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Política, Saúde e Comportamento

Caixa 2: Divulgação de grampos expõe Rosalba Ciarlini e José Agripino Maia

GRAVAÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO REVELAM COMO FUNCIONAVA CAIXA 2 PARA ELEIÇÃO DE SENADORA PELO RN; ÁUDIOS COMPROMETEM A GOVERNADORA DO ESTADO, ROSALBA CIARLINI, E O SENADOR JOSÉ AGRIPINO, PRESIDENTE NACIONAL DO DEM; ASSISTA VÍDEOS

23 de Maio de 2012 

Claudio Julio Tognolli _247 - Um obscuro blog do Rio Grande do Norte está fazendo um barulhão: o jornalista Daniel Dantas divulgou, em seu blog homônimo, um acervo de interceptações telefônicas legais, geradas em 2006, um ano eleitoral – e que agora botaram em maus lençóis a atual governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Na época, ela era candidata ao Senado; e as gravações revelam a maquinaria financeira de como se faz uma senadora. Ou não.

São 42 as interceptações originárias de Galbi Saldanha. Ele aparece conversando com o marido da governadora Rosalba Ciarlini, Carlos Augusto, com o senador José Agripino Maia (DEM-RN) e com outros interlocutores, tratando de assuntos relacionados à movimentação financeira da campanha de Rosalba para o Senado em 2006. Na maioria das escutas, o “primeiro-damo” Carlos Augusto Rosado e o então assessor Galbi Saldanha tratam das negociações financeiras pesadérrimas.

Na gravação, o senador José Agripino Maia, presidente nacional do DEM, trata de pagamentos. O advogado Felipe Cortez, que defende a governadora Rosalba Ciarlini, diz que tudo é besteira: sustenta que a Procuradoria-Geral da República (PGR) promoveu o arquivamento do processo que tratava dos vídeos em 2009 por falta de indícios de crime. Na maioria deles, o “primeiro-damo” Carlos Augusto Rosado e o então assessor Galbi Saldanha tratam das negociações.

As conversas já ganharam repercussão nacional. Em seu blog, o jornalista Cláudio Humberto repercutiu nota de José Agripino negando qualquer irregularidade. O conteúdo das conversas chegou a ser encaminhado à Procuradoria Geral da República, que arquivou o material por falta de substância. As conversas, contudo, expõem as articulações de bastidores eleitorais.

- Galbi, é só para saber se já tinha… se já deu a parcela dele… é… – começa o senador José Agripino

- A do menino, né? – interpela Galbi Saldanha.

- Salatiel, isso – confirma Agripino.

- Ok. Eu falei com ele naquela mesma hora e tudo ok.

- Tá. Eu tava em Maceió, mas minha satisfação era ser cumprido logo aquilo que eu prometi.

O trecho acima é reprodução de uma conversar travada entre os interlocutores em 17 de setembro de 2006. No mesmo dia, Galbi Saldanha e Salatiel de Souza diálogo sobre apoios eleitorais:

- Eu tô ligando pra você… doutora Rosalba tem uma encomenda pra você. Aí essa encomenda vai ser venho pra ela via PFL, você tá me entendendo né? – Diz Galbi.

- Certo. – confirma Salatiel, ao que Galbi continua:

- Tarcisinho tá autorizado de passar pra você essa encomenda. Como já veio pra ela, ela quer passar via PFL pra você.

A negociação está chancelada no TSE, que registra ter o comitê do então PFL transferido R$ 60 mil para Salatiel de Sousa.

Em outro trecho, Carlos Augusto comenta que vai transferir R$ 100 mil para a conta de campanha de Betinho Rosado, mas o que dinheiro não pertecence a ele, mas que apenas passará na conta dele. “Esse dinheiro é de Rosalba”, destaca Carlos Augusto, que continua: “Quando entrar, a gente vê como volta para Rosalba”.

As interceptações ainda flagram citações envolvendo montantes ao presidente da AL, Ricardo Motta e à deputada Gesane Marinho, o presidente da Câmara de Vereadores, Edivan Martins, e o ex-vereador Renado Dantas.

O Democratas emitiu, sobre o assunto, a seguinte nota:

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE DOAÇÕES PARTIDÁRIAS DO PFL-RN EM 2006

O então PFL – RN fez nas eleições de 2006 doações oficiais a todos os seus candidatos a deputado, conforme atesta relação em anexo da prestação de contas já aprovada pelo TRE-RN.

Dessas doações partidárias fazem parte três parcelas de R$ 20 mil (comprovadas pela cópia de recibos oficiais em anexo) repassadas ao então candidato a deputado estadual Salatiel de Souza.
Atenciosamente

Ouça os grampos legais

As eleições de 2006, em seu primeiro turno, ocorreram em 01 de outubro. A partir daí, o grupo da campanha de Rosalba Ciarlini, liderado por Carlos Augusto Rosado, passa a se preocupar como pagar os débitos de compromissos assumidos.

O arquivo a seguir traz três interceptações diferentes, de ligações realizadas nos dias 09 e 10 de outubro. Na primeira dessas ligações, Galbi Saldanha conversa com um homem, identificado como Daniel, representante de Itamar Rocha. Daniel cobra uma posição. O pagamento do esquema a Itamar seria feito por meio de um contrato, que não tinha sido assinado. Como o contrato dizia respeito ao período eleitoral, haveria um problema.

“Não sei a forma como ele vai pagar, porque se era um contrato para pagar com cheque eu não posso pagar mais porque a eleição já passou”, diz Galbi na segunda ligação do pacote, em conversa com uma mulher no escritório do PFL.

Na última ligação, Galbi diz que Carlos Augusto orientou a rasgar o contrato. O atual primeiro-cavalheiro reconhece a dívida, mas vai pagar apenas quando puder.

Outras dívidas são relatadas. Para o fim do mês, por exemplo, segundo Galbi, já estavam previstos pagamentos em torno de R$ 60 mil e ele não sabe como serão feitos os pagamentos, com o fim da campanha.

Nas gravações aparecem indícios relativos à compra de apoio e Caixa 2.

Ouça:


Essa gravação é a mais explícita de todas. E envolve dois vereadores em Natal na época, que eram candidatos – Edvan Martins, atual presidente da Câmara, e Renato Dantas, condenado por vender seu voto na Operação Impacto:

Ouça aqui o grampo feito contra o senador José Agripino Maia:

Em mais três gravações, Carlos Augusto fala claramente sobre a compra do apoio de três deputados estaduais:

Pagamento a Renato Dantas e Edvan Martins correspondia à metade do combinado

Carlos Augusto explica a Galbi Saldanha mudança de planos para uso de dinheiro

“Hoje eu tenho um dinheirinho para mandar”, diz Carlos Augusto sobre Ricardo Motta e Gersane Marinho

E outros grampos cabeludos:

Mesmo recebendo R$ 20 mil por seu apoio, Salatiel de Souza ficou com Wilma

Galbi quer comprar votos para “pingar” alguns para Rosalba

Renato Dantas ou Renato Fernandes?

Em seu blog, @RenatoDantass nega ser beneficiário citado por Carlos Augusto

(BRASIL 247)

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