BANCO DE DADOS/O POVO

Bandeiras, fantasias, música, cores e muito brilho marcou a 15ª edição da Parada pela Diversidade Sexual, que aconteceu na noite de ontem, na Avenida Beira Mar de Fortaleza, tradicional local de realização do movimento. Cerca de 800 mil pessoas estiveram presentes na grande festa.

Com o tema “Chega de Impunidade! É hora de tornar crime a homofobia, transfobia e lesbofobia”, o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), alerta para a necessidade da aprovação de uma lei, no Congresso Nacional que criminalize a homofobia e coíba agressões e violações de direitos humanos que afetam, diariamente, a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).  A parada faz alusão ao Dia Mundial do Orgulho Gay e LGBT.

“Este é um momento de visibilidade massiva dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. É o dia que falamos para as multidões a questão dos direitos, é o dia de encher a avenida com as cores da alegria para dizer chega à impunidade, às agressões negativas e à violência institucional”, afirmou o presidente do Grab, Francisco Pedrosa.

Sobre a lei que criminaliza a homofobia, Pedrosa diz que o Brasil deve tomar como exemplo os países vizinhos. “Países vizinhos como Argentina e Uruguai já têm a lei anti-homofobia. Esperamos esta aprovação há 13 anos”, disse acrescentando, que em 2006, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei que criminaliza a homofobia. Atualmente, a proposta está no Senado (PLC 122/060), onde tramita em conjunto com a Reforma do Código Penal (PLS 236/12). “A exemplo da Lei Maria da Penha, que coíbe a violência contra a mulher, queremos que a lei seja aprovada pelo Congresso Nacional”, informou.

De acordo com a presidente da Associação das Travestis e Transexuais do Ceará (Atrac), Tina Rodrigues, a parada pela diversidade sexual de Fortaleza é a 3ª maior do Brasil. “É importante que, a cada dia que passa, as pessoas vão tomando mais consciência da importância do respeito com  a população LGBT. Queremos ser inseridos no trabalho, na moradia, na sociedade com a nossa identidade de gênero preservada”, desabafou.

A festa contou com oito trios elétricos. Um da Prefeitura de Fortaleza, outro do Governo do Estado, outro do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab) e de associações da sociedade civil e boates.

Violência

Ainda segundo o presidente do Grab, pessoas LGBT são, hoje, um dos principais alvos de assassinatos no País, motivados pela orientação sexual. “O Brasil é campeão de assassinatos homofóbicos. São crimes de ódio. A cada 28 horas, uma lésbica, um gay ou travesti ou transexual é assassinado no Brasil por conta de crime de ódio. No Ceará, esses crimes, infelizmente, se renovam. A cada mês, é um assassinato. Consideramos um número expressivo. O Ceará é o 8º estado em assassinatos. Segundo Francisco Pedrosa, as agressões são mais comuns em órgãos públicos e na rua.

 

Diversidade

Pessoas de várias idades se divertiram na 15ª Parada pela Diversidade. A concentração teve início às 13 horas, e a animação continuou até as 22 horas, no Aterro da Praia de Iracema. O funcionário público Carlos Farias e a esposa Nívea Sampaio, por exemplo, levaram o filho José Davi, de 9 anos, para assistir a parada. Segundo eles, é importante despertar desde cedo o respeito ao próximo, independentemente das escolhas sexuais. “É divertido, e estamos achando bastante seguro. Com certeza, viremos nas próximas edições”, complementou Nívea. Para o presidente Pedrosa, “a participação das pessoas na parada é o retrato da consciência de dizer não à homofobia. É importante as famílias, sejam em qual configurações elas se apresentem, estarem presentes e mostrarem a vontade de ter uma sociedade mais inclusiva e com respeito aos direitos humanos”, contou.

Já Eduardo Noronha, turista do Rio Grande do Norte, diz que, todos os anos visita Fortaleza para participar da parada gay. “É um momento de alegria em que aproveito para rever os amigos e lutar pelo amor independente da opção sexual”.

As amigas Danúbia Reis, Camila Félix e Ana Caroline também estiveram n festa. “Sempre participamos da parada. Considero como importante a nossa participação já que o evento acaba sendo uma união de vozes na luta pelos direitos igualitários”, afirmou Caroline. Já Danúbia, que é de Goiânia, aproveitou para conhecer a parada pela primeira vez. “Na minha cidade não tem a parada pela diversidade, e gostei muito da de Fortaleza, pois é muito animada”, disse.

Comércio

O dia de ontem também foi bem proveitoso para os vendedores ambulantes. Arnaldo Silva, por exemplo, nas primeiras horas do evento já tinha vendido 50 leques. “É a primeira vez que venho vender na Beira Mar. Meu ponto é na Praça do Ferreira, mas me surpreendi com as vendas hoje”, disse.

Já o ambulante Gean Francisco, 37 anos, montou sua barraca de bebidas no calçadão da avenida no início da tarde. Segundo ele, o que mais vendeu foi cerveja. “Aqui vendo água, refrigerante e bebidas alcoólicas. Cerveja é o que mais vende. Já vendi mais de cem latinhas só nas duas primeiras horas de parada”, contou.

Mudança na data

A Parada pela Diversidade acontece, comumente, no mês de junho, em alusão ao Dia Municipal do Orgulho Homossexual. No entanto, este ano foi adiado para o mês de novembro. De acordo com o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), a alteração no calendário aconteceu devido à realização da Copa do Mundo, da campanha eleitoral em outubro e da realização do Enem. “Por estes motivos, tivemos que decidir, neste ano atípico, em caráter excepcional, por realizar a 15ª Parada no terceiro domingo do mês de novembro”. A data consta no calendário oficial do Município de Fortaleza (lei nº 8626/2002) e do estado do Ceará (lei nº 13644/2005). Além de Fortaleza, o evento também aconteceu nas cidades do Rio de Janeiro e Curitiba.

Trânsito

De acordo com o gerente de operações da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC), Disraeli Brasil, 70 agentes de trânsito atuaram durante o evento. A operação teve início na madrugada de ontem.  Os desvios ocorreram pela Rua Osvaldo Cruz, com bloqueio das ruas entre o clube Náutico ao Aterro da Praia de Iracema. O chefe de planejamento da Etufor, Miguel Guimarães, informou que mais 35 ônibus reservas saíram dos sete terminais de Fortaleza até o local do evento. Em frente ao Náutico, um posto fixo do Corpo de Bombeiros, do Samu e da Polícia Militar ficaram de plantão.

CAMILA VASCONCELOS

camila@oestadoce.com.br

(O Estado)

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