Dubai – Notícias vindas do mundo árabe derrubaram bolsas ao redor do mundo nos últimos dias, mas ao menos dessa vez não se pode apontar o dedo para a volatilidade dos preços do petróleo. Na verdade, o temor provocado pela expectativa de um calote bilionário por parte de Dubai, o mais famoso dos Emirados Árabes Unidos, está justamente ligado aos esforços das economias do Golfo para reduzir sua dependência do petróleo, mostra reportagem de Fernando Duarte, publicada neste domingo pelo Globo. No caso especifico de Dubai, entretanto, a experiência de diversificação está mostrando resultados muito mais assustadores que promissores.

Na semana passada, o conglomerado estatal Dubai World pediu a seus credores para adiar o pagamento de US$ 59 bilhões em dívidas da incorporadora Nakheel, da qual detém o controle, abalando os mercados financeiros em todo o mundo. Reflexo da crise global, que derrubou em 50% os preços dos imóveis em Dubai.

Ao contrário de Abu Dhabi, o vizinho que hoje controla 90% das reservas petrolíferas dos Emirados Árabes Unidos (a quinta maior do mundo), Dubai precisou muito mais cedo se preocupar com a era pós-óleo: sua produção caiu vertiginosamente desde as descobertas dos anos 60 e hoje o petróleo e gás natural respondem por menos de 6% da arrecadação.

A solução foi um investimento maciço no setor de serviços financeiros e de turismo, para aproveitar as vantagens geográficas de se estar no meio do caminho entre Ásia e Europa.A partir dos anos 90, o emirado passou por um boom de construções e investimentos, que incluíram prédios nababescos, gigantescas ilhas artificiais, um shopping center com estação de esqui, e o maior aeroporto do mundo, além do prédio mais alto do planeta.

(O Globo Online)

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