Quem-é-quem-de-Guerra-dos-Sexos

Clássico do horário das sete, “Guerra dos Sexos” (escrita nos anos 80 por Silvio de Abreu, com a colaboração de Carlos Lombardi, e dirigida por Jorge Fernando) teve o último capítulo de seu remake exibido nesta sexta (26.04) na tela da Globo. Ao contrário da trama original, desta vez, a história não vingou. Na reta final, ficou mais harmoniosa, apesar de uma gafe (citarem a Marginal Tietê e mostrarem a do rio Pinheiros) numa cena de Veruska (Mayana Moura).

Embora não tenha conseguido ao longo de sua exibição emplacar os 30 pontos de audiência (na Grande São Paulo) esperados para o horário, é complicado descrevê-la como um fracasso retumbante, como a superprodução “As Filhas da Mãe”, que Silvio escreveu e o mesmo Jorge Fernando dirigiu em 2001/02. Porém, está aí uma novela que não repercutiu, não gerava comentários.

Há vários palpites para a trajetória morna dessa nova versão. A começar pelo fato de que falar sobre os conflitos entre homens e mulheres em 1983/84 era uma coisa. Tocar no assunto na virada 2012/13, diante do novo status da mulher na sociedade, é outra. Antes o autor tivesse optado por “Cambalacho” (1986), com um tema sempre atual.

Silvio de Abreu (que repetiu a parceria com Jorge Fernando, mas contou com a colaboração de texto de Daniel Ortiz) pode ter pecado em tentar ser extremamente fiel ao original, sem as devidas atualizações (alguns desfechos diferentes apenas). Talvez, se outro autor tivesse conduzido o remake, algo completamente novo saltasse aos olhos, a partir do fio condutor.

Quando o próprio criador reedita uma história a chance de achar tudo importante e ter dificuldades para os devidos cortes e a reciclagem da história é grande. Um outro olhar, muitas vezes, consegue captar o necessário. Ivani Ribeiro era das poucas novelistas que sabiam como fazer isso muito bem – vide “Mulheres de Areia” e “A Viagem”, ambas com remakes exitosos.

O elenco, muito irregular (apesar dos bons nomes, talvez nos lugares errados), foi outro complicador. A maioria dos atores ficou à sombra dos que defenderam os personagens originalmente (quem acompanhou a primeira versão sabe bem disso).Alguns, como Edson Celulari (Felipe, papel que foi de Tarcísio Meira), estavam extremamente caricatos de início e demoraram para se encontrar em cena.

Mariana Ximenes (Juliana) parecia um tanto apagada. E Reynaldo Gianecchini (Nando) funcionou melhor com Glória Pires (Roberta). Glória, aliás, foi dos poucos destaques, assim como Drica Moraes (Nieta). Giane, no começo, lembrava o Pachoal, de “Belíssima” (2005/06). Aos poucos, também conseguiu compor melhor o personagem e terminou bem. Já Bianca Bindefendeu como pode o papel da vilãzinha Carolina (Lucélia Santos na primeira versão), no entanto, sem muita força.

Luana Piovani (Vânia) e Mariana Armelinni (Frô) foram outras que tiveram bons momentos. Bom lembrar que a Afrodite dos anos 80 – Cristina Pereira – roubou a cena, pois contava com a parceria afinada de Diogo Vilela, vivendo Kiko (depois eles repetiram a dobradinha em “Sassaricando”, 1987/88, confirmando a cumplicidade). Johnny Massaro (o Kiko versão 2000) ficou devendo, e muito.

Mas o problema maior talvez tenha sido a dupla central. Tudo bem que Irene Ravache se destacou em Passione (2010/11), do mesmo Silvio de Abreu, que quis recompensá-la. Só que o papel de Charlô, ficou evidente, não era pra ela. Mesmo ao lado de Tony Ramos (Otávio), não conseguiu chegar ao grau de comicidade que Fernanda Montenegro teve com Paulo Autran. Por mérito, os dois continuarão sendo os símbolos de novela que marcou época.

(Gustavo Baena, Sob Controle)

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