Na reta final para as eleições de 2010, o clima tenso e o denuncismo começaram a pesar na campanha, como tradicionalmente acontece. O escândalo da vez culminou com a queda, ontem, da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, após denúncias de que seu filho participaria de um esquema de lobby para viabilizar negócios do setor privado com o Governo Federal. 

O caso levanta a discussão sobre o que os episódios que antecedem as disputas eleitorais representam e como podem influenciar no pleito. O professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, atrela o escândalo da ministra à grande vantagem que a presidenciável Dilma Rousseff (PT) abriu sobre o candidato José Serra (PSDB). “Chamo isso de desespero porque a Dilma tem quase o dobro na preferência do eleitorado”, afirmou. 

Mesmo com o “caso” da quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do tucano, a oposição não conseguiu reverter o quadro desfavorável no cenário nacional, segundo o professor. Para ele, 80% da população sequer tomou conhecimento do fato e somente 12% “entendem mais ou menos o que está se passando”. “Isso não é um fato concreto, palpável. O PSDB ainda não conseguiu encontrar nenhum escândalo que tivesse efeito político realmente”, explica. 

Ética
Já o professor das universidades Federal e Estadual do Ceará (UFC), Josênio Parente, prefere analisar a recorrência dos escândalos sob o ponto de vista da ética. Conforme o professor, a eleição é um jogo e, como em qualquer competição, quando as estratégias não funcionam, o jeito é apelar pra questão da ética. 

Parente detalha que a ética cristão, aquela que trata as pessoas como “santas”, está se perdendo no Brasil e vem dando espaço à ética liberal, “contaminada” pelas novas relações de interesse. Para ele, a política moderna deixa de ser a busca de um bem comum e a passa a representar uma correlação de forças por conta dos interesses sociais e individuais.

(O Povo Online)