29 de Janeiro: Dia Nacional da Visibilidade Trans


ORIGEM: Em 29 de janeiro de 2004, ativistas transexuais participaram, no Congresso Nacional, do lançamento da primeira campanha contra a transfobia no país. A campanha “Travesti e Respeito”do Departamento DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, foi a primeira campanha nacional idealizada e pensada por ativistas transexuais para promoção do respeito e da cidadania. O Dia da Visibilidade Trans tem o objetivo de ressaltar a importância da diversidade e respeito para o Movimento Trans, representado por travestis, transexuais e transgêneros.

As conquistas são lentas. Em dezembro de 2011, a portaria n° 2.836 do Ministério da Saúde instituiu no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT). A maioria das pessoas transexuais ainda está lutando por algo básico: respeito! Pelo direito de andar livremente pelas ruas sem ser incomodada, apontado, discriminada e humilhado.

AGENDA:  O Dia Nacional da Visibilidade das Travestis (29 de janeiro) será marcado este ano por uma ampla programação durante o Fórum Social Temático em Porto Alegre, no período de 24 a 29 de janeiro. Promovida pela Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), e com o apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e Secretaria  de Direitos Humanos (SEDH), a programação iniciou-se nesta terça-feira (24), a partir das 13h com a concentração da marcha de abertura do Fórum, no Largo Glênio, em Porto Alegre.

Nesta sexta-feira (27), Eduardo Barbosa, diretor adjunto do  Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, será homenageado pela Associação de Defesa  Homossexual de Sergipe – ADHONS, durante o 1° Seminário Estadual de Travestis e Transexuais na Adolescência e Juventude, Uma Realidade, parte das comemorações do Dia Nacional de Visibilidade das Travestis em Aracaju/SE. Na ocasião, será lançado livro que marca o encerramento do projeto Educando para a Diversidade. O evento é organizado e promovido pela Associação de Travestis na Luta Pela Cidadania e pela ADHONS.

O Dia Nacional da Visibilidade Travesti é uma referência ao lançamento da primeira campanha de cidadania desenvolvida especificamente para a comunidade. A campanha “Travesti e Respeito” foi lançada pelo então Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, em 2004, com o objetivo de sensibilizar os educadores e profissionais de saúde e motivar travestis e transexuais para a cidadania e autoestima.

“Também pagamos impostos e queremos políticas públicas de educação, segurança, saúde, lazer, cultura e direitos humanos, daí a importância dessa data, pois é com ela que travestis e transexuais reafirmam sua identidade de gênero e começam a participar da sociedade que as exclui”, defende Keila Simpson da ANTRA, rede de pessoas transsexuais e travestis do país com 105 instituições afiliadas. O objetivo é mobilizar travestis e transexuais de todo o país para representar esse segmento na busca de cidadania e igualdade de direitos.

Carnaval – Este ano, pela primeira vez, uma travesti será protagonista de uma campanha de Carnaval do ministério. A mineira Adriana K, conhecida como Dri, foi fotografada para a campanha deste ano. O ensaio fotográfico foi realizado em Belo Horizonte, no dia 13 de janeiro de 2012.

Serviço – Programação Fórum
•    24 de Janeiro (terça-feira) 16h – Concentração da Marcha de Abertura
Fórum Social Temático – Largo Glênio Peres;
•    25/01 (quartaffeira) – 13h – Encontro de ONGS;
•    26/01 (quinta-feira) – 13h – Atividade da Visibilidade Travesti
Arena Chico Mendes;
•    27/01 (sexta-feira) – 19h – Atividades Cultural
Comemoração do dia da Visibilidade Travesti – Arena Chico Mendes;
•    29/01 (domingo) – Passeata de Encerramento.

Mais informações à imprensa
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
Ministério da Saúde
Assessoria de Imprensa
Telefones: (61) 3306-7024/7010/7016/7051
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O fim da homofobia está próximo?

Uma pesquisa divulgada em Maio desse ano (2009) realizada pela Fundação Perseu Abramo, aponta para o fato de que 45% dos entrevistados assumem que têm preconceito médio ou alto contra gays, lésbicas, travestis ou transexuais.

Os dados colhidos com esta pesquisa também revelaram que 25% dos entrevistados se classificaram como homofóbicos, aqueles que têm ódio, ou não toleram homossexuais. Desses, 19% admitem que têm uma homofobia “média”, enquanto 6% assumem uma homofobia “forte”.

Mas o que seria uma homofobia média e uma homofobia forte? Será que esses entrevistados quiseram classificar essa postura deles como dentro do limite do “tolerável” e “intolerável” socialmente falando? Os homofóbicos médios talvez quisessem dizer que não querem aproximação com um gay ou uma lésbica, mas ficando cada um no seu lugar, está tudo bem.

Já aqueles que se classificaram como detentores de uma homofobia forte, devem ser aqueles que atiram bombas em paradas gays, espancam casais de homossexuais se os virem juntos, ou atentam contra suas vidas, pois consideram a homossexualidade uma verdadeira aberração.

Ora, não existe homofobia pequena, média e forte. O que existe é uma discriminação que não pode ser tolerada independente do seu grau de alcance.

Por esta razão, é uma ótima notícia sabermos que o Projeto de Lei Complementar 122/06, que visa coibir a discriminação de gênero, recebeu parecer favorável da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, no último dia 14 de Outubro.

Posicionando-se em defesa do PLC, a relatora, senadora Fátima Cleide alegou que “avanços importantes referentes a direitos sexuais como direitos humanos, estão consagrados internacionalmente. O conjunto de leis firmado em âmbito internacional considera que a sexualidade integra a personalidade de todo ser humano, relaciona-se a necessidades humanas básicas e desenvolve interação entre os indivíduos e as estruturas sociais”.

É óbvio que a lei não modifica o preconceito que vai na cabeça das pessoas, mas ela o coíbe. Ela vai permitir que a discriminação seja repelida, que as agressões físicas e verbais, sejam punidas com o rigor que devem ser, e o principal disso tudo: seres humanos obrigatoriamente deverão ser vistos como tal por outro seres humanos, independente de sua orientação sexual, o que , lamentavelmente, não acontece hoje em dia, em se tratando de pessoas homofóbicas.

Caminhemos juntos, então, para pôr um fim nessa chaga social que atende pelo nome de homofobia, e que assim possamos dar espaço para que o respeito às diferenças possa, enfim, ser alcançado!

(Parada Lésbica)