Chegar na terceira idade é atingir uma nova etapa da vida, assim como acontece quando passamos da infância para a adolescência. Superar a casa dos 60 não quer dizer que sejamos mais (ou menos) adultos. Apenas recebemos uma nova nomenclatura. O problema é que junto com ela surgem alguns tabus, como se uma redoma de vidro fosse criada em torno de determinados temas do novo cotidiano. O sexo é um dos principais.

Na cabeça de muitos a libido, a vontade e o desejo são neutralizados com o passar dos anos. É clássico dizer: “Meus pais não fazem sexo” ou “Meus avós nem sabem o que é isso”. Mas eles fazem e sabem sim. “Quando falamos em idade para fazer sexo temos a tendência de colocar limites. Claro que o início da atividade sexual deve estar relacionado com as características físicas e condições psicológicas. Porém, a idade limite não permite limites, nem mesmo físicos”, frisa o ginecologista e professor da disciplina de ginecologia do curso de Medicina da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Leandro Assmann. “Fazer sexo não determina limites e regras. Depende de cada casal.”

Hoje, a expectativa de vida vem aumentando gradativamente e as oportunidades sociais para as pessoas com mais de 50 ou 60 anos também tiveram um crescimento. Junto a isso, surgiram medicamentos que resolvem a impotência masculina e a falta de libido das mulheres, sintomas responsáveis por atrapalhar a vida sexual de alguns casais. “Com tudo isso a atividade sexual deixou de ter limites relacionados ao aspecto físico que a idade avançada proporcionava. Claro que existem também os fatores culturais e psicológicos que, felizmente, vêm sendo tratados mais abertamente, facilitando o acesso a informações.”

Dados do Ministério da Saúde revelam que o sexo está, sim, presente na vida das pessoas consideradas mais velhas. Segundo um levantamento do órgão, 73,1% das pessoas acima de 50 anos afirmam que fizeram sexo ao longo de 2008. Isso se confirma também nos consultórios médicos, já que é grande a quantidade de pacientes nesta faixa etária que busca informações sobre relações sexuais. “Isso vale para mulheres viúvas, separadas mas, principalmente, para as casadas há muito tempo e que tentam resgatar sua atividade sexual.”

Fonte: http://www.gazetadosul.com.br/