava o programa “Sábado Bus”.

Segundo o jornal El Clarin, ela está afastada da mídia há algum tempo por conta de uma polêmica com a atual apresentadora da atração, Florencia de la V. Na época, a publicação ressalta que Mariana faz questão de ser chamada de travesti.

“Não quero nem me reconhecer como uma mulher, porque não sou. Nem quero exigir que a sociedade me reconheça como mãe, se quiser adotar um criança algum dia. Meu ego não é tão elevado para impor a minha perspectiva de vida”, declarou.

Via http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2015/02/25/vencedor-do-oscar-roteirista-de-birdman-dedica-premio-a-noiva-travesti.htm

Líder de torcida organizada da Argentina posta foto com fuzil em favela do Rio

Rio – Pablo Álvarez, o Bebote, considerado um dos líderes de torcida organizada mais perigosos da Argentina, publicou uma foto em que aparece com um fuzil e ao lado de dois jovens, sendo um fortemente armado, no Morro do Urubu, em Pilares, na Zona Norte. O barra brava (como são chamados os torcedores violentos na Argentina) escreveu na legenda: “Disseram que eu não poderia entrar no Brasil porque era perigoso? hahaha Aqui o perigo não precisa de mim. Festa na favela”.

Pablo Álvarez, o Bebote, posta foto com fuzil no Morro do Urubu, em Pilares

Foto:  Reprodução / Facebook

Este não é o primeiro episódio polêmico que Bebote se envolve. No dia 5 de julho, durante a Copa do Mundo, o líder da torcida do Independiente foi preso no estádio Mané Garrincha, em Brasília, durante o jogo entre Argentina e Bélgica.

Antes do Mundial, o governo argentino havia enviado ao Brasil uma lista com nomes dos torcedores considerados perigosos, incluindo Pablo Álvarez, e que estavam impedidos de entrar no país para assistir aos jogos. No momento da prisão, ele estava usando uma camisa do Flamengo para tentar se disfarçar na multidão.

Bebote (C) aparece ao lado de dois jovens, sendo um armado com um fuzil, no Morro do Urubu, em Pilares

Foto:  Reprodução / Facebook

O ex-líder da extinta Hinchadas Unidas Argentinas (HUA), que reunia diversas facções de barra bravas para torcer pela seleção, também é suspeito de participar do episódio em que diversos cachorros foram enforcados nas redondezas do estádio Libertadores da América, em Buenos Aires, em um ato de ameaça aos jogadores após o Independiente ter sido rebaixado no Campeonato Argentino.

Outro caso de violência vinculado à Bebote foi quando ele ameaçou dar três tiros – dois na perna direita e um nos testículos – no jogador Fabián Vargas, caso o meia fosse jogar no rival Racing.

Reportagem de Victor Duarte, O Dia

Conheça o acessório de smartphone que diagnostica o HIV em 15 minutos

Gadget: aparelho custa aproximadamente 34 dólares para ser fabricado – Samiksha Nayak/Columbia Engineering

Uma equipe de pesquisadores da universidade de Columbia, em Nova York, desenvolveu um aparelho que, acoplado a um celular, detecta o HIV e a sífilis em menos de 15 minutos.

De acordo com os pesquisadores, o dispositivo, que custa apenas 34 dólares para ser fabricado, pode “transformar a forma como serviços de saúde são disponibilizados pelo mundo”.

Durante testes realizados em Ruanda, onde 200 mil pessoas estão infectadas com HIV, os cientistas descobriram que a ferramenta, que detecta a doença com apenas uma gota de sangue, teve um nível de eficácia parecido com aparelhos usados por hospitais, muito mais caros.

O dispositivo pode ser acoplado na saída para fones de ouvido de um smartphone e é equipado com reagentes químicos que testam a amostra de sangue em até 15 minutos.

De acordo com o estudo publicado nesta quarta (4) pela revista científica Science Translational Medicine, o aparelho conseguiu atingir sensibilidade de 92% e 79% de especificidade dos casos HIV.

A sensibilidade é a medida dos pacientes corretamente identificados com o HIV, enquanto a especificidade mede a precisão que o aparelho teve em identificar as pessoas que não eram portadoras do vírus.

O aparelho também registrou 70% de sensibilidade e 80% de especificidade no teste da sífilis, o que, segundo os pesquisadores, pode reduzir em dez vezes o número de mortes pela doença, considerando a possibilidade de um diagnóstico precoce.

“Nosso trabalho mostra que testes imunológicos com qualidade laboratorial podem ser feitos em um acessório de smartphone˜, afirma Samuel Sia, professor de engenharia biomédica em Columbia.

“Alguns diagnósticos que precisam de laboratórios para serem feitos podem ficar acessíveis a qualquer população com acesso a smartphones”, diz Sia.

Quase 70% das infeções por HIV no mundo acontecem nos países da África Subsaariana, uma das regiões mais pobres do planeta.

Via http://info.abril.com.br

Nordeste é nova rota de tráfico no Brasil

Uma mudança no perfil do tráfico já faz do Nordeste um corredor para a condução de drogas ao exterior. A circulação de entorpecentes não mais se restringe às regiões Centro-Oeste e Sudeste. As drogas saem do Brasil e vão para a República de Cabo Verde, um país estrategicamente localizado no Oceano Atlântico. De lá, seguem para a Europa. Os dados são Polícia Federal (PF) e foram publicados pelo Portal R7 na última segunda-feira, 2 de fevereiro.

O Município de Fortaleza, no Ceará, é um dos locais utilizados para envio da droga. Em 2013, um novo voo direto foi inaugurado, ligando a capital cearense à Cidade de Praia, em Cabo Verde. O que contribuiu para intensificar a ação dos traficantes. Com isso, a vigilância no Aeroporto Internacional Pinto Martins teve que ser intensificada, tanto no setor de passageiros quanto no de cargas.

A maior parte das drogas que saem da cidade é oriunda da Bolívia e da Colômbia. Segundo o chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal no Ceará, delegado Janderlyer Lima, a máfia nigeriana é quem faz o transporte. Ele explica que é uma quadrilha muito bem organizada, com muitas ramificações e dialetos.

A PF sabe que a entrada da droga no Brasil se dá pelas fronteiras com os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e também pelo Amazonas. Essas informações confirmam o que a Confederação Nacional de Municípios (CNM) já havia alertado em seu estudo o Crack na Fronteira Brasileira. Por meio de contato com os gestores da região fronteiriça, o material apresenta a realidade dessas cidades e as dificuldades para lidar com a questão das drogas.

Uma vez dentro do país, os entorpecentes são enviados para os Municípios: Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA). Todavia, os traficantes estão sempre descobrindo novas técnicas para esconder a droga e driblar a polícia. A situação em Fortaleza, no Ceará, é um exemplo.

 

Fiscalização

Para tentar coibir a ação dos traficantes, houve um aumento do número de policiais e fortalecimento na fiscalização dos voos internacionais. Além disso, também foi registrada uma integração da Polícia Federal em vários Estados do Nordeste e do Norte do país.

Para tentar evitar a ação dos traficantes houve aumento do número de policiais e fortalecimento na fiscalização dos voos além da integração da Polícia Federal em vários Estados do Nordeste e do Norte.

Mais informações sobre o estudo, entre em contato com a equipe do Observatório do Crack.

Via http://www.capitalteresina.com.br

Unicef faz ‘maior apelo humanitário da história’ para ajudar 62 milhões de crianças

A ONU lançou na quinta-feira (29) o que pode ser considerado o “maior apelo humanitário da história”, segundo a própria organização. A ação tem como objetivo ajudar 62 milhões de crianças em risco em 71 países ao redor do mundo, que enfrentam conflitos, desastres naturais, doenças, fome e abusos.

Crianças tomam vacina no Sudão do Sul. Foto: Divulgação/ONU

O Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) estimou US$ 3,1 bilhões de dólares de investimento. Dentre os destinos do recurso, 903 milhões de dólares serão destinados para a ação humanitária na Síria, protegendo as crianças em risco e salvando vidas por meio de imunizações, água potável, saneamento e educação. Outros 500 milhões de dólares serão usados para acelerar os trabalhos nas comunidades afetadas pelo vírus ebola.

“Seja nas manchetes ou fora dos olhos do mundo, emergências causadas por fraturas sociais, alterações climáticas e doenças estão atingindo as crianças de uma maneira que eu nunca vi antes”, declarou a diretora de emergência do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), Afshan Khan.

 

(Sidney Rezende)

Convenção da OIT sobre trabalho doméstico é ratificada em apenas 17 países

São Paulo – A Organização Internacional do Trabalho (OIT) tenta estimular os países a ratificar a Convenção 189, que trata do trabalho decente no setor doméstico. As normas foram aprovadas em junho de 2011, durante a 100ª Conferência Internacional do Trabalho, e passaram a valer em setembro de 2013. O Uruguai foi o primeiro país a adotar a convenção. Neste início de ano, a Finlândia tornou-se o 17º. O Brasil, que demora a concluir o processo de regulamentação da lei do serviço doméstico, não é signatário.

“Muito poucos dos aproximadamente 53 milhões de trabalhadores domésticos em todo o mundo estão cobertos por leis trabalhistas”, diz a OIT. Na região da América Latina e Caribe, são quase 20 milhões, 7,6% do emprego total.  “O trabalho doméstico tem grande relevância para a nossa região, por isso é importante tomar medidas para que tenham os mesmos direitos básicos dos demais trabalhadores”, diz a diretora regional da OIT, Elizabeth Tinoco. “A entrada em vigor da nova norma internacional constitui um feito sem precedentes, pois pela primeira vez se aborda de forma específica um setor em que predomina a informalidade”, acrescenta. Na América Latina, a informalidade atinge 78% dos trabalhadores e trabalhadoras domésticos.

A Convenção 189 trata de temas como abusos e assédio no trabalho, jornada, remuneração mínima, saúde e segurança. Até agora, ratificaram a convenção África do Sul, Alemanha, Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Filipinas, Finlândia, Guiana, Ilhas Maurício, Irlanda, Itália, Nicarágua, Paraguai, Suíça e Uruguai.

No Brasil, a Proposta de Emenda à Constituição 72, a chamada PEC das Domésticas, foi aprovada pelo Congresso, com muita festa, em abril de 2013. A emenda garantia aos empregados do setor direitos dos demais trabalhadores urbanos. Mas muitos ainda esperam por regulamentação, como o pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a indenização por demissão justa causa, adicional noturno e seguro-desemprego, entre outros.

(Rede Brasil Atual)

Sequestrados, espancados, degolados: Jornalistas viveram perigosamente em 2014

À esquerda: O jornalista americano James Foley, que foi assassinado por militantes islâmicos, posa para uma foto em Boston em 27 de maio de 2011 (AP Photo/Steven Senne) À direita: O jornalista americano Steven Sotloff, exibido pouco antes de ser degolado pelo Estado Islâmico em setembro de 2014 (AP Photo) Embaixo: Peter Gresle, um jornalista australiano do canal de notícias Al-Jazeera, no instituto de polícia, próximo da prisão Tora no Cairo, Egito, em 23 de junho de 2014 (Khaled Desouki/AFP/Getty Images

Por em MundoInternacional

Duas organizações internacionais líderes no monitoramento da liberdade e segurança dos jornalistas publicaram seus relatórios anuais sobre a violência e os sequestros que tiveram jornalistas como alvos, especialmente no Oriente Médio. Simplesmente por fazerem seu trabalho, jornalistas foram detidos, mantidos como reféns ou degolados.

Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) rastreiam jornalistas mortos no exercício da profissão. Em 2014, houve 66, elevando para 720 o total da última década. Além disso, 19 jornalistas-cidadãos e 11 trabalhadores da mídia foram mortos em 2014.

Embora o número de mortos este ano seja 7% menor do que 2013, a natureza da violência contra jornalistas mudou. Em 2014, “ameaças e degolações cuidadosamente encenadas” foram utilizadas para propósitos especiais.

“Raramente jornalistas foram assassinados com um senso tão bárbaro de propaganda, chocando o mundo inteiro”, afirmou o relatório de 2014 dos RSF. Exposto a ameaças crescentes, muitos jornalistas fugiram para o exílio em 2014, o dobro do número de 2013.

O relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), publicado em 23 de dezembro, afirmou que pelo menos 60 jornalistas foram mortos e identificou cada um e as circunstâncias da morte. O CPJ provavelmente adicionará mais alguns a sua contagem enquanto ainda investiga os casos de pelo menos mais 18 jornalistas mortos em 2014, para determinar quais dessas mortes foram relacionadas com o trabalho.

O CPJ relatou: “Mais de 40% dos jornalistas mortos em 2014 foram alvo de assassinato. Cerca de 31% dos jornalistas assassinados relataram ter recebido primeiramente ameaças.”

Mais comum do que o assassinato é ser ameaçado ou agredido fisicamente por manifestantes ou policiais, segundo os RSF. Por exemplo, “na China, o Partido Comunista não hesitou em usar bandidos à paisana para impedir os jornalistas de reportarem sobre manifestações”, afirmou o relatório.

O CPJ e os RSF podem chegar a resultados ligeiramente diferentes por uma série de razões. Na Síria, onde quase um quarto das mortes ocorreu, as áreas que o Estado Islâmico controla são perigosas e restritas. A pedido da família da vítima, os casos geralmente não são divulgados. Por conseguinte, é mais difícil saber o número exato de jornalistas mortos ou mantidos em cativeiro na Síria.

Além disso, o CPJ utiliza uma definição mais ampla de jornalista, que inclui “jornalistas oficiais, freelances, fotojornalistas, blogueiros e jornalistas-cidadãos”, enquanto os RSF separam a contagem entre jornalistas profissionais e jornalistas-cidadãos.

O jornalista americano Steven Sotloff (no centro com capacete preto) fala com rebeldes líbios na linha de frente em Al Dafniya, oeste de Misrata, Líbia, em 2 de junho de 2011 (Etienne de Malglaive/Getty Images)

Síria, o lugar mais perigoso

Ambos os relatórios concordam que o país com o maior número de mortes de jornalistas foi a Síria, devastada pela guerra, com 15 (RSF) ou 17 (CPJ) vítimas. Outros países com elevado número de mortes de jornalistas foram: Palestina, Ucrânia, Iraque e Líbia. Estes cinco países “mais letais”, todos envolvidos em conflitos armados, constituem a maioria das mortes conhecidas de jornalistas em 2014.

“A Síria tem sido o país mais perigoso do mundo para jornalistas por mais de dois anos”, disse o CPJ. Pelo menos 70 jornalistas foram mortos cobrindo o conflito na Síria e perto da fronteira com o Líbano e a Turquia. A maior parte dessas mortes – mais de três quartos – resultaram de fogo cruzado ou circunstâncias de combate. No entanto, alguns “jornalistas também foram diretamente visados por todos os lados do conflito.”

O CPJ deu um exemplo da Síria de dois correspondentes e um cinegrafista da estação de TV opositora Orient News. Eles foram mortos em 8 de dezembro, quando cobriam os confrontos numa vila na província de Deraa. Seu carro foi atingido por um míssil guiado disparado por forças do governo. Seu carro era facilmente identificável como sendo da mídia porque carregava uma antena parabólica de quase 2 metros de largura. Com base em pesquisas do CPJ sobre o regime Assad, o CPJ atribuiu o ataque como uma tentativa de silenciar as notícias sobre a guerra.

A maioria de nós está familiarizada com as mortes trágicas em algum lugar na Síria dos jornalistas americanos freelance James Foley, degolado em 19 de agosto, e Steven Sotloff, degolado em 2 de setembro. Foley foi sequestrado em novembro de 2012.

Repórteres ou fotógrafos não podem trabalhar em territórios controlados pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria, a menos que jurem fidelidade ao califado. “Os jornalistas são acompanhados de perto e frequentemente perseguidos, sequestrados e mortos”, afirmou o relatório dos RSF.

Não apenas na Síria os repórteres são visados. Numa região no Noroeste da Colômbia (Departamento de Antioquia), os RSF afirmam que “grupos paramilitares criminosos semeiam o terror… regularmente circulam listas de alvos com os nomes dos jornalistas destinados à eliminação. Os repórteres são ameaçados, atacados e assassinados com quase total impunidade.”

Em 20 de julho, Khaled Reyadh Hamad, um cinegrafista e fotógrafo palestino, foi morto em Gaza, Israel, durante a batalha feroz que vitimou 60 palestinos e 13 soldados israelenses. Hamad trabalhava num filme para documentar os perigos que os médicos palestinos enfrentam. Ele estava numa ambulância quando foi atingido pelo fogo de artilharia das forças israelenses. Um porta-voz da Força de Defesa de Israel disse que eles não atacam jornalistas.

Peter Gresle (à esquerda), um jornalista australiano do canal de notícias Al-Jazeera, e dois colegas, o egípcio-canadense Mohamed Fadel Fahmy (centro), e o egípcio Baher Mohamed, escutam o veredito numa gaiola dos réus, durante seu julgamento por supostamente apoiarem a Irmandade Muçulmana, em 23 de junho de 2014, no Cairo, Egito. O tribunal egípcio condenou os três jornalistas da Al-Jazeera a sentenças de prisão de 7 a 10 anos por acusações de ajudarem a banida Irmandade (Khaled Desouki/AFP/Getty Images)

Aumento dos sequestros

O número de sequestros de jornalistas profissionais subiu para 119, o que representa um aumento de 37% em relação ao ano passado, segundo os RSF. Os quatro países onde quase todos os sequestros ocorreram são: Ucrânia (33), Líbia (29), Síria (27) e Iraque (20).

Em todo o mundo, 40 jornalistas ou jornalistas-cidadãos estão atualmente sendo mantidos como reféns. Jornalistas locais são principalmente visados e constituem 90% de todos os sequestros.

O CPJ relatou que, desde que as hostilidades começaram na Síria, mais de 80 jornalistas foram sequestrados, um número que não tem precedentes nos longos registros do CPJ.

Jornalistas presos

O RSF afirma que, em todo o mundo, 178 jornalistas profissionais estão atualmente na prisão e coincidentemente um número igual de jornalistas-cidadãos também está encarcerado. Cinco países, liderados pela China, com 29 jornalistas profissionais presos, seguida pela Eritreia (28), Irã (19), Egito (16) e Síria (13), constituem 59% do total.

O relatório do CPJ identifica 44 jornalistas presos na China. O CPJ também constatou que a China prendeu pelo menos 78 jornalistas-cidadãos.

A lista de jornalistas presos do CPJ totaliza 220, mas, como dito anteriormente, suas definições diferem das dos RSF.

O mundo está bem consciente do erro judiciário e das acusações absurdas no Egito este ano. Os espectadores do Al-Jazeera ouvem pedidos várias vezes ao dia pela libertação de três de seus jornalistas, Peter Greste, Mohamed Fahmy e Baher Mohamed, que foram condenados em junho por um tribunal egípcio a 7 anos (Greste e Fahmy) e 10 anos (Mohamed). Eles são acusados de terem ajudado a Irmandade Muçulmana e reportado notícias falsas.

Segundo os RSF, pelo menos 853 jornalistas profissionais foram presos em 2014, um problema que perturba seus trabalhos. Na Ucrânia, os jornalistas são detidos e levados por forças governamentais e por rebeldes separatistas que operam postos de controle. Algumas horas depois, eles são geralmente liberados sem qualquer explicação.

Um quarto das prisões ocorreu em cinco países: Ucrânia (47), Egito (46), Irã (46), Nepal (46) e Venezuela (34).

Fundada como uma organização sem fins lucrativos em 1985 na França, os Repórteres Sem Fronteiras ganharam reconhecimento internacional pelo trabalho que fazem na prestação de assistência a jornalistas que trabalham em zonas perigosas. Eles têm status consultivo nas Nações Unidas e na UNESCO, segundo seu website.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas foi fundado em 1981 por um grupo de correspondentes norte-americanos. “O CPJ promove a liberdade de imprensa em todo o mundo e defende o direito dos jornalistas de relatarem as notícias sem medo de represálias”, segundo sua declaração de missão. O CPJ documenta casos, publica relatórios e fornece apoio moral e material quando jornalistas são “censurados, perseguidos, ameaçados, presos, sequestrados ou mortos por seu trabalho”.

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Veja outras estatísticas em Statista.

Via https://www.epochtimes.com.br

Dealberto Jorge: Brasileiro é encontrado morto em resort de Cancún, no México

Dealberto morreu no México (Foto: Reprodução/Facebook)

Um brasileiro de 35 anos foi encontrado morto no último sábado,10 , em um hotel na Playa Del Carmen, em Cancún (México). O reconhecimento de Dealberto Jorge da Silva foi feito por uma amiga, que viajava com ele para um casamento. A Polícia mexicana investiga as causas da morte, conforme informações da imprensa. Um amigo próximo afirma que o irmão de Dealberto, que também iria à celebração, está desaparecido.

O empresário caiu do 12º andar e a Polícia mexicana investiga se ele foi atirado de cima do prédio, conforme um amigo dele disse ao jornal Extra. “Não sabemos se ele foi alvo de sequestro. Eles [irmãos] conheceram uma russa, que parece ter conchavo com a máfia. Não sabemos se ele estava fugindo das pessoas, o que aconteceu. A gente acha que ele estava assustado, os caras devem ter entrado no apartamento e eles correram”, disse a fonte, que não quis se identificar.

A família só recebeu a notícia da morte no último domingo, 11, e um áudio no WhatsApp revela que o Dealberto temia ser sequestrado. “Meu irmão, estou para ser sequestrado por aquela amiga do Marqueti, a russa. Está muito f*, tem muita gente, está muito estranho. Avise à Policia Federal, alguma coisa assim, cara, que eu estou muito f*. Estou passando em frente ao Hotel Royal, em Cancún, em Playa Del Carmen, e está todo mundo me olhando. Só avise à imigração de problemas, por favor, avise à polícia”, diz a gravação.

Segundo o amigo, Fernando Silva teria entrado em contato com a família para pedir ajuda e informar que estava escondido dos homens estavam perseguindo eles. Inicialmente, o Itamaraty informou à família que o corpo encontrado seria de Fernando, pois Dealberto estava com o passaporte do irmão. Os dois são empresários do setor elétrico, em Santa Catarina.

Redação O POVO Online

Marco Archer Cardoso: Brasileiro condenado a pena de morte será executado na Indonésia

O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53, condenado à pena de morte na Indonésia, por tráfico de drogas, será executado “muito em breve”, segundo o governo no país asiático, que negou definitivamente clemência ao brasileiro.

O pedido foi negado em 31 de dezembro pelo presidente Joko Widodo. Foi a segunda vez que

Marco solicitou perdão presidencial – a primeira negativa foi em 2006. Pelas leis indonésias, sentenciados à morte só podem fazer dois pedidos de clemência, depois de esgotadas as chances de recurso à Justiça. Assim, do ponto de vista legal, não há mais o que fazer para evitar a execução.

A execução deverá acontecer até o final de janeiro. O Itamaraty afirma não ter recebido comunicação “oficial” a respeito. Em dezembro, antes da rejeição da clemência, a presidente Dilma Rousseff mandou carta a Widodo pedindo a não execução. O gabinete de Dilma avalia se há algo mais que possa ser feito para interceder pelo brasileiro. Se a pena for cumprida, Marco será o primeiro ocidental executado na Indonésia. De 2000 a 2014, 27 pessoas foram fuziladas, a maioria cidadãos indonésios.

(Marcelo Raulino, Ceará Agora)

Google vai financiar maior edição do Charlie Hebdo da história

Semanário prepara maior edição de sua história Reprodução/Charlie Hebdo

O Google deve ajudar o jornal satírico Charlie Hebdo a lançar sua maior tiragem da história em sua próxima edição. Após o trágico ataque à redação da publicação nesta quarta-feira (7), os sobreviventes da publicação francesa pretendem lançar uma edição com 1 milhão de cópias – normalmente, o jornal tem cerca de 30 mil cópias.

O gesto de desafio e luto deve lembrar os oito membros da equipe do Charlie Hebdo que foram assassinados durante o tiroteio, assim como as outras quatro vítimas. A publicação solicitou a contribuição de jornalistas e cartunistas de toda a Europa para preencher suas páginas dessa edição especial.

A gigante das buscas deve ajudar a financiar a iniciativa. O Google doou cerca de US$ 300 mil para um fundo de inovação de imprensa, enquanto os jornais franceses prometem colaborar com um valor igual. Alguns dos fornecedores e distribuidores do Charlie Hebdo também concordaram em trabalhar de graça. Um dos autores do jornal, Patrick Pelloux descreveu a situação na televisão francesa.
— É muito difícil. Nós todos estamos sofrendo, com tristeza, com medo, mas nós vamos fazer de qualquer forma porque a estupidez não pode vencer.

(R7)

França: Polícia mata suspeitos de ataque terroristas

BBC Brasil Os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi: franceses de origem argelina treinados pela Al-Qaeda

IG São Paulo

Oficiais de polícia anunciaram que os dois suspeitos do ataque à revista francesa Charlie Hebdo foram mortos por agentes nesta sexta-feira (9). A confirmação veio feito pouco depois de Thierry Chevalier, prefeito da comuna Dammartin-en-Goele, localizada a 30 quilômetros de Paris, ter feito o mesmo anúncio.

Estrondos de explosões e tiros foram ouvidos nas proximidades da empresa gráfica onde os irmãos Kouachi, caçados pelas autoridades desde que passaram a ser suspeitos do ato terrorista de dois dias atrás, se refugiaram. Eles fizeram uma pessoa refém, que foi libertada pela polícia.

Sob condição de anonimato por não ter autorização para falar sobre o assunto, um oficial da polícia afirmou os suspeitos saíram do prédio atirando contra os agentes de segurança, que acabaram baleando-os.

Christophe Crepin, porta-voz da polícia, ainda afirmou que o atirador responsável pelo sequestro de reféns em um mercado judaico também morreu, praticamente simultaneamente, perto dali.

* Com agências de notícias

O terrorismo, a extrema-direita e o suicídio europeu, um continente em explosão

Frederick Florin/EFE

O ato terrorista contra os jornalistas do francês Charlie Hebdo, em Paris, que também provocou ontem (7) a morte de um funcionário da revista, de dois policiais no ato e possivelmente de mais um em tiroteio posterior – num total de 12 mortos –, é mais uma face da grande ameaça que paira sobre a Europa.

O continente inteiro está assentado sobre uma bomba-relógio. Não é uma bomba comum, porque casos como o do Charlie Hebdo mostram que ela já está explodindo. Nas pontas da bomba estão duas forças antagônicas, com práticas diferentes, porém com um traço em comum: a intolerância herdeira dos métodos fascistas de antigamente – e de sempre.

De um lado, estão pessoas e grupos fanatizados que reivindicam uma versão do islamismo incompatível com o próprio Islã e o Corão, mas que agem em nome de ambos. Os contornos e o perfil desses grupos estão passando por uma transformação – o que aconteceu também nos Estados Unidos, no atentado em Boston, durante a maratona, e no Canadá, no ataque ao Parlamento, em Ottawa. Cada vez mais aparecem “iniciativas individuais” nas ações perpetradas.

Esse tipo de terrorismo se fragmentou em pequenos grupos – muitas vezes de familiares – que agem à lacria, como se dizia, em ações que parecem espontâneas e até amalucadas, mas que obedecem a princípios e uma lógica cuja versão mais elaborada, para além da “franquia” em que a Al-Qaïda se transformou, é o Estado Islâmico, que se estruturou graças à desestruturação do Iraque e da Síria. São fanáticos que negam a política consuetudinária como meio de expressão de reivindicações e direitos: negam, no fundo, a própria ideia de “direitos”, inclusive o direito à vida, como fica claro no gesto assassino que vitimou o Charlie Hebdo.

Do outro, estão os neofascistas – ou antigos redivivos – que se agarram à bandeira do anti-islamismo também fanático como meio de arregimentar as massas em torno de si e de suas propostas. Agem de acordo com as características próprias dos países em que atuam, mobilizando, de acordo com as circunstâncias, as palavras adequadas.

No Reino Unido, criaram o United Kingdom Independence Party – UKIP, Partido da Independência do Reino Unido, nome malandro que oculta e ao mesmo tempo carrega a ojeriza pela União Europeia. Na França têm a Front Nationale, da família Le Pen, que mobiliza o velho chauvinismo francês que lateja o tempo todo desde o caso Dreyfus, ainda no século 19.

Na Alemanha é feio ser nacionalista alemão, desde o fim da Segunda Guerra. Então, criou-se um movimento – Pegida – que se declara de Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente, procurando uma fachadapseudamente universalista para seus preconceitos anti-Islã e anti-imigrantes.

Essa, aliás, é a bandeira comum desses movimentos: fazer do imigrante ou do refugiado político ou econômico o bode expiatório da situação de crise que o continente vive, assim como no passado se fez com o judeu e ainda hoje se faz com os roma e sinti (ditos ciganos).

Na Itália, esse fascismo latente se organiza com o nome de Liga Norte, mobilizando o preconceito social contra o sul italiano, tradicionalmente mais empobrecido. São movimentos que, embora busquem por vezes o espaço da política partidária, como é o caso do Ukip e da Front Nationale, ou mesmo da Liga Norte, têm como cosmovisão a negação da política como espaço universal de manifestação de direitos e reivindicações.

Negam a política como campo de manifestação das diferenças, barrando ao que consideram como alteridade o direito à expressão ou mesmo aos direitos comuns da cidadania. O exemplo histórico mais acabado disso foi o próprio nazismo que, chegando ao poder pelas urnas, fechou-as em seguida.

O caldo de cultura em que vicejam tais pinças contrárias à vigência dos princípios democráticos é o de uma crise econômico-financeira que se institucionalizou como paisagem social. Na Europa, a tradição é a de que crises desse tipo levam a saídas pela direita. O crescimento do Ukip e da Front Nationale, partidos mais votados nas respectivas eleições para o Parlamento Europeu, em maio de 2013, é eloquente nesse sentido.

Na Alemanha, as manifestações de rua do Pegida vêm crescendo sistematicamente, atingindo o número de 18 mil pessoas na última delas, na cidade de Dresden, reduto tradicional de manifestações nostálgicas em relação ao passado nazismo devido a ter sido o alvo (também criminoso) de um bombardeio ao fim da Segunda Guerra pelos britânicos.

Deve-se notar, como fator de esperança, que manifestações contra essas formas de intolerância – o terrorismo que reivindica o Islã como inspiração e os movimentos de extrema-direita – têm tomado corpo também. Houve manifestações de solidariedade aos mortos na França em várias cidades europeias e, na Alemanha, manifestações contra o Pegida reuniram milhares de pessoas em diferentes cidades.

Mas pelo lado da extrema-direita cresce a aceitação de suas palavras de ordem na frente institucional (líderes do novo partido alemão Alternative für Deutschland têm acolhido reivindicações do Pegida) e junto à opinião pública. Na Alemanha, recente pesquisa trouxe à baila o dado preocupante de que 61% dos entrevistados se declararam anti-islâmicos.

Como ficou feio alegar motivos racistas, o que se alega agora no lado intolerante é a defesa da religião ou aincompatibilidade cultural. Os assassinos do Charlie Hebdo gritavam – segundo testemunhas – estaremvingando o profeta, referência a caricaturas de Maomé consideradas ofensivas.

Na outra ponta, jovens da Front Nationale, também no ano passado,  recusavam a pecha de racistas e declaravam aceitar o mundo muçulmano – em seus territórios, não na Europa agora dita judaico-cristã“,puxando para seu aprisco a etnia ou religião que a extrema-direita europeia antes condenava ao ostracismo, ao campo de concentração e ao extermínio.

Os partidos e políticos tradicionais, em sua maioria, estão brincando com fogo, sem se dar conta, talvez. Não aceitam o reconhecimento, por exemplo, que grupos por eles apoiados na Ucrânia são declaradamente fascistas, homofóbicos e até antissemitas. Preferem exacerbar o sentimento antirrusso e anti-Putin.

Durante mais de uma década as duas agências do serviço secreto alemão concentraram-se em esmiuçar a vida dos partidos e grupos de esquerda (além dos possíveis terroristas islâmicos) e negligenciaram criminosamente o controle sobre os grupos e terroristas alemães.

No momento, o grande terror que se alastra no establishment europeu não é o de que a extrema-direita esteja em ascensão, embora isso também preocupe, mas é o provocado pela possibilidade de que um partido de esquerda, o Syriza, vença as eleições na Grécia (marcadas para dia 25 deste mês), forme um governo, e assim ponha em risco os sacrossantos pilares dos planos de austeridade.

Nega-se o pilar da democracia: contra o Syriza agitam-se as ameaças de expulsão da Grécia da zona do euro e até da União Europeia; ou seja, procura-se castrar a livre manifestação do povo grego através da chantagem política e econômica.

Se as coisas continuarem como estão, poderemos estar assistindo o suicídio da Europa que conhecemos. O que nascerá desses escombros ainda se está por ver, mas boa coisa não será, nem para a Europa, nem para o mundo.

(Flávio Aguiar, Rede Brasil Atual)

Ataque terrorista a sede de revista Charlie Hebdo, em Paris, deixa 12 mortos

Vítima do ataque é retirada da redação da Charlie Hebdo, em Paris, nesta quarta-feira 7 – Philippe Dupeyrat / AFP

Ao menos dois homens armados atacaram o escritório da revista satírica francesa Charlie Hebdo provocando 12 mortes nesta quarta-feira (7).

Xavier Castaing, chefe de comunicações da prefeitura para a polícia de Paris, confirmou as mortes. O presidente da França, François Hollande, disse que o ataque foi um ato terrorista e que outros desse tipo haviam sido frustrados “nas últimas semanas”.

Ruas foram fechadas ao redor do prédio no rescaldo do tiroteio e a algumas centenas de metros de distância. No Boulevard Richard-Lenoir, um carro da polícia foi crivado de buracos de bala no pára-brisa, segundo o The Guardian.

Testemunhas disseram que os homens abriram fogo com fuzis Kalashnikov e depois fugiram do local. Luc Comovente, um funcionário do sindicato da polícia SBP, disse que eles fizeram vários disparos antes de deixar a área.

Ruas foram fechadas ao redor do prédio no rescaldo do tiroteio e a algumas centenas de metros de distância. No Boulevard Richard-Lenoir, um carro da polícia foi crivado de buracos de bala no pára-brisa, segundo o The Guardian.

O veículo francês gerou polêmica no passado com sua descrição irônica de notícias e assuntos atuais. Seu Tweet mais recente foi o desenho animado do líder do grupo Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi.

Testemunhas

Uma testemunha do ataque, Benoit Bringer disse à rede iTele ter visto vários homens mascarados armados com pistolas automáticas chegarem à sede do Charlie Hebdo, no centro de Paris.

Antes de deixarem o local, os homens teriam gritado “Vingamos o profeta!”, de acordo com policiais franceses. Há ainda três feridos internados em estado grave.

Rocco Contento, porta-voz do sindicato dos policiais local, disse aos jornalistas que três suspeitos fugiram em um carro dirigido por um quarto homem. O veículo seguiu no sentido de Port de Pantin, onde o grupo teria roubado outro carro e fugido, de acordo com o The Guardian.

*Com AP e BBC

 

Wolinski, cartunista erótico e político, é uma das vítimas de ataque em Paris

O cartunista francês Georges Wolinski em foto de 2 de novembro de 2011, em Paris (Foto: Alexander Klein/AFP )

O cartunista francês de origem tunisiana Geroges Wolinski, conhecido por seu trabalho de forte teor erótico e político, considerado um dos símbolos de maio de 68, está entre os mortos no ataque contra o escritório da revista satírica “Charlie Hebdo”, em Paris, nesta quarta-feira (7).

A informação é da agência de notícias France Presse. Além dele, outros três cartunistas estão entre as vítimas: o editor da publicação, Stephane Charbonnier, o “Charb”; Jean Cabut, o “Cabu”; e Tignous.

“Wolinski influenciou todo mundo que vocês conhecem: Ziraldo, Jaguar, Nani, Henfil, Fortuna… O cara era uma ESCOLA. Que dia tenebroso!”, escreveu o cartunista brasileiro André Dahmer em seu perfil no Twitter.

Ao G1, Dahmer comentou por e-mail: “É uma perda irreparável. Assassinaram o maior cartunista em atividade no mundo. Um homem que influenciou três gerações de desenhistas”.

Já Arnaldo Branco completou: “Wolinski era meu favorito – até por aproximação, por conta do seu desenho tosco (opcional, no caso do francês, que na verdade desenhava muito bem). É difícil até comentar, dada a imbecilidade da morte desse grande mestre – que causa é essa que precisa retaliar um cartum?”.

Segundo fontes policiais, os autores do ataque desta quarta gritaram “Vingamos o Profeta!”, em referência a Maomé, alvo de uma charge publicada há alguns anos pela revista, o que provocou revolta no mundo muçulmano.

Erotismo
Nascido na Tunísia em 1934, Georges Wolinski se mudou com a família para a França em 1946. Começou a publicar suas tiras nos anos 1960, em trabalhos satíricos que envolviam política e sexualidade.

Durante o maio de 1968 francês – série de manifestações e protestos estudantis por reformas na educação que logo teve adesão de trabalhadores e resultou em uma greve geral –, Wolinski foi confundador da revista “L’Enragé”.

Na década seguinte, passou a fazer parte de jornal comunista “L’Humanité”. Outros veículos com os quais colaborou foram “Liberácion”, “Paris-Match” e “L’Écho des Savanes”, além de “Charlie-Hebdo”.

Uma das personagens mais marcantes de Wolinski foi a polêmica Paulette, criada junto do artista Georges Pichard (1920-2003) também o início dos anos 1970. Ela foi uma espécie de musa dos quadrinhos da época e apareceu pela primeira vez nas páginas da revista de humor “Charlie Mensuel” .

Em seu perfil no Facebook, o cartunista brasileiro Rafael Campos Rocha lembrou o lado “libertário” do francês: “WOLINSKI foi acusado de falocrata, masculi e todas essas merdas, porque era um LIBERTÁRIO. quem matou foi mais um desses patrulheiros filhos da p**a, para o qual a causa (seja religiosa, política ou de gênero) não serve para LIBERTAR, mas sim para COIBIR, CASTRAR e DESTRUIR, além de, é claro, de manter a sociedade de exploração, que vocês, moralistas de merda, precisam para continuar transformando a vida dos outros em um inferno”.

Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista 'Charlie Hebdo' mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut - o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier - o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)Os cartunistas da ‘Charlie Hebdo’ a partir da esq.: Wolinski (em 2006), Cabu (em 2012), Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)

O ataque
Pelo menos 12 pessoas morreram no tiroteio em Paris nesta quarta. Entre os mortos estão dois policiais e 10 funcionários da revista, segundo a France Presse. A agência Reuters, citando a polícia, diz que outras dez pessoas ficaram feridas, cinco em estado crítico.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, Rocco Contento, porta-voz do sindicato dos policiais local, disse aos jornalistas que três suspeitos fugiram em um carro dirigido por um quarto homem. O veículo seguiu no sentido de Port de Pantin, onde o veículo foi abandonado e os suspeitos roubaram um segundo carro, no qual continuaram fugindo.

O número de suspeitos envolvidos no crime ainda é incerto e não foi confirmado pela polícia. Eles ainda são procurados e são perigosos, segundo as autoridades.

O romancista Michel Houellebecq (Foto: Divulgação)O romancista Michel Houellebecq
(Foto: Divulgação)

Michel Houellebecq
A sede da “Charlie Hedbo” foi alvo de um ataque a bomba em novembro de 2011 após colocar uma imagem satírica do profeta Maomé em sua capa.

Coincidência ou não, a “Charlie Hebdo” fez a divulgação em sua edição desta quarta-feira do novo romance do controvertido escritor Michel Houellebecq, um dos mais famosos autores franceses no exterior.

A obra de ficção política fala de uma França islamizada em 2022, depois da eleição de um presidente da República muçulmano. “As previsões do mago Houellebecq: em 2015, perco meus dentes… Em 2022, faço o Ramadã!”, ironiza a publicação junto a uma charge de Houellebecq.

A revista de humor tem sido ameaçada desde que publicou charges do profeta Maomé em 2006.

Em novembro de 2011, a sede da publicação foi destruída por um ataque criminoso, já definido como atentado pelo governo na época.

Em 2013, um homem de 24 anos foi condenado à prisão com sursis por ter pedido na internet que o diretor da revista fosse decapitado por causa da publicação das caricaturas do profeta muçulmano.

(Pop e Arte, G1)

Um golpe no turismo do Ceará

Lamentavelmente, o tenebroso e violento assassinato da turista italiana, Gaia Barbara Molinari, em Jericoacoara tem chamado menos atenção do que a decisão de manter temporariamente presa a farmacêutica carioca, Mirian França de Melo. A prisão temporária foi concedida pela Justiça a pedido da delegada Patrícia Bezerra, que alegou haver contradições no depoimento de Mirian.

 

Mirian é negra. Este fato foi o suficiente para mobilizar um movimento pela libertação da carioca sob o seguinte argumento: a prisão teria se dado somente em função da cor da pele. Por esse raciocínio, se Miriam fosse branca nem o pedido de prisão e nem a decisão judicial que o acatou se efetivariam. Dessa forma, tanto a delegada quanto o juiz que acatou o pedido de prisão temporária seriam racistas.

 

Tanto a delegada quanto o Judiciário não podem se intimidar por este tipo de pressão. A investigação precisa ser absolutamente técnica e não se submeter a qualquer tipo de patrulha. A questão subjacente é mais importante. No caso, o brutal assassinato em um paraíso turístico do Ceará. Como ocorre em todo o Ceará, os casos de violência em Jericoacoara têm sido crescentes.

 

Em 2011, foi notícia aqui e na imprensa do Sudeste a mobilização de moradores do mais cultuado destino turístico do Ceará contra a escalada da violência no local. À época, já eram muitos os relatos de estupros e abusos sexuais contra moradores e visitantes. Um caso em especial ganhou repercussão.

 

Em 1º de julho daquele ano, por volta de 22h, dois casais de adolescentes, com idades entre 16 e 17 anos, foram rendidos por três homens armados com facas na Duna do Pôr do Sol. Os quatro foram levados pelos criminosos a um local conhecido como Sítio. Os rapazes foram amarrados, despidos e espancados. As garotas, além de estupradas, tiveram os cabelos cortados.

 

Agora, o assassinato de Gaia ganhou repercussão internacional. Além da tragédia que tirou a vida de uma jovem, o fato pode ser visto como o mais duro golpe no turismo do Ceará. Que a investigação seja rigorosa e chegue rápido ao(s) autor(es) do crime. Sem que se importe com a cor da pele.

(O Povo Online)

Cearense Melissa Gurgel chega aos EUA para representar o Brasil no Miss Universo

Miss foi alvo de mensagens com conteúdo preconceituso por ser do Nordeste (Foto: Cassiano Grandi/Divulgação)

A Miss Brasil 2014, Melissa Gurgel, já está nos Estados Unidos para a disputa do Miss Universo 2014. A cearense embarcou para Miami neste domingo (3) para cumprir a série de compromissos e atividades desta segunda-feira (5) até 25 de janeiro, dia da final do evento. Antes de embarcar, Melissa afirmou estar ansiosa e que vai dar o melhor para representar o Brasil no concurso.

Durante os últimos três meses, a cearense afirma que teve uma intensa preparação para o Miss Universo com uma equipe de profissionais em São Paulo e Fortaleza, entre eles, “gurus de misses”. Ao ser eleita Miss Brasil 2014, no fim do mês de setembro, além da responsabilidade de ser a representante do país no concurso mundial de beleza, Melissa Gurgel foi alvo de comentários com conteúdos preconceitosos na internet.

Miss Universo 2014
Para disputar o Miss Universo, Melissa conta que malhou diariamente com um personal trainer, não descuidou da alimentação e realizou tratamentos estéticos. A Miss Brasil 2014 também fez aulas de passarela, postura, RPG, oratória e inglês.

Mesmo ansiosa, está confiante em ganhar o concurso e que a baixa altura de 1,69m, diante da maioria das concorrentes, não deve atrapalhá-la. “O que conta para o Miss Universo é a desenvoltura, a atitude e a beleza. Não adianta ser alta e não ter vida na passarela. Além do que a mulher brasileira não é alta. Criou-se no Brasil um padrão de querer transformar a modelo em miss, mas modelo é uma coisa e miss é outra”, disse.

A 63ª edição do Miss Universo será realizada em Doral e Miami. A vencedora do concurso receberá a coroa da venezuelana Gabriela Isler, de 26 anos. O estilista Alexandre Dutra, já conhecido no universo das misses, assina o vestido de gala e o traje típico que serão usados pela Miss Brasil na final do evento, em Miami.  Alexandre vestiu Natália Guimarães, em 2007, quando a brasileira ficou em segundo lugar no Miss Universo.

Na noite da final, no dia 25 de janeiro, Melissa Gurgel vestirá um traje de gala de cor branca com rendas, em referência ao Ceará, estado de origem da Miss Brasil. Já o traje típico, terá as cores branca, azul e verde em referência às águas do Brasil.

(G1 Ceará)

Vivo se distancia da Claro na briga do 4G

A Vivo se distanciou da rival Claro na briga pelo ranking de cobertura do serviço 4G. A operadora chegou a 140 municípios em dezembro. A Claro ficou em 93 localidades.

A Oi e a TIM estão presentes em 45 municípios. A Nextel oferece 4G em 1,8 GHz, na banda M, na cidade do Rio de Janeiro. Segundo dados do portal Teleco, a população atendida pelo 4G em dezembro era por operadora: Vivo – 40,6%, Claro, 36,8%, Oi, 30,5%, TIM, 30,2% e Nextel, 3,2%.

O ex-ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na assinatura dos contratos de uso da faixa de 700 Mhz, em dezembro, disse que a previsão é de que até 2019 todos os municípios sejam contemplados com o serviço.

“[Pelo cronograma] Todas as cidades com mais de 30 mil habitantes têm que ter 4G em 2017, final de 2017″, frisou. “E, para 2019, teremos 3G e 4G em todos os municípios do Brasil”, completou o ex-ministro.A limpeza da faixa de 700MHz acontecerá já a partir desse ano, segundo cronograma definido pelo Gired, grupo recém-criado e que reúne radiodifusores, teles e governo, sob o comando da Anatel.

(Convergência Digital)

Segurança econômica e cibernética serão temas-chave da agenda dos BRICS em 2015

© Foto: RIA Novosti/Alexander Vilf Foto do arquivo

Em 2014, o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, que compõem o grupo conhecido pela sigla BRICS, terminaram a criação do novo Banco de Desenvolvimento do grupo e o Arranjo Contingente de Reservas.

Especialistas não são unânimes avaliando a eficiência do futuro funcionamento desses instrumentos financeiros, mas concordam que, em 2015, a economia será um dos assuntos principais da agenda do grupo.

A cúpula dos chefes de Estado dos países-membros dos BRICS terá lugar em 2015 na cidade russa de Ufa. Deste modo, a presidência rotativa passa do Brasil para a Rússia.

De acordo com o diretor do Instituto da América Latina (IAL) da Academia das Ciências da Rússia, Vladimir Davydov, contatado pelo correspondente da agência Sputnik, o segundo assunto, cuja importância já se mostrou com clareza no ano em curso, será a segurança cibernética:

“A Rússia já está coordenando a parte do conteúdo da cúpula dos BRICS em 2015. Há muito trabalho a realizar. Os elementos principais da agenda serão a segurança econômica e a segurança cibernética. Nós todos somos vítimas de manipulações, vítimas de uma guerra de informação e cibernética, que ameaça paralisar o sistema de administração dos países dos BRICS”.

O diretor do IAL acredita que o Banco do Desenvolvimento e o Arranjo Contingente das Reservas têm grande importância para o grupo, vários membros do qual tiveram índices preocupantes. Segundo ele, até a denominação “novo Banco do Desenvolvimento dos BRICS” aponta para um novo rumo de atividade econômica do grupo, que está pronto para “revelar solidariedade com outros países para lidar com este tempo turbulento”.

Nem todos estão tão otimistas. A matéria de 26 de dezembro no Jornal do Comércio, do Rio Grande do Sul, prognostica possível recessão em 2015 nos principais países dos BRICS, o Brasil, a Rússia e a África do Sul. A Rússia ocupa a parte central da matéria, devido à recentequeda do rublo, que fez também o país integrar a lista dos “seis países que se deram mal na economia em 2014” da revista Exame.

Já houve receios por parte de especialistas. O economista Raul Velloso afirmava em entrevista à emissora Voz da Rússia, em setembro, que o novo banco tem sentido para a China, mas para os outros países, inclusive o Brasil, a eficácia não é tão certa, porque a China tem maiores taxas de poupança. De acordo com o professor Velloso, “talvez melhor seria utilizar esses 10 milhões [de investimento que cada país dos BRICS contribui para o capital do novo banco] para financiar investimentos e infraestruturas”. E, antes de nada, definir todos os detalhes, afirma o economista.

O professor Davydov, do IAL, ainda disse em entrevista que este ano tem sido “um ano da América Latina”. Não só pela cúpula em Fortaleza, que fortaleceu o Brasil como acolhedor de eventos internacionais logo depois da Copa 2014, mas por ser a América Latina “uma zona de potencialidade de independência econômica e política”.

A região tem sido, de verdade, um foco importante da agenda internacional em 2014. Falando dos BRICS, é difícil se manter sempre no quadro dos cinco países que o compõem. Por exemplo, em julho, na cúpula, falou-se bastante sobre a possível futura adesão da Argentina (que finalmente foi eleita presidente do Mercosul, que foi uma resposta bonita aodefault técnico do país anunciado pelo tribunal de Nova York). A Argentina, aliás, acordou com o Brasil, em 2008, realizar transações financeiras entre os dois países em moeda local. Semelhante sistema de pagamento em moeda local (SML) foi adotado para transações entre o Brasil e o Uruguai.

A jornalista e professora na Universidade Estatal de Moscou Gelia Filatkina concorda com o doutor Davydov:

“Em 2015, os BRICS irão desempenhar um papel estratégico nas condições da tensão internacional que observamos atualmente. Os países que formam parte da aliança possuem potencial suficiente e motivação de união mútua que favorece uma mudança da ordem mundial existente a todos os níveis, das relações internacionais ao sistema financeiro e econômico. Esta vantagem dos BRICS será revelada especialmente em 2015, contrastando com a turbulência crescente do G8″.

Além disso, segundo a professora Filatkina, “a presidência da Rússia [no quadro dos BRICS em 2015] permitirá a inclusão na agenda de novos temas importantes que podem dinamizar o funcionamento da união”.

No que toca à segurança cibernética, o assunto foi cobrando importância desde o escândalo de espionagem, começando por revelações de Snowden e se agudizando após a descoberta de escutas que serviços secretos estadunidenses faziam no Planalto brasileiro e no Bundestag alemão. Tanto que em novembro, a ONU aprovou o projeto conjunto brasileiro e alemão de privacidade de acesso à Internet.

Via http://portuguese.ruvr.ru

A cura gay da Alemanha nazista

Jornal GGN – O médico dinamarquês Carl Vaernet, que buscou a cura da homossexualidade na Alemanha nazista, virou tema do documentário Triângulo Rosa. Após o fim da guerra, ele fugiu para a Argentina.

De acordo com o militante LGBT Peter Tatchell, os nazistas perseguiram homossexuais, pois entendiam que eles traíam o ideal ariano e representavam um risco demográfico para a nação. “Eles pensavam que a homossexualidade enfraquecia o Terceiro Reich, que precisava aumentar a população alemã para criar um exército e uma força de trabalho cada vez maior para conquistar a Europa”.

Em suas experiências, Vaernet introduzia nos pacientes uma cápsula que liberava testosterona gradualmente, como se fosse uma glândula artificial. No documentário, é dito que cerca de 20 homens foram submetidos aos experimentos, e que três morreram no processo.

Nazista que tentou ‘curar’ gays vira tema de documentário

Por Felipe Gutierrez

Da Folha de S. Paulo

Um nazista que buscou uma “cura” para a homossexualidade por meio de experimentos feitos em homens gays no campo de concentração de Buchenwald (Alemanha) virou tema do documentário “Triângulo Rosa”.

Carl Vaernet, o nazista, era um médico dinamarquês e foi um dos colaboradores que fugiram para o país sul-americano após a derrota do Eixo.

O médico Carl Vaernet fugiu para a Argentina após tentar buscar cura gay em campos nazistas

“[Heinrich] Himmler autorizou a pesquisa de Vaernet e demandou o extermínio de existência anormal'”, relata o militante LGBT Peter Tatchell, que, na década de 1990, pressionou o governo dinamarquês a abrir os documentos sobre o médico.

Segundo Tatchell, os nazistas perseguiram homossexuais por entender que traíam o ideal ariano masculino e por temer que pudessem causar um “dano” demográfico.

“Os nazistas descreviam os gays como sabotadores sexuais'”, explica. “Eles pensavam que a homossexualidade enfraquecia o Terceiro Reich, que precisava aumentar a população alemã para criar um exército e uma força de trabalho cada vez maior para conquistar a Europa”, diz.

Em suas experiências, Vaernet dava testosterona aos pacientes. O nazista desenvolveu uma cápsula que liberava o hormônio aos poucos (uma espécie de glândula artificial) após ser inserida cirurgicamente. De tempos em tempos, ele abria novamente os “pacientes” para trocar o aparato. Segundo Tatchell, trata-se do único caso conhecido de experimentos feitos em gays detidos em campos de concentração.

O argentino Esteban Jasper, um dos diretores do documentário “Triângulo Rosa”, afirma que cerca de 20 homens foram submetidos aos experimentos, e que três morreram no processo. “Ele não era um cientista com todas as letras”, diz Jasper.

Inicialmente, Vaernet não fazia pesquisa. Ele tinha uma clínica em Copenhagen, mas sua ligação com o nazismo o tornou alvo da resistência dinamarquesa. Ele viajou para a Alemanha e, com seus contatos, conseguiu trabalho em hospitais locais e acesso aos presos que usou como cobaia.

Logo depois da derrota do Eixo, Vaernet voltou à Dinamarca. “Ele foi preso logo, mas pouco depois enganou as autoridades dizendo que tinha uma doença séria que tinha de ser tratada na Suécia. De lá foi para a Argentina”, relata Jakob Rubin, autor de um livro sobre o nazista.

O médico chegou a Buenos Aires em 1947 e conseguiu um emprego no Ministério da Saúde da Argentina.

Segundo Rubin, Vaernet também teve uma clínica em Buenos Aires. Não se sabe, porém, se ele voltou a procurar a “cura” para a homossexualidade na Argentina.

Quando foi ao país, o médico deixou para trás os filhos do primeiro casamento. O empresário Jan Vaernet, de Copenhagen, é um dos descendentes que ficaram na Europa. Ele só soube do passado nazista de sua família quando era adolescente, pelos jornais dinamarqueses.

“Eu sabia que o meu avô paterno tinha ido para a Argentina. Mas meu pai era antinazista e tinha vergonha dos problemas e do nome do pai dele, que era reconhecidamente o de um colaboracionista. Eles se distanciaram antes de eu nascer.”

Os netos argentinos de Vaernet também cresceram desconhecendo a filiação ao nazismo e as experiências no campo de concentração.

O veterinário Sérgio Vaernet, que mora na cidade de Resistencia, na província do Chaco, nasceu quando o avô já estava morto. “Na minha família simplesmente não se falava da Dinamarca ou do passado. Era um tema que trazia muita dor. Só fui descobrir a história depois de adulto”, conta.

Via http://jornalggn.com.br/noticia/a-cura-gay-da-alemanha-nazista

Mais de 20 corpos do voo da AirAsia já foram resgatados

Com tempo ruim, helicóptero leva corpos para aeroporto – Foto: Reuters

Embarcações e aviões continuaram as buscas na costa de Borneo, no início desta sexta-feira, dos destroços do jato de passageiros indonésios da AirAsia, mas o mau tempo mais uma vez prejudicou a procura pelo avião e pela caixa-preta com as gravações de voo que devem revelar os motivos do acidente.

Autoridades disseram que mais de 20 corpos foram até agora recuperados, além de pedaços do avião, nas buscas comandadas pela Indonésia do voo QZ8501, que estão concentradas numa área no Mar de Java.

Ventos fortes e mar agitado impediram os mergulhadores de procurarem pela fuselagem do Airbus A320-200, que caiu na água no domingo, na rota entre Surabaya, a segunda maior cidade indonésia, e Cingapura, com 162 pessoas a bordo.

“As ondas podem alcançar cinco metros nesta tarde, maiores do que ontem [quinta-feira]”, afirmou o piloto de helicóptero da Força Aérea capitão Tatag Onne, que tem participado de missões para resgatar corpos e recuperar destroços do mar. “Procuramos por brechas nas nuvens, onde as condições melhoram, para que possamos nos aproximar. Ontem, quando fomos recuperar um corpo do mar, não conseguimos, porque o corpo estava sendo movimentado pelas ondas. Às vezes podíamos ver, às vezes não podíamos.”

Autoridades afirmaram que os sofisticados equipamentos da equipe francesa de detecção acústica debaixo d’água, além de outros sonares trazidos por equipes estrangeiras, não tiveram como ser usados ainda por causa das grandes ondas.

“O mar tem que estar calmo”, disse o general Sunarbowo Sandi, da agência de resgate da Indonésia. “Não temos como operar com o tempo ruim.” No entanto, ele acrescentou, embarcações da Indonésia, dos Estados Unidos e Cingapura usavam os seus sonares para uma varredura no fundo.

As causas do acidente, o primeiro da AirAsia desde que grupo começou a operar em 2002, permanecem sem explicação. Investigadores trabalham com a hipótese de que o avião deve ter apresentado problemas ao dar uma guinada acentuada para cima para evitar uma tempestade, 40 minutos depois da decolagem do voo que deveria levar duas horas.

Autoridades haviam dito que poderia levar uma semana para encontrar a caixa preta, equipamento que os investigadores esperam que revele os eventos da cabine de controle antes do acidente.

(Portal Terra)

Usina chinesa de Três Gargantas supera Itaipu como maior produtora de energia em 2014

usina hidrelétrica de Três Gargantas da China

A usina hidrelétrica de Três Gargantas da China, a maior infraestrutura desse tipo no mundo, superou Itaipu na produção de energia elétrica em 2014, segundo informações da agência de notícias EFE.

Dados divulgados pela Corporação de Três Gargantas, responsável pela gestão do local, e reproduzidos pela agência oficial ‘Xinhua’, mostram que foram produzidos 98,8 milhões de megawatts por hora (MWh) na usina em 2014, um novo recorde para o setor.

Já de acordo com a assessoria de imprensa de Itaipu, a segunda maior usina do mundo em capacidade instalada produziu pouco mais de 87,8 milhões de MWh, perdendo o primeiro lugar em geração de energia conquistado por dois anos consecutivos – 2012 e 2013.

Três Gargantas tem uma capacidade instalada de geração de 22,5 mil MWh de energia elétrica, frente aos 14 mil MWh de Itaipu.

Ainda conforme a EFE, a Corporação das Três Gargantas explicou que a energia produzida equivale a uma economia de 49 milhões de toneladas de carvão, que continua sendo a principal fonte de energia da China, evitando também a emissão de 100 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Idealizada por Mao Tse-tung ainda nos anos 50 para acabar com o déficit energético de Xangai, a usina chinesa só começou a ser construída em 1993 e suas obras foram finalizadas 17 anos depois. Apesar disso, a represa é criticada pelos danos ambientais causados, pelas desapropriações e perdas patrimoniais causadas pelas obras.

A instalação perdeu o posto de maior obra hidráulica do mundo para outro projeto chinês de concepção maoísta, chamado de transposição Sul-Norte. A ideia é abastecer todas as regiões do país, incluindo a capital Pequim, com as águas do rio Yang Tse.

(G1 Economia)

Jornalistas da Al-Jazeera presos há mais de um ano no Egito terão novo julgamento

Na última quinta-feira (01/01), a justiça egípcia ordenou a realização de um novo julgamento para os jornalistas da rede de televisão do Catar Al-Jazeera, que estão detidos no país desde dezembro de 2013. O australiano Peter Greste, o egípcio-canadense Mohamed Fadel Fahmy e o egípcio Baher Mohamed foram condenados por apoiar a Irmandade Muçulmana do presidente deposto Mohamed Mursi.
Crédito:Reprodução/Al-Jazeera
Novo julgamento dos jornalistas pode durar de 12 a 18 meses
Segundo a agência AFP, o Tribunal de Cassação, a mais alta jurisdição do Egito, ordenou um novo julgamento, aceitando as demandas do Ministério Público e dos advogados dos acusados. Em junho de 2014, Greste e Fahmy foram condenados a sete anos de prisão e Mohamed a dez. Apesar do novo julgamento, as famílias esperavam pela libertação do grupo.
Em comunicado, a rede Al-Jazeera pediu que o julgamento ocorra rapidamente, uma vez que a previsão dos advogados é de que ele possa durar de 12 a 18 meses. Os três jornalistas permanecerão presos até que ele ocorra.
(Portal Imprensa)

Marinha indonésia encontra ao menos 40 corpos de passageiros da AirAsia

Corpos e destroços do avião da AirAsia desaparecido no domingo foram localizados nesta terça-feira no mar de Java, provocando enorme comoção entre parentes e familiares das 162 pessoas que estavam no voo.

Os destroços foram encontrados no terceiro dia de buscas pelo Airbus A320-200, que havia decolado de Surabaya, segunda maior cidade da Indonésia, em direção a Cingapura.

Todas as informações indicam que a aeronave caiu no mar de Java, sudoeste de Pangkalan Bun, cidade do centro da província de Kalimantan, na ilha de Bornéu.

“Podemos confirmar que é o avião da AirAsia”, companhia malaia de baixo custo, disse Djoko Murjatmodjo, diretor-geral da Aviação Civil.

Um avião militar Hercules descobriu um objeto descrito como “uma sombra com formato de um avião no fundo do mar”, segundo o diretor de operações de busca e socorro, Bambang Soelistyo.

No fim da tarde Soelistyo informou que três corpos foram resgatados até o momento, desmentindo a informação previamente dada por outro oficial de que 40 cadáveres haviam sido recuperados.

O presidente da AirAsia, Tony Fernandes, lamentou o primeiro acidente fatal da companhia aérea malaia, que viveu uma forte expansão no sudeste da Ásia nos últimos anos.

“Meu coração está cheio de tristeza por todas as famílias atingidas pelo QZ8501″, escreveu Fernandes no Twitter, antes de ir a Surabaya para se reunir com os familiares das vítimas.

As primeiras informações sobre a descoberta dos destroços do avião acabaram com as esperanças de alguns familiares de encontrar sobreviventes. Alguns desmaiaram ao receber a notícia, outros não aguentaram as imagens de um corpo boiando no mar de Java exibidas por uma rede de televisão.

“Se é verdade, o que eu posso fazer? Não posso trazê-los de volta à vida”, disse Dwijanto, 60 anos, pai de um passageiro que viajava com mais cinco colegas.

“Se for verdade, meu coração vai ficar completamente partido. Vou perder um filho”, disse.

As buscas agora se concentram no local onde a “sombra” foi avistada e os destroços foram encontrados, explicou Soelistyo.

O presidente indonésio, Joko Widodo, chamado de Jokowi, encontrou-se com familiares das vítimas e declarou que uma “grande operação de busca com barcos e helicópteros” ocorreria nesta quarta-feira.

Em sua última comunicação, o piloto da AirAsia pediu uma mudança de rota para ganhar altitude e evitar as más condições meteorológicas.

“O piloto pediu aos controladores de tráfego aéreo para se desviar para o lado esquerdo, devido ao mau tempo, o que foi aprovado imediatamente”, disse à AFP o diretor da AirNav, Wisnu Darjono.

“Depois de alguns segundos, o piloto pediu para subir de 32.000 para 38.000 pés, mas seu pedido não pôde ser imediatamente aprovado porque alguns aviões estavam voando acima dele naquele momento”, explicou.

“Dois ou três minutos depois, quando o controlador ia dar a autorização para o nível de 34.000 pés, o avião não deu nenhuma resposta”, disse Darjono.

O ano de 2014 foi trágico para a aviação civil da Malásia.

O acidente da AirAsia soma-se à perda de duas aeronaves da companhia Malaysia Airlines.

Em 8 de março, o voo MH370 da Malaysia Airlines, um Boeing, desapareceu dos radares pouco depois de decolar de Kuala Lumpur rumo a Pequim com 239 pessoas a bordo.

O avião nunca foi encontrado e seu desaparecimento continua sendo um mistério. Pode ter caído no oceano Índico devido à falta de combustível.

No dia 17 de julho, outro Boeing da Malaysia Airlines, o do voo MH17, que voava de Amsterdã a Kuala Lumpur, foi abatido por um míssil quando sobrevoava o leste da Ucrânia, palco de uma guerra.

O voo transportava 298 pessoas, entre elas 193 holandeses.

(AFP)

60 JORNALISTAS MORRERAM POR CAUSA DA PROFISSÃO EM 2014, DIZ RELATÓRIO

O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) divulgou nesta terça-feira (23/12) seu relatório anual, que mostrou que 60 jornalistas morreram este ano por causa da profissão no mundo todo, dez menos que em 2013.

A organização, com sede em Nova York, afirmou que, apesar da pequena redução de 2014, os últimos três anos “foi o período com pior saldo de mortes que o CPJ já registrou”. O comitê destacou que a alta proporção de jornalistas estrangeiros que morreram este ano demonstra que “nos tempos atuais, todos se transformaram em alvo”.

“Nunca tínhamos visto uma época tão perigosa para exercer a profissão de jornalista”, disse o diretor-executivo do CPJ, Joel Simon. Segundo o CPJ, pelo terceiro ano consecutivo, a Síria é o país com o maior número de jornalistas mortos no exercício da profissão, com 17. Desde que explodiu o conflito armado nesse país, morreram 79 jornalistas.

“A Síria substituiu as Filipinas como o segundo país com o pior saldo de mortes de jornalistas desde que o CPJ começou a levantar estas estatísticas, em 1992″, disse o relatório. Paraguai e Mianmar registraram este ano os primeiros mortos de jornalistas em trabalho desde 2007. No caso do Paraguai, as três vítimas morreram enquanto trabalhavam na fronteira com o Brasil.

Link: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2014/12/60-jornalistas-morreram-por-causa-da-profissao-em-2014-diz-relatorio.html

(Época Negócios)

Senado aprova empréstimo de US$ 57 milhões para Fortaleza

O Senado aprovou nesta quarta-feira (17) operação de crédito que garantirá US$ 57,908 milhões (aproximadamente R$ 157,741 milhões) para investimentos na segunda fase do Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor II). O empréstimo será realizado pela prefeitura de Fortaleza junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A matéria segue para promulgação.

O líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT/CE), destacou a importância da proposta. “Essa matéria trata de um crédito para Fortaleza e temos total interesse em sua aprovação, principalmente por ser uma reivindicação histórica da população da nossa cidade e do estado do Ceará”, considerou.

A segunda etapa do programa inclui restaurações viárias, com obras de drenagem, pavimentação, padronização de calçadas, reforma dos canteiros centrais e implantação de ciclovias. O Transfor II tem objetivo de diminuir o tempo das viagens, os custos do transporte e o tempo de embarque e desembarque dos passageiros. Com isso, será garantida maior segurança no trânsito de veículos e de pedestres, além de avanços na mobilidade urbana.

O Transfor II terá investimento total de US$ 115,8 milhões, sendo US$ 57,908 milhões financiados pelo BID e o restante garantido pelo município de Fortaleza. A primeira etapa do programa foi iniciada em maio de 2008.

(Cnews)

Como descobrir o que o Google sabe sobre você

São Paulo – Não é segredo que o Google coleta dados sobre a vida de seus usuários. O objetivo disso é poder oferecer propagandas e anúncios bem direcionados. A grande vantagem para o Google é poder cobrar um valor mais alto das empresas que fazem os anúncios.

Ao usar o Google ou qualquer outro produto da empresa, os usuários estão autorizando que informações sejam coletadas (você não achou que o Google oferecia esse monte de coisas legais de graça à toa, não é?).

São diversos métodos usados para coletar as informações. Desde os termos buscados no Google, até o que é compartilhado no Google+ ou os lugares que são buscados no Maps.

Se você quiser descobrir tudo (ou quase tudo) que a empresa sabe sobre você, aqui vai um guia rápido.

Para isso, basta entrar na página de configurações enquanto logado na conta do Google. A página é https://www.google.com/settings

Lá, é preciso clicar em “Histórico da Conta”, que fica na parte superior da página. Depois disso, basta ir até o final da página, encontrar “Anúncios” e clicar em “Editar Configurações”. Se você preferir, este é o link direto para a página.

O Google mostra de forma automática o que ele sabe sobre o usuário. São desde informações básicas como sexo e idade, até outras mais complexas.

Na parte de “Interesses” ao clicar em “Editar” são exibidos os assuntos que o usuário acha interessantes. No meu caso, são 150 áreas de interesse encontradas pelo Google.

Os assuntos são relativamente apurados. Um ou outro fogem das minhas áreas de interesse de verdade. Isso se explica por buscas por termos que estejam fora da minha área de interesse real.

O Google ainda mantém registrados todos os vídeos que o usuários já assistiu no YouTube, as buscas feitas no YouTube e um mapa de lugares por onde se passou.

E esse mapa é uma das coisas mais assustadoras (e interessantes). Ele funciona especialmente para usuários de Android que autorizaram o funcionamento dessa ferramenta. O smartphone (ou tablet) pode pegar a geolocalização entre determinados espaços de tempo.

O mapa pode ser acessado neste link. É possível visualizar os dados escolhendo as datas. O usuário também pode escolher por apagar as informações de alguns dias ou então exportar todo o conteúdo.

(Victor Caputto, Exame)

Conheça Will Golden e o incrível caso do homem sem pênis

O inglês Will Golden possui uma anomalia genética  que provoca a ausência total de de pênis e testículos. O problema ocorre em  1 a cada 20 milhões de crianças, ainda na fase embrionária.

Foto: reprodução

Indiferente ao problema, Golden não se incomoda em exibir suas fotos  na internet e diz que isso ajuda a diminuir o preconceito. 

A doença também chamada de Síndrome da Regressão Testicular, pode deixar alguns homens sem pênis, mas outros nasceram com testículos (interno ou externo). 

Depois de uma cirurgia, o rapaz  consegue urinar e defecar pelo reto. 

Via  Correio da Bahia.

Queda do Muro de Berlim, ícone do fim da Guerra Fria, completa 25 anos

Giselle Garcia – Enviada Especial da Agência Brasil/EBC

No Portão de Brandenburgo, em Berlim, capital da Alemanha, lembranças de um triste passado de divisão se misturam aos últimos preparativos para a celebração da liberdade. Uma grande festa pública vai ocorrer no local, no domingo (9). Nesse dia, há 25 anos, o Muro de Berlim, que dividia a Alemanha oriental, socialista, da ocidental, capitalista, foi ao chão. Era a vitória do povo contra a opressão do regime comunista.

No local onde ficava o muro, uma linha foi montada com 8 mil balões brancos, que, na noite de hoje (7), serão iluminados. No domingo, eles serão lançados aos céus numa homenagem à paz e à unidade. Ao longo da linha, que tem 15 quilômetros, a exposição As 100 Histórias do Muro chama a atenção dos turistas. Cada parada, conta uma história de luta e resistência. “Estou muito impressionado. Eu me lembro de assistir à queda do Muro de Berlim pela TV, mas estar aqui e poder ver por meio desses balões onde exatamente ficava o muro; poder conhecer mais do que as pessoas viveram por meio dessas histórias, é muito emocionante”, conta o designer britânico Paul Anthony.

Cada balão da chamada Barreira de Luz tem um patrono. São testemunhas daquele momento histórico, convidadas a dividir suas histórias por meio de um site, o www.fallofthewall25.com. Também nesta página, pessoas do mundo inteiro que acompanharam a queda do muro podem deixar mensagens e depoimentos.

No Portão de Brandenburgo, símbolo da união para os alemães, um imenso palco foi montado para abrigar apresentações artísticas. A alegria e a excitação se misturam às lembranças de um período de sofrimento. Um telão exibe filmes antigos, em preto e branco, com cenas brutais de opressão e violência contra os que tentavam atravessar o muro. Cruzes em homenagem aos que morreram na resistência foram posicionadas nas proximidades.

A servidora pública alemã Ines Jeeger cresceu às margens da barreira de concreto. “A gente via pessoas tentando atravessar, e a repressão da polícia era sempre violenta. Mas pra gente aquilo era normal. A gente já estava acostumado com aquele cenário”, lembra. Ela conta emocionada que quando, pela primeira vez, pisou no lado Leste da Alemanha, ficou impressionada. “As pessoas, no lado Leste, estavam pálidas e tristes. As cidades estavam totalmente destruídas. Eu chorei muito ao ver aquela situação.”

O aposentado Frank Mehler também vivenciou a Alemanha dividida. Para ele, a separação entre Leste e Oeste foi muito além do muro. “A Alemanha Ocidental, capitalista, alcançou um desenvolvimento econômico muito maior. As pessoas tinham uma vida completamente diferente daquelas que viviam na parte Leste”, lembra. Para ele, as diferenças econômicas e sociais ainda persistem. “É bom celebrarmos esses 25 anos para nos lembrar de que avançamos muito, mas ainda há muito o que fazer para que sejamos uma Alemanha cada vez mais igual.”

(Agência Brasil)

A impiedosa Justiça da Arábia Saudita

A pena foi dura. Mas, para alguns, branda demais. Em seu site Liberais sauditas, Raif Badawi criticou líderes religiosos da Arábia Saudita e o papel do islã na sociedade. Por seus textos, foi acusado de “insulto à fé”, ultrapassar “os limites da obediência” e de “apostasia” – ou seja, o abandono da fé. No país, isso pode ser punido com a pena de morte.

Em julho de 2013, a pena foi anunciada: 600 chibatadas e sete anos de prisão. Badawi entrou com recurso. Em maio deste ano, o juiz proferiu nova sentença: mil chibatadas, uma década de reclusão e uma multa de 195 mil euros.

O destino de Badawi não é um caso isolado. Regularmente, ativistas de direitos humanos e críticos do regime são condenados a penas draconianas na Arábia Saudita. Em julho de 2014, um tribunal condenou o ativista Waleed Abu al-Khair a 15 anos de prisão.

Seus crimes: “desobediência ao governante”; “tentativa de questionar a legitimidade do rei”; “danos à reputação do Estado por meio da comunicação com organizações internacionais”; “processamento, armazenamento e transmissão de informações que põem em risco a ordem pública”.

Khair é ativista de direitos humanos e ganha a vida como advogado. Um dos seus clientes mais conhecidos é Raif Badawi.

Lei vaga

O juiz designado para o caso de Khair baseou o seu veredicto também na nova lei de combate ao terrorismo. Ela, porém, não estava em vigor no momento em que foi feita a acusação contra o ativista.

A lei que passou a vigorar em fevereiro de 2014 proporciona ao Estado instrumentos para atuar contra “crimes terroristas”. Para a Justiça saudita, isso inclui: “perturbar a ordem pública do Estado”, “desestabilizar a segurança da população ou do Estado”, “ameaçar a unidade nacional” ou “prejudicar a reputação ou renome do Estado”.

Sobretudo nos últimos dois anos, ativistas de direitos humanos e blogueiros sauditas foram condenados a duras penas de reclusão. Dessa forma, o Estado saudita também restringe a liberdade de imprensa no país.

No atual Índice de Liberdade de Imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras, a Arábia Saudita ocupa a 164ª posição entre 180 países listados.

A Arábia Saudita também está à frente no quesito pena de morte. De acordo com a Anistia Internacional, em 2013, foram executadas ao menos 79 sentenças no país. Até agora em 2014, foram mortas 60 pessoas.

Insulto à religião

A pena de morte é aplicada principalmente contra assassinos e traficantes de drogas. No entanto, ela também pode ser usada no caso dos chamados “crimes religiosos”. Em outubro de 2014, o religioso xiita Nemr Baqir al-Nemr foi condenado à pena capital, acusado de ter incitado a violência entre as confissões religiosas e de ter organizado protestos.

Para o estudioso do islamismo Breno Preuschaft, que leciona atualmente na Universidade de Münster, a sentença tem um efeito simbólico: “Isso demonstra que eles não estão dispostos a tolerar qualquer forma de agitação e tendências revolucionárias.”

Muitos julgamentos são baseados no crime religioso. Segundo Preuschaft, isso não é de surpreender. Para a Casa Real saudita, a sua legitimidade política provém de seu papel de protetora do islã e guardiã dos lugares sagrados.

É assim que a Arábia Saudita justifica, dentro do islamismo sunita, a sua liderança teológica, afirma o especialista. “Para a família real, qualquer crítica à religião é também uma crítica ao seu estilo de liderança. Isso também é uma forma de promover o seu monopólio de poder”, diz Preuschaft.

Via

Casal de cristãos é espancado até à morte e queimado no Paquistão

São frequentes os protestos violentos contra comportamentosconsiderados anti-islâmicos, como este em Kot Radha Kishan BANARAS KHAN/AFP

Um casal cristão paquistanês, acusado de blasfémia, foi espancado até à morte e os seus corpos queimados na fábrica de tijolos onde ambos trabalhavam, na província do Punjab, revelou a polícia local. 

É o último exemplo das atrocidades cometidas em nome de “um crime” que no Paquistão é punido com a pena de morte, ao abrigo da mais severa lei antiblasfémia de que há registo e que os islamistas defendem com punhais e dentes. Desta vez não foram os tribunais, mas uma turba a fazer justiça pelas próprias mãos. “Uma multidão atacou e espancou até à morte o casal, a quem acusava de ter profanado o Corão”, disse à AFP Ben Yameen, oficial da polícia, identificando as duas vítimas apenas pelos nomes próprios, Shehzad e Shama.

Homem e mulher trabalhavam numa fábrica de tijolos – um sector que emprega cinco milhões de pessoas na Índia, muitas em condições de quase escravatura, nota a agência francesa – situada na aldeia de Kot Radha Kishan, a uns 60 quilómetros de Lahore, e foi nos fornos onde o barro é cozido que os seus corpos foram lançados.

Os detalhes do caso são escassos, mas Yameen disse que o casal foi responsabilizado (não se sabe por quem) por um incidente registado no dia anterior, supostamente ligado à profanação do livro sagrado do islão. Um outro responsável da segurança contou à BBC que a polícia ainda tentou intervir para salvar o casal, mas terá sido atacada pela multidão, em muito maior número. As autoridades do Punjab anunciaram entretanto a abertura de um inquérito ao ataque e o reforço da segurança dos bairros cristãos.

Há cerca de três milhões de cristãos no Paquistão, país de mais de 180 milhões de pessoas onde os muçulmanos sunitas são maioritários e as tensões religiosas são tão antigas como a própria nação. São sobretudo pobres, que vivem acantonados e conseguem empregos subalternos. Nas últimas décadas, muitos foram condenados em tribunal ao abrigo das leis da blasfémia, incluindo por profanação do Corão, mas foram poucas as vezes em que a pena de morte acabou por ser aplicada.

Entre eles está Asia Bibi, uma mãe de cinco filhos condenada em 2010 à pena capital, depois de ter sido acusada de blasfémia por vizinhas muçulmanas com quem se tinha desentendido. O seu caso gerou protestos internacionais, mas ainda no mês passado um tribunal de recurso decidiu manter a pena.

Mas as leis da blasfémia não poupam ninguém – os muçulmanos são, aliás, a maioria das pessoas condenadas – e são muitas as vezes em que são invocadas para acertar rivalidades entre vizinhos, ajustes de contas ou apenas por vingança. As organizações de defesa dos direitos humanos há muito que pedem a sua abolição, mas políticos e activistas que fazem campanha pela alteração do Código Penal são muitas vezes acusados eles próprios do crime ou, pior ainda, atacados por extremistas – em Maio, recorda a BBC, o advogado Rashid Rehma, que defendia em tribunal um professor acusado de blasfémia, foi morto a tiro na cidade de Multan.

Via http://www.publico.pt – Portugal

Fortaleza sedia 5° Feira Internacional de Artesanato e Decoração

Fortaleza recebe a 5° edição da Feira Internacional de Artesanato e Decoração (Feincartes) a partir da próxima sexta-feira, 7, no Centro de Negócios do SEBRAE, na Praia da Iracema. Evento vai reunir produtos exclusivos de 18 países e 13 estados brasileiros e contará com apresentações de danças indianas e espaço gastronômico. Feira segue até o dia 16 de novembro e ingressos custam R$ 8.

Segundo a organização, neste ano a feira traz vestuários, acessórios e produtos de decoração dos seguintes países: África do Sul, Bolívia, Chile, Coréia, Equador, Filipinas, Gana, Índia, Indonésia, Japão, Marrocos, Nepal, Paquistão, Quênia, República Tcheca, Rússia, Senegal e Turquia. Além disso, há expositores do Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O espaço gastronômico traz queijos e vinhos do Rio Grande do Sul, além dos doces de Minas Gerais e os de Caravana do Marrocos, com 0% de açúcar. Grupos de dança do ventre e Bollywood se apresentam no local, que deve receber 40 mil pessoas, conforme a organização. “O visitante poderá conferir de perto a riqueza da cultura destes países e ainda garantir os presentes para o natal e réveillon”, destaca Maria Mathias, organizadora da Feincartes.

Serviço

Feira Internacional de Artesanato e Decoração (Feincartes)
Data: 7 a 16 de novembro de 2014
Local: Centro de Negócios do SEBRAE (na av. Monsenhor Tabosa, 777 – Praia de Iracema)
Horário de visitação: Todos os dias, das 15 às 22 horas.
Entrada: R$8,00 (oito reais).
Ingressos: Pessoas com 60 anos ou mais pagam meia-entrada e crianças com até 12 anos de idade, acompanhadas por responsável, são isentas.
Site: http://www.feincartes.com.br

Redação O POVO Online com informações da Feincartes

Ator Danny Glover declara apoio a Dilma Rousseff

O ator é casado há alguns meses com a pesquisadora brasileira Eliane Cavalleiro

Casado com uma brasileira, o ator norte-americano mandou uma mensagem de incentivo à candidata petista pelo Twitter. “O Brasil se tornou um exemplo para a humanidade”, escreveu

Por Redação

O ator norte-americano Danny Glover resolveu manifestar o seu apoio à presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) por meio de uma mensagem no Twitter. “O Brasil é o maior país na luta contra a pobreza e nos últimos 12 anos se tornou um exemplo para a humanidade. #Dilma13″, escreveu.

Conhecido por suas atuações em filmes como A Cor Púrpura, Ensaio sobre a Cegueira e Máquina Mortífera, Glover é casado com a professora e pesquisadora brasileira Eliane Cavalleiro, com quem atua em movimentos de luta pela igualdade racial.

Via Revista Fórum

Vaticano anuncia prisão de ex-arcebispo por pedofilia

Jornal GGN – O Vaticano, pela primeira vez, anuncia a prisão de acusado de pedofilia. O anúncio foi feito nesta terça-feira e o acusado é o ex-arcebispo Jozef Wesolowoski. A acusação é que, quando servia como embaixador papal na República Dominicana, teria pago para fazer sexo com crianças.

No comunicado feito, o Vaticano diz que o polonês foi deposto por um tribunal em junho e está em prisão domiciliar à espera de um julgamento criminal. O ex-arcebispo, de 66 anos, é a mais importante figura da Igreja a ser preso desde que Paolo Gabriele, o mordomo papal, foi condenado em 2012 por roubo e vazamento de documentos privados do papa emérito Bento XVI.

Wesolowaski, no entanto, não está detido na prisão do Vaticano, um conjunto de quartos anexos ao tribunal local, mas sim em prisão domiciliar em um apartamento, por motivos médicos.

Ele retornou ao Vaticano ano passado, ainda como diplomata em Santo Domingo. Foi dispensado de suas funções após a imprensa dominicana divulgar casos de pedofilia. Wesolowski vivia livremente em Roma, até que as vítimas de abuso pediram por sua prisão, com medo que fugisse.

O ex-arcebispo pode ser condenado a até 12 anos de prisão no primeiro julgamento a ser realizado dentro da Cidade do Vaticano, por abuso sexual. Ele também está sendo investigado na República Dominicana pelas acusações de pagamento a meninos para realizar atos sexuais.

Segundo o Vaticano, a prisão refletiu os desejos do Papa Francisco “que um caso grave e delicado como tal deve ser tratado sem demora, com justiça e o rigor necessários”. O Papa prometeu tolerância zero contra clérigos católicos que abusam sexualmente de crianças, tratando tais crimes como “horríveis” e os comparou a “uma missa satânica”. Francisco disse, em julho, às vítimas, que a Igreja “deve chorar e fazer reparação” pelos crimes.

Com informações do jornal O Globo.

Pesquisa aponta os dez países mais felizes e infelizes para viver

Uma pesquisa realizada pela organização americana Gallup and Healthway, e publicada pela revista Exame, aponta os dez países onde as pessoas são mais felizes e os dez onde as pessoas se mostram desapontadas.

Foram entrevistadas 133 mil pessoas em 135 países e elas responderam perguntas relacionadas a questões sociais, financeiras, físicas e de comunidade.

No topo da lista do local onde as pessoas são mais felizes está o Panamá. É lá que as pessoas se consideram bem-sucedidas nas respostas de bem-estar. O Brasil aparece em 5º lugar no ranking das pessoas satisfeitas. Já as pessoas mais insatisfeitas estão na Croácia.

Os dez países mais felizes:

1º Panamá
2º Costa Rica
3º Dinamarca
4º Áustria
5º Brasil
6º Uruguai
7º El Salvador
8º Suécia
9º Guatemala
10º Canadá

Os dez mais infelizes

1º Síria
2º Afeganistão
3º Haiti
4º República Democrática do Congo
5º Chade
6º Madagascar
7º Uganda
8º Benim
9º Croácia
10º Geórgia

No ano passado, a ONU divulgou um relatório dos países mais felizes do mundo. O Brasil ficou em 24º lugar, antes da França e da Alemanha.

Via http://anoticia.clicrbs.com.br

A memória dos filhos dos desaparecidos da ditadura argentina em literatura

Da OperaMundi

Por Bruno Arpaia e Alberto Prunetti 

Geração de escritoras e escritores narra anos de violência e repressão através de seus pontos de vista

Era o dia dois de setembro de 2003 quando Néstor Kirchner, então há pouco eleito presidente da Argentina, promulgou a norma que anulava as leis do Punto Final e da Obediencia Debida, que garantiam impunidade aos militares golpistas e torturadores. Em março do ano seguinte, inaugurando o Museu da Memória que ele idealizou no edifício que abrigava a Esma, a Escola de Mecânica da Armada, onde milhares de pessoas argentinas foram torturadas e mortas, Kirchner declarou: “Como Presidente da Nação Argentina, venho pedir perdão por parte do Estado nacional pela vergonha de ter silenciado sobre tantas atrocidades durante vinte anos de democracia. Falemos claramente: não é rancor nem ódio a nos guiar e a me guiar, apenas a justiça e a luta contra a impunidade. Os responsáveis por esses eventos tenebrosos e macabros, por tantos campos de concentração como a Esma, têm só um nome: são assassinos repudiados pelo povo argentino.”

A partir daquele momento, sem mais ser obrigada a lutar para “existir”, uma geração de escritoras e escritores que tinha visto pessoas de suas famílias morrerem sob os golpes da repressão ou desaparecer no oceano Atlântico pôde começar a narrar os anos da violência e da ditadura através de seus pontos de vista. Militantes sobreviventes já tinham produzido ótimos livros, entre os quais obras-primas como “Recuerdo de la morte” (“Lembrança da morte”, em tradução livre), de Miguel Bonasso. Agora o testemunho da narrativa passava às pessoas que tinham vivido aqueles eventos não como protagonistas adultos, mas como crianças, como espectadores e vítimas, frequentemente inconscientes, da aniquilação de suas próprias famílias.

Aquela geração se pôs a acertar as contas com a memória através da literatura. A memória, pessoal e/ou coletiva, é um dos instrumentos principais de pessoas que narram em suas abordagens da realidade. Parece simples: minhas recordações são (deveriam ser) minha “verdadeira realidade”. No entanto, não é nada simples. Os mais recentes estudos sobre o funcionamento do cérebro humano confirmam esse fato, mas para romancistas a falibilidade da memória não é uma descoberta nova. Muitas já tinham descoberto há tempos que a memória não é um armário ou uma geladeira de que se retiram as recordações à medida que se precisa delas. A memória é complexa: não somente acumula, registra, estoca, arquiva… Ela elimina, reduz, corta, infla, estica, adiciona, agiganta, mistura, confunde. A memória fabula, narra. A memória inventa.

E isso é verdade também para a história pessoal recente. Assim confirmaram em outubro de 2013, em Buenos Aires, escritoras e escritores reunidos em um seminário organizado pelo Departamento Lectura Mundi da Universidade Nacional de San Martin, intitulado “Narrativas do real: histórias e memórias”. Laura Alcoba, Félix Bruzzone, Julián López, Mariana Eva Pérez, Raquel Robles, Ernesto Semán e Ángela Urondo contaram como, a partir de 2003, se sentiram livres para encarar as histórias de suas famílias sem mais constrangimentos e como, cada um a seu modo, a partir de suas próprias lembranças ou dos fiapos de memórias, elaboraram histórias que, mesmo quando parecem relatos pessoais ou autobiografia pura, conservam as características da ficção.

“Pequeños combatientes”, de Raquel Robles, por exemplo, é a história, contada em primeira pessoa, com uma voz fresca e adolescente, de uma garota de doze anos e seu irmão de oito, crescidos na clandestinidade e que vivem com os avós. Os irmãos estão convencidos de que os pais estão ainda a combater aquela “guerra” na qual também eles se sentem envolvidos: são, de fato, “pequenos combatentes”, que pouco a pouco se dão conta do desaparecimento dos próprios pais. O romance parece a simples narrativa da história real de Raquel Robles, que é engajada na luta de organizações pelos direitos humanos e é filha de desaparecidos da ditadura. A autora, no entanto, explicou que partiu de um grumo confuso e indistinto de lembranças da infância que depois desenvolveu de acordo com as regras da ficção, buscando a “voz” do romance na filha, que tem a mesma idade da protagonista.

Emblemático também o caso de Ángela Urondo. Em junho de 1976, Ángela tinha apenas onze meses quando o automóvel em que viajava com os pais, ambos militantes montoneros, foi parado e cravejado de balas por militares nos arredores de Mendoza. O pai, o escritor Paco Urondo, morreu no local. Alicia Raboy, a mãe, jornalista, correu com o bebê nos braços tentando se salvar, mas não conseguiu. Acabou na Esma e depois desaparecida. Ángela foi sequestrada pelos militares, entregue em um orfanato e depois à avó materna, que prometeu criá-la em comum acordo com a família Urondo. Porém, sem avisar à outra avó, decidiu dá-la em adoção à sobrinha, que a partir de então cortou os laços entre os Urondo e a menina. A pequena Ángela sabia que seus pais biológicos estavam mortos, mas acreditava que tinham falecido em um acidente de carro. A família adotiva não lhe disse nem ao menos que tinha um irmão e uma irmã, essa última também desaparecida. Ángela descobriu de fato quem é somente quando, aos dezenove anos, o irmão veio “resgatá-la”. Começou então a lutar para recuperar sua própria identidade, seu sobrenome, e iniciou uma causa de “desadoção” (seu próprio neologismo). “Era uma causa civil contra meus pais adotivos, com a qual solicitava à justiça a anulação da adoção. Geralmente, adoções são irreversíveis. Fiz algo fora da norma, mas era um direito meu.” Esse direito lhe foi reconhecido cerca de dois anos depois, quando ela finalmente pôde se chamar Ángela Urondo Raboy. No meio tempo, começou a escrever para contar sobre seu doloroso percurso de reconstrução da própria história pessoal, para tornar público um drama que não era só privado. “¿Quién te creés que sos?” (“Quem você pensa que eu sou?”) é o livro que resultou de todo o processo. Um livro não linear, construído como um quebra-cabeças, em que adquirem sentido até os sonhos recorrentes da autora adulta que, como ela vem a descobrir somente mais tarde, resgatam as cenas terríveis que ela viveu quando bebê.

Também dramático é o caso narrado por Victoria Donda em “Mi nombre es Victoria” (“Meu nome é Victoria”). A obra é menos literária, com um recorte memorialístico e autobiográfico. É a história da reapropriação do nome e da identidade de uma dos tantos hijos de desaparecidos. O elemento interessante é que ela permanece suspensa em uma terra de ninguém, entre duas famílias: não há o final feliz do retorno à família originária, com o acolhimento regado a lágrimas. Pelo contrário: na família de sangue ela encontra também o responsável pela denúncia e pelo desaparecimento dos próprios pais. A família, longe de ser um recanto de paz, é um lugar de conflitos políticos irreconciliáveis. E dramática também é a permanência na família de adoção: o tio da família de sangue era um repressor amigo do pai de adoção. Uma descoberta inquietante: “trata-se de uma pessoa que eu chamava de ‘tio’, que me foi apresentada como meu padrinho de batismo (…). Meu pseudo padrinho, Héctor Febrés, responsável pelo “setor quadro” da Esma, o setor das mulheres grávidas. O homem que me tirou dos braços de minha mãe. Meu sequestrador”, narra Victoria no livro.

O amor de Victoria pelos pais montoneros se desfaz frente à figura do tio Adolfo, irmão e traidor do pai de sangue, conhecido como “Geronimo” pelas pessoas que torturava. Victoria passa então a descrever o relacionamento conflituoso e angustiante dos avós paternos com o filho torturador, o senso de culpa… A família se quebra, como se quebra a sociedade argentina, mas de maneira talvez mais dramática. No fim, Victoria consegue recuperar um contato distante com os avós postiços e mantém um relacionamento com os pais adotivos, que respeitaram a escolha de sua militância política à esquerda, maturada antes de conhecer sua verdadeira história e identidade (quando ainda não era Victoria, mas Analía). Ela não sente necessidade de excluí-los da rede familiar, e sua relação com a irmã adotiva é melhor do que com a irmã de sangue, também criada em uma família conservadora, mas que não tem interesse em iluminar seu próprio passado.

Para Victoria, por fim, família é acima de tudo o grupo de militantes que permaneceu ao seu lado: os jovens dos Hijos, as Avós da Praça de Maio, e as figuras mais maduras no movimento, a quem atribui um papel paterno – aqueles que sente mais próximos ao percurso de luta dos pais desaparecidos. A militância é um modo para “aumentar a amplitude do termo ‘família’”, como escreve Victoria, além dos vínculos de sangue e de adoção.

E ao fim, uma surpresa: quase todas e todos esses escritores e escritoras reivindicam o “direito ao esquecimento”. Escrevem, talvez, para poder esquecer. Atenção: passar uma borracha sobre o que aconteceu está bem distante de suas intenções. Pelo contrário: só se pode esquecer algo que conhecemos e tornamos profundamente nosso. Agora as “últimas vítimas diretas da ditadura”, como algumas dessas pessoas se definem, não precisam mais dar seu testemunho. Agora, talvez, para essas pessoas seja finalmente hora de viver.

Volkswagen monitorou Lula e sindicalistas na ditadura, diz Reuters

O ex-presidente Lula não quis comentar o assunto Reuters

A Volkswagen espionou ativistas sindicais brasileiros na década dos anos 1980 e passou informações sobre reivindicações salariais e outras discussões privadas à ditadura militar do país, de acordo com documentos recentemente descobertos que foram vistos pela Reuters.

A montadora monitorou secretamente seus próprios trabalhadores, bem como dirigentes sindicais proeminentes da época. Um dos alvos da Volkswagen foi Luiz Inácio Lula da Silva, que viria a ser presidente do Brasil de 2003 a 2010 e continua sendo um dos políticos mais influentes na cena nacional.

Os documentos foram recentemente descobertos em arquivos do governo por pesquisadores que estão contribuindo com os trabalhos da CNV (Comissão Nacional da Verdade), que investiga abusos ocorridos durante o regime militar de 1964 a 1985 a pedido da presidente Dilma Rousseff.

A Reuters informou no mês passado que a comissão encontrou indícios de que diversas empresas, incluindo a Volkswagen e outras montadoras estrangeiras, ajudaram os militares a identificar ativistas sindicais na década de 1980 para suprimir a agitação trabalhista.

Agora, de acordo com líderes da CNV, 20 páginas de documentos marcados como “confidencial” que a Volkswagen deu aos militares em 1983 e 1984 fornecem a prova ainda mais clara de que algumas empresas foram mais longe, ao recolher de sua própria inteligência informações sobre atividades sindicais para então compartilhar esse material com autoridades.

Nos documentos, a Volkswagen forneceu dados extensos de mais de uma dezena de reuniões sindicais na Grande São Paulo. A empresa retransmitia planos de trabalhadores sobre greves, bem como suas demandas por melhores salários e condições de trabalho.

A empresa divulgou alguns nomes de trabalhadores da Volkswagen que participaram de eventos de sindicato e, em pelo menos dois casos, forneceu a marca e a placa de veículos presentes em atos sindicais.

A Volkswagen também relatou a exibição de um filme com temática socialista na sede de um sindicato; o conteúdo de folhetos distribuídos do lado de fora de sua fábrica e os nomes daqueles que distribuíram os panfletos; e um incidente em que “vários funcionários viciados foram surpreendidos fumando maconha”.

Tais informações foram tipicamente usadas pela polícia para monitorar, constranger e deter sindicalistas na esperança de desencorajar agitações trabalhistas futuras, disse Sebastião Neto, membro da CNV. Ele citou o material que a comissão reuniu a partir do depoimento de trabalhadores que sofreram esse tipo de tratamento.

As empresas podem enfrentar processos cíveis ou demandas de reparação caso sejam consideradas culpadas por terem contribuído para violações de direitos humanos de seus trabalhadores durante a ditadura, segundo afirmam alguns promotores.

Outros duvidam que a prova obtida até agora seja suficiente para levar adiante um processo judicial. Eles dizem que o verdadeiro valor do trabalho da CNV reside na construção de um relato mais completo de abusos cometidos no passado para que o Brasil, que é agora uma democracia estável, nunca sofra um período tão obscuro novamente.

Os documentos foram encontrados em um arquivo nacional por historiadores profissionais contratados por um sindicato local para trabalhar em coordenação com a CNV. Neto disse que os documentos serão incluídos no relatório final da comissão da verdade, previsto para dezembro.

Volks promete investigação própria    

Em resposta a perguntas da Reuters sobre os novos documentos, a Volkswagen repetiu uma promessa que fez quando da publicação da primeira reportagem exclusiva sobre o assunto em agosto, afirmando que vai “investigar todos os indícios” de que funcionários forneceram informações aos militares.

Nenhuma outra empresa de grande porte com operações no Brasil tem um compromisso público para uma iniciativa desse tipo.

“A Volkswagen é reconhecida como um modelo por tratar seriamente a sua história corporativa”, disse a empresa em um comunicado. “A empresa irá lidar com este assunto da mesma forma”, acrescentou.

A Volkswagen tem aparecido repetidamente como uma fornecedora de informações aos militares durante a ditadura no Brasil.

A montadora, contudo, não foi a única empresa que relatou atividades sindicais para militares, segundo pesquisadores e acadêmicos. A ditadura suprimiu os esforços de trabalhadores por melhores salários como uma parte central de seu modelo de crescimento econômico e viu as greves como uma ameaça comunista à estabilidade. Inúmeras empresas enfrentaram pressão para colaborar.

A Volkswagen foi uma das 19 empresas brasileiras e estrangeiras que participaram de reuniões regulares com autoridades militares e policiais na região do Vale do Paraíba, uma área industrial a cerca de 90 quilômetros da cidade de São Paulo. As reuniões começaram em julho de 1983, em um momento de crescente agitação trabalhista na área.

Nas reuniões, as empresas trocaram informações sobre o planejamento de greves e demissões em massa, de acordo com relatórios dos encontros feitos pelo Ministério da Aeronaútica.

Nas atas dos encontros, que foram fornecidas à Reuters por pesquisadores da CNV, a Volkswagen foi a única companhia que apresentou relatórios por escrito sobre atividades sindicais em pelo menos três ocasiões.

Os documentos foram anexados às atas dos encontros. Eles não indicam como a Volkswagen obteve a informação, mas o nível de detalhe sugere que a empresa pode ter enviado pessoal de segurança para monitorar eventos sindicais ou recebeu informações de trabalhadores infiltrados, segundo pesquisadores.

Por exemplo, a Volkswagen informou às autoridades sobre a exibição de um filme sobre a revolução russa na sede de um sindicato. Em um memorando, a montadora descreveu como trabalhadores bloquearam as portas para a sala de projeção e desativaram o elevador do edifício “para evitar uma possível apreensão da fita por parte do Departamento do Censura da Policia Federal”.

O memorando diz ainda que “vinho quente, pipoca e chocolate” estavam disponíveis durante a exibição do filme e o nome do trabalhador que vendeu os produtos.

A Volkswagen também documentou amplamente um comício sindical de 19 de junho de 1983, que contou com Lula. Ele não era um empregado da empresa, mas era uma estrela em ascensão no movimento trabalhista nacional na época. A Volkswagen citou Lula como um crítico à “pouca vergonha do governo” e por incentivar trabalhadores a interromper, como gesto de protesto, os pagamentos de prestações ao BNH (Banco Nacional da Habitação) pela compra de imóveis.

A companhia registrou o número da placa de um ônibus que transportava trabalhadores para Brasília após o comício sindical, bem como o nome da empresa que o operou.

Um porta-voz de Lula se recusou a comentar sobre os documentos.

Geovaldo Gomes dos Santos, um ex-oficial de controle de qualidade que se aposentou da Volkswagen em 2003, foi nomeado nos documentos como tendo organizado uma reunião em 21 de junho de 1983 para tratar de um encontro regional de metalúrgicos.

O nome dele também apareceu em uma “lista negra” de ativistas sindicais na Grande São Paulo que a polícia preparou no início dos anos 1980, cuja existência a Reuters revelou no mês passado.

Ao ser informado que tinha seu nome citado em um novo conjunto de documentos, Santos disse: “Isso é um absurdo”.

Ele afirmou que, à luz das informações, pode tentar processar a Volkswagen ou ex-executivos da montadora por danos morais.

“Eu não quero dinheiro”, disse ele. “É tão nojento o que eles fizeram. Nós não estávamos fazendo nada de anormal. Por quê eles estavam nos espionando? Sindicatos deve ser apenas uma parte normal do capitalismo”, afirmou.

Pela terceira vez em cinco anos, África do Sul nega visto ao Dalai Lama

Do Diário de Notícias de Lisboa

África do Sul volta a negar visto ao Dalai Lama

Dalai Lama
Dalai LamaFotografia © EPA

O Dalai Lama cancelou uma viagem prevista para outubro à África do Sul, para assistir à gala anual de prémios Nobel da Paz, depois de o Governo sul-africano lhe ter negado um visto, informou hoje o diário Cape Times.

Trata-se da terceira visita em cinco anos que o líder religioso tibetano cancela devido à não-concessão de visto para entrada no país africano, que mantém estreitas relações com a China.

“Para já, o Dalai Lama decidiu cancelar a sua viagem à África do Sul”, disse ao jornal Nangsa Choedon, representante do líder religioso no país africano.

Nangsa Choedon indicou que representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-africano lhe comunicaram na semana passada que não seria concedido visto ao Nobel da Paz em 1989, embora ainda não tenha recebido uma confirmação escrita da decisão.

Porta-vozes do ex-presidente sul-africano Frederik de Klerk e do arcebispo Desmond Tutu, ambos Nobel da Paz, protestaram contra a negação do visto.

A XIV edição da Conferência Mundial de Prémios Nobel da Paz realiza-se de 13 a 15 de outubro na Cidade do Cabo.

 

Cuba tem a melhor educação da América Latina, diz Banco Mundial

Educação de Cuba é a melhor da América Latina e Caribe, garante Banco Mundial (divulgação)

O Banco Mundial acaba de publicar um relatório revelador sobre a problemática da educação na América Latina e no Caribe. Intitulado Professores excelentes. Como melhorar a aprendizagem na América Latina e no Caribe, o estudo analisa os sistemas educativos públicos dos países do continente e os principais desafios que enfrentam. 1

Na América Latina, os professores de educação básica (pré-escolar, primária e secundária) constituem um capital humano de 7 milhões de pessoas, ou seja, 4% da população ativa da região, e mais de 20% dos trabalhadores técnicos e profissionais. Seus salários absorvem 4% do PIB do continente e suas condições de trabalho variam de uma região para outra, inclusive dentro das fronteiras nacionais. Os professores, mal remunerados, são, em sua maioria, mulheres — uma média de 75% — e pertencem às classes sociais modestas. Além disso, o corpo docente supera os 40 anos de idade e considera-se que esteja “envelhecido”. 2

O Banco Mundial lembra que todos os governos do planeta escrutinam com atenção “a qualidade e o desempenho dos professores” no momento em que os objetivos dos sistemas educativos se adaptam às novas realidades. Agora, o foco está na aquisição de competências e não apenas no simples acúmulo de conhecimentos.

As conclusões do relatório são implacáveis. O Banco Mundial enfatiza “a baixa qualidade média dos professores da América Latina e do Caribe”, o que constitui o principal obstáculo para o avanço da educação no continente. Os conteúdos acadêmicos são inadequados e as práticas ineficientes. Pouco e mal formados, os professores consagram apenas 65% do tempo de aula à instrução, “o que equivale a perder um dia completo de instrução por semana”. Por outro lado, o material didático disponível continua sendo pouco utilizado, particularmente as novas tecnologias de informação e comunicação. Além disso, os professores não conseguem impor sua autoridade, manter a atenção dos alunos e estimular a participação. 3

De acordo com a instituição financeira internacional, “nenhum corpo docente da região pode ser considerado de alta qualidade em comparação aos parâmetros mundiais”, com a notável exceção de Cuba. O Banco Mundial aponta que “na atualidade, nenhum sistema escolar latino-americano, com a possível exceção de Cuba, está perto de mostrar os parâmetros elevados, o forte talento académico, as remunerações altas ou, ao menos, adequadas e a elevada autonomia profissional que caracteriza os sistemas educativos mais eficazes do mundo, como os da Finlândia, Singapura, Xangai (China), da República da Coreia, dos Países Baixos e do Canadá”. 4

De fato, apenas Cuba, onde a educação tem sido a principal prioridade desde 1959, dispõe de um sistema educativo eficiente e com professores de alto nível. O país antilhano não tem nada para invejar das nações mais desenvolvidas. A ilha do Caribe é, além disso, a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional (13%) para a educação. 5

Não é a primeira vez que o Banco Mundial elogia o sistema educacional de Cuba. Em um relatório anterior, a organização lembrava a excelência do sistema social da ilha:

“Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos nos campos da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em vias de desenvolvimento e em certos setores se compara ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução Cubana, em 1959, e do subsequente estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Esse modelo permitiu a Cuba alcançar a alfabetização universal, erradicar certas doenças, [prover] acesso geral à água potável e salubridade pública de base, [atingir] as taxas mais baixas da região de mortalidade infantil e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua de 1960 até 1980. Vários indicadores principais, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90 […]. Atualmente, os serviços sociais de Cuba são parte dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, além de outras agências da ONU e o Banco Mundial […]. Cuba supera amplamente a América Latina, o Caribe e outros países de renda média nos indicadores principais: educação, saúde e salubridade pública”. 6

O Banco Mundial lembra que a elaboração de bons sistemas educacionais é vital para o futuro da América Latina e do Caribe. Reforça, também, o exemplo de Cuba, que alcançou a excelência nesse setor e é o único país do continente que dispõe de um corpo docente de alta qualidade. Esses resultados são explicados pela vontade política do governo do país caribenho de colocar a juventude no centro do projeto de sociedade, dedicando os recursos necessários para a aquisição de saberes e competências. Apesar dos recursos limitados de uma nação do Terceiro Mundo e do estado de sítio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de meio século, Cuba, baseando-se no adágio de José Martí, seu apóstolo e herói nacional, “ser culto para ser livre”, demonstra que uma educação de qualidade está ao alcance de todas as nações.

1. Barbara Bruns & Javier Luque, Profesores excelentes. Cómo mejorar el aprendizaje en América Latina y el Caribe, Washington, Banco Mundial, 2014. (site consultado no dia 30 de agosto de 2014).
2. Ibid.
3. Ibid.
4. Ibid.
5. Salim Lamrani, Cuba : les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Estrella, 2013, p. 40.
6. Ibid., p. 87-88.

Salim Lamrani, Opera Mundi

Das 10 cidades mais poluídas do mundo, 6 estão na Índia

O segundo país mais populoso do mundo, a Índia, também sofre com altíssimos níveis de poluição. Segundo pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS), seis das 10 cidades mais poluídas do mundo estão na Índia, entre elas a ‘campeã’ Nova Delhi. Parna, Gwalior, Raipur, Ahmedabad e Lucknow são as cidades indianas eleitas pela OMS. Quatro delas entre as primeiras do ranking, com Karachi, no Paquistão, fechando o Top 5.

Além de sofrer com a poluição, a Índia também tem entre seus principais problemas o boom populacional e a pobreza extrema, agravada pela mistura frequente de política estatal e religião no país. Diferente da China, o governo indiano não impõe qualquer controle de natalidade, o que deve piorar tanto a superpopulação quanto a poluição pelas próximas décadas. Hoje, a Índia possui 1,2 bilhões de pessoas, ‘apenas’ 100 milhões (meio Brasil) atrás da China.

Veja abaixo as 10 cidades mais poluídas do planeta:
1. Nova Déli, Índia

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2. Patna, Índia

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3.Gwalior, Índia

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4. Raipur, Índia

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5. Karachi, Paquistão

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6. Peshawar, Paquistão

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7. Rawalpindi, Paquistão

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8. Jorramabad, Irã

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9. Ahmedabad, Índia

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10. Lucknow, Índia

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Via http://trazcafe.com.br/site/das-10-cidades-mais-poluidas-mundo-6-estao-na-india/

 

Christine Lagarde: Diretora do FMI é investigada por caso de fraude

Jornal GGN - Magistrados da França colocaram a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, em investigação por negligência em um caso de fraude datado de 2008, quando era ministra das Finanças da França.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, o advogado de Lagarde, Yves Repiquet, afirmou que ela foi interrogada por autoridades em Paris pela quarta vez sob seu status atual de testemunha, declarou que a medida é infundada. “Estamos entrando com um recurso contra isso”, disse, acrescentando que Lagarde, que deveria retornar à sede do FMI em Washington ainda nesta quarta-feira, não tem planos de renunciar ao cargo.

A investigação está relacionada a alegações de Bernard Tapie, defensor do ex-presidente Nicolas Sarkozy, recebeu de forma inapropriada o total de 403 milhões de euros em uma arbitragem para resolver uma disputa com o estatal Crédit Lyonnais, que já não existe mais.

Sob as leis francesas, magistrados colocam alguém sob investigação formal quando acreditam que há indícios de irregularidades, mas isso nem sempre leva a um julgamento.

O crime de negligência por uma pessoa com responsabilidade pública na França traz uma pena máxima de um ano de prisão e uma multa no valor de 15 mil euros.

Christine Lagarde é diretora-gerente do FMI desde julho de 2011.

A boneca sexual ‘mais perfeita do mundo’

Uma empresa japonesa chamada Orient Industry lançou uma coleção de bonecas sexuais ultrarrealistas que parecem mulheres de verdade.

Batizadas de “Dutch Wives” – esposas holandesas, um termo utilizado no Japão para as bonecas sexuais – de inflável elas não têm nada.

As bonecas são feitas de um silicone de alta qualidade, cujo toque lembra o de uma pele verdadeira, e seus olhos são assustadoramente realistas.

“Sentimos que, enfim, conseguimos criar uma boneca que é indistinguível em relação a uma mulher”, disse o porta-voz da empresa, Osami Seto, ao jornal The Daily Mail.

A Orient Industry trabalha nesse segmento há muito tempo mas, para Osami, faltava ainda evoluir em duas áreas: a pele e os olhos.

Com este lançamento recente, no entanto, eles acreditam que chegaram lá.

A top de linha custa cerca de R$ 14 mil e você pode customizá-la de várias maneiras: altura, cor dos olhos, cabelo, tamanho dos seios, etc.

E, claro, elas vêm com a roupa (ou fantasia) que você escolher.

Além disso, as “Dutch Wives” possuem articulações flexíveis, para você colocá-las na sua posição sexual preferida.

(Diário do Centro do Mundo)

Hacker descobre como identificar os posts de alguém no Secret

Uma dupla de hackers de Seattle comprovou aos donos do Secret que o aplicativo não é capaz de garantir anonimato aos usuários. O que é preocupante, visto que as pessoas recorrem ao serviço justamente para contar segredos.

Ben Caudill, parceiro de Bryan Seely na pequena empresa de segurança Rhino Security Labs, mostrou à Wired que é bem simples descobrir as postagens de uma pessoa no Secret.

É necessário ter o e-mail do alvo, em primeiro lugar, e entender o funcionamento do Secret: o usuário precisa ter ao menos sete amigos inscritos no serviço para começar a ver segredos alheios. O app descobre esses amigos vasculhando o smartphone em busca de e-mails e telefones de outros usuários. No fim, mesmo que o dono do aparelho tenha 500 amigos, ele nunca saberá de onde vieram os segredos que ele vê, pois estes podem vir de apenas sete pessoas.

Para quebrar essa lógica, Caudill criou sete contas falsas no Secret usando um script (mas isso poderia ser feito manualmente), então ele apagou os contatos de sua lista de contatos e acrescentou as contas falsas no lugar. Por fim, incluiu o e-mail do alvo também.

Ele então criou uma outra conta e adicionou todas aquelas falsas como seus contatos. Assim, sempre que houvesse uma postagem ele saberia que ela veio do alvo, porque os demais contatos da sua lista de amigos eram falsos.

Como se vê, trata-se de uma via de mão única; não é possível descobrir o autor de um segredo a partir do segredo, só o contrário: pelo e-mail, você pega as postagens do indivíduo.

David Byttow, CEO do Secret, confirmou à Wired a existência da vulnerabilidade e disse que ela já foi bloqueada. Ainda é necessário tomar medidas para descobrir se a técnica foi explorada de forma significativa.

(Olhar Digital Uol)

TAP opera rota Fortaleza-Lisboa com aviões fretados de empresa ucraniana

A cearense Helena Cláudia Santos teve uma surpresa na hora de voltar para casa depois de uma viagem pela Europa para estudar. Com passagem comprada para um voo da companhia aérea portuguesa TAP, no embarque do aeroporto de Lisboa, Helena viu que voltaria aFortaleza em uma aeronave de outra empresa. Desde o início do mês de julho, as aeronaves do tipo A330 da TAP, que fazem a rota diária Fortaleza-Lisboa, são substituídas por aviões fretados da empresa ucraniana Windrose. A TAP afirmou que a situação será solucionada em 10 dias.

Aviões usados pela TAP têm símbolo da Windrose (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

“A gente tomou um susto enorme quando encontra uma aeronave que não tem absolutamente nada a ver com a que você foi. Uma aeronave apertada, muita gente, sem nenhum tipo de entretenimento. Nem o banco pra reclinar um pouco, para descansar e é uma viagem longa. Foi muito complicado, me machucou de verdade, fisicamente”, afirma a professora Helena.

Segundo a TAP, a companhia  assumiu novas rotas e os aviões comprados para atender a demanda não ficaram prontos a tempo e, por isso, precisou fretar aeronaves. A TAP admite que as aeronaves fretadas são inferiores em relação aos serviços porque não são configuradas pela empresa. Atualmente, a rota Fortaleza-Lisboa é a única do país que opera com as aeronaves ucranianas.

A advogada  Idália Matos Leubner, que mora na Alemanha e viaja todos os anos para o Ceará em aeronaves da TAP, sentiu a diferença entre as aeronaves e reclama do custo alto da passagem para viajar em um avião de uma empresa low-cost, que faz voos com baixos custos. “Paguei caro por um conforto e, quando eu chego ao aeroporto, é um voo totalmente sem serviço. Um avião sem acessórios. Eu me senti enganada”, afirma. A advogada pagou 1.280 euros e afirma que não foi informada com antecedência sobre a troca de aeronaves.

Atrasos
A TAP informou que vai regularizar a situação até 15 de agosto, quando está prevista a entrega das seis novas aeronaves. Até lá, os passageiros com viagem marcada que não quiserem voar nos aviões fretados podem alterar a data da viagem sem custo ou pedir o reembolso integral da passagem.

Para os passageiros que viajaram e pagaram para a classe executiva, a companhia afirmou que realiza o reembolso da diferença dos serviços de uma aeronave para outra. A TAP disse ainda que envia com antecedência e-mails para os passageiros e agências de viagem, informando sobre as trocas de aviões.

Desconforto
O  secretário de Turismo do Ceará, Bismarck Maia, afirma que já entrou em contato com a companhia aérea portuguesa e vai acompanhar o caso até que seja resolvido. “Nós fomos muito firmes com a companhia, mostramos que o Ceará é parceiro. Particularmente, a palavra da Secretaria de Turismo para eles é que está muito chateada com este desconforto que está sendo gerado para os passageiros”, afirma Maia. Ainda de acordo com o secretário, a TAP também oficializou com a Setur que o problema será solucionado no mês de agosto.

(G1 Ceará)

Xiaomi, a “Apple da China”, dá os primeiros passos no Brasil

A Xiaomi, fabricante chinesa de smartphones e tablets, começou a estruturar sua operação no Brasil. A empresa já possui endereço fixo em um prédio de escritórios localizado no bairro de Vila Olímpia, Zona Sul da cidade de São Paulo. Registrada em maio no país com a razão social Xiaomi do Brasil Tecnologia Ltda., a fabricante é liderada por Leo Marroig, contratado em junho como gerente geral da Xiaomi Global para a América Latina. Chen K. Lung e Guilherme Matias também vieram para completar a equipe.

No início de 2013, a empresa ocupava o 14º lugar no ranking global em venda de smartphones. Em apenas um ano, a situação mudou e ela alcançou a sétima posição no ranking global, à frente de gigantes como Motorola, Nokia e Sony Mobile. Isso foi possível graças ao desempenho na China, o maior mercado de smartphones no mundo. Por lá, segundo a consultoria Canalys, a Xiaomi assumiu a liderança de mercado no último trimestre, deixando para trás Samsung e Lenovo.

Apesar do início da operação, não há previsão de lançamento dos produtos da Xiaomi no Brasil. De acordo com o registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo, a empresa deve atuar no comércio de equipamentos, desenvolvimento de software e suporte técnico. O registro sinaliza que a empresa, em um primeiro momento, não deve investir na fabricação local de smartphones e tablets. Os produtos poderão ser importados e vendidos em lojas próprias da marca, como já ocorre na China, mas também por meio de operadoras.

No ano passado, a Xiaomi contratou o brasileiro Hugo Barra, então vice-presidente para Android do Google, como seu vice-presidente global. O executivo lidera a expansão do negócio para outros dez países, entre eles o Brasil. No final de julho, o primeiro produto lançado na Índia esgotou rapidamente. A Xiaomi é conhecida por oferecer smartphones com recursos equivalentes a modelos avançados da Apple e Samsung, mas a preço de custo. O lucro da Xiaomi vem da venda de aplicativos, games e serviços, como backup em nuvem.

“É um momento difícil para a entrada de novos fabricantes de smartphones no Brasil, em especial desconhecidas, pois o brasileiro é muito sensível à marca”, disse um analista de mercado ao site de VEJA. Além disso, a Xiaomi pode ter dificuldade em ajustar seu modelo de negócio para o Brasil. “Não é fácil entender as regras para conseguir incentivos fiscais do governo para fabricação local”, diz outra fonte próxima a fabricantes do setor.

Linha de produtos – O smartphone mais avançado da Xiaomi é o Mi4, lançado no final de julho. O aparelho é equipado tela de 5 polegadas com resolução HD, processador Snapdragon 801 de 2,5 GHz com quatro núcleos, 3 GB de memória RAM, além de uma câmera traseira de 13 megapixels e outra frontal, de 8 megapixels – esta última superior aos modelos da Apple e Samsung. A versão básica do produto está à venda na China por 1.999 yuan, o equivalente a 700 reais.

Em maio deste ano, a Xiaomi também lançou uma espécie de cópia do iPad Mini, o Mi Pad. O produto possui tela de 7,9 polegadas, processador Tegra K1 de 2,2 GHz e acabamento em plástico. Ele é vendido por 240 dólares e é produzido em seis cores. O portfólio ainda conta com uma TV conectada de 47 polegadas e uma central multimídia similar à Apple TV que permite conectar a TV à internet.

(Cláudia Tozetto, Veja Online)

Surto de Ebola: entenda quais são os sintomas da doença

O pior surto do Ebola na história – que ocorre agora na África Ocidental – já custou mais de 700 vidas, de acordo com a última contagem da Organização Mundial de Saúde. As mortes ocorreram em Serra Leoa, Libéria, Guiné e Nigéria.

“Esse surto está se espalhando mais rápido que nossos esforços para controlá-lo”, disse Margaret Chan, chefe da Organização Mundial de Saúde, segundo a Reuters.

A cepa Zaire do vírus, envolvida no surto atual, teve no passado um índice de mortalidade de até 90%. Entretanto, o índice de mortalidade do surto atual é mais baixo, porque “90% é quando você não recebe nenhum tipo de cuidado médico”, diz Nahid Bhadelia, epidemiologista associada do Boston Medical Center e diretora de Controle de Infecções dos Laboratórios de Doenças Infecciosas Nacionais Emergentes da Universidade de Boston.

“Agora, com apoio médico, a mortalidade no campo é de 60%”, disse ela ao HuffPost.

Mas como, exatamente, o vírus provoca sintomas tão extremos – o Ebola é notório por causar, em alguns casos, sangramentos nos olhos e ouvidos – e leva à morte? Bhadelia explica por que o corpo tem tanta dificuldade em combater o vírus mortífero:

COMO O EBOLA ENTRA NO CORPO?

O Ebola não se transmite pelo ar – é preciso ter contato com o vírus para haver risco de infecção, diz Bhadelia.

Ele é transmissível por exposição a algum animal infectado (como um morcego ou um primata), por exposição aos fluidos corporais de um humano infectado e sintomático e por exposição a itens contaminados com o vírus.

As pessoas que “cuidam de alguém em casa… quando limpam vômito ou diarreia têm contato [com o vírus], pois os fluidos estão contaminados”, diz ela. “O vírus penetra seu corpo pelo nariz, pela boca e assim por diante.”

O Ebola sobrevive fora do hospedeiro por um período de tempo significativo – até um par de dias – em temperatura ambiente.

“É por isso que o controle de infecções é uma parte tão importante”, disse Bhadelia. “Se você tem equipamentos de esterlização, acesso a desinfetantes…. e você consegue manter os ambientes limpos e os pacientes isolados, o surto jamais vai se espalhar.”

É por isso que lugares com bons controles de infecção e infraestrutura médica não correm nenhum risco de surto desse patógeno, acrescentou ela.

O QUE ACONTECE NO CORPO DEPOIS DA INFECÇÃO PELO VÍRUS?

Depois de entrar no corpo, o vírus do Ebola entra nas células e se reproduz. “Depois ele explode as células e produz essa proteína que causa devastação”, explicou Bhadelia. A proteína é chamada glicoproteína ebolavirus, e ela se liga às células na parte interna dos vasos sanguíneos.

Isso aumenta a permeabilidade dos vasos – o que leva ao vazamento do sangue. “O vírus provoca um desarranjo na capacidade do corpo de coagular e engrossar o sangue”, disse ela.

Mesmo pessoas que não apresentem sintomas de hemorragia terão esse vazamento de sangue dos vasos – o que pode levar ao choque e, eventualmente, à morte.

O vírus do Ebola também é mestre em evadir as defesas naturais do corpo: ele bloqueia os sinais enviados para as células chamadas neutrófilas, as células brancas que têm a responsabilidade de soar o alarme para o sistema imunológico entrar em ação e atacar.

Na verdade, o Ebola infecta as células imunológicas e as usa para viajar para outras partes do corpo – incluindo o fígado, os rins, o baço e o cérebro.

Cada vez que uma das células infectadas pelo Ebola explode e seu conteúdo se espalha, o dano e a presença das partículas do vírus ativam moléculas chamadas citoquinas.

Num organismo saudável, as citoquinas são responsáveis por provocar uma resposta inflamatória, para que o corpo saiba que está sendo atacado.

Mas, no caso de um paciente de Ebola, “a liberação [das citoquinas] é avassaladora, o que causa sintomas parecidos com os da gripe”, que são os primeiros sinais do Ebola, disse Bhadelia.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

O Ebola costuma começar com sintomas parecidos com os da gripe. Apesar de ser conhecido pela hemorragia extrema – sangramento dos olhos etc. –, nem todos os pacientes apresentarão esses sintomas.

“Na verdade, só 20% das pessoas terão [esses sintomas extremos]”, diz Bhadelia. “Algumas pessoas podem sucumbir à doença antes que ela chegue a esse ponto, algumas podem ter pequenos sangramentos, algumas podem ter sangramentos nas gengivas, ou feridas na pele.”

Os sintomas parecidos com os da gripe costumam aparecer nas primeiras fases da doença, antes de a pessoa ficar mais doente e começar a sentir os sintomas mais graves, como vômito, diarreia e baixa pressão arterial.

O sangramento extremo ocorre mais para o final da doença. As pessoas que morrem de infecção do Ebola costumam ter falência múltipla de órgãos e choque.

“O choque é do sangramento – você está sangrando em diversas partes do corpo, e o sangue vaza das veias”, explica Bhadelia. “Mesmo que [você não tenha] os sinais externos da hemorragia, você ainda está vazando sangue.”

COMO É QUE ALGUMAS PESSOAS SOBREVIVERAM À INFECÇÃO MORTAL?

Tem a ver basicamente com dois fatores. O primeiro é a saúde da pessoa, em geral – o sistema imunológico e sua capacidade de se recuperar de uma infecção viral.

O segundo é o tipo de exposição. A recuperação é mais provável se a exposição não foi severa – ou seja, talvez a pessoa tenha sido exposta a alguém que estivesse na fase inicial da doença, e a quantidade do vírus nos fluidos corporais ainda não fosse muito grande, disse Bhadelia.

Além disso, o que se sabe é que o Ebola exige um marcador conhecido na superfície das células humanas para poder penetrá-las.

Os pesquisadores descobriram em ambiente de laboratório que as células de algumas pessoas não têm esse marcador, ou eles sofreram algum tipo de mutação, o que impede a entrada do vírus nas células.

Mas as pesquisas com o Ebola ainda estão em sua infância, e o conhecimento a respeito do comportamento do vírus ainda está em evolução, disse Bhadelia.

Ainda assim, esse tipo de descoberta aponta o caminho para potenciais tratamentos. Agora, disse ela, existem pesquisas para desenvolver tratamentos que funcionem de vários jeitos diferentes.

Um deles é impedir a replicação do vírus dentro da célula. “Basicamente é uma interrupção completa, e o vírus não consegue copiar seu material genético indefinidamente para se reproduzir”, disse Bhadelia.

Outro jeito é ajudar o sistema imunológico a criar uma resposta efetiva ao Ebola usando versões atenuadas do vírus. Dessa maneira, “o corpo pode criar uma resposta efetiva para quando o vírus real aparecer”.

Uma terceira alternativa é criar anticorpos específicos contra o vírus, dando “um impulso externo ao sistema imunológico”, disse ela.

Via http://www.brasilpost.com.br

Ebola: Entenda o que é e como esse vírus mortal se espalha

As proporções do surto de ebola na África Ocidental têm chamado a atenção das autoridades e órgãos de saúde em todo o mundo. Segundo as últimas informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus já vitimou quase 900 pessoas em Serra Leoa, Guiné, Líbéria e Nigéria. Com as constantes notícias sobre o avanço da doença, muitas pessoas têm ficado com dúvidas e preocupadas sobre o assunto.

Portal EBC reuniu as principais perguntas sobre ebola para ajudar você a entender melhor o vírus. Confira:

1. O que é o ebola?

2. Onde a doença surgiu pela primeira vez?

3. Quais os principais sintomas do ebola?

4. Como o ebola é diagnosticado?

5. Quais as formas de transmissão do ebola? Pode-se contrair a doença a partir do contato com animais?

6. O ebola tem cura?

7. Se estiver em um avião e houver alguém com ebola, eu posso contrair a doença?

8. O que fazer em caso de suspeita de ebola?

9.  Existe risco do ebola chegar ao Brasil?

10.  Quando é decretado o fim de um surto de ebola?

1. O que é o ebola?

É uma doença altamente contagiosa causada por vírus do gênero Ebolavirus, que provoca uma febre hemorrágica. O ebola chega a matar de 60 a 90 por cento das pessoas infectadas.

2. Onde a doença surgiu pela primeira vez?

Não há dados concretos sobre onde a doença surgiu, mas ela foi identificada pela primeira vez em 1976, quando foram observados surtos simultâneos em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo, em uma região situada próximo do Rio Ebola.

Os cientistas identificaram cinco diferentes espécies de vírus: Bundibugyo ebolavirus (BDBV), Zaire ebolavirus (EBOV), Sudan ebolavirus (SUDV), Reston ebolavirus (RESTV) e Taï Forest ebolavirus (TAFV). Segundo dados da OMS, somente os três primeiros tipos de vírus têm sido associados à ocorrência de surtos de ebola na África. Apesar da espécie Reston Ebolavirus, encontrada na China e nas Filipinas, poder infectar humanos, nenhum caso da doença por este tipo de vírus foi registrada até o momento. Já a espécie Tai Forest está associada a casos da doença em animais, como chipanzés e gorilas.

3. Quais os principais sintomas do ebola?

Os principais sintomas da doença são: febre repentina, fraqueza, dor muscular, dores de cabeça e inflamação na garganta, seguidos de vômitos, diarreia, coceiras, deficiência nas funções hepáticas e renais. Alguns pacientes também podem apresentar erupções cutâneas, olhos avermelhados, soluços, dores no peito e dificuldade para respirar e engolir, além de sangramentos internos e externos.

As hemorragias são causadas por uma reação entre o vírus e as plaquetas presentes no sangue humano. Esta reação produz uma substância capaz de danificar as plaquetas e criar buracos nas paredes dos vasos capilares, que transportam o sangue. Como os níveis de glóbulos brancos e plaquetas são afetados pela doença, o organismo não consegue realizar o processo de coagulação do sangue e interromper os sangramentos.

Veja também no Portal EBC:

Ebola: conheça a doença e seus sintomas

Ministro da Saúde diz que brasileiros não devem temer vírus ebola

Ministério da Saúde descarta suspeita de ebola em Goiânia

Ebola já matou 887 pessoas em quatro países da África este ano

Nigéria registra segundo caso de ebola no país

4. Como o ebola é diagnosticado?

Os sintomas da infecção pelo Ebola costumam aparecer entre dois a 21 dias após a exposição ao vírus. Porém, como a maioria dos sinais se assemelham ao de viroses e outras doenças mais comuns, como a malária, seu diagnóstico na rede de atendimento básico de saúde é dificultado.

Ao suspeitar de ebola, o médico deve solicitar exames laboratoriais para comprovar a doença. O ebola só é confirmado após a realização de cinco diferentes testes, que incluem a análise de amostras de urina e saliva.

5. Quais as formas de transmissão do ebola? Pode-se contrair a doença a partir do contato com animais?

O Ebola pode ser contraído mediante o contato direto ou indireto com sangue, secreções e outros fluídos corporais contaminados tanto de humanos como de animais.

De acordo com a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras, em algumas áreas da África, a doença foi registrada por meio do contato com chimpanzés, gorilas, morcegos frutívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes na floresta tropical.

Também foram relatados casos de pessoas que contraíram a doença em enterros após terem tido contato direto com o falecido vitimado pelo Ebola.

A OMS alerta para o fato de que os homens podem transmitir o vírus por meio do seu sêmen por até sete semanas após terem se recuperado da doença.

6. O ebola tem cura?

Infelizmente ainda não há um medicamento específico ou vacina para cura ou prevenção contra o Ebola.

O tratamento padrão para a doença está focado em aliviar os sintomas do paciente, ou seja, em combater as hemorragias, a febre e demais manifestações provocadas pelo vírus.

Recentemente, virologistas americanos do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) anunciaram que estão trabalhando em uma vacina contra a doença. Os testes, segundo eles, foram bem-sucedidos com animais. Mas a vacina ainda não foi testada com seres humanos e o processo pode levar meses até terem um resultado conclusivo que possa conduzir à aprovação dos órgãos de saúde do país para sua produção e comercialização.

7. Se estiver em um avião e houver alguém com ebola, eu posso contrair a doença?

Se você estiver no mesmo voo que alguém doente, já que a doença não se propaga pelo ar, como a gripe, só terá risco de pegar a doença se tiver algum contato com o sangue ou com algum fluido ou secreção corporal do doente.

8. O que fazer em caso de suspeita de ebola?

Diante de qualquer suspeita de ocorrência de ebola, deve-se recorrer a qualquer hospital ou posto de atendimento de saúde. Assim que confirmada a doença, o paciente deve ser isolado e as autoridades de saúde pública do município notificadas.

9.  Existe risco do ebola chegar ao Brasil?

De acordo com o Ministério da Saúde, os brasileiros não devem temer o ebola. Isso porque a propagação da doença nos países do oeste da África teria sido facilitada pela precariedade dos serviços de saúde e das condições de vida de grande parte da população, além de alguns hábitos ligados à cultura dos países, como o que envolve o sepultamento das pessoas, inclusive os vitimados pela doença, dificultam a contenção do surto.

Além disso, o risco de transmissão global do vírus é muito baixo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Todavia, o ministério está tomando as providências de proteção cabíveis, inclusive reforçando a vigilância nas áreas de fronteira, portos e aeroportos, para que, caso chegue ao país qualquer pessoa com suspeita de contágio pelo vírus ebola ela possa receber os cuidados adequados em área isolada, evitando, assim, o risco de propagação da doença.

10.  Quando é decretado o fim de um surto de ebola?

O fim de um surto de ebola apenas é declarado oficialmente após o término de 42 dias sem nenhum novo caso confirmado, segundo as orientações da OMS.

Confira na tabela abaixo  o número de casos registrados de ebola, segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde:

País Total de casos Casos confirmados Casos prováveis Casos suspeitos Mortes
Guiné 485 340 133 12  358
Libéria 468 129 234 105 255
Nigéria* 04 02 1 1 2
Serra Leoa  646  540 46 60  273

 

* Dados conforme o relatório sobre a situação do surto de ebola da Organização Mundial de Saúde da última sexta-feira, dia 1º de agosto. Nesta segunda-feira (04), o governo da Nigéria anunciou o segundo caso confirmado da doença. A vítima, um médico, faleceu após ter participado do tratamento de um paciente liberiano que havia chegado doente ao país e acabou morrendo pouco depois na ala de quarentena do hospital.

** Com informações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde 

 

(Portal EBC)

Uma aspirina por dia pode prevenir câncer, diz estudo

O coordenador do novo estudo diz tomar um comprimido diário há 4 anos

Tomar uma aspirina diariamente ao longo de uma década poderia reduzir as possibilidades do individuo contrair câncer de estômago e intestino ou de morrer por causa dessas doenças, de acordo com um estudo divulgado pela revista médica “Annals Of Oncology”.

A pesquisa, desenvolvida por especialistas da Universidade Queen Mary, de Londres, assinala que se todas as pessoas acima dos 50 anos no Reino Unido tomassem esse remédio ao longo de dez anos, 122 mil mortes pelos tipos de câncer citados poderiam ser evitadas ao longo de duas décadas.

No entanto, os cientistas alertam que o uso diário da aspirina também poderia causar efeitos secundários, como úlceras, e, por isso, recomendam sempre a consulta médica.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram cerca de 200 estudos que averiguavam os benefícios e prejuízos de consumir aspirina – um tema de contínuo debate médico. Esses analistas descobriram que o remédio reduz entre 30% e 40% o número de casos e de mortes por câncer de intestino, estômago e esôfago.

Por outro lado, os cientistas não alcançaram evidências tão sólidas que pudessem corroborar a tese de que a aspirina também diminui mortes por câncer de mama, próstata e pulmão.

Em suas investigações, os pesquisadores descobriram que as pessoas deviam tomar a aspirina durante pelo menos um período de cinco anos para alcançarem resultados.

O responsável pelo estudo, Jack Cuzick, orientou todas as pessoas acima de 50 anos a considerar a possibilidade de tomar uma pequena dose (de 75 miligramas) de aspirina diária durante uma década. “Apesar de haver alguns efeitos secundários graves que não podem ser ignorados, tomar aspirina diariamente parece ser o mais importante que podemos fazer para reduzir o risco de câncer além de deixar de fumar e reduzir a obesidade“, assinalou Cuzick, que disse tomar aspirina há quatro anos.

Em declarações à emissora “BBC”, Julie Sharp, da organização Cancer Research UK, opinou que, apesar da aspirina ser promissória na prevenção de certos tipos de câncer, “é vital equilibrá-la com as complicações que a mesma pode causar”.

Via http://revistagalileu.globo.com

Chineses foram os mais barrados no Ceará em 2014

Os chineses foram os estrangeiros mais barrados no Ceará até junho deste ano, tentando entrar no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça e do Departamento de Polícia Federal (DPF). Foram 67 impedimentos desta nacionalidade e todos desembarcaram no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, trazem materiais para as obras da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Os impedimentos ocorreram porque a China não tem acordo com o Brasil para a entrada de marinheiros chineses, que devem permanecer a bordo do navio.

Os dados, conseguidos por meio da Lei Geral de Acesso à Informação (nº 12.527/11), mostram que viajantes de Mianmar foram os segundos mais impedidos de entrar no País (26), pelo Porto do Mucuripe, e os de Guiné-Bissau os terceiros (21), pelo Aeroporto Internacional Pinto Martins.

Com 96 registros, o Porto do Pecém lidera o local onde mais se barra outras nacionalidades. Seguido pelo Aeroporto, com 45, e pelo Porto do Mucuripe, com 33.

Dentre os principais motivos para que os estrangeiros sejam impedidos de entrar, os mais comuns são: falta de visto, falta de condições financeiras para se manterem no País e prazo de permanência ultrapassado, dentro daquele ano civil, conforme informou Alexsandra Reis, chefe da Unidade de Imigração da Polícia Federal no Ceará.

Em relação aos impedimentos nos portos, há tripulações de embarcações estrangeiras que são barradas porque o país de origem deles não é signatário da Convenção 108 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ou seja, não possuem permissão para desembarcar no Brasil. Neste caso, Alexsandra esclarece que o navio recebe passe de entrada no porto para descarregar a mercadoria, porém os tripulantes são impedidos de desembarcar.

Francisco Antônio Cardoso, chefe do Núcleo Especial de Polícia Marítima do Estado do Ceará (Nepom-CE), explica que o chinês exige visto de brasileiro e vice-versa. “Os chineses têm permissão para permanecerem apenas no navio – que chega a ficar atracado até por um mês – porque o equipamento é considerado solo chinês. “Se tentarem entrar no Brasil, a multa é de R$ 875 para a empresa do navio”.

Os nacionais de Mianmar também são impedidos de entrar no Brasil por não fazerem parte da Convenção 108 da OIT. “A maioria dos navios cargueiros que desembarcam no Porto do Mucuripe trazem ucranianos e filipinos, mas eles fazem parte do acordo”, disse Washington Carvalho, agente federal do Nepom-CE.

Por via marítima, somente de 2010 a junho de 2014 foram 1.222 impedimentos, o que representa 77,3%, conforme os dados da Polícia Federal ao longo destes anos.

Aeroporto

Já pelo Aeroporto Pinto Martins, também de 2010 a junho deste ano, 358 estrangeiros foram barrados de entrar no Brasil. E nos meses de janeiro a junho de 2014, o órgão contabilizou 176 irregularidades. Sendo 127, apenas no mês de junho.

Alexsandra explica que os guineenses foram os mais barrados no aeroporto este ano, porque, em sua maioria, não conseguiram comprovar o real motivo por estarem entrando no País.

A Polícia Federal esclarece que quando um estrangeiro tem a entrada impedida no Brasil, o órgão lavra um documento no qual é mencionada a razão do ocorrido, sendo esta medida prevista no Estatuto do Estrangeiro em seus artigos 7º e 26º. “A empresa transportadora responde pelas despesas decorrentes de sua repatriação”, informou o órgão.

SERVIÇO

 

Confira o que versa a lei nº6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro):

http://bit.ly/Uodnvi

(O Povo)

 

Universidade russa abre 20 vagas para estudantes do Nordeste

Após a reunião dos BRICS em Fortaleza, o intercâmbio entre os países pertencentes ao bloco foi reforçado, inclusive no segmento de educação. A Universidade Estatal de Moscou (MSU), na Rússia, abriu o processo de inscrição, por meio da Aliança Russa, para a seleção de 20 estudantes brasileiros que desejam cursar a faculdade fora do país. As vagas são para graduação e pós-graduação e as inscrições vão até 8 de agosto.

Os interessados em iniciar a graduação poderão escolher um dos 128 cursos disponíveis nas 39 faculdades da MSU, enquanto alunos de pós-graduação terão a possibilidade de especializar-se em 18 ramos de ciências e humanidades, em 168 áreas diferentes. Em seus mais de 250 anos de história, a Universidade teve 11 ganhadores do Prêmio Nobel, entre professores e alunos.

Inscrições 

O candidato interessado em estudar na Universidade Estatal de Moscou passa por um processo seletivo avaliado pela MSU e administrado pela Aliança Russa, que inclui reunião com os pais, análise de histórico escolar e currículo, tudo para garantir que o aluno se encaixe no perfil da faculdade.

Apesar de ter aulas ministradas em russo, o aluno que não tem conhecimento do idioma não deve se preocupar, já que a Aliança Russa oferece a opção do estudante frequentar aFaculdade Preparatória por nove meses antes do período letivo. Lá, eles aprendem os termos técnicos necessários para o aprendizado, além de um curso completo da língua.

O investimento anual fica entre R$ 7.000 e R$ 12.000 e inclui também direito a seguro médico, tutoria acadêmica e moradia universitária. O embarque acontece em duas etapas: setembro de 2014 e fevereiro de 2015.

Os interessados devem se inscrever pelo site ou pelo telefone (11) 4551-3836.

(Diário do Nordeste)

Pouca Palestina resta, pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa

Por Eduardo Galeano – de Montevidéu

As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria e as suas terras. Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido tinha ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já poucaPalestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.

Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros.

Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar Irlanda para liquidar a IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência ‘manda chuva’ que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.

Eduardo Galeano, é escritor e jornalista uruguaio.