Sobre a matéria “BRT. Até 100 árvores devem ser retiradas da Bezerra de Menezes”, do repórter Rômulo Costa (Editoria Cotidiano, página 2), na edição de sexta-feira passada, 16, do O POVO, uma operação executada precedentemente nas avenidas Santos Dumont e Dom Luís repete-se agora na Zona Oeste de Fortaleza. Entretanto, como avenida mais larga que as outras duas, a Bezerra de Menezes pode sofrer consequências maiores com a desarborização, incluindo aumento da temperatura local, agravada pela pavimentação asfáltica.

A meta é a implantação no canteiro central da via do Bus Rapid Transit (BRT), corredor exclusivo para os ônibus. A Prefeitura de Fortaleza promete substituir cada espécime retirado na avenida por três outros. Entretanto, desde a maior reforma na qual a via foi submetida, em 1965, as características originais foram modificadas. A Bezerra de Menezes teve o alargamento sugerido no começo do século XX pela família Albano moradora da zona, que argumentou na proposta os bulevares de Paris, para onde viajava. A reformulação de 49 anos atrás conectou diretamente a via à avenida Mister Hull, cabeceira das estradas federais BR 222 e 020.

Entretanto, a Bezerra de Menezes ficou crescentemente movimentada sobre rodas. Com o BRT, a avenida, já saturada, pode sofrer os efeitos negativos verificados na avenida Engenheiro Santana Júnior, uma síntese de corredor urbano, via expressa e rodovia. Uma recuperação da Bezerra de Menezes removida em 1965 é impossível, principalmente por ser fundamental nos transportes urbano, intermunicipal e interestadual sobre pneus. Mais preocupante, contudo, está na desumanização.

A Bezerra de Menezes já teve uma época em que as famílias eram mais comunitárias, havendo maior integração. Do que resta delas poderia fornecer sugestões à Prefeitura de Fortaleza para que as novas implantações evitassem sequelas nefastas. Inclusive, os empresários instalados no corredor deveriam participar da iniciativa antes que seja tarde. 

(Editorial, O Povo)