Bancários de todo o País prometem paralisar as atividades a partir de hoje devido à “falha” na negociação de reajuste salarial e em outras reivindicações com as instituições financeiras. Os sindicatos de São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Fortaleza(CE) e Rio (RJ) já confirmaram a adesão à paralisação por tempo indeterminado. A greve deve atingir também bancários de instituições públicas.

“Começará nos principais corredores e (a greve) vai crescendo. Depois vamos atingindo, ampliando o número de agências e pegando concentrações bancárias”, afirmou a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira. A expectativa da entidade é que haja adesão de, ao menos, 42 mil na cidade de São Paulo e na região metropolitana, como foi registrado no ano passado.

São cerca de 500 mil bancários em todo o Brasil, sendo 138 mil na base de São Paulo e região metropolitana. No ano passado, a greve da categoria durou 21 dias. De acordo com Almir Aguiar, presidente do Sindicato dos Bancários da Cidade do Rio, a intenção por parte dos funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal leva a crer que a paralisação venha a ser maior que a do ano passado, quando cerca de 45% das agências de todo o Brasil ficaram fechadas. Só no Rio de Janeiro são 16 mil bancários que podem entrar em greve já a partir de hoje.

O atendimento por meio dos caixas eletrônicos deverá ser mantido, mas o atendimento ao público será cortado. “Tivemos um longo processo de negociação. Foram nove rodadas no total, onde discutimos toda pauta”, disse Juvandia. O sindicato afirma que a negociação foi iniciada em 1º de agosto, com 45 mil bancários ouvidos e que não houve resposta das instituições. “Os bancos não chamaram negociação alguma e não deram sinal disso esta semana. Demos um prazo longo para eles terem tempo de rediscutir e apresentar uma nova proposta, mas isso não aconteceu.”

Para o Sindicato dos Bancários de BH e Região Metropolitana, a paralisação é necessária para conseguir mais conquistas para a categoria. “O histórico mostra que somente com nossas campanhas conseguimos aumentos reais de salário e outros importantes avanços nos últimos oito anos. Mais uma vez vamos intensificar a mobilização para conseguirmos uma proposta digna dos banqueiros”, afirmou a presidente do sindicato, Eliana Brasil.

Os bancários pedem, além da proposta de aumento, melhorias na segurança e no atendimento à população. “Só ano passado, 49 pessoas foram mortas em ataques a banco e esse número pode ser maior esse ano. Estamos apresentando um plano também aos banqueiros para que melhorem as condições de segurança para que os assaltos às agências e crimes como a saidinha de banco possam diminuir”, afirmou Aguiar. “Queremos também que se instalem biombos para dificultar a visualização de quem está sendo atendido. São medidas que valem mais que proibir o uso de celulares”, afirmou o sindicalista.

Em São Paulo, o sindicato promete ainda para esta quinta-feira (20), um ato conjunto das categorias na avenida Paulista, às 10h, em frente ao Bradesco, na altura do Trianon.

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) – braço sindical da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) – informou que lamenta a greve e que confia no diálogo para a construção da convenção coletiva da categoria. “Greve é ruim para todo mundo: é ruim para o bancário, é ruim para o banco, é ruim para a população, que já foi muito incomodada pela onda de greves dos funcionários públicos e não merece ser mais incomodada com uma paralisação dos bancários”, afirmou em nota o diretor de Relações do Trabalho da federação, Magnus Ribas Apostólico.

Pagamento de contas

Em virtude da greve, o consumidor não perde a obrigação de pagar contas, boletos ou qualquer tipo de cobrança. Segundo informou o Procon-SP, as empresas credoras devem oferecer outras formas e locais para que os pagamentos sejam efetuados.

A entidade recomenda ainda – para não haver cobrança de encargos adicionais e para evitar que o nome do usuário fique sujo – que o consumidor entre em contato com as empresas para pedir opções diferentes de formas de pagamento, como por internet, casas lotéricas, código de barras para pagamento nos caixas eletrônicos, entre outros. Além disso, a orientação é que sejam documentados esses pedidos.

A entidade também aconselha aos consumidores a não adquirir, sem conhecer os detalhes, pacotes de serviços oferecidos por bancos voltados a facilitar a quitação dos débitos durante a paralisação. Para a entidade, a greve é um risco previsto nas atividades de uma instituição financeira, “portanto, ela também é responsável por possíveis prejuízos causados ao consumidor com a paralisação”.

Ontem, em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), afirmou que a população tem à disposição canais para realizar as operações bancárias, como: caixas eletrônicos, internet banking, mobile banking (banco no celular), operações por telefone e correspondentes (como casas lotéricas, agências dos Correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados).

Negociações

A categoria quer reajuste salarial de 10,25%, com 5% de aumento real, e o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários mais R$ 4,961,25 fixos. Até agora, a proposta oferecida pela Federação Nacional do Bancos (Fenaban) foi de 6% de reajuste salarial.

A categoria também exige a criação de planos de cargos, carreiras e salários para todos os bancários; o pagamento de auxílio-educação (para graduação e pós-graduação); ampliação das contratações; combate às terceirizações; aprovação da convenção que inibe a dispensa imotivada; cumprimento da jornada de 6h; mais segurança nas agências bancárias – como instalação das portas de segurança -; previdência complementar para todos os trabalhadores; elevação para R$ 622 os valores do auxílio-refeição, da cesta-alimentação, do auxílio-creche/babá e da 13ª cesta-alimentação, entre outros.

A Fenaban afirma que aprofundou a discussão das cláusulas sociais e econômicas e que apresentou, em 28 de agosto, uma proposta que prevê reajuste salarial de 6%, correspondente à reposição da inflação e aumento real, “que corrigirá salários, pisos, benefícios e Participação nos Lucros e Resultados (PLR)”.

Pela proposta, diz a Fenaban, o piso salarial para bancários que exercem a função de caixa passaria para R$ 2.014,38 para jornada de seis horas. Entre outros benefícios, haveria reajuste do auxílio refeição, que subiria para R$ 20,97 por dia; da cesta alimentação para R$ 359,42 por mês, 13ª cesta no mesmo valor e auxílio creche mensal de R$ 301,94 por filho, até os seis anos.

Com a proposta, diz a Fenaban, na prática, o piso de R$ 2.014,38 significaria R$ 3,5 mil por mês, considerando benefícios diretos, sem incluir plano de saúde, vale-transporte ou PLR. A entidade patronal afirma ainda que a PLR pode ultrapassar a três salários.

Com informações da Agência Brasil

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