A polêmica envolvendo acusações de homofobia e racismo contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) está longe do fim. A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ALGBT) declarou ontem que iria entrar com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o político. Movimentos sociais de São Paulo convocam a população para o ato Fora Bolsonaro, amanhã, às 12h, na Avenida Paulista, em que exigem a cassação do deputado.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadith Damous, já encaminhou ao corregedor-geral da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar.

Quem também prometeu entrar na justiça contra o deputado foi a cantora Preta Gil, acusando-o de racismo. Preta participava junto com Bolsonaro do quadro O povo quer saber, do programa de televisão CQC, da TV Bandeirantes, na segunda-feira, quando o deputado declarou sentir saudade do regime militar e  que “daria uma porrada” no filho, caso fosse usuário de maconha.

O estopim para a polêmica foi quando Preta Gil perguntou como agiria se o filho se apaixonasse por uma negra. “Isso nem passa pela minha cabeça. Eles tiveram uma boa educação, com um pai presente. Então, nem corro esse risco”, afirmou. Diante das reações, Jair Bolsonaro garante ter entendido que a pergunta se referia ao fato de o filho ser gay.

O site de Preta Gil ficou fora do ar na quinta-feira, após ser invadido por hacker que se dizia simpatizante de Bolsonaro. Quem tentava acessar o endereço lia a mensagem “Abaixo a lei contra a homofobia”. A cantora afirmou que vai entrar com denúncia na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática contra o hacker.

Jair Bolsonaro divulgou nota de esclarecimento em seu site. “Reitero que não sou apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja motivo de orgulho. Entretanto, não sou homofóbico e respeito as posições de cada um; com relação ao racismo, meus inúmeros amigos e funcionários afrodescendentes podem responder por mim”, escreveu.

Twitter– Na internet, são inúmeras as críticas ao deputado, inclusive de celebridades, como a própria Preta Gil e o apresentador Luciano Huck. Marcelo Tas, apresentador do CQC, republicou a seguinte mensagem: “Bolsonaro admite ser homofóbico,mas nega ser racista,pois racismo no Brasil é crime,homofobia não.Quem está enojado como eu,levanta a mão!“.

(Diário de Pernambuco)