Locais de crimes, “territórios da morte”. Na Capital cearense e sua Região Metropolitana, pelos menos dez comunidades sofrem com a escalada da violência. Nesses bairros e distritos, tornaram-se comum cenas de assassinatos, tiroteios e pessoas feridas por balas perdidas.

O Diário do Nordeste mapeou, com exclusividade, os” territórios da morte”, baseado em sua estatística própria acerca dos homicídios. De janeiro até o dia 30 de setembro, nada menos que 1.028 pessoas foram executadas na Grande Fortaleza. Nessa estatística, estão reunidos dados que tornam irrefutáveis os números dos assassinatos, tais como local, dia e hora do crime, identidade da vítima e a arma utilizada na execução.

O levantamento comprovou que, pela ordem, os bairros ou distritos com maiores índices de assassinatos, nos noves meses de 2009 (janeiro a setembro) são: Bom Jardim (com 34 assassinatos), Pajuçara, em Maracanaú (31), São Miguel (28), Conjunto Palmeiras (28), Messejana (22), Planalto Ayrton Senna, o antigo “Pantanal” do José Walter (19), Jangurussu (17), Praia do Futuro (10), Conjunto Rosalina (9) e Conjunto São Cristóvão (07). Grande parte desses assassinatos não foi ainda esclarecida pela Polícia Civil, por tratar-se de “acertos de contas” entre traficantes e usuários de drogas, além, de vingança.

Homicídios

“Ali é lugar de matar gente”, dispara uma moradora do bairro Bom Jardim, apontando para o local onde mais uma pessoa foi assassinada no último fim de semana. A vítima era mais um jovem envolvido com drogas.

Em recentes entrevistas à Imprensa local, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, delegado federal aposentado, Roberto das Chagas Monteiro, demonstrou o sentimento de impotência das autoridades do setor em relação ao crescimento vertiginoso dos casos de assassinatos no Ceará, especialmente, na Grande Fortaleza.

“As execuções estão virando uma pandemia entre nós”, declarou Monteiro no dia em que era inaugurado o Quartel do Batalhão de Policiamento Comunitário (o Ronda do Quarteirão), em Fortaleza.

Entre os “territórios da morte”, o Bom Jardim se destaca não apenas por apresentar o maior número de casos de homicídios, mas também porque as autoridades responsáveis pela investigação dos delitos não conseguem chegar aos criminosos. Os inquéritos ali se acumulam, diante da falta de estrutura da delegacia – 32º DP. Faltam inspetores para realizar a apuração dos assassinatos.

No distrito da Pajuçara, em Maracanaú, os assassinatos estão ligados à vingança e pela disputa de comando no tráfico de drogas, situação que é semelhante à realidade de outras comunidades periféricas de Fortaleza, como o Conjunto Rosalina, o São Miguel (em Messejana) e o Conjunto Palmeiras.

Já no Jangurussu, uma característica peculiar domina os registros de assassinatos. A maioria dos crimes ali ocorre em forma de “desova”, isto é, as vítimas são executadas em outro lugar e os corpos deixados pelos matadores naquela comunidade, muitas sem nenhuma identificação.

Fonte: Tv Canal 13