Manifestação pelo passe livre em Fortaleza termina em confusão; três agências bancárias são depredadas

Centenas de estudantes saíram nesta terça-feira (24) em passeata pelas ruas do Centro de Fortaleza para questionar as tarifas do transporte público na capital cearense e reivindicar o passe livre. O protesto, em sua maior parte pacífico, teve momentos de tensão quando alguns manifestantes jogaram pedras em direção ao bloqueio policial no Paço Municipal.

Após a ação, homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque) e do Comando Tático Motorizado (Cotam) dispersaram os manifestantes, que correram em direção a Praça do Ferreira. Durante o trajeto, uma motocicleta da Guarda Municipal foi quebrada e pelo menos três agências depredadas, uma do banco Itaú, na Rua Floriano Peixoto e outras duas na Rua Major Facundo, do Banco do Nordeste e Banco Santander.

Além disso, houve desentendimento entre alguns manifestantes e um comerciante que, segundo ele, tentou evitar uma pichação em sua banca de revista. O comerciante Tadeu Barroso foi agredido no rosto quando tentou evitar o ato de vandalismo no estabelecimento.

(Diário do Nordeste)

 

Diagramador do jornal “O Globo” comete suicídio após matar esposa e filha

Três pessoas da mesma família foram encontradas mortas em um apartamento no número 25 da Rua Paissandu, no Flamengo, na Zona Sul do Rio, na manhã desta terça-feira (24). Segundo a polícia, Leonardo Drummond, de 58 anos, esfaqueou a mulher, Suzete Souza, de 66, e a filha do casal Bárbara Souza, de 27, portadora de necessidades especiais. Leonardo se matou em seguida, também com facada. A Divisão de Homicídios (DH) vai pedir imagens do circuito interno do prédio para concluir as investigações.

O crime teria ocorrido por volta das 10h desta terça. A empregada da casa acionou a polícia ao não conseguir entrar. Os corpos de Suzete e de Bárbara estavam em camas, em quartos separados. Drummond foi encontrado na sala.

A família morava no apartamento havia cerca de seis meses, segundo vizinhos, e era muito reservada.

Uma equipe da Divisão de Homicídios, comandada pelo delegado Clemente Braune, foi encaminhada ao local. O carro do Instituto Médico-Legal chegou por volta das 14h.

Leonardo Drummond era diagramador do jornal “O Globo”.

Márcia Helena Rodrigues Pereira, que trabalha no mesmo prédio há dois anos e meio, disse que não conhecia pessoalmente a família, mas que via a rotina de pai, mãe e filha todos os dias. Ela afirmou que o clima no prédio é de tristeza. “Ninguém esperava por uma coisa dessas”, disse ela.

“Conhecia o casal de vista, eles moravam aqui há seis ou sete meses. Mas ninguém tinha intimidade com eles”, declarou Margarida Elizabeth Meireles, 51 anos, que é corretora e mora no quarto andar do prédio.

(Tribuna Hoje)

Luciane Hoepers: A loira estonteante usada por quadrilhas para ‘fechar negócios’ com prefeitos

A Operação Miqueias da Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (19), Luciane Lauzimar Hoepers, de 33 anos. A modelo de 1,75 metro de altura que aparece constantemente em ensaios sensuais, era uma das armas da quadrilha acusada de desviar R$ 50 milhões de fundos de pensão de servidores de prefeituras e governos estaduais.  

Segundo a Polícia Federal (PF), o grupo usava mulheres bonitas para se aproximar de prefeitos e gestores dos fundos e captar recursos para a empresa Invista, que era operada pela quadrilha. Após o início das investigações, pelo menos 20 pessoas já foram presas. Ao longo de 18 meses de sob investigação, o grupo movimentou R$ 300 milhões. 

Ligação com doleiro 

Segundo a PF, Luciane teria ligações com o doleiro Fayed Antoine Traboulsi, um dos líderes da associação criminosa revelada pela Operação Miqueias. No relatório com gravações telefônicas feitas pelo grupo, a polícia percebeu que Luciane tinha um papel muito ativo na organização, e que mantinha vários contatos com políticos.  

Na lista de locais onde a moça fazia contatos estão Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina e São Paulo. Luciane não trocava apenas telefonemas, ela chegava a viajar para fechar os negócios. Em 30 de abril de 2013, em telefonema com Alline Teixeira Olivier, outra integrante da associação criminosa, ela relata que esteve em Tocantins e que ia para o Mato Grosso do Sul.

Em 26 do março de 2013, ela revela em outra ligação que vai almoçar com o filho do prefeito de Aparecida de Goiânia (GO), além de alguns deputados goianos. Segundo ela, um deles é um deputado fortíssimo que vai sair na próxima eleição como candidato a governador do estado. O encontro teria ocorrido em Brasília, com Samuel Belchior, Daniel Vilela e Leandro Vilela, no primeiro semestre. 

Luciane não foi a única mulher usada pela quadrilha para seduzir prefeitos e gestores de fundos de previdência. Uma delas é Cynthia Cabral Soares da Cruz. Da mesma forma que Luciane, Cynthia teve a prisão temporária decretada pelo desembargador federal Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Por Ryadh Exnalto, Via http://www.dm.com.br/texto/145325 

Jair Bolsonaro agride senador Randolfe Rodrigues durante visita à antiga sede do Doi-Codi

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) diz que foi agredido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) na manhã desta segunda-feira durante a visita ao Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (Doi-Codi), que funcionava em um prédio no interior do 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Na entrada ao local, os dois discutiram e o deputado acabou desferindo um soco na barriga do senador.

Bolsonaro é militar e defensor do Exército e alega que a ditadura salvou o País do comunismo. A visita é feita por integrantes das comissões Nacional da Verdade (CNV) e Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-RJ), além de outros parlamentares, como a deputada Luiza Erundina (PSB-SP),e do procurador da República Antônio Cabral. 

Após o desentendimento, Bolsonaro entrou no local, mas não participa da visita onde os presos foram torturados e nem às celas. A decisão foi tomada em acordo entre os parlamentares e o tenente coronel Luciano, comandante do Batalhão.  

Para a Comissão da Verdade do Rio, o Doi-Codi foi o principal centro de torturas do Rio durante a ditadura militar. A visita ao prédio é o primeiro passo da proposta de transformar o local em um centro de memória, como ocorreu com o antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo e com os centros de tortura na Argentina, no Uruguai e no Chile. 

A visita estava marcada para a sexta-feira, mas de acordo com a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, foi suspensa por causa de veto do Exército ao nome da deputada Luiza Erundina. A nova data foi acertada em uma reunião na quarta-feira com o ministro da Defesa, Celso Amorim, e os senadores João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues e Ana Rita (PT-ES). 

(Portal Terra)

 

TST determina manutenção de 40% dos empregados dos Correios em atividade durante greve

O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Eizo Ono determinou a manutenção das atividades de pelo menos 40% dos empregados dos Correios em cada unidade da empresa durante o período de greve, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A decisão foi publicada hoje (23) no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho. O ministro foi sorteado como relator do dissídio coletivo instaurado pelos Correios contra federações dos trabalhadores.

Os Correios pediam na Justiça a manutenção de 80% das atividades, mas o ministro Eizo Ono considerou que o limite “ensejaria quase que a normalização dos serviços prestados pela ECT, a frustrar o exercício do direito fundamental dos empregados à greve”. A manutenção de 40% das atividades, segundo o ministro, visa a prestação de serviços indispensáveis, os quais sindicatos, empregados e empregadores estão obrigados a garantir em caso de greve.

A empresa e os representantes dos funcionários não negociam desde o dia 17, quando a reunião de mediação entre os Correios e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), no Tribunal Superior do Trabalho (TST), terminou sem acordo.

Entre as reivindicações dos trabalhadores está o aumento real de salário de 15%, além de uma recomposição da inflação de 7,13%. Os Correios ofereceram reajuste de 8% no salário, sendo 6,27% de recomposição da inflação e 1,7% de ganho real, e de 6,27% nos benefícios.

Funcionários dos Correios fazem assembleias em todo o país para discutir continuidade da greve.

(Agência Brasil)

PSDB, PR e parte do PV e do PSB querem Heitor Férrer disputando o Governo em 2014

Nesta terça-feira, ao meio-dia, na Assembleia Legislativa, um grupo de presidentes estaduais de partidos da oposição vai convidar o deputado estadual Heitor Férrer a disputar um mandato majoritário – Senado ou Governo, mas com preferência a chefia do executiva estadual.

Luiz Pontes, presidente estadual do PSDB, Lúcio Alcântara, presidente estadual do PR – ao lado de Roberto Pessoa, presidente de honra da legenda, e Doutor Guimarães, ligado ao Partido Verde de Sobral, farão o convite a Heitor, hoje a maior oposição do Governo Cid Gomes na Assembleia.

Sérgio Novais e a deputada estadual Eliane Novais, que integram a ala que se opõe a Cid Gomes no PSB, também participarão desse encontro.

Heitor Férrer tem dito que não deixa o PDT, mas essas legendas de oposição avaliam que podem conversar com ele sobre uma aliança de olho em 2014.

(Blog do Eliomar)

Aécio Neves quer Tasso Jereissati disputando o Senado em 2014

O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) ensaia seu retorno à vida pública em 2014. Isso, três anos após perder a reeleição ao Senado e anunciar o fim de sua carreira política. Ele tem sido pressionado por tucanos para se candidatar e dar um palanque forte no Ceará ao senador Aécio Neves, possível candidato do PSDB à Presidência. Embora relutante à ideia no começo, aliados próximos de Tasso dão como certa sua candidatura e dizem que a dúvida é se ele disputará o governo do Estado ou o Senado. Tasso governou o Ceará por três gestões e foi senador de 2003 a 2011, quando fez oposição ao governo Lula.

Derrotado em 2010, passou a se dedicar ao seu grupo empresarial, que atua nas áreas de shopping e telefonia. O retorno de Tasso também é uma forma de imprimir novo fôlego à legenda tucana.

Em pesquisa feita pelo Ibope em julho, Tasso liderava tanto para o governo do Estado como para o Senado, oscilando entre 43% e 51% das intenções de voto. Há três semanas, ele acompanhou Aécio a uma gravação de programa de TV do PSDB em Juazeiro do Norte (548 km de Fortaleza).

‘No que depender do PSDB nacional, Tasso será candidato ao governo do Estado ou preferencialmente ao Senado’, disse Aécio. Procurado pela Folha, Tasso não quis dar entrevista.”

(Com Folha de São Paulo)

Nelson Martins confirma: está fora da luta por novo mandato em 2014

O secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins, confirma: não disputará mandato em 2014. Funcionário de carreira do Banco do Brasil, também não diz se será indicado conselheiro de tribunal de contas como se especula.

Nelson Martins é defensor da manutenção da aliança do PT com o PSB do governador Cid Gomes. Para ele, o fundamental é que haja condições de se garantir condições de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.

(Blog do Eliomar)

Ônibus universitários de Ipu e Viçosa sofrem acidente na BR-222 em Sobral

Os ônibus que transportam universitários de Ipu e Viçosa do Ceará para Universidades de Sobral sofrem acidente na BR-222 em Sobral, após colidirem um na traseira do outro. 

Segundo relatos de alunos que vinham no ônibus da empresa Transpec, que presta serviço a Prefeitura de Ipu no transporte de universitários para a cidade de Sobral, o choque entre os dois ônibus se deu devido a um terceiro ônibus, também de universitários, que teria feito uma ultrapassagem perigosa fazendo com que o veiculo de Viçosa freasse bruscamente, onde o ônibus do Ipu acabou batendo na parte lateral da traseira do dele.

 

O motorista do ônibus do Ipu ainda tentou evitar o impacto, o que poderia ter ocasionado uma tragédia maior, jogando o ônibus para o acostamento da rodovia. Felizmente nenhum aluno se feriu gravemente apenas arranhões e uma aluna se queixaram de dores nas costas. 

 

De acordo com informações próximo ao local uma Carreta que transportava ração tombou na BR-222, o que poderia ter sido o motivo dos ônibus terem que diminuir as velocidades bruscamente, ocasionando assim a colisão.

 

* Fotos Diego Farias / Ipu Baladas

Ipu Notícias

Nyaope: Nova droga mistura heroína, maconha e veneno para rato

Em um espaço aberto próximo à estação de trem na cidade de Soweto, na África do Sul, vários jovens em seus 20 e poucos anos fumam nyaope, um novo coquetel de drogas.

Alguns deles parecem mortos-vivos de tão alterados.

“Estava estudando, mas abandonei por causa das drogas. Deixei a escola aos 14 anos”, diz Thuli, com os olhos vidrados.

Ela diz não ver futuro para si própria.

Thuli tem apenas 16 anos e está dependente de uma droga extremamente viciante que está se espalhando pelo país, fazendo novas vítimas diariamente.

O nyaope é um pó esbranquiçado – heroína de baixa concentração misturada com ingredientes como veneno para rato e, em alguns casos, até mesmo farelos de remédios para pacientes com HIV.

Polvilhado sobre maconha, faz um coquetel altamente viciante e destrutivo.

“Eu preciso fumar esta coisa. É nosso remédio. Não podemos viver sem. Se eu não fumar, fico doente”, diz outro usuário, que prefere não dar seu nome, entre baforadas da droga.

Aprisionados

Apesar de estarem trastornados, esses dependentes dizem que querem largar o nyaope porque percebem que foram aprisionados por uma droga que os está levando para um caminho sem volta.

“Quando éramos jovens, fumamos maconha primeiro, no colégio, antes de começar com as coisas mais pesadas”, diz Kabelo, um depedente de 32 anos.

“Agora a juventude está começando com o nyaope – direto com as coisas pesadas”, observa.

Enquanto enrola outro cigarro da droga com seus dedos de unhas pintadas de rosa, Nomyula, de 23 anos, comenta o futuro: “Minha família quer me ajudar. Eles acham que a prisão será boa para mim como uma reabilitação”.

Ao custo de cerca de R$ 4,50 a dose, a droga é relativamente barata.

Mas conforme ela vai afetando a vida dos usuários, muitos deles logo começam a roubar para sustentar o vício.

Eles fazem inimigos em suas próprias famílias e na comunidade.

Recuperação

Ephraim Radebe, um dependente em fase de recuperação, diz que foi agredido por pessoas da rua de cima de sua casa.

“Eles me perseguiram, ma bateram com tijolos, dizendo que eu precisava morrer. Um homem trouxe gasolina e eles queriam me queimar”, conta.

Radebe diz que ficou “doente e cansado de estar doente e cansado” o tempo todo, e agora já está livre das drogas há dois meses – para alívio de sua mãe, cuja vida havia se transformado em um inferno.

“Quando eu voltava para casa, tirava meus brincos e os colocava na bolsa”, lembra a mãe de Ephraim, Rose Radebe. “Na manhã seguinte, eles tinham sumido. Ele roubava de mim e até mesmo da casa da minha mãe ou dos vizinhos.”

“Essa coisa está destruindo os pais ainda mais que os filhos, porque todos os dias você se pergunta: ‘Onde eu errei?'”, afirma.

Campanhas educacionais

Apesar de conter heroína, o nyaope ainda está em processo de ser qualificado como substância ilegal. O governo diz que isso prejudica os esforços de levar à Justiça os casos envolvendo a droga.

Também há denúncias sobre policiais trabalhando em conjunto com os traficantes.

O nyaope é principalmente encontrado na província de Gauteng, onde estão Johannesburgo e Soweto. Mas um coquetel semelhante, conhecido como whoongais, também é encontrado nas ruas de Durban, na costa leste do país, enquanto comunidades na província do Cabo Ocidental, no sudoeste, sofrem com a droga Crystal Meth, conhecida localmente como tik.

Acompanhando o rápido aumento na dependência de drogas, o governo prometeu estabelecer um centro de reabilitação em cada uma das nove províncias sul-africanas e investir em campanhas educacionais.

A julgar pela velocidade na qual o nyaope está se espalhando, parece claro que a estratégia do governo não está funcionando.

Ajuda

Percebendo que a ajuda disponível não é suficiente, Radebe e outro dependente em recuperação, Anwar Jones, estão ajudando outros viciados a parar de fumar nyaope.

Eles os encontram quando estão fumando ou em lixões nos quais procuram coisas para vender e financiar a próxima dose.

“Eu não me vejo como um ser humano”, diz um jovem ao retirar fios de cobre de um equipamento elétrico.

“Mas você é”, responde Jones, que passou por um treinamento gratuito para oferecer terapia a dependentes.

“E a mudança pode acontecer. A mudança vai acontecer”, diz ele. “Queremos ajudar você a ficar limpo, a se reconciliar com sua família e ter uma vida melhor.”

(BBC Brasil)

Prefeito anuncia concurso para Guarda Municipal de Fortaleza

O prefeito Roberto Cláudio anuncia na manhã desta sexta-feira (20), em coletiva à imprensa, no Palácio do Bispo, o concurso para a Guarda Municipal. A expectativa é que sejam disponibilizadas mil vagas.

Roberto Cláudio ainda divulgará medidas a serem adotadas pela Prefeitura que beneficiarão o servidor.

(Eliomar de Lima, O Povo Online)

Ministério Público denuncia superfaturamento no projeto Férias no Ceará, do Governo Cid

Valor pago ao cantor Gilberto Gil foi R$ 100 mil mais caro do que o cachê pago pela Prefeitura de João Pessoa (PB)

O Ministério Público de Contas do Estado do Ceará (MPC) encaminhou, nesta quarta-feira (18), ao Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE) um processo que denuncia indícios de superfaturamento na contratação de artistas para a realização do evento Férias no Ceará, ainda em 2011.

Valor pago ao cantor Gilberto Gil foi R$ 100 mil mais caro do que o cachê pago pela Prefeitura de João Pessoa (PB) FOTO: WALESKA SANTIAGO 

O Governo do Estado informou que ainda aguarda o recebimento de alguma notificação sobre o assunto, mas adiantou que todo o processo de contratação dos artistas seguiu os trâmites previstos legalmente.

O procurador Gleydson Alexandre afirmou que o MPC trabalhou no processo durante 6 meses e revelou que, no momento em que passou a comparar os valores de contratação dos artistas praticados no evento do Governo do Estado com os custos praticados em outras localidades, ficou constatado que os cachês pagos pela Casa Civil foram bem superiores aos pagos por outros órgãos governamentais.

“Além dos valores terem sido superiores aos cachês pagos por outros entes públicos, o Governo do Estado só apresentou uma justificativa no processo de contratação. Em todo processo desse tipo, é preciso que se apresente pelo menos 3 justificativas”, esclareceu o procurador.

O procurador destacou, no processo, os valores das contratações da cantora Zélia Duncan e do cantor Gilberto Gil. Zélia foi contratada para se apresentar entre os dias 28 e 31 de julho de 2011 ao custo de R$ 140 mil por cada show. Cinco dias depois, a Prefeitura de João Pessoa (PB)pagou apenas R$ 37 mil pela mesma apresentação.

Já cantor Gilberto Gil foi contratado pelo Governo do Estado ao custo de R$ 220 mil para se apresentar no dia 30 de junho de 2011. Dois dias antes, João Pessoa havia pagado apenas R$ 120 mil para ter a apresentação da artista em um evento organizado pela Prefeitura.

Gleydson Alexandre acrescentou que a análise focou apenas no evento realizado em 2011. O procurador, porém, garantiu que, diante dessas irregularidades, o MPC irá investigar os processos de contratação realizados nos anos anteriores.

(Diário do Nordeste)

Como a imagem positiva do Brasil no exterior traz vantagens concretas para os brasileiros

Hugo Gusmão, Diário do Centro do Mundo

DE GRANADA, ESPANHA

“Ah, então você é brasileiro?”, pergunta o funcionário do setor de regularização de estrangeiros, em Granada, enquanto folheava a documentação que eu acabara de entregar. “O Brasil está muito bem, não é? Forte, vigoroso. Tem tudo que a Espanha não tem. Emprego, dinheiro, não é verdade?”

Já me acostumei com esse tipo de comentário desde a minha chegada a Granada, em outubro passado. Em conversas com comerciantes, advogados, feirantes ou professores universitários, somos vistos como um titã geopolítico, uma terra de oportunidades e riqueza em abundância. E duas coisas comprovariam isso: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Ambos os eventos acompanham as referências ao Brasil e dão sustentação à ideia de que sua realização será precedida de profundas mudanças sociais e da criação de uma infraestrutura capaz de exteriorizar todo o nosso potencial. E assim o país vai passando, no imaginário popular, de uma terra selvagem onde ninguém trabalha e as mulheres estão sempre fazendo “topless”, para a de um gigante, rico e promissor.

Sem dúvida, para o bem ou para mal, trata-se de uma veiculação constantemente positiva. A Copa e as Olimpíadas são eventos escapistas capazes de vincular otimismo à marca Brasil. Não é à toa que um dos únicos elementos que não oscilam no engrandecimento da marca Espanha é justamente o ciclo vitorioso da seleção espanhola, de Casillas, Iniesta e cia.

Por outro lado, embora a força midiática dos dois acontecimentos esportivos seja indiscutível, parece um exagero atribuir a capacidade de mudar uma percepção arraigada na opinião pública espanhola unicamente aos eventos esportivos que sediaremos. Vários outros aspectos contribuem para o reforço de uma impressão relativa tanto à prosperidade brasileira quanto à carestia ibérica.

De modo geral, a imagem que um país projeta no cenário internacional pode parecer uma questão secundária, mas não é. Na Espanha, por exemplo, agências governamentais trabalham especificamente com a aferição cotidiana da forma como os principais jornais e revistas do mundo inteiro retratam o país. Afinal de contas, para um Estado em crise, onde o turismo massivo é imprescindível para manter a economia viva e aquecida, o modo como os outros o vêem torna-se uma questão estratégica.

Situação complicada na Espanha

O ciclo econômico da crise também contribuiu de maneira determinante para distanciar a impressão que Brasil e Espanha projetam no mundo. Enquanto a nação verde-amarela se viu revigorada ao transmitir a ideia de invulnerabilidade aos reveses econômicos e a de repositório de reservas energéticas de causar inveja a qualquer império, a terra das touradas foi atingida duramente pela recessão, sendo vista continuamente como um peso morto na União Europeia.

O tratamento que a imprensa internacional dispensa a ambos os países é também determinante para a formação de uma impressão negativa ou positiva. Enquanto o Brasil é visto como o “B” da sigla “BRIC” que inclui também Rússia, Índia e China, nações gigantescas e com potencial econômico impactante no cenário mundial, a Espanha figura pejorativamente como o “S” (Spain) da sigla PIGS (porcos em inglês), que designa os países do sul da Europa metidos no atoleiro econômico, composta também por Portugal, Itália e Grécia.

No mundo real, a imagem de um país afeta aspectos bem concretos em cada sociedade. Um desses pontos, através do qual se pode medir a saúde que essa aparência transmite, tem a ver com a constância dos fluxos migratórios.

Dados divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores dão conta de uma redução de 67% no número de brasileiros barrados no exterior em 2012.  Por outro lado, a imigração legal sofreu uma redução de 50%, entre 2006 e 2009, segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Na Espanha este fenômeno do movimento de retorno ocorreu no início da década de 70 e seguiu uma linha ascendente que coincidiu com a imigração, reforçada pela ideia de prosperidade que o país lançava no exterior. Esta tendência durou até a eclosão da crise. Atualmente, no entanto, eles experimentam a pior das emigrações: a de cérebros. Um fluxo alimentado pelas oportunidades de trabalho e pela aparência de pujança econômica, de esperança e dinamismo que países da América Latina e alguns dos seus sócios europeus projetam.

Quem nasce no Brasil ou na Espanha conhece suas peculiaridades, e de modo geral todos sabem que as aparências enganam. Porém, a expressão global que uma nação pretende ter passa pela projeção de uma imagem compatível com esta ambição.

Se o Brasil quiser ser relevante no aspecto geopolítico, essa é uma onda que ele não pode deixar de surfar. Afinal, como dizia Vinícius de Moraes, “as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.”

Como podem ficar as penas dos 12 condenados do Mensalão

Com o voto do ministro Celso de Mello, o Supremo Tribunal Federal decidiu cabíveis os embargos infringentes. Esse recurso é previsto no Regimento Interno do STF Embargos Infringentes (art. 333, I, parágrafo único) na hipótese em que o condenado tiver 4 ou 5 votos pela absolvição. Com esse recurso, a questão será revista pelo próprio Pleno. Como  houve mudança na composição do STF, com dois novos ministros, poderá haver mudança nos pontos específicos  em que a condenação obteve a maioria “apertada”.

Contudo, é um erro pensar que haverá um novo julgamento do mensalão. Apenas 12 réus, dentre todos os condenados, terão direito aos embargos. E mais, apenas dois réus (Breno Fischberg e João Cláudio Genú) poderão conseguir, com o recurso, a absolvição. Isso porque os demais réus tiveram condenações em que não obtiveram o mínimo de 4 votos favoráveis, de modo que tais condenações são definitivas, ou seja, não são impugnáveis por meio dos infringentes.

Vejamos o exemplo do réu João Paulo Cunha, que foi condenado por crime de lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva, apenas na condenação de lavagem, em que ele contou com 5 votos favoráveis, serão cabíveis os Embargos Infringentes. Além disso, como a tendência é  que os Ministros que votaram mantenham o voto nos Embargos Infringentes, o fato é que a chance dos réus depende da adesão dos dois novos ministros para a absolvição. Isso porque mantidos os votos dos ministros que já votaram (provável), o resultado apenas se inverteria se os dois votassem pela absolvição, pois caso contrário, um dos “novatos” votando pela condenação, não haverá mudança no resultado.

Que fique claro, os ministros que já votaram, votarão novamente, o que pode levar à mudança da posição anterior. Mas como o debate será menos de questão probatória e mais sobre o alcance do crime de lavagem de dinheiro e quadrilha ou bando, é muito provável que os votos sejam mantidos. Daí a afirmativa de que precisaria conquistar os votos dos dois novos ministros.

Clique e veja como fica a situação dos 12 condenados

(José Nabuco Filho, via Diário do Centro do Mundo)

O abuso de autoridade de Feliciano ao mandar prender as ativistas gays

Kiko Nogueira, Diário do Centro do Mundo

A prisão de duas jovens num culto do pastor deputado Marco Feliciano é um retrato acabado de sua pregação do ódio e do abuso de poder.

Joana Palhares e Yunka Mihura, que são namoradas, foram expulsas do evento Glorifica Litoral, em São Sebastião. Elas foram flagradas por ele enquanto se beijavam durante um protesto. Do palco, Feliciano acionou a segurança, disse que elas elas “não têm respeito ao pai, à mãe e à mulher” e lhes deu voz de prisão: “A Polícia Militar, que aqui está, dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas. Não adianta fugir, a guarda civil está indo até aí”.

As duas estavam se manifestando num lugar arriscado. Ok. Mas Feliciano não pode dar ordens para a polícia. Não tem autoridade para ordenar que ninguém seja algemado, detido ou multado. As garotas afirmam que foram agredidas. “Eles tiraram a gente do meio do povo e colocaram para dentro da grade. A partir do momento em que levaram a gente para debaixo do palco, me jogaram de canto na grade, deram três tapas na minha cara e começaram a torcer meu braço”, disse Joana ao G1. Daniel Galani, advogado das duas, pretende abrir uma representação contra MF. Como ele tem foro privilegiado, eventuais processos contra ele são encaminhados para o STF.

O Código Penal prevê como crime “impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso”. Mas também condena o ato de “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”, algo que Feliciano faz diuturnamente em suas pregações, especialmente contra a umbanda.

A predileção de Feliciano pelo rancor ainda vai levar a muitas situações como essa. Um homem que tem como norte o confronto e a intolerância não deve esperar outra coisa. Enquanto as moças eram arrastadas para debaixo do palco pelos policiais, ele falava para sua plateia: “Cachorrinho que está latindo é assim: você ignora, ele para de latir”.

Recentemente, MF esteve em Boston com uma pequena delegação de estafetas. Sua agenda, alegou, era atender os imigrantes brasileiros que estariam sofrendo maus tratos. Como o DCM apurou, durante a viagem houve uma única reunião para tratar disso — na casa de um pastor. No resto do tempo, ele pregou e encontrou outras lideranças evangélicas.

Feliciano, um sujeito que se definiu “da paz”, incitou a violência contra um casal de mulheres que se beijava. E se os fieis resolvessem partir para cima delas? Ele não se importa. MF só descansará quando puser na fogueira todos os pecadores, salvando apenas aqueles que financiam os pecados dele.

Preso por um post: por que a legislação está mais dura com calúnias no Facebook

Por Mauro Donato, via Diário do Centro do Mundo

No recente caso ocorrido no bairro do Butantã (SP) em que as irmãs Victorazzo de 13 e 14 anos foram mortas pela própria mãe numa condição envolta em tanta complexidade que uma avaliação psquiátrica tornou-se primeiro passo, um leitor assinado como Leo Dias comentou abaixo da notícia em um grande portal: “Matem essa cachorra na cadeia”.

Há um risco muito grande nesse comportamento, normalmente desprezado ou ignorado. A internet não só não é “terra de ninguém” como pode trazer problemas sérios ao cobrar judicialmente a responsabilidade de quem fala o que quer.

“Ameaça, calúnia, difamação, injúria, são crimes ao vivo ou por meio da internet. Aliás, essa divisão – mundo real ou mundo virtual – não existe. O que quer que tenha repercussão e interesses jurídicos é passível de responsabilização, sendo que no mundo virtual existe a agravante que é a extensão do dano”, diz Gustavo Guimarães Leite, do ZRDF Advogados. “Difamar ou caluniar alguém aos gritos no meio a rua é uma coisa, fazê-lo na internet é outra, a dimensão do dano é exponencial, a quantidade de pessoas suscetíveis ao ato passa a ser muito maior, portanto a gravidade também é maior”.

Não vivemos sob um regime chinês ou mesmo iraniano, cujo acesso ao Facebook está sendo vagarosamente permitido só agora após 4 anos de bloqueio total. Temos liberdade para acessar, opinar e dar pitacos em tudo o que acreditamos ser relevante. Porém muitos passam daquilo que Obama chama de linha vermelha. “A todos é assegurado o direito à livre manifestação, é um direito constitucional. O que não significa que, ao exercê-lo, você possa ultrapassar determinados limites impostos, principalmente ofender terceiros. Configura-se ato ilícito, abuso de direito, que é passível de responsabilização”, afirma Leite.

Engana-se ainda quem acredita estar protegido caso o ataque não seja individualizado. “Antes de mais nada, é preciso haver a denúncia, que pode ser de uma pessoa (para um crime pessoal – de ação condicionada – só a vítima pode denunciar), mas pode ser movida uma ação penal através do Ministério Público, por exemplo”, continua Gustavo Leite.

Foi o risco que correu o estilista Alexandre Herchcovitch. Após participar da manifestação do dia 17 de junho, no dia seguinte seu perfil oficial do Twitter continha a seguinte frase: “Por que não acontecem manifestações no norte e nordeste? É lá que elegem os políticos corruptos do Brasil”. A repercussão foi tão negativa, inclusive entre seus seguidores, que Herchcovitch saiu-se com uma explicação ao estilo porta dos fundos, alegando que sua conta pessoal havia sido hackeada.

Cancelou a conta, mas não evitou provar da máxima “quem fala o que quer, ouve o que não quer” que a internet propicia com crueldade: “Eu sugiro que o moço vá para o Senegal, onde dimensões penianas generosas poderão aplacar eventuais desgostos políticos. Bonne chance!”, foi postado por um leitor do G1, comprovando que dois erros não fazem um acerto.

Mesma sorte não teve um advogado paranaense que, trabalhando em um escritório de São Luís do Maranhão, passou a publicar comentários em sua rede social criticando a cultura maranhense. Alegou que o Brasil não evoluiria por causa dos nordestinos e sugeriu que as regiões Norte e Nordeste sejam riscadas do mapa brasileiro, restando apenas Sul e Sudeste. A Ordem dos Advogados instaurou procedimento disciplinar contra o advogado por conduta indevida de xenofobia e ele hoje está em vias de perder seu registro para exercício da atividade.

Na selva cibernética, as empresas também são alvos frequentes e decisões judiciais estão ajudando a protegê-las dos excessos. A Justiça de Piracicaba condenou três mulheres que organizaram através do Facebook um protesto difundindo boicote à rede Habib’s, a pagarem uma indenização de R$ 100 mil (R$ 33,3 mil para cada uma) pois a iniciativa teve “o intuito de abalar a reputação” da empresa e a induzir a “sociedade a não consumir os produtos por ela fornecidos”.

O que faz pessoas julgarem um suicida como Champignon, baixista do Carlie Brown Junior, ou que defendam a extradição compulsória de nordestinos após uma reintegração de posse ocorrida no Grajaú à base de bombas de gás da polícia contra mulheres e crianças é algo que deixo para a psiquiatria explicar. Já as consequências, quem explica é a legislação. Cuidado com o que você posta. Pode sim dar cadeia. Bonne chance.

O ‘ridiculous’ futebol jogado no Brasileirão

Ladies & Gentlemen:

Boss me deve um aumento. Vocês concordarão, for certain. Este Campeonato Brasileiro, que cubro para o DCM em horários cruéis (no meio da semana, às 2 da manhã de Londres), é, numa palavra, sofrível.

Onde foi parar o futebol brasileiro? Tenho que ver o Barcelona para desfrutar o futebol brasileiro, tal como nós, europeus, o idealizamos. Artistas em campo, e não apenas jogadores fisicamente supertreinados. E criatividade muito acima da destruição.

Por Scott Moore

Os jogos no Brasileirão são truncados, feios, repletos de faltas e passes errados. Quase não há gols, e se não bastasse tudo as arquibancadas estão invariavelmente vazias.

Boss me autorizou a assinar a Globo em Londres, mas depois de ver uma garrafa gigante de Listerine subir no meio de campo num intervalo pedi autorização para comprar um outro pacote para ver as partidas.

Ontem, escolhi São Paulo e Galo. Foi um dos piores jogos que vi na vida. Houve um único lance de gol – ridiculamente perdido por um lateral do Galo. O tento do Tricolor foi um acidente: a bola bateu num zagueiro, no goleiro e acabou dando na cabeça de um atacante.

Ronaldinho Gaúcho mostrou dentes novos, e mais quase nada. Ficou para mim a sensação de que ele já desistiu da Copa de 2014, o que é má notícia para seu time porque ele vai tender a se arrastar em campo.

Fui salvo do absoluto tédio por um episódio pós-jogo: a triunfal comemoração dos jogadores do São Paulo e mais os torcedores.

“Que título eles ganharam?”, perguntou Chrissie, minha  mulher ao tirar os olhos do Facebook e ver aquela festa toda no gramado.

“Na verdade, saíram da relegation zone (zona de rebaixamento)”, expliquei.

Fazia tempo que não via minha esposa azeda e neurastênica rir daquela maneira.

Aquilo era uma piada.

Vi, agora pela manhã londrina, os melhores momentos do Almighty. Outra piada. O time esqueceu como se faz gol e só lembra de como se toma.

Ladies & Gentlemen: mereço um aumento.

Sincerely

Scott

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

Ciganos: discriminados e invisíveis

Como relatora da ONU para o direito à moradia, sempre recebo denúncias relativas à precária situação dos ciganos no mundo, particularmente na Europa. De origem provavelmente indiana e conhecidos no continente europeu como “roma”, os ciganos são historicamente discriminados e marginalizados. Sua condição nômade, assim como a fortíssima especificidade cultural de seu modo de vida, têm marcado a inserção ambígua desse grupo nos países em que habitam ou por onde passam. Durante a Segunda Guerra Mundial, assim como judeus, comunistas e homossexuais, os ciganos foram amplamente perseguidos e assassinados.

 

Aqui no Brasil temos uma população cigana considerável. De acordo com o último censo do IBGE, são mais de 800 mil ciganos no país. A Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), de 2010, afirma que temos ciganos em 291 cidades de todas as regiões do país. Contudo, em apenas 10% destes municípios existem áreas públicas para acampamentos ciganos.

 

Na Europa, por razões históricas que não temos como comentar aqui, a população cigana se concentra especialmente nos países do Leste, porém, com a União Europeia e a consequente maior facilidade de circulação, muitos migraram para países como a França, a Itália, e, mais recentemente, o Reino Unido. Essa inserção no continente europeu é mal resolvida, ambígua e difícil em toda parte, com honrosas exceções de algumas cidades, principalmente na Espanha. Em 2010, por exemplo, o então presidente francês Nicolas Sarkozy implementou uma política de expulsão em massa de ciganos do país. E eu mesma já visitei assentamentos ciganos na Itália e na Croácia em condições bastante precárias.

 

Além dos ciganos “roma”, no Reino Unido, outros grupos nômades – como os travellers e gypsies, que não estão relacionados etnicamente aos roma – também enfrentam dificuldades de se estabelecerem no território de maneira que seus direitos e suas culturas sejam respeitados.

 

Em 2005, vários governos europeus se articularam numa iniciativa chamada “Década de Inclusão dos Ciganos” (Decade of Roma Inclusion – 2005-2015), que tem como objetivo buscar eliminar a discriminação contra os ciganos e construir compromissos entre os estados para o enfrentamento de questões nas áreas de educação, emprego, saúde e habitação junto a essa população. Ainda assim, aparentemente, os avanços são tímidos. No Brasil, os ciganos continuam totalmente invisíveis – exceto quando aparecem de forma caricata em novelas – e políticas públicas para essa população parecem ainda não existir.

 

 

Raquel Rolnik é urbanista, professora da Universidade de São Paulo e relatora pelo direito à moradia da ONU

 

Texto originalmente publicado no Yahoo! Blogs.

‘Os EUA invadiram o Brasil’, diz Julian Assange sobre escândalo de espionagem

São Paulo – O fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou hoje (19) que as manobras de espionagem desenvolvidas pela NSA (sigla em inglês para Agência de Segurança Nacional) mostram que os “EUA invadiram o território brasileiro”.

“O que significa quando uma lei (Patriot Act) sai de um território e vai para outro território? Isso quer dizer que se está agindo com uma legislação nacional em território estrangeiro”, disse o australiano por videoconferência durante evento em São Paulo.

Além disso, Assange acredita que as comunicações da América Latina podem ser interceptadas a qualquer momento por Washington através do sistema de vigilância massiva. Reitera também que, com as ações norte-americanas, há “um colapso no estado de direito e uma violação clara aos direitos humanos” – neste caso, em referência às intervenções no Oriente Médio.

Assange afirmou ainda que Dilma tinha a “obrigação” de adiar a visita de Estado a Washington depois de saber que foi alvo de espionagem norte-americana. “Se não tivesse tomado essa decisão, iria ser vista como fraca. Ela tem a obrigação de proteger o povo brasileiro”, disse.

Sem ter recebido explicações satisfatórias do governo norte-americano sobre o esquema de espionagem, Dilma Rousseff decidiu adiar a visita oficial aos Estados Unidos que estava programada para o dia 23 de outubro. O anúncio foi feito através de um comunicado na tarde de terça-feira (17) pelo Palácio do Planalto.

Dilma conversou pessoalmente por telefone na segunda-feira (16) com o presidente dos EUA, Barack Obama, que tentou evitar o adiamento e justificar o escândalo de vigilância organizado pela NSA. O órgão interceptou em 2012 conversas da presidente e de seus assessores, além de informações referentes à Petrobras e ao pré-sal. O então candidato à Presidência do México, Enrique Peña Nieto, vencedor da eleição, também foi investigado.

(Ópera Mundi)

Senado aprova projeto que regulamenta direito de resposta na imprensa

Agência Senado

O Plenário do Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), projeto de autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR) que disciplina o exercício do direito de resposta ou retificação do ofendido por matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social. O texto, no entanto, não garante resposta a comentários de leitores feitos em sites dos veículos de comunicação.

Pelo projeto (PLS 141/2011), que segue, agora, para a Câmara dos Deputados, o ofendido terá o direito de divulgação de resposta gratuita e proporcional à matéria ofensiva, com o mesmo destaque, publicidade, periodicidade e dimensão. Se ocorrer retratação espontânea do veículo, cessa o direito de resposta, mas permanece a possibilidade de ação de reparação por dano moral. A retratação espontânea também deve ser proporcional ao agravo e, caso o ofendido não se sinta atendido, poderá entrar com contestação na Justiça.

O direito de resposta deve ser requerido em até 60 dias, contados da data de cada divulgação da matéria, por meio de correspondência, com aviso de recebimento, encaminhada ao veículo de comunicação social. No caso de publicação ou transmissão continuada da matéria ofensiva, o prazo será contado da data de início do agravo.

A retratação poderá ser requerida por representante legal do ofendido ou por seu parente, caso esteja fora do país ou tenha falecido depois do agravo. O veículo de comunicação tem sete dias para publicar ou divulgar a resposta ou retificação. Caso contrário, estará sujeito a ação judicial.

Nesse caso, o juiz, após receber o pedido de resposta ou retificação, terá 24 horas para mandar citar o responsável pelo meio de comunicação. Uma vez comprovada a ofensa, o juiz fixará data e condições para veiculação da resposta ou retificação, o que deverá ocorrer no prazo máximo de dez dias.

O senador Requião disse que apresentou o projeto para sanar vácuo jurídico aberto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ao considerar inconstitucional a Lei de Imprensa (Lei 5.250/1967).

“Depois que o Supremo acabou com a Lei da Imprensa, do tempo da ditadura, a cidadania ficou desguarnecida diante dos ataques da imprensa, calúnia, injúria e difamação se sucedendo. Eu mesmo tenho experiências terríveis”, relatou.

Para o relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e CIdadania (CCJ), senador Pedro Taques (PDT-MT), o projeto “não quer cercear o direito à informação nem censurar a imprensa, que deve ser livre”, mas garantir o direito de resposta assegurado pela Constituição, com celeridade de rito.

“Este projeto, de uma forma bem simples, regulamenta o que a Constituição da República deseja. Não é possível nós termos uma Constituição há 25 anos sem que ela seja regulamentada”, afirmou.

 

Após saída do PSB, PDT, rachado, discute deixar base de Dilma

Brizola Neto e Dilma Rousseff

Eduardo Maretti, Rede Brasil Atual

São Paulo – Uma reunião de deputados e senadores do PDT nesta quarta-feira (18) pela manhã discutiu a possibilidade de o partido deixar o Ministério do Trabalho e Emprego e a base do governo Dilma Rousseff, mas a iniciativa não foi aprovada. “O PSB está saindo porque tem um candidato à Presidência da República. O PDT está saindo porque o nome do partido está indo para a lama”, disse o ex-ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT), no início da tarde, em conversa com a RBA.

O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) confirma que houve a reunião. Mas diz que “lamentavelmente não houve isso [a deliberação pela saída da base de Dilma]”. “Eu e muitos defenderam a saída, mas no fim não se apoiou”, afirma o parlamentar, que há muitos anos torce por essa solução, especialmente se ela envolver a devolução de cargos.

Atualmente o PDT tem a titularidade apenas do Ministério do Trabalho, comandado por Manoel Dias. A pasta tem constantemente sido envolvida em denúncias de irregularidades que já levaram a duas trocas só no governo Dilma. O primeiro a sair foi o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, que caiu em dezembro de 2011. Ele foi sucedido por Brizola Neto, que, por não contar com o apoio de Lupi, acabou demitido.

O líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo (CE), próximo ao presidente da sigla, afirma que a pauta da reunião do partido “não foi a saída da base, foi a conjuntura”. “Os parlamentares, como um todo, reiteraram a confiança no ministro [do Trabalho] Manoel Dias, mas não apenas na pessoa, o que é indubitável, mas quanto ao trabalho que ele está tentando fazer para resgatar o trabalho da instituição.” Segundo Figueiredo, o partido não cogita abandonar o governo. “Deixar a base, de forma alguma. Se eventualmente sairmos do Ministério do Trabalho, isso não significa que vamos sair da base: 2014 nós vamos discutir em 2014”, garante o líder.

Mas Cristóvam Buarque é enfático ao dizer que a ampla maioria do partido defende sair do governo já. “A reunião não foi convocada para discutir a saída, mas conjuntura. Mas quase todos que falaram acham que é hora de sair do governo. Ponha entre aspas: todos defenderam a saída. A diferença é que alguns já, outros preferem esperar mais uns dois, três meses”.  Segundo o relato do senador, “a maioria, eu diria que quase a totalidade, talvez com a única exceção do Lupi e um ou dois mais, queria sair do governo agora”.

“Se o senador tem esse posicionamento é um posicionamento pessoal dele, posso garantir que não é do partido”, responde Figueiredo.

Cristóvam, que era do PT e foi ministro da Educação no início do governo Lula, afirma que há muitos anos se opõe à permanência na base. “Fiz discurso. E fui contra, quando saiu Lupi, voltar outro [do PDT]. Fui contra a entrada do Manoel Dias [atual ministro do Trabalho]. Sou a favor de sair já, mas não se deliberou isso”, conta.

O senador nega que uma eventual saída do PDT da base de Dilma possa redundar na aliança do partido ao PSB do possível candidato socialista à Presidência da República, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Com a decisão oficial do PSB de sair da base de Dilma, deixarão a Esplanada dos Ministérios Fernando Bezerra (Integração Nacional) e o ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino. “Isso [aliança com o PSB] ninguém está nem falando. Isso é para depois”, diz Buarque.

André Figueiredo reconhece que o posicionamento do PDT nas eleições de 2014 está longe de ser consensual. “Uns advogam candidatura própria, outros apoio a candidatura do governador Eduardo Campos, outros manter a base de apoio à presidenta Dilma”, afirma o líder.

O deputado Paulo Pereira da Silva afirma que não teve tempo de participar da reunião. “Eu estou saindo do PDT, não vou mais ficar no PDT”, admite. Paulinho está fundando o Partido Solidariedade, que aguarda a concessão do registro pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Histórico de denúncias

No último dia 9, a Polícia Federal deflagrou a Operação Esopo, para desmantelar suposto esquema de fraude em licitações e outras operações que teriam provocado prejuízos de R$ 400 milhões ao Ministério do Trabalho. A reunião de hoje tinha o pretexto de “blindar”, como definiu um jornal paulista, a figura do ministro Manoel Dias de mais um escândalo na pasta.

O catarinense Dias, de 74 anos, substituiu Brizola Neto em março de 2013. O PDT comanda o Ministério do Trabalho desde março de 2007, no segundo mandato de Lula, quando Carlos Lupi substituiu o então ministro Luiz Marinho, do PT.

Lupi caiu em dezembro de 2011 após denúncias de fraudes e cobrança de  propina de ONGs prestadoras de serviços ao ministério, desvios de verbas para o caixa do partido e outras. À época, a Comissão de Ética da Presidência da República recomendou a demissão do ministro, demitido em dezembro daquele ano.

Após período de interinidade de Paulo Roberto dos Santos Pinto, secretário-executivo de Lupi, Brizola Neto assumiu em maio do ano seguinte. Dez meses depois, por influência do próprio Lupi, Brizola foi demitido e substituído pelo atual ministro Manoel Dias, secretário-geral da legenda.

Eleição 2014: Vox Populi está pesquisando no Ceará

O Instituto Vox Populi decidiu pousar no Ceará e fazer uma ampla pesquisa. O instituto, que na eleição de 2012, fez várias pesquisas de preferência eleitoral em Fortaleza, está fazendo uma ampla pesquisa no Ceará. O instituto quer saber a avaliação do governo Cid Gomes, a opinião da população sobre áreas importantes do governo como saúde, educação, segurança e saneamento. O Vox Populi quer saber também quem são os candidatos ao governo do Ceará e ao Senado Federal da preferência do povo cearense.

Recentemente o Ibope realizou pesquisas no Ceará. E foi a partir dos resultados das pesquisas que o governador decidiu fazer a reforma no secretariado.

(Blog do Roberto Moreira)

E O PSB SAI DO GOVERNO DILMA … QUER DIZER, NEM TANTO

PE247 – Um rompimento, ou melhor um quase rompimento. Deverá ser assim que o PSB irá se posicionar após o anúncio quase certo de que a legenda socialista entregará os cargos que ocupa no governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Apesar das pressões advindas do Planalto e do PT, sobretudo com a postura cada vez mais independente do PSB, que pretende lançar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como candidato à Presidência da República em 2014, os socialistas já estão com o discurso pronto de que o partido não é pautado por questões fisiológicas e que a devolução dos cargos não significa uma saída ou mesmo um rompimento definitivo com o governo.

A expectativa é que, mesmo entregando os cargos de maior visibilidade, o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria Especial de Portos, o PSB mantenha alguns pontos de influência, como A Companhia de Desenvolvimento dos vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). Mais do que manter o controle em certos pontos da máquina administrativa, também existe o receio de alguns governadores do PSB de que um rompimento definitivo acabe prejudicando a execução de obras e convênios que dependem de recursos verde-amarelo. Entre estes figuram os governadores do Ceará, Espírito Santo, Paraíba e Piauí.

A estratégia é clara. Tanto o PSB como o PT dependem um do outro e um rompimento traumático não interessaria a nenhuma das legendas. O PSB depende dos recursos federais, ainda mais faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2014, e o PT precisa do PSB nas votações do Congresso. Com essa relação em voga, uma briga intestina entre os partidos traria mas males do que bem: para ambos.  Com o posicionamento de entregar os cargos mas permanecer na base aliada, o PSB fica livre para assumir uma postura mais crítica em relação ao governo, em especial à condução da política econômica – um dos motes mais usados por Campos para construir o seu discurso nacional.

Um outro ponto que também estaria sendo levado em consideração para evitar um rompimento traumático entre as legendas, que mantém uma aliança histórica há décadas, seria a relação entre Campos e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula incçluove teria dito à presidente Dilma que el anão deverão tratar um aliado importante como o PSB a pontapés, sob risco de jogar a legenda, que bem ou mal ainda está ao lado governo em questões importantes no Congresso nacional, diretamente no colo da oposição.

Agora, a dúvida é saber até quando irá o jogo de nervos entre as duas legendas na medida em que as críticas por parte do PSB forem aumentando e as pressões advindas do Planalto também. Até que a situação chegue ao limite do insustentável, porém,  existe a expectativa de que Campos somente deverá firmar posição sobre sua candidatura em 2014, mantendo assim o discurso construído até o momento.

Mostra traz documentários sobre a influência da gastronomia no cotidiano

São Paulo – A primeira edição da mostra Doc Gastronômica traz filmes que discutem a culinária como parte da vida cotidiana. Os documentários podem ser vistos, gratuitamente, de 23 a 25 de setembro no Cine Livraria Cultura, região central da capital paulista. “A gastronomia é uma área multidisciplinar que envolve história, sociologia, engenharia, comunicação, e antropologia. Um prato de comida ou um alimento é complexo. É repleto de referências”, disse a organizadora da mostra Janka Babenco.

Segundo Janka, a ideia do festival deixar claro que a gastronomia não está ligada somente à alta cozinha ou alimentos especiais. “É mudar o foco e discutir a gastronomia com todo mundo. Não com uma elite. Não com quem pode frequentar restaurante. Não com quem produz coisas extraordinárias. Com qualquer pessoa. Qualquer pessoa tem que comer para viver, não?”, declarou.

Essa abordagem já é encontrada, de acordo com Janka, em um grande número de produções internacionais, mas está pouco presente em filmes brasileiros, apesar da grande produção nacional de documentários. “Tem muita produção estrangeira. Muita gente que já faz documentários com esse olhar, com qualidade estética e narrativa muito boa”.

Uma das produções aborda o complexo esquema de entrega de comida que enfrenta o caótico tráfego indiano. “É sobre um esquema de delivery de comida que tem na Índia, em Mumbay, que é uma loucura de qualidade logística e eficiência de entregas de marmita”, disse a organizadora sobre Dabbawala – The Lunch Box Miracle.

Em O Mineiro e o Queijo, o diretor Helvécio Ratton resgata a história da técnica de produção artesanal de um dos produtos mais tradicionais de Minas Gerais. O modelo trazido por aventureiros portugueses que vieram em busca de ouro no século 18 e sustenta atualmente quase 30 mil famílias.

Dispositivo transforma celular e tablet em escâner 3D

Jornal GGN – Um gadget desenvolvido especialmente para smartphones para transformar a câmera dos aparelhos em captores de imagens 3D, gerando arquivos específicos para serem usados em impressoras de três dimensões. Na prática, seria como poder fazer uma cópia real de um objeto após fazer uma foto usando o telefone celular. O Structure Sensor foi desenvolvido pela empresa Occipital, que lançou a tecnologia em uma plataforma web para angariar doações para a continuidade do desenvolvimento e aprimoramento do dispositivo.

Mas as aplicações do dispositivo não se limitariam apenas a capturar objetos e transferir os esquemas para uma impressora 3D. Segundo Jeff Powers, CEO da empresa, o Structure Sensor tem um alcance de 3,5 metros, permitindo que o usuário possa, por exemplo, escanear uma sala inteira. Além disso, também é possível escanear objetos e compartilhar os modelos com outras pessoas. Outro recurso do dispositivo é usar os objetos escaneados digitalmente para jogar games de realidade aumentada.

Uma funcionalidade extra, com LEDs infravermelhos, permitirão que os usuários possam escanear objetos e ambientes mesmo à noite, por meio de um tipo de visão noturna. O Structure Sensor foi desenvolvido com apoio da PrimeSense, empresa responsável pelo conhecido Kinect, e que desenvolveu o modelo original junto com a Occipital. A primeira versão do gadget será otimizado para o iPad de quarta geração, mas a empresa distribuirá a plataforma de desenvolvimento para empresas e desenvolvedores criem versões do aplicativo compatíveis com Android, Windows, Mac OS X e Linux.

Atualmente em fase de captação de recursos no Kickstarter, o dispositivo deve facilmente atingir a meta de US$ 100 mil até o fim da campanha, uma vez que em pouco tempo arrecadou 68 mil dólares. Uma contribuição de US$ 329 garante o dispositivo, cujo lançamento está previsto para novembro, aos colaboradores da campanha de arrecadação de fundos.

Brasil está em 14º lugar no ranking mundial de pesquisas científicas

Os cientistas brasileiros publicaram 46,7 mil artigos científicos em periódicos no ano passado, número que coloca o Brasil em 14º lugar como produtor mundial de pesquisas. Segundo o relatório feito pela empresa Thomson Reuters, isso equivale a 2,2% de tudo o que foi publicado no mundo, em 2012. Nos últimos 20 anos, o país subiu dez posições nesse ranking.

A China conquistou o primeiro lugar nesse levantamento, seguida por Estados Unidos, Japão e Europa. O trabalho foi feito em parceria com o Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

No Brasil, o ramo científico que mais produziu artigos foi a medicina clínica. No período de 2008 a 2012, foram produzidos quase 35 mil artigos. Em segundo lugar, ficou a ciência de plantas e animais, com 19,5 mil artigos no mesmo período. Ciências agrárias produziram 13,5 mil artigos entre 2008 e 2012. O maior crescimento foi visto nas ciências sociais e gerais, que saltaram de 1,5 mil entre 2003 e 2007 para 9,8 mil entre 2008 e 2012.

Como consequência do aumento na produção científica, o pedido de patentes no país chegou a 170 mil no período de 2003 a 2012. Segundo o presidente do Inpi, Jorge Ávila, o órgão continua lidando com o forte crescimento do número de pedidos de patentes, que foi 33,5 mil em 2012, com projeção de alcançar 40 mil este ano.

Os maiores detentores de patentes no país, revelou a pesquisa, foram a Petrobras e as universidades públicas. De 2003 a 2012, a Petrobras registrou 450 patentes. Logo atrás, veio a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com 395 patentes. Em terceiro, ficou a USP (Universidade de São Paulo), com 284 patentes. A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) vem logo em seguida, com 163 patentes.

De acordo com o relatório, a ausência de empresas privadas na lista dos maiores detentores de patentes reflete um aspecto negativo do país. Como a demora na tramitação do processo pode chegar a oito anos, muitas empresas desistem, pois a tecnologia pode acabar se tornando obsoleta antes de a patente sair.

Bartô Galeno: o ídolo gentil das multidões

Por , via Blog do Luis Nassif

Unanimidade entre os fãs da música popular romântica, cantor e compositor citado e gravado por diversos cantores presentes nesta série, Bartô Galeno é tratado como rei por onde passa. Humilde, a voz macia e a cabeleira farta, é ainda um dos mais requisitados cantores de seu gênero, com uma agenda que pode chegar a cinco shows semanais. Aqui, acompanhado pela esposa Socorro, ao seu lado desde o início de sua carreira, Bartô fala sobre sucesso, bebida e uma possível – e sempre protelada – aposentadoria.

Sentando no camarim improvisado, Bartô Galeno não acreditava: eram 7h30 da manhã de um domingo e o largo do Arouche, região central de São Paulo, concentrava uma multidão. Essa tinha um caráter universal particular: era formada pelos novinhos, os coroas, os de mãos dadas, os solteiros, os que haviam acabado de chegar, os que, latinha na mão e pouco sóbrios, passaram a noite à procura de algo que não sabiam identificar. Mulheres e homens chamavam por seu nome.

Quando ele entrou, os cabelos em dramáticos cachos, veio o barulho: palmas, gritos, fotos, “Bartô!”, “Bartô!”. Era uma recepção e tanto, principalmente para um horário malvado daquele. O cantor, era verdade, estava acostumado a um público efusivo: 30 anos antes daquele 3 de abril de 2009, estava em um camarim improvisado no garimpo de Serra Pelada. Escutou os novinhos, os coroas, os vários solitários, todos homens e poucos sóbrios, as garrafas de cerveja na mão. Chamavam por seu nome. Palmas, gritos, “Bartô!”, “Bartô!” e tiros. Muitos tiros. Se assustou, a voz tremeu, se acalmou quando explicaram os disparos: “É porque gostam de você”. Era verdade: no fim do show, jogavam pepitas de ouro aos seus pés.

Das apresentações nos garimpos da selva amazonense (“era tanto nordestino ali isolado do resto do mundo”) até o show realizado na Virada Cultural paulistana, Bartô, nascido em 1950, 40 anos de carreira, esteve em frente a milhões de pessoas que o tratam como um rei. Modesto, nunca reclamou para si o título relacionado tanto àquele que é sua grande inspiração (Roberto Carlos) quanto a outro cantor que compartilha de sua seara musical (Reginaldo Rossi).

Mas a coroa, note-se, não é necessária: um exemplo é que o cantor e compositor de Sousa, na Paraíba, foi constantemente citado tanto pelos artistas que aparecem nesta série quanto pelos fãs da música popular romântica do país. Bartô chama atenção por onde passa: foi assim no dia da entrevista para esta reportagem, marcada em um shopping center no bairro do Meireles, em Fortaleza. No jardim do restaurante, um grupo de garçons reuniu-se para ver o cantor posar para fotos acompanhado por uma fita cassete. Antes, quando se dirigia ao local, um relógio dourado no pulso, o blue jeans à 70, acenou para fãs nos corredores. Fotos e “Bartô! Bartô!”.

Não é fácil precisar a afetividade instantânea que sentimos pelo cantor e compositor a partir de qualquer contato mais aproximado (em um show, em uma simples audição ou em uma entrevista de duas horas). Baixa estatura, magrinho, o cabelo meio RC nos anos “Lady Laura” (1978), a voz amaciada e meio tremida, ele é dono de uma conhecida simplicidade. Personifica o cara boa-praça que assume o tom conciliatório quando os egos ficam mais alterados, o moço simpático que não precisa sorrir mais alto, nem falar por último, nem mostrar que é o mais sagaz do grupo.

Simplificando: Bartô é gente boa. Um exemplo foi a postura do cantor durante esta conversa: várias de suas respostas foram interceptadas pela esposa, Socorro, com quem está casado desde 1975. Perguntou-se quando ele deixou a Paraíba para morar no Rio. “Ah, foi em 1969, no dia 2 de julho de 1969, eu…” “Ah, foi no dia em que a Apollo chegou à Lua… Ele sempre conta essa história.” O cantor sorri, toma outro gole de água e só responde: “É, foi, foi”. (A expressão em repeteco seria usada várias outras vezes, nos momentos em que Socorro tomou a fala para si.)

Mas antes de o homem chegar à Lua e Bartô ao Rio, há, é claro, a gênese do mito: o filho de João de Deus e Carlota foi pequeno, 10 anos, morar em Mossoró, Rio Grande do Norte (terra fértil dos cantores da música popular romântica, como atesta esta própria série). A família, que passava por dificuldades financeiras, logo montou um tabuleiro de frutas em uma pequena feira local.

Bastinho Silva, o futuro Galeno, ajudava a vender os produtos enquanto começava a tocar violão e a cantar. A voz agradava e chegou aos ouvidos de um locutor da rádio Rural, Manuel, dono de um programa de auditório. Bastinho terminou lá no palco, aplaudido (começava ali sua relação de amor com o público).

Aí veio 1969: enquanto a ditadura militar provocava dor e assombro para alguns e felicidade e segurança para outros, o rapaz vencia o concurso “A Mais Bela Voz”. O título foi a mola que o impulsionou para o Recife. “Fiquei por lá somente duas semanas.” Trabalhou em um restaurante, arrumou as malas, foi para São Paulo, se aquietou no Rio.

Não foi uma chegada solitária, é verdade: quem estava por lá era Oséas Lopes, o futuro Carlos André (presente nesta série), que mais tarde viraria estrela com ”Se Meu Amor Não Chegar” (1974). Era, no entanto, já prestigiado por conta do Trio Mossoró – o grupo já havia encontrado o menino de Sousa em São Paulo, e foi lá que Bastinho morreu para dar vez a Bartô.

“Isso não é nome de artista”, disseram. Na operação do rebatizado, o Bartolomeu tomou o rumo natural do Bartô, mas o sobrenome era um problema. Pensaram até em manter o Silva, mas era simplicidade demais para concorrer com os adrianis e sorianos do momento. Aí surgiu o Galeno, bom reforço para o desenvolvimento da gênese do mito.

No Rio, Bartô escreveu canções para nomes como Odair José e Genival Santos (o homem do “Eu Lhe Peguei no Flagra“, presente nesta série), também para Carlos André e Fernando Mendes. Seu parceiro mais comum era Antônio Pires (irmão do cantor Roberto Müller, outro dos sete cantores de coração partido trazidos neste especial). Havia uma espécie de fraternidade entre os diversos cantores nordestinos que tentavam ocupar um espaço legítimo em meio a imensa produção fonográfica carioca. “Era tudo muito difícil, mas nós nos ajudávamos. Escrevíamos à mesa, saíamos para beber e compor”, lembra.

Começou a ganhar dinheiro com a composição, mas não havia esquecido do título de Mais Bela Voz. Queria cantar. Como era comum na época, passou pelos programas de auditório, entre eles, é claro, o de Chacrinha. Bartô lembra-se bem da longa fila para o teste, no qual a triagem era baseada em um enorme pragmatismo: “Esse canta, esse não canta, esse só tem boniteza, bota ele pra cá”.

Com a ajuda de Carlos André, que estava trabalhando na Copacabana, conseguiu ser apresentado aos produtores da gravadora Tapecar. Em 1975, gravou o LP Só lembranças, lançado no ano seguinte. O álbum, relançado em 1978, fez sucesso: “Cadeira Vazia” e “Amor Vagabundo” tornaram-se hits.

Em 1977, veio Pelo menos uma palavra, que antecedeu aquele que seria o Sgt. Pepper’s, o Dark Side of the Moon de Bartô: o LP No Toca-Fitas do Meu Carro, cuja faixa-título o elevou para o panteão da música popular romântica nacional. A música, autobiográfica, foi inspirada nos momentos de solidão que o cantor passou enquanto dirigia seu Chevette, o primeiro carro que comprou na vida.

Bartô diz que praticamente sustentava toda a Tapecar com a venda dos seus discos – o sucesso fez com que o cantor passasse por gravadoras maiores, como a WEA, a Continental, a RGE (nos anos 90, ele também foi lançado pela recifense Polydisc).

Vendas e cabeleiras fartas, ele manteve a mão no freio e não deixou o sucesso provocar abalroamentos: continuou a prezar pela própria humildade. Mantinha, também, o hábito de beber com os colegas cantores e compositores. Socorro, que compartilha a entrevista e uma água mineral com o marido, conta que era uma época difícil. “Ele saía e não voltava, passava dias fora de casa.” Enfrentava, não em um Chevette, mas em casa, a solidão quando o marido saía em turnê. “Eu chorava, me sentia só.” Bartô, lembrando-se das farras e dos shows com os amigos, pensa alto o que talvez não devesse ser verbalizado: “Era tão bom…”.

Hoje, com a saúde mais frágil, ele jura ter deixado a bebida para trás. Precisa de fato cuidar de si para dar conta da agenda apertada: há noites em que faz três shows. “Eu penso em parar, mas, quando acaba um mês, já tem outro todo lotado.” Geralmente, vende as apresentações em uma espécie de “pacote”: três shows comprados por determinado cliente saem por R$ 15 mil. Se for um show único, o preço é elevado. Apresenta-se bastante no Sudeste, onde vive (Rio de Janeiro).

Os shows são concorridos e é comum, segundo ele, encontrar jovens que estão o descobrindo agora. Os depoimentos dos novos fãs por vezes provocam o riso do cantor. “Eles dizem ‘meu pai, quando era vivo, gostava de você’, ou então ‘ele não bebe mais, mas quando bebia, curtia muito seus discos’”, conta. Outra gafe comum – e que Bartô adora falar – é confundirem músicas populares de outros cantores como sendo dele. “Bartô, canta ‘Fuscão Preto’”, “Bartô, canta ’no hospital, na sala de cirurgia’.” Ri de novo.

Pouco depois, quando lhe pedem para se enrolar na fita cassete que remete ao seu maior sucesso, ele se anima. Apesar de meio abatido (Bartô estava doente no dia da entrevista), apesar de estar a poucas horas de realizar mais um shows, ele passa quase uma hora posando para fotos. No final, enrola toda a fita magnética. “Vão precisar dela? Quero pra mim.” Levou a fita como uma espécie de suvenir de mais um dia de trabalho. Como se a celebridade, quem devesse ser cortejado e lembrado, não fosse ele.

Fabiana Moraes é jornalista e socióloga, repórter especial do Jornal do Commercio (Recife), autora de reportagens especiais como “Ave Maria“, “A Vida é Nelson“, “O nascimento de Joicy” (Prêmio Esso de reportagem em 2011) e “Os sertões” (Esso de Jornalismo em 2009). Publicou, no formato livro-reportagem, Os Sertões (2011) e Nabuco em Pretos e Brancos (2012). A série “O clube dos corações partidos” foi publicada originalmente no Jornal do Commercio.

Telejornais brasileiros têm queda recorde de audiência

Ricardo Feltrin, via UOl

 

Um possível efeito da overdose de informação e noticiário presentes na internet pode já ter causado a primeira vítima “oficial”: o jornalismo na TV ou telejornalismo. Dados exclusivos obtidos pelo programa Ooops!, apontam que praticamente todos os principais telejornais da TV aberta brasileira amargam grandes perdas de ibope este ano, na comparação com o ano passado.

 

Os jornais até então considerados os mais “badalados” da TV brasileira, como o “Jornal Nacional”, da Globo, chegou a perder 12% de Ibope este ano, até 31 de agosto. O cultuado “Jornal da Band” também não ficou livre da perda de 12%. O pior resultado ficou com o “RedeTV! News”, que viu este ano quase metade de seu público desaparecer (41%; veja tabela abaixo).

 

Os dois principais telejornais do SBT também registraram queda, embora menores que os concorrentes. O “SBT Brasil” perdeu 3% de audiência e o “Jornal do SBT” caiu 6%

Esse pode ser um dos motivos para que Silvio Santos tenha retomado a ideia de ressuscitar pela enésima vez o “Aqui Agora”, jornal popularesco que poderia concorrer diretamente com o “Cidade Alerta” (Record) e o “Brasil Urgente” (Band).

 

Cabe notar que em todo esse balanço, a única emissora que conseguiu crescer, ainda que pouquinho, na área de telejornais, foi a Record?

A estranha história de Roberto Freire, por Sebastião Nery

Por Sebastião Nery

Via Brasil 247

A ESTRANHA HISTÓRIA DE ROBERTO FREIRE

Em 1970, no horror do Ai-5, o general Médici, mais feroz dos ditadores de 64, nomeou procurador do Incra o jovem advogado pernambucano Roberto João Pereira Freira, de 28 anos

O único político brasileiro da oposição (que se diz da oposição) que aplaudiu José Serra, o Elias Maluco eleitoral, por ter anunciado que agora é hora de destruir Lula, foi o senador Roberto Freire, presidente do Partido Popular Socialista (PPS, a sigla que sobrou do assassinato do saudoso Partido Comunista, melhor escola política brasileira do século passado). Disse: “Serra presta um serviço à democracia”.

Para Roberto Freire, “desconstruir”, destruir, eliminar o principal candidato da oposição e das esquerdas (com 42% nas pesquisas) é um “serviço à democracia”. Gama e Silva nunca teve coragem de dizer isso. Armando Falcão também não. Nem mesmo Newton Cruz. Só o delegado Fleury. Ninguém entendeu. Porque não conhecem a história de Roberto Freire.

Aprovado pelo SNI

Em 1970, no horror do AI-5, quando tantos de nós mal havíamos saído da cadeia ou ainda lá estavam, muitos sendo torturados e assassinados, o general Médici, o mais feroz dos ditadores de 64, nomeou procurador (sic) do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) o jovem advogado pernambucano Roberto João Pereira Freire, de 28 anos.

Não era um cargozinho qualquer, nem ele um qualquer. “Militante do Partido Comunista desde o tempo de estudante, formado em Direito em 66 pela Universidade Federal de Pernambuco, participou da organização das primeiras Ligas Camponesas na Zona da Mata” (segundo o “Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro”, da Fundação Getulio Vargas-Cpdoc).

Será que os comandantes do IV Exército e os generais Golbery (governo Castelo), Médici (governo Costa e Silva) e Fontoura (governo Médici), que chefiaram o SNI de 64 a 74, eram tão debilóides a ponto de nomearem procurador do Incra, o órgão nacional encarregado de impedir a reforma agrária, exatamente um conhecido dirigente universitário comunista e aliado do heróico Francisco Julião nas revolucionárias Ligas Camponesas?

Os mesmos que, em 64, na primeira hora, cassaram Celso Furtado por haver criado a Sudene, cataram e prenderam Julião, e desfilaram pelas ruas de Recife com o valente Gregório Bezerra puxado por uma corda no pescoço, puseram, em 70, o jovem líder comunista para “fazer” a reforma agrária.

Não estou insinuando nada, afirmando nada. Só perguntando. E, como ensina o humor de meu amigo Agildo Ribeiro, perguntar não ofende.

Sempre governista

Em 72, sempre no PCB (e no Incra do SNI!) foi candidato a prefeito de Olinda, pelo MDB. Perdeu. Em 74, deputado estadual (22.483 votos). Em 78, deputado federal, reeleito em 82. Em 85, candidato a prefeito de Recife, pelo PCB, derrotado por Jarbas Vasconcellos (PSB). Em 86, constituinte (pelo PCB, aliado ao PMDB e ao governo Sarney). Em 89, candidato a presidente pelo PCB (1,06% dos votos).

Reeleito em 90, fechou o PCB em 92, abriu o PPS e foi líder, na Câmara, de Itamar, com cujo apoio se elegeu senador em 94 e logo aderiu ao governo de Fernando Henrique. Em 96, candidato a prefeito de Recife, perdeu pela segunda vez (para Roberto Magalhães).

Agora, sem condições de voltar ao Senado, aliou-se ao PMDB e PFL de Pernambuco, para tentar ser deputado. Uma política nanica, sempre governista, fingindo oposição.

Agente de FHC

Em 98, para Fernando Henrique comprar a reeleição, havia uma condição sine qua non: impedir que o PMDB lançasse Itamar candidato a presidente. Sem o PMDB, a reeleição não seria aprovada. Mas o PMDB só sairia para a candidatura própria se houvesse alianças. E surgiram negociações para uma aliança PMDB-PPS, uma chapa Itamar-Ciro.

Fernando Henrique ficou apavorado. E Roberto Freire, agente de FHC, o salvou, lançando Ciro a presidente. Isolado, o PMDB viu sua convenção explodida pelo dinheiro do DNER, Itamar sem legenda e a reeleição aprovada.

Durante quatro anos, Roberto Freire saracoteou nos palácios do Planalto e da Alvorada, sempre fingindo independência, mas líder da “bancada da madrugada” (de dia se diz oposição, de noite negocia no escurinho do governo).

Quinta-coluna

No ano passado, na hora de articular as candidaturas a presidente, o PT (sobretudo o talento e a competência política de José Dirceu) começou a pensar numa aliança PT-PPS, para a chapa Lula-Ciro. Itamar disse que apoiava. O PSB de Arraes também. Fernando Henrique, o PSDB e Serra se apavoraram. Mas Roberto Freire estava lá para isso. Novamente lançou Ciro, para impedir uma aliança das oposições com Ciro vice de Lula.

Fora dos cálculos de FHC e Roberto Freire, Ciro começou a crescer. Mas, quando o PFL, sem Roseana, quis apoiar Ciro, dando espaços nos estados e na TV, Roberto Freire, aliado em Pernambuco de Marco Maciel, o líder da direita do PFL, vetou o PFL com Ciro. Como se chama isso? Uns, “agente”. Stalin chamava “quinta-coluna”.

Cid Gomes e mais dez governadores estão com mandatos sob suspeita no TSE

A um ano das próximas eleições, 11 governadores estão com seus mandatos pendurados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E não há prazo para julgamento desses casos, o que aumenta as chances de eventuais cassações perderem o efeito no tempo. Entre os governadores à espera de decisão no TSE, estão Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, Antônio Anastasia (PSDB), de Minas Gerais, Cid Gomes (PSB), do Ceará, e Roseana Sarney (PMDB), do Maranhão (lista completa).  Mas todos esses processos, que envolvem suspeitas de compra de votos, corrupção e abuso do poder econômico durante as eleições, correm o risco de serem arquivados de uma só vez por uma questão de natureza técnica. Está na pauta do TSE, nesta terça-feira (17), a retomada de um julgamento que pode tornar sem efeito os chamados Recursos contra a Expedição de Diploma (RECD), utilizados pelo Ministério Público Eleitoral e por adversários políticos para contestar o mandato dos governadores. 

Caso os ministros decidam que esse tipo de recurso não tem poder de retirar mandato eletivo, os processos contra os 11 governadores podem ir diretamente para o arquivo, segundo advogados ouvidos pelo Congresso em Foco.

No final de agosto, o ministro Dias Toffoli votou pelo arquivamento da denúncia contra o deputado Assis Carvalho (PT-PI), acusado de comprar votos em sua eleição para a Câmara, em 2010. Relator da ação contra Assis, Toffoli disse que a Constituição não permite usar os dos recursos contra a expedição de diploma (RCED) para pedir a cassação do mandato de um político. De acordo com o ministro, o único instrumento adequado, nesses casos, é uma ação de impugnação de mandato eletivo (Aime).

O julgamento, previsto para ser retomado hoje, foi suspenso após um pedido de vista do ministro Castro Meira. Na ocasião, a ministra Laurita Vaz discordou de Toffoli. Para ela, tanto os recursos contra expedição de diploma quanto as ações de impugnação de mandato podem, sim, ser utilizadas para eventualmente cassarem um mandato. “A matéria não é nova e, desde há muito, restou definido que [a Aime] não representou a extinção do Recurso Contra Expedição de Diploma”, disse Laurita. Os demais ministros ainda não se manifestaram sobre o assunto.

Se o tribunal decidir pela inadequação dos recursos contra expedição de diploma, as denúncias contra os governadores devem perder o efeito. Não se sabe ao certo se isso aconteceria de forma automática ou seria necessário um novo julgamento. Mas a avaliação é que, naturalmente, o TSE iria optar por julgar causas técnicas e repetidas de uma só vez. “É um impressionante casuísmo. É pra salvar esses onze governadores”, critica Neudo Campos (PP), ex-governador de Roraima que tenta assumir o governo cassando o atual governador do estado.

Único julgamento

Há dois anos, o tribunal tinha 12 casos de governadores para serem julgados. De lá para cá, julgou um único processo. Absolveu a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), das acusações de abuso de poder econômico e político, uso indevido dos meios de comunicação social e gastos irregulares nas eleições de 2010. A denúncia foi feita pelos adversários na disputa. Desde então, o TSE não julgou nenhum outro governador.

A falta de decisão tira a esperança de políticos adversários, que querem assumir os governos caso sejam comprovadas as denúncias. Em Roraima, por exemplo, o governador Anchieta Júnior (PSDB) é acusado pelo ex-governador Neudo Campos, segundo colocado na disputa pelo governo, de usar os meios de comunicação indevidamente e cometer abuso de poder político e econômico. O Tribunal Regional Eleitoral chegou a cassar o mandato de Anchieta, mas uma liminar do ministro do TSE Arnaldo Versiani suspendeu a decisão.

Neudo venceu o primeiro turno das eleições, mas perdeu para Anchieta no segundo, por uma diferença de 1.759 votos. “O governador vem se dando bem. São dois anos e nove meses sem julgamento. O crime compensou”, disse ele à reportagem na manhã desta terça-feira. Anchieta nega as acusações contra si. Duas ou três vezes por mês, o ex-governador vem a Brasília na esperança de ver o caso julgado. O processo já teve três relatores e hoje está nas mãos de Castro Meira.

Ironicamente, se for determinada a cassação de Anchieta Júnior, assumiria o governo o mesmo Neudo Campos, que, em 2011, foi condenado a 16 anos de prisão pela 1ª Vara Criminal de Boa Vista, por peculato e formação de quadrilha, consequência do escândalo dos “gafanhotos” na folha de pagamento do estado na época em que ele governava Roraima. Mas aliados de Anchieta fazem questão de lembrar que, se cassado o atual governador, assumiria um político condenado criminalmente pela Justiça e que já foi até preso pela Polícia Federal, em 2003.

Neudo nega as acusações e diz que tudo é perseguição do juiz da 1a Vara Criminal, que considera seu “inimigo” por “persegui-lo” desde seu primeiro governo, em 1994. “Todas as minhas condenações são dele. Os meus adversários são sempre amigos dele.”

Sem prioridade

A assessoria do TSE afirmou à reportagem que o tribunal não prioriza nenhum processo, seja de políticos de grande ou menor expressão no cenário nacional. “Não há priorização nenhuma”, disse a assessoria. “Alguns processos são mais demorados e não chegam aqui prontos”, justificaram os assessores da corte.

Via http://congressoemfoco.uol.com.br/

Helenita Acioli: Procuradora-geral defende liberdade sexual nas Forças Armadas

FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

A procuradora-geral da República em exercício, Helenita Acioli, defendeu a liberdade sexual nas Forças Armadas em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).  A procuradora pediu ao Supremo a anulação do Artigo 235 do Código Penal Militar (CPM), que prevê pena de seis meses a um ano de prisão para o crime de pederastia. A ação é relatada pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Na ação enviada ao Supremo, a procuradora diz que considerar a prática de sexo nas instalações militares como crime de pederastia é inconstitucional, porque afronta os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade e da liberdade.   “Defende-se inexistir fundamento na atual Constituição que sustente a permanência do crime de pederastia no ordenamento jurídico brasileiro, tendo em vista que é nitidamente discriminatório”, disse a procuradora.

De acordo com Artigo 235 do Código Penal Militar (CPM), em vigor desde 1969, é crime sexual nas Forças Armadas “praticar ou permitir o militar que com ele se pratique ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito a administração militar”.

Na ação, Helenita Acioli também defende a liberdade sexual nas instalações militares. Segundo a procuradora, a atual norma criminaliza o ato sexual consensual. “Impedir o ato sexual voluntário afronta dignidade da pessoa humana. Afinal, Freud nos ensinou que a saúde mental está diretamente vinculada à possibilidade de alocar libido, isto é, de investir energia sexual nos objetos de desejos. A privação do desejo sexual é, portanto, um atentado à busca pela felicidade”, argumentou a procuradora.

Helenita diz ainda que as punições somente ocorrer em casos de assédio sexual. “O que se poderia punir é o assédio sexual, visto que é ato que tenta impor a sexualidade de um sobre o de outro, sem seu consentimento. Não pode haver criminalização, entretanto, do exercício pleno da sexualidade consensual entre dois adultos, ainda mais quando os indivíduos não estejam exercendo qualquer função”, disse.

(Agência Brasil)

Sidney Daniel Magalhães: Policial Militar morre em acidente com motocicleta em Fortaleza

No dia do anúncio  oficial do novo Comando da Polícia Militar, uma notícia triste para a tropa. Um policial militar morre em acidente de trânsito nas ruas de Fortaleza. O fato ocorreu há cerca de 40 minutos, no cruzamento da Avenida Miguel Dias com a Rua Almirante Maximiniano da Fonseca, no bairro Luciano Cavalcante.

O soldado PM  Sidney Daniel Magalhães (SD Magalhães), 31 anos, classificado na 4ªCompanhia do 5º BPM (Tancredo Neves), trafegava em sua motocicleta  particular quando foi colhido por uma caçamba que recolhia entulho no bairro.

O motorista da caçamba, identificado como Jailton Araújo da Silva,  teria avançado a preferencial, causando o óbito do PM. Ele foi detido em flagrante por um outro PM que seguia próximo do colega de farda. Neste momento, o motorista está sendo ouvido no 13º DP (Cidade dos Funcionários).

(Diário do Nordeste)

Empresa cearense é condenada por adulteração em suco de uva

Justiça Federal condenou a empresa Sucos do Brasil S.A. a pagar indenização no valor de R$ 80 mil pela venda de “suco de uva adoçado”, da marca Jandaia, fora das especificações estabelecidas pelo o Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento. A ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) já havia sido julgada ano passado, a empresa apresentou recurso e, nesta segunda-feira (16), o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região no Recife decidiu, por unanimidade, a condenação.

Para que pudesse ser anunciado como suco de uva, o produto deveria conter, no mínimo, 90% de carbono de origem C3 (índice relacionado à quantidade de suco natural adicionado na fabricação de bebidas à base de frutas). Entretanto, uma análise feita pela Secretaria de Defesa Agropecuária apontou um percentual de apenas 14,7%.

Segundo o MPF, a indenização por dano moral coletivo se justifica porque um número indeterminado de pessoas, sem saber, pagou por um produto que não correspondia às especificações da embalagem.

Em nota divulgada à imprensa, a Sucos do Brasil S.A informou que ainda não recebeu a intimação acerca do julgamento e que aguarda a possibilidade de recurso à instância superior.

Na mesma nota oficial emitida por sua gerência jurídica, a Sucos do Brasil S.A alega que “a situação noticiada tratou-se de um caso isolado, limitando-se a um único lote específico do produto, decorrente de uma falha acidental, não intencional, ao longo do processo produtivo”. Contudo, o Ministério Público diverge da versão apresentada.

No recurso apresentado ao Tribunal, a empresa tentou reduzir o valor da indenização, alegando que a irregularidade limitou-se a um único lote do produto, além de não ter havido reclamações por parte dos consumidores. Disse ainda que o produto não causou danos à saúde de quem o consumiu. Para o MPF, entretanto, houve enriquecimento indevido por parte da empresa, que fabricou o produto com parte da matéria-prima em quantidade inferior à informada no rótulo.

Com informações do MPF, via Tribuna do Ceará

Ceará: Iniciada CCV da 7ª e 8ª horas do Banco do Brasil

As duas primeiras sessões de conciliação da CCV do Banco do Brasil (Comissão de Conciliação Voluntária) aconteceram nos dias 11 e 12/9, na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará. Estiveram nesses primeiros encontros com a representação da Gestão de Pessoas do BB, 22 funcionários do banco em busca de um acordo como estabelece a CCV, referente às 7ª e 8ª horas. Nas duas sessões, o montante conciliado foi de R$ 276.681,81.

Os pedidos de conciliação devem ser feitos no site do Sindicato e entregues  junto com a documentação necessária, na sede da entidade. Acesse: http://www.bancariosce.org.br/CCV.php.

Na CCV das 7ª e 8ª horas, a finalidade é a quitação das horas extras irregulares dos cargos de natureza técnica, em virtude da implantação do novo Plano de Funções. Os bancários que já migraram para jornada de seis horas do novo plano ou exerceram cargos de assistente e analista nos últimos cinco anos podem requerer acordo pela CCV.

A CCV é uma mesa de conciliação que tem como objetivo resolver pendências trabalhistas através de um acordo extrajudicial entre funcionários da ativa e o banco – sendo o Sindicato o local onde o bancário protocolará a demanda. Dessa forma, tenta-se solucionar os passivos trabalhistas antes de se chegar à instância judicial. Os pedidos de conciliação podem ser feitos junto ao Sindicato e apresentar suas demandas.

A Comissão permite uma resolução extrajudicial evitando a longa espera dos processos judiciais e sua instalação suspende por 180 dias as ações movidas pelo Sindicato contra o Banco do Brasil. A adesão ao Acordo Aditivo que instalou a CCV das 7ª e 8ª horas foi aprovada pelos funcionários do BB em assembleia realizada no último dia 9 de julho.

(Sindicato dos Bancários do Ceará)

Botequim dos Bancários do Ceará, Edição de Setembro, acontece em clima de flasback

A sexta edição do Botequim dos Bancários acontece no dia 27/9, a partir das 18h30, e traz, como sempre, uma seleção de atrações para todos os gostos.

No quadro “Conversa de Botequim”, o jornalista Nelson Augusto conversa com Gilberto Gomes. Funcionário da Caixa Econômica Federal desde 1989, Gilberto sempre conciliou seu trabalho no banco com a paixão de cantar e dançar sucessos de Elvis Presley, seu maior ídolo desde criança.

Em seguida, acontece a seletiva estadual da Apcef/CE para o Música Fenae 2013. O evento acontece desde 1986 e a cada dois anos é selecionado um representante de cada estado para participar do Música Fenae, ação desenvolvida pela Apcef como incentivo à arte e à criatividade. A seleção do representante do Ceará será no Botequim dos Bancários. O escolhido participará da final do certame a se realizar de 4 a 6/12, em Belém (PA).

No quadro Talento Bancário, Jorge André Sales, funcionário do Banco do Brasil há 26 anos, interpreta, com a banda Clip Music, sucessos nacionais e internacionais da jovem guarda, de artistas como Incríveis, The Pop’s, Renato e Seus Blue Caps, Leno e Lilian, Golden Boys, Fevers, Beatles, Pholhas, Bee Gees entre outros.

Na sequência, o Balé Folclórico Arte Popular de Fortaleza faz uma apresentação especial inspirada nos ritmos carimbó, lundú e siriá, entre outros.

Encerrando a noite, teremos o show da banda Os Transacionais, que fazem um resgate da autêntica “música retrô brasileira”, independente de estilos, movimentos e/ou rótulos. Os Transacionais surgem como uma proposta de resgatar o melhor da música brasileira produzida nas décadas de 60 e 70, indo do Iê-Iê-Iê ao rock psicodélico, passeando pelo samba-rock e carimbó, unindo a peculiaridade do brega e descontração da surf-music. O projeto da banda visa resgatar a memória musical daquele período através de um trabalho sério de pesquisa de época e experimentação.

O Botequim dos Bancários de setembro terá ainda, como nas duas últimas edições, a participação especial do humorista Zebrinha, que já participou de programas como Domingão do Faustão, Domingo Legal, Esporte Espetacular, Show do Tom, entre outros.

Promoção Vale Conta – Quem é bancário sindicalizado pode se cadastrar no site do Sindicato (www.bancariosce.org.br/sorteio.php) para, durante o Botequim, concorrer a quatro vales conta no valor de R$ 100,00 cada. As inscrições podem ser feitas até às 14 horas do dia da festa, 27/9.

Clone – O Sindicato dos Bancários do Ceará oferece desde a 1ª edição do Botequim clone de cerveja, refrigerante, água e whisky. Significa que ao adquirir umas das bebidas mencionadas, o bancário recebe outra grátis.

Estacionamento grátis – Os bancários sindicalizados terão acesso gratuito ao estacionamento localizado em frente à sede do Sindicato (Rua 24 de Maio, 1250 – esquina com a Rua Meton de Alencar), até a sua lotação. As vagas serão ocupadas por ordem de chegada e serão disponibilizadas mediante apresentação da carteira de sindicalização.

(Sindicato dos Bancários do Ceará)

Médicos estrangeiros são recepcionados com jantar no Sindicato dos Bancários do Ceará

Os  médicos estrangeiros que chegaram ao Ceará pelo Mais Médicos, foram homenageados pelo movimento sindical na última sexta-feira, dia 13/9, tendo à frente entidades como o Sindicato dos Bancários do Ceará e Sindicato dos Comerciários de Fortaleza, além da Casa da Amizade Brasil-Cuba no Ceará.

O grupo é composto de 96 médicos estrangeiros que estiveram fazendo o curso de atenção básica de saúde e português no Ceará. Esse grupo foi recepcionado com jantar na sede do Sindicato dos Bancários, na noite de sexta-feira, 13/9. No final de semana, os médicos estrangeiros já seguiram para as cidades onde irão trabalhar, espalhadas por várias regiões do Nordeste.

“Estamos seguros. Confiamos no povo brasileiro e temos uma tarefa que vamos cumprir”, afirmou o médico cubano José Armando Molina. Segundo “conhecemos o povo brasileiro como irmão, assim como somos dele. Estamos aqui para trabalhar para o povo brasileiro, em solidariedade”, disse.

“Temos que ser respeitosos com esses profissionais mais que amigos, irmãos”. disse o presidente da Casa da Amizade Brasil-Cuba no Ceará, Antônio Ibiapina.

Outras entidades participaram da recepção aos médicos estrangeiros, tais como a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a UJS, a União Nacional dos Estudantes a União Brasileira de Mulheres.

(Sindicato dos Bancários do Ceará)

Advogado paranaense é processado após defender exclusão do Norte e Nordeste

O advogado paranaense Gustavo Zanelli Ferreira causou polêmica nesta semana após fazer postagens no Facebook defendendo a separação do Norte e Nordeste e parte do Centro-Oeste do Sul e Sudeste. Ele também ofendeu os maranhenses na rede social, e agora o MPE (Ministério Público Estadual) no Maranhão encaminhou notícia-crime à Justiça e uma representação à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Estado contra o advogado.

Em uma das postagens na rede social, Zanelli escreveu: “Se houvesse essa possibilidade [da separação], eu seria o primeiro a dar início a guerra para a devida separação… Infelizmente essa possibilidade não existe. Mas se houvesse essa possibilidade nós, aí do Brasil, seríamos um país de primeiro mundo”.

Em outra postagem, o paranaense, que é radicado no Maranhão, disse que tenta “constantemente” ver “alguma qualidade nesse povo”, mas que “é impossível infelizmente”. no Estado em serviço e deve ficar até o fim do ano, mas não sabe se “vai suportar” os maranhenses.

Após o caso ganhar repercussão na imprensa local, o advogado excluiu as postagens e restringiu o acesso às suas imagens e atualizações.

A procuradora-geral de Justiça do Maranhão, Regina Lúcia de Almeida Rocha, encaminhou as manifestações na tarde desta quinta-feira (12). Na notícia-crime, ela argumentou o pedido com a lei que classifica como crime quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A pena prevista para esse crime é de dois a cinco anos de reclusão mais multa.

Zanelli, contudo, nega a autoria dos textos e afirma que seu perfil no Facebook teria sido invadido.

 (Portal Bem Paraná)

Uece abre inscrição para vestibular de 2014

A Universidade Estadual do Ceará (UECE) iniciou nesta segunda (16) as inscrições do primeiro vestibular de 2014 para cursos de graduação. As inscrições serão realizadas até o dia 29 de setembro, exclusivamente no site da instituição para os candidatos pagantes integral e com isenção de 50%.

Ao todo são ofertadas 2.276 vagas, sendo 1.226 para os cursos da Capital e 1.050 para as unidades do interior. A taxa é de R$ 100, paga com boleto bancário que deve ser emitido via internet até às 23h59 do dia 29 de setembro.

O processo seletivo é realizado em duas fases. A primeira será Conhecimentos Gerais, realizada no dia 10 de novembro, com questões múltipla-escolha. A segunda fase é composta por quatro provas, uma de Redação e as outras três de Conhecimento Específico, que varia de acordo com o curso escolhido pelo candidato.

No formulário de inscrição, o candidato deve informar o curso e a língua estrangeira (Inglês, Francês ou Espanhol) de sua escolha.

Confira o Manual do Candidato e o Formulário de Inscrição.

(Tribuna do Ceará)

 

Delegacia do Nova Metrópole, em Caucaia, sofre dois atentados em quatro horas

FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

O 23° Distrito Policial (DP), localizado em Nova Metrópole, sofreu dois atentados na noite deste domingo (15). Segundo Ana Paula Cavalcante, vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpoce), um motoqueiro apareceu por volta das 22h em frente à delegacia e realizou seis disparos com uma pistola de calibre 9 milímetros. Um dos disparos atravessou a parede.

Mais tarde, aproximadamente às 2h da madrugada desta segunda (16), o homem retornou, disparando mais três vezes contra o prédio. A representante do sindicato acredita que o ataque tenha relação com alguma das investigações em andamento. “Certamente é por conta do trabalho de lá, alguém se sentiu ameaçado. É uma possibilidade”.

No momento do ataque, somente um policial estava no prédio e não ficou ferido. A polícia está investigando o caso.

(Tribuna do Ceará)

Denúncia revela fila de 65 pessoas à espera de UTI no HGF

foto meramente ilustrativa

Quando o tempo não pode mais esperar. Assim, é a vida de quem precisa de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Realizando uma ´blitz´, integrantes do Instituto Vida visitaram, na manhã de ontem, a emergência do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e denunciaram as dificuldades de acesso ao serviços de urgência.

Segundo relato do coordenador da organização, João Mota, até as 13h do domingo, 65 pessoas estavam na fila da Central de Regulação de Fortaleza à espera por uma vaga de UTI. A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), porém, não tinha informações sobre o assunto e deve se pronunciar somente hoje.

“O órgão me confirmou esse número. Todas doentes em estado gravíssimo, necessitando de leitos. Dentre estes, três estão com liminares da justiça. Não existem vagas e provavelmente morrerão ou ficarão sequelados para o resto da vida“, afirma João Mota. Para reforçar a gravidade da situação, o Instituto Vida fez coleta de assinaturas, ontem, para um abaixo-assinado exigindo mais vagas.

O HGF comunica que toda a distribuição e regulação desses leitos são feitas pelas centrais de regulação. Portanto, não é competência desse hospital gerir essa distribuição. Vale ressaltar ainda que o hospital conta com 38 leitos de UTI´s para adultos e novos 14 leitos de internação para pacientes crônicos que chegam à emergência.

(Diário do Nordeste)

Comandante da PM e Delegado Geral da Polícia Civil do Ceará são exonerados

FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

A Assessoria da Secretaria de Segurança Pública acaba de informar as mudanças feitas pelo secretário Servilho Paiva nos comandos das Polícias Militar e Civil. Entre os exonerados estão o comandante da PM, Cel. Werisleik, e o Delegado geral da Polícia Civil, Luiz Carlos Dantas.

Veja abaixo a lista com as outras alterações

Polícia Civil:

Exonerar, a pedido, do cargo de Delegado Geral: Luiz Carlos Araújo Dantas.

Nomear para assumir o cargo de Delegado Geral: Raimundo de Sousa Andrade Júnior.

Exonerar, a pedido, do cargo de Delegado Geral Adjunto: José Nival Freire da Silva.

Nomear para assumir o cargo de Delegado Geral Adjunto: Marcus Vinícius Sabóia Rattacaso.

Exonerar, a pedido, do cargo de Chefe de Gabinete: Antonio Castelo de Barros.

Nomear para assumir o cargo de Chefe de Gabinete: Rafael Bezerra Cardoso.

Polícia Militar:

Exonerar, a pedido, do cargo de Comandante Geral da PM: Cel Werisleik Pontes Matias.

Nomear para assumir o cargo de Comandante Geral da PM: Cel Lauro Carlos de Araújo Prado.

Exonerar, a pedido, do cargo de Comandate Geral Adjunto da PM: Cel Fernando Antônio Ávila de Góes.

Nomear para assumir o cargo de Comandante Geral Adjunto da PM: Cel Luiz Solano Austregésilo Teles.

Exonerar, a pedido, do cargo de Secretario Executivo da PM: Cel Antônio Gomes Filho.

Nomear para assumir o cargo de Secretario Executivo da PM: Cel Giovani Pinheiro da Silva.

Corpo de Bombeiros Militar:

Exonerar, a pedido, do cargo de Comandante Geral do CBM: Cel Joaquim dos Santos Neto.

Nomear para assumir o cargo de Comandante Geral do CBM: Cel João Carlos de Araújo Gurgel.

# Manter no cargo de Comandate Geral Adjunto do CBM: Cel. Heraldo Maia Pacheco.

Exonerar, a pedido, do cargo de Secretario Executivo do CBM: Cel João Carlos de Araújo Gurgel.

Nomear para assumir o cargo de Secretario Executivo do CBM: Cel Francisco Nicanor Lobo de Queiroz.

 (Roberto Moreira, Diário do Nordeste)

Deputado André Figueiredo é citado pela Revista IstoÉ no caso do escândalo com verbas do Pro-Jovem

Reportagem da revista IstoÉ traz detalhes do escândalo envolvendo o Ministério do Trabalho e o Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC), uma Organização Social de Interesse Público de Minas Gerais que teria movimentado mais de R$ 640 milhões em recursos públicos, via Pro-Jovem. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Segundo a revista, no Ceará, a atuação de Deivson Oliveira Vidal, que comanda o IMDC, é atribuída no Ceará ao líder do PDT na Câmara, André Figueiredo. Ele teria responsável, de acordo com a matéria, pela escolha do Instituto para um convênio entre a organização e a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará. Semana passada, André foi instado sobre o caso, na última semana, mas ainda não se pronunciou.

No Ceará, diz a matéria “a atuação de Vidal é atribuí­da ao líder do PDT na Câmara, André Figueiredo. Ele teria sido o responsável pela escolha do IMDC para o convênio de R$ 7,6 milhões entre a secretaria do Trabalho do Ceará e o instituto”.

* Confira a matéria aqui.

Outro lado

Nesta segunda-feira, procurado, O líder do PDT André Figueiredo garante não conhecer essa entidade e que ela venceu uma licitação nacional realizada pelo Ministério do Trabalho. Vê maldade ao incluir seu nome e o nome do ex-secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado, Evandro Leitão.

Via http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar

LIVRO-BOMBA SOBRE FHC ESTÁ ENTRE OS MAIS VENDIDOS

247 – A livro-bomba que revela como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) comprou sua reeleição, com uma votação comprada no Congresso em 1998, está entre os mais vendidos do País. O livro foi lançado no último final de semana de agosto.

Segundo a Publishnews, que divulga os dados do mercado editorial brasileiro, a obra do jornalista Palmério Doria, “O príncipe da pirataria”, foi o quarto mais vendido na semana entre os dias 2 e 8 de setembro na categoria não ficção.

No livro, o jornalista revela ainda a identidade do “Senhor X”, que gravou deputados e denunciou ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, o episódio envolvendo FHC.

Palmério Doria também é autor do best-seller Honoráveis Bandidos, sobre o poder da família Sarney, e Crime de Imprensa, relançado digitalmente pela Livraria 247.

(Brasil 247)

COMO VOCÊ FOI MANIPULADO PELA MÍDIA HISTÉRICA

No artigo “Histerismo com causa”, o jornalista Hélio Doyle avalia como a agenda política dos meios de comunicação influenciou – e ainda influencia – o comportamento do STF. “Para os que manipulam a opinião pública e querem forçar a decisão que lhes interessa, é tudo muito simples: cinco ministros estão certos e são herois, cinco estão errados e são cúmplices da corrupção. Passam a ideia de que o acolhimento dos embargos é um novo julgamento, é a pizza, a desmoralização do Supremo”, diz ele. Doyle explica ainda como três ministros da corte, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, contribuíram para esse jogo na última sessão

Por Hélio Doyle 

Quem quiser estudar um caso emblemático de manipulação da opinião pública para fins políticos tem hoje um excelente material para pesquisa: a cobertura do episódio batizado de “mensalão”, em especial no capítulo do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Ação Penal 470. A manipulação das pessoas pela propaganda e pela imprensa tem sido objeto de inúmeros estudos, mas este case tem características que o fazem bem especial. Até porque deu resultado: pessoas propositalmente desinformadas assumindo com convicção as posições disseminadas pela mídia.

As pressões feitas durante todo o julgamento, para que os réus fossem condenados, e às maiores penas possíveis, caracterizam um comportamento histérico que foge a qualquer racionalidade e rigor do trabalho jornalístico. Estabeleceu-se uma verdade absoluta e seus postulados são disseminados sem a mínima preocupação com padrões éticos e com o compromisso com os fatos. Tal comportamento, a pretexto de ser um combate a práticas corruptas, explica-se apenas como instrumento para disseminar na opinião pública uma postura igualmente histérica para derrotar adversários políticos.

A manipulação chega a ponto de o presidente do Supremo Tribunal Federal suspender o julgamento por duas vezes, sem motivo forte, apenas para colocar sob a pressão da imprensa e da chamada opinião pública, dois ministros que poderiam votar contra seu relatório. E, pior, contou com a conivência de colegas que pareciam jogadores de futebol fazendo cera para acabar o jogo.

A hipocrisia domina, mas assim é a política. Parlamentares cansados de recorrer ao caixa dois em campanhas eleitorais, para dizer o mínimo, na posição de acusadores ferozes. Jornalistas que fizeram e fazem vistas grossas a outros episódios tão ou mais graves posando de defensores da moralidade pública. Articulistas que não escondem suas posições ideológicas fingindo que seu ódio aos acusados é por causa dos crimes que teriam cometido, e não porque os consideram inimigos políticos a serem exterminados. Procuradores e juízes que já deixaram de denunciar, absolveram e livraram da cadeia notórios ladrões e corruptos se fazendo de paladinos da justa luta contra a corrupção.

Chega a ser ridículo pessoas que nada entendem de Direito fazendo análises jurídicas dos votos dos ministros, elogiando uns e criticando outros. Dando lições, advertindo, ameaçando os que não se dispuserem a votar como eles querem que votem. Chegam a rotular votos como “excrescências”, “bizarrices” e por aí adiante, como se fossem autoridades no assunto.

O Supremo Tribunal Federal, bem ou mal, goste-se ou não, já decidiu que quase todos os acusados são culpados, de diferentes crimes. Os condenados cumprirão penas, em diferentes doses. Terão suas vidas profissionais e políticas prejudicadas. Isso não vai mudar, independentemente do resultado quanto aos embargos infringentes. Cinco ministros votaram pelo acolhimento, cinco votaram contra, todos esgrimindo argumentos respaldados, de ambos os lados, por juristas respeitados. Diante disso, não há como falar em verdades absolutas e desqualificar juridicamente um lado ou outro apenas por uma postura política.

Mas, para os que manipulam a opinião pública e querem forçar a decisão que lhes interessa, é tudo muito simples: cinco ministros estão certos e são herois, cinco estão errados e são cúmplices da corrupção. Passam a ideia de que o acolhimento dos embargos é um novo julgamento, é a pizza, a desmoralização do Supremo e da Justiça, a consolidação das práticas corruptas, o domínio da impunidade, a revolta do povo nas ruas. O pior é que contam com aliados entre juízes do próprio tribunal, que ao lado de respeitáveis argumentos jurídicos expõem suas posições políticas e confessam, sem pudor, que se sujeitam à dita opinião pública – fechando o circulo na manipulação.

A motivação das pressões exacerbadas é claramente política, distorcendo o que deveria ser apenas uma ação judicial. Não basta que os réus sejam condenados e cumpram penas. É preciso que sejam algemados e levados à cadeia imediatamente. E que fiquem muitos anos em regime fechado. Na verdade, o sentimento é também de vingança: quem mandou ganhar eleições e se manter no poder por tanto tempo? E assim o que deveria ser um julgamento jurídico se torna um julgamento político não porque os réus e seus aliados lhe dão esse tom, mas porque os acusadores o politizaram.

Se acusados são culpados, têm de ser condenados. Mas um julgamento justo, em uma sociedade democrática, não pode se dar em meio a um processo em que juízes são indevidamente e intensamente pressionados por uma “opinião pública” manipulada pelos meios de comunicação. Seja no julgamento de um acusado de assassinar crianças, seja no de um acusado de corrupção.  Aliás, há acusados na AP 470 com penas maiores do que assassinos confessos, mas isso, para os manipuladores, é o de menos.

Via Brasil 247

 

 
 

O que a mídia de celebridades faz com Anitta deveria ser crime

A cantora Anitta, do hit “Show das Poderosas”, fez uma brincadeira com seus fãs durante um show na cidade de Guarapari, litoral do ES. Depois que um rapaz jogou uma lata de cerveja no palco, Anitta improvisou uma série de piadas, como se fosse uma comediante stand up (nem todas as piadas foram boas mas, vá lá). Foi tudo registrado em vídeo, inclusive as gargalhadas do público e o recado dela no fim: “Não vai falar depois no instagram que eu sou estrela, hein! Que eu tou brincando. Olha o senso de humor!”

Essa passagem está no vídeo que o ator Paulo Gustavo colocou em seu canal de Youtube.

Mas se você assistir a uma versão editada, de 23 segundos, acabará achando que Anitta desrespeitou o fã e o ofendeu covardemente.

Anitta havia acabado de conversar e promover a peça de Paulo Gustavo no palco e, naquele clima, resolveu improvisar um personagem de pavio curto assim que viu a lata de cerveja ser atirada. Disse exatame o que segue, mudando a voz para acentuar a piada.

— Quem é o mal educado que tacou essa porra aqui, heim?! Coisa de pobre!
Entrou de graça no evento?! Ganhou cortesia! Jogou a porra da latinha aqui! Puta que pariu, heim! Tá bêbado! Tu não vai comer ninguém, heim! Coisa horrorosa! Bêbado horrível. Tira daqui! Mal educado da porra. Se essa porra pega na minha cabeça, eu vou para o hospital. E tenho show pra cacete pra fazer.

Uma série de “reportagens” dos sites de celebridades ganharam destaque, como esta, por exemplo. Os títulos: “Com palavrões, Anitta detona fã em show” e “Anitta dá chilique com fã que jogou latinha no palco“. Nos textos, os jornalistas descascam a cantora, desclassificando-a com extrema má fé e usando a performance humorística como argumento.

Anitta resolveu não ficar calada. Escreveu um ótimo texto que pode ser encarado como um libelo contra o sensacionalismo e o mentiroso que se faz em revistas e sites de celebridade como se fosse jornalismo.

Aqui, o vídeo completo, em que ela explica a piada:

O texto de Anitta:

Eu sempre pensei que o jornalista fosse um profissional de muita importância na sociedade. Na minha cabeça, eles exerciam um papel de extrema delicadeza: levar ao público informações sobre os fatos e acontecimentos.

Hoje em dia parece não funcionar mais assim. Com o aparecimento da internet, qualquer um se diz jornalista e distribui seus “conteúdos” para o público.

Cada dia que passa eu me dou mais conta de que os valores de compromisso e responsabilidade com a verdade para com o espectador se perderam.

Não é de hoje que eu vejo, por dia, pelo menos 3 “notícias” inventadas pelo fantástico mundo da mídia sobre mim. São lugares que eu nunca estive, pessoas que eu nunca vi, palavras que eu nunca falei. Em uma das últimas, dizia que pra eu ficar famosa passei por uma mudança de clareamento de pele pra ser branca, por que era negra e não faria sucesso por conta do preconceito… Oi?!

Isso existe?!

Acreditem… teve “jornalista” me ligando pra saber como foi o tratamento.

Depois me pego lendo que deixei fãs esperando sei lá quantas horas, quando na verdade eu cheguei na hora combinada. Depois que não quis atender ninguém, quando, na verdade, em quase todos os show eu passo mais tempo no camarim recebendo fãs do que no palco em si.

Teve veículo de imprensa que abriu uma perseguição contra mim e todo dia tem lá uma notinha sobre meus ataques e sobre como eu me tornei o demônio em poucos dias, com passo a passo e tudo. Amanhã corram lá que vai ter alguma nova, garanto. Talvez falando que eu xinguei alguém bem alto na rua, ou que maltrato minha equipe, com testemunhas e tudo. (Como se eu fosse burra o suficiente pra fazer todas essas coisas e achar que ninguém saberia.) Ou que escrevi isso aqui pra pagar de correta pros fãs. Provavelmente abriram um “criativo do mês” na empresa, onde o funcionário que inventar a mentira mais criativa sobre alguém ganha um prêmio. Não só sobre mim, mas sobre todos os outros artistas. Reparem que veículos como esse nao transmitem notícias construtivas sobre nada. Focam em falar mal da vida alheia. Daí o “jornalismo preguiçoso” copia e cola a “matéria” em seu veículo.

A mídia tem o poder de transformar uma lebre em lobo… e vice versa. Simplesmente porque nós, como público, acreditamos que essas pessoas tem o papel de transmitir informações pra gente. E não de criar ou manipular notícias para que vendam mais.

Antes, quando leitora, eu acreditava em tudo. Hoje só acredito no que vejo com meus próprios olhos… e olhe lá.

A nossa cultura acostumou o povo a se interessar por aquilo que é ruim. Comparem o tempo em que uma catástrofe fica sendo falada na mídia, com o tempo em que se fala de ações humanitárias ou acontecimentos que acrescentam na nossa cultura, educação ou caráter (a não ser que tenha dinheiro envolvido). Portanto, é muito mais fácil pra um “jornalista”, vender matérias inventadas que falam sobre como eu faço coisas ruins com os outros, do que como o meu trabalho é um trabalho legal e sobre como eu trabalhei igual louca pra chegar onde cheguei. Ou das coisas que faço pelos fãs, pela minha família e pela minha equipe. E aí, tudo que eu falo ou faço é distorcido ou aumentado ao triplo para que gere mais interesse do público em acessar/comprar aquilo. E lá vai o povo ser enganado, como sempre, a troco de dinheiro. Quero deixar claro que não sou todos. Conheço jornalistas sérios e profissionais e não duvido que exista muito mais.

Esse fim de semana eu fiz show em Guarapari – ES. Bem no meio do show, como sempre faço, eu chamei pessoas no palco. Desde que eu comecei a fazer show eu chamo pessoas no palco, brinco e falo besteiras com todo o bom humor pra elas. Por que esse é meu jeito… Eu conseguia brincar e ser espontânea com as pessoas antes e ninguém nunca se importou…por que hoje eu não posso mais ?

Durante o show,( para maiores de 18 anos) chamei as pessoas no palco, alguns famosos, e meu dançarino entrou pra se apresentar… foi quando um homem bêbado começou a jogar gelo e latas nele e nos outros convidados. Os convidados saíram e o rapaz insistiu na agressão. Eu não sei levar a sério um homem bêbado que joga lata nas outras pessoas. E, como em toda a minha vida, brinquei com o menino (com o meu característico humor sarcástico que as pessoas que me acompanham sabem que tenho) até tirarem ele do local. No final do vídeo ainda brinquei com o público dizendo pra não falarem mal de mim na internet por eu ter falado palavrão, por que eu estava brincando, e pedi senso de humor da galera. Tanto foi que ninguém quis me matar de indignação no dia do show, acharam graça.

Mas pronto, foi o suficiente pro site: perseguimosartistas.com.br cortar o vídeo, até deixa-lo só com a parte onde eu tiro sarro do homem que jogou latinhas no palco, colocar uma legenda e complementar às outras 50 matérias sobre como eu sou uma bruxa. E desencadear uma série de pessoas em cima de mim me criticando por que eu falei “isso é côdipobre” pro menino. Gente, por que todo mundo se leva tão a sério?! Vocês acham mesmo que se eu desdenhasse de pobre eu falaria “côdipobre” ? Acham que eu moro onde ? Que minha mãe mora aonde ? Que minha familia é de onde? Na noite antes de estar dormindo em Las Vegas pra gravar clipe eu dormi num quarto com uma droga de uma goteira bem do meu ladinho. Nas minhas folgas eu volto lá pra essa mesma casa com goteiras que minha mãe adora e fico lá sem nem ligar. Eu não ligo pra essas coisas, e por isso mesmo eu não tenho problema nenhum em tirar sarro delas. Eu achava engraçada a goteira do meu antigo quarto, acho até hoje. Eu AMO tirar sarro de mim mesma. Ou vocês acham mesmo que me irritei com minha dancarina por ela falar do peido no Faustão? Eu achei engraçado demais, há anos eu duvido dela, que ela falaria a palavra peido na tv ( e ela trocou por “Pum”, ninguém fala “Pum”, rs). Tenho o mesmo carro de sei lá quanto tempo atrás, moro no mesmo lugar. E não tô nem aí pra ter os mais lindos e mais caros, nao tô afim. Tem gente rica que nem fala a palavra pobre que é pra não dar problema, mas por dentro tá ali se roendo. Mas aí o povo ama. O dia que eu tiver que travar minha sinceridade, meu bom humor ou quem sou eu de verdade pra não me causar problema eu vou me sentir a mentira em forma de gente. Tudo isso por que agrada mais. Mas o que agrada as pessoas ? Eu não sei. Você não pode usar roupa barata, que falam que voce é pão dura, não pode usar cara que falam que você tá deslumbrada. Se eu continuo como eu era “aí não muda nada”… Se eu mudo “aí gostava quando era autêntica”.

Por que vocês acham que existem artistas que piram? Parece que a mídia inventa e fala essas coisas dos famosos pra eles pirarem de ver tanta gente falando coisas deles sem saber a realidade das coisas e aí com a piração deles conseguem vender mais notícias. Por que piração de famoso da audiência. Não entendo. Ou pior, eu entendo.

(Marcelo Zorzanelli, Diário do Centro do Mundo)

Por que o Jornal Nacional não conta que a Globo patrocina o Rock In Rio

O Rock In Rio é notícia? Sim. Mas e quando quem noticia é também quem patrocina? Mais: e quando quem noticia não avisa que também patrocina?

O festival começa na sexta (13) e durará uma semana. A Globo tem os direitos exclusivos de transmissão. Vai dedicar quatro horas diárias aos shows. É mais ou menos como no futebol e na Fórmula 1. Ela paga (ou deveria pagar) pelos direitos. Em contrapartida, pode vender cotas de patrocínio.

Todos os veículos jornalísticos da casa estão cobrindo da maneira como se espera: laudatória. É uma grande promoção das Casas da Banha. No Jornal Nacional, Bonner e Patrícia Poeta reservam seus melhores sorrisos para a série de “matérias” sobre o acontecimento. Repórteres animadíssimos falam da Cidade do Rock, do show de luzes e efeitos especiais, das toneladas de som etc etc etc. Entrevistas meia boca com os artistas são combinadas.

Um público previsto de 595 000 pessoas deve prestigiar as 160 atrações. Calcula-se que a receita total da coisa chegue a 110 milhões de reais, contando o dinheiro dos patrocinadores e o licenciamento de 600 produtos.

A Globo teria escalado, ao todo, 600 funcionários para trabalhar. Zeca Camargo será o mestre de cerimônias. Vai receber convidados num estúdio de vidro.

Em que momento a Globo vai avisar que é parte interessada?

Em nenhum (“eu já sabia”, você vai dizer). Se houver problemas de transporte ou na rede de esgoto, como na edição anterior, isso será noticiado? Você sabe a resposta.

O empresário Roberto Medina, criador do festival, tem uma visão esperta. “Sabemos criar o fato jornalístico. Agora mesmo, pintou um garotinho que canta Metallica e nós vamos levar o garoto para cantar para o Metallica. O ensaio da Angelique Kidjo em Nova York, nós abrimos para a imprensa. Isso é matéria”, disse ao Estadão.

Na verdade, não precisa ser interessante ou genial porque o elogio de quem importa está garantido. Nem uma palavra sobre as dificuldades de acessar os sites ou a falta de retorno para quem manda reclamações para o email indicado.

A BBC transmite alguns espetáculos do festival de Glastonbury, na Inglaterra. Este ano os Rolling Stones tocaram. Não entra ao vivo. Não tem ninguém contando o que você não quer saber. No site da BBC, um aviso sobre como funciona: “Quando a BBC decide cobrir um festival de música, ela precisa trabalhar com um orçamento apertado para administrar o licenciamento dos direitos. Isso significa que nós nem sempre podemos arcar com a gravação de todas as performances de todos os palcos”.

Está tudo ali, em detalhes. Por isso ela tem independência para depois, fazer uma reportagem intitulada: “Glastonbury: uma palhaçada corporativa?” A emissora teve de explicar por que dedica mais espaço ao Glasto do que a eventos musicais de caridade. Agora, se Glastonbury é uma palhaçada corporativa, o Rock In Rio é o quê? Não pergunte para o Zeca Camargo.

(Kiko Nogueira, Diário do Centro do Mundo)

Campanha Salarial: Para diretor do Dieese, proposta dos bancos é incompatível com desempenho do setor

São Paulo – A proposta para reajuste salarial de 6,1% oferecida pelos Federação dos Bancos (Fenaban) aos bancários não apresenta aumento real nos salário e é totalmente incompatível com os resultados do sistema financeiro no Brasil. A avaliação é do diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. “É o setor econômico mais rentável presente na nossa economia”, afirmou nesta sexta (13), em seu comentário diário na Rádio Brasil Atual.

A pauta nacional para renovação da convenção coletiva trabalho dos bancários, que tem alcance nacional, inclui ainda aumento real de 5%, piso salarial de R$ 2.860, Participação nos Lucros ou Resultados no valor de três salários somados a uma parcela adicional fixa de R$ 5.553,15 e vales refeição, alimentação, 13ª cesta e auxílio creche no valor do salário mínimo nacional, R$ 678, cada. Além de melhoria nas condições de saúde, auxílio educação, segurança, igualdade de oportunidades, entre outros.

“É uma proposta bastante ampla e o que os banqueiros apresentam é muito inferior àquilo que os bancários estão colocando na mesa e muito inferior à capacidade econômica que os bancos têm de distribuir os resultados”, afirma Ganz Lúcio. Segundo o diretor, a distribuição mais justa dos resultados contribui para melhorar os empregos, as condições de trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Em assembleias realizadas nas principais bases sindicais do país na noite de ontem (12) os bancários rejeitaram o índice de reajuste salarial sem aumento real e aprovaram o início de greve por tempo indeterminado a partir da próxima quinta (19), caso a Fenaban não apresente nova proposta.

(Rede Brasil Atual)

Ministério Público de São Paulo recebe novas denúncias sobre cartel do Metrô

(Foto: Divulgação)

São Paulo – Os deputados estaduais Antonio Mentor e Luiz Claudio Marcolino, líder do PT na Assembleia Legislativa, levaram ao Ministério Público de São Paulo na tarde de ontem (12) três informações que ainda não são objeto de investigações específicas do órgão paulista em meio à denúncia de um cartel que opera nas licitações do Metrô e da CPTM, mas podem vir a ser. Uma delas é a contratação de apólices de seguro para garantir a defesa de dirigentes do Metrô, em processos a que forem submetidos em decorrência de irregularidades cometidas em suas gestões.

O que mais chama a atenção é o valor da apólice assinada em 2013, que gira em torno de R$ 900 mil, aproximadamente 300% a mais do que a anterior. “Isso é absolutamente ilegal, um órgão público não pode contratar um benefício para uso pessoal, privado, do dirigente. A apólice cobre o período em que o dirigente eventualmente já tenha saído da empresa, por irregularidades que tenham sido cometidas durante a gestão”, diz o deputado Antonio Mentor, presente à reunião no MP.

Outra informação levada pelos petistas aos promotores foi relativa à compra, pela CPTM, em 2013, de 65 trens em dois lotes, cada um dos quais com preços diferentes, embora os trens sejam idênticos. O caso traz indícios de que o cartel continua em operação.

A concorrência para a compra dos trens foi vencida pelo consórcio Iesa-Hyundai Rotem, no lote 1, e pela espanhola CAF no lote 2. Os contratos dos dois lotes somam R$ 1,8 bilhão. Na concorrência, os trens do lote 1 saíram por R$ 28,89 milhões a unidade, enquanto, no lote 2, o preço foi de R$ 26,27 milhões cada trem. Uma licitação para a compra desses 65 trens em 2012 deu “deserta”, jargão que significa “sem vencedores”.

Recentemente, em 31 de julho, a licitação para a Linha 6-Laranja do Metrô fracassou, ou seja, foi “deserta”.

Segundo Mentor, a terceira informação que teria provocado o interesse dos promotores no encontro de quinta-feira diz respeito à forma como era feito o pagamento de empresas subcontratadas na suposta formação do cartel da CPTM e do Metrô. O pagamento seria feito diretamente pelas duas estatais para a subcontratada. Esta era uma empresa não participante do contrato de fornecimento de equipamentos. “É uma irregularidade flagrante, porque a subcontratação é a porta de entrada para o cartel. Quando ganhava a Siemens, ela subcontratava a Bombardier, a CAF, a Alstom etc. através de empresas que, mesmo não tendo a mesma razão social, eram ligadas às concorrentes. Isto é, não subcontratavam diretamente a Alstom, por exemplo, mas empresas ligadas à Alstom, e faziam pagamentos diretamente da CPTM ou Metrô para essas empresas subcontratadas”, explica o deputado.

Informações sobre as três questões serão enviadas oficialmente ao MP-SP, conforme ficou acertado entre deputados e senadores. “A partir de ontem estabelecemos um canal de trocas de informações e dados para que possamos colaborar com o Ministério Público e o MP com a nossa tarefa de fiscalizar os atos do governo”, conta Mentor.

Na reunião, conversou-se também sobre as 15 representações protocoladas pela bancada do PT na Assembleia Legislativa, entre 2008 a 2012. O retorno sobre o andamento desses casos foi “minimamente satisfatório”, de acordo com o parlamentar. “Não é totalmente satisfatório porque não tivemos detalhamento maior a respeito das investigações. Eles sintetizaram o estágio dos inquéritos e dá para ter uma noção sobre o que está acontecendo.”

O deputado disse também que, na reunião, os promotores não deram prazo sobre a conclusão das investigações. “Mas acho que agora estão agindo de maneira mais acelerada, por conta da notoriedade desses casos. Tem inquéritos que já chegam a cinco anos.”

(Eduardo Maretti, via RBA) 

Gushiken, a mídia e a justiça: uma parábola do país que temos

Montaigne escreveu que o tamanho do homem se mede na atitude diante da morte, e citava como exemplos Sócrates e Sêneca.

Os dois morreram serenamente consolando os que os amavam. Sócrates foi obrigado a tomar cicuta por um tribunal de Atenas e Sêneca a cortar os pulsos por ordem de Nero.

Meu pai jamais se queixou em sua agonia, e penso sempre em Montaigne quando me lembro de sua coragem diante da morte, confortando-nos a todos.

Texto publicado originalmente no Diário do Centro do Mundo

Me veio isso ontem à mente ao ler no twitter a notícia de Luís Gushiken morrera aos 63 anos. Depois desmentiram, mas ficou claro que ele vive seus dias finais num quarto do Sírio Libanês, com um câncer inexpugnável.

Soube que ele mesmo se ministra a morfina para enfrentar a dor nos momentos em que ela é insuportável, e para evitar assim a sedação.

Li também que ele recebe, serenamente, amigos com os quais fala do passado e discute o presente.

A força na morte demonstrada por Gushiken é a maior demonstração de grandeza moral segundo a lógica de Montaigne, que compartilho.

Não o conheci pessoalmente, mas é um nome forte em minha memória jornalística. Nos anos 1980, bancário do Banespa, ele foi um dos sindicalistas que fizeram história no Brasil ao lado de personagens como Lula, no ABC.

Eu trabalhava na Veja, então, e como repórter acompanhei a luta épica dos trabalhadores para recuperar parte do muito que lhes havia sido subtraído na ditadura militar.

Os militares haviam simplesmente proibido e reprimido brutalmente greves, a maior arma dos trabalhadores na defesa de seus salários e de sua dignidade. Dessa proibição resultou um Brasil abjetamente iníquo, o paraíso do 1%.

Fui, da Veja, para o jornalismo de negócios, na Exame, e me afastei do mundo político em que habitavaGushiken.

Ele acabaria fundando o PT, e teria papel proeminente no primeiro governo Lula, depois de coordenar sua campanha vitoriosa.

Acabaria se afastando do governo no fragor das denúncias do Mensalão. E é exatamente esta parte da vida de Gushiken que me parece particularmente instrutiva para entender o Brasil moderno.

Gushiken foi arrolado entre os 40 incriminados do Mensalão. O número, sabe-se hoje, foi cuidadosamente montado para que se pudesse fazer alusões a Ali Babá e os 40 ladrões.

Gushiken foi submetido a todas as acusações possíveis, e os que o conhecem dizem o quanto isso contribuiu para o câncer que o está matando.

Mas logo se comprovou que não havia nada que pudesse comprometê-lo, por mais que desejassem. Ainda assim, Gushiken só foi declarado inocente formalmente pelo STF depois de muito tempo, bem mais que o justo e o necessário, segundo especialistas.

Num site da comunidade japonesa, li um artigo de um jornalista que dizia, como um samurai, que Gushikenenfim tivera sua “dignidade devolvida”.

Acho bonito, e isso evoca a alma japonesa e sua relação peculiar com a decência, mas discordo em que alguém possa roubar a dignidade de um homem digno com qualquer tipo de patifaria, como ocorreu. A indignidade estava em quem o acusou falsamente e em quem prolongou o sofrimento jurídico e pessoal deGushiken.

O episódio conta muito sobre a justiça brasileira, e sobre, especificamente, o processo do Mensalão. A história há de permitir um julgamento mais calmo, e tenho para mim que o papel do Supremo será visto como uma página de ignomínia.

Gushiken não foi atropelado apenas pela justiça. Veio, com ela, a mídia e, com a mídia, o massacre que conhecemos.

Um caso é exemplar.

Uma nota da seção Radar, da Veja, acusou Gushiken de ter pagado com dinheiro público um jantar com um interlocutor que saiu por mais de 3 000 reais. A nota descia a detalhes nos vinhos e nos charutos “cubanos”.

Gushiken processou a revista. Ele forneceu evidências – a começar pela nota e por testemunho de um garçom – de que a conta era na verdade um décimo da alegada, que o vinho fora levado de casa, e os charutos eram brasileiros.

Mais uma vez, uma demora enorme na justiça, graças a chicanas jurídicas da Abril.

Em junho passado, Gushiken enfim venceu a causa. A justiça condenou a Veja a pagar uma indenização de 20  mil reais.

O tamanho miserável da indenização se vê pelo seguinte: é uma fração de uma página de publicidade da Veja. Multas dessa dimensão não coíbem, antes estimulam, leviandades de empresas jornalísticas que faturam na casa dos bilhões.

Não vou entrar no mérito dos leitores enganados, que construíram um perfil imaginário de Gushiken com base em informações como aquela do Radar. Também eles deveriam ser indenizados, a rigor.

Gushiken enfrentou, na vida, a ditadura, as lutas sindicais por seus pares modestos, a justiça e a mídia predadora.

Combateu – ainda combate – o bom combate.

(Paulo Nogueira, Diário do Centro do Mundo)

Morre Luiz Gushiken, um dos fundadores do PT e ex-ministro do governo Lula

247 – Acaba de falecer, em São Paulo, o ex-ministro Luiz Gushiken (leia aqui perfil escrito por Mônica Bergamo). “Gushiken, você vive eternamente e permanentemente em nossos corações. Seu exemplo de vida, coragem e luta estará sempre presente, principalmente nesses momentos difíceis em que a gente vive. Quero abraçar seus familiares, seus amigos, seus companheiros e companheiras, e gritar: Gushiken vive!”, postou José Genoino, em sua página no Facebook.

Leia ainda, abaixo, texto de Paulo Nogueira, diretor do Diário do Centro do Mundo, sobre uma das principais lideranças do PT, escrito poucos dias antes de sua morte:

Gushiken, a mídia e a justiça: uma parábola do país que temos

O que os anos recentes de um dos grandes líderes sindicais das décadas de 1970 e 1980 contam sobre o Brasil de hoje.

Montaigne escreveu que o tamanho do homem se mede na atitude diante da morte, e citava como exemplos Sócrates e Sêneca.

Os dois morreram serenamente consolando os que os amavam. Sócrates foi obrigado a tomar cicuta por um tribunal de Atenas e Sêneca a cortar os pulsos por ordem de Nero.

Meu pai jamais se queixou em sua agonia, e penso sempre em Montaigne quando me lembro de sua coragem diante da morte, confortando-nos a todos.

Me veio isso ontem à mente ao ler no twitter a notícia de Luís Gushiken morrera aos 63 anos. Depois desmentiram, mas ficou claro que ele vive seus dias finais num quarto do Sírio Libanês, com um câncer inexpugnável.

Soube que ele mesmo se ministra a morfina para enfrentar a dor nos momentos em que ela é insuportável, e para evitar assim a sedação.

Li também que ele recebe, serenamente, amigos com os quais fala do passado e discute o presente.

A força na doença demonstrada por Gushiken é a maior demonstração de grandeza moral segundo a lógica de Montaigne, que compartilho.

Não o conheci pessoalmente, mas é um nome forte em minha memória jornalística. Nos anos 1980, bancário do Banespa, ele foi um dos sindicalistas que fizeram história no Brasil ao lado de personagens como Lula, no ABC.

Eu trabalhava na Veja, então, e como jovem repórter acompanhei a luta épica dos trabalhadores para recuperar parte do muito que lhes havia sido subtraído na ditadura militar.

Os militares haviam simplesmente proibido e reprimido brutalmente greves, a maior arma dos trabalhadores na defesa de seus salários e de sua dignidade. Dessa proibição resultou um Brasil abjetamente iníquo, o paraíso do 1%.

Fui, da Veja, para o jornalismo de negócios, na Exame, e me afastei do mundo político em que habitava Gushiken.

Ele acabaria fundando o PT, e teria papel proeminente no primeiro governo Lula, depois de coordenar sua campanha vitoriosa.

Acabaria se afastando do governo no fragor das denúncias do Mensalão. E é exatamente esta parte da vida de Gushiken que me parece particularmente instrutiva para entender o Brasil moderno.

Gushiken foi arrolado entre os 40 incriminados do Mensalão. O número, sabe-se hoje, foi cuidadosamente montado para que se pudesse fazer alusões a Ali Babá e os 40 ladrões.

Gushiken foi submetido a todas as acusações possíveis, e os que o conhecem dizem o quanto isso contribuiu para o câncer que o está matando.

Mas logo se comprovou que não havia nada que pudesse comprometê-lo, por mais que desejassem. Ainda assim, Gushiken só foi declarado inocente formalmente pelo STF depois de muito tempo, bem mais que o justo e o necessário, segundo especialistas.

Num site da comunidade japonesa, li um artigo de um jornalista que dizia, como um samurai, que Gushiken enfim tivera sua “dignidade devolvida”.

Acho bonito, e isso evoca a alma japonesa e sua relação peculiar com a decência, mas discordo em que alguém possa roubar a dignidade de um homem digno com qualquer tipo de patifaria, como ocorreu. A indignidade estava em quem o acusou falsamente e em quem prolongou o sofrimento jurídico e pessoal de Gushiken.

O episódio conta muito sobre a justiça brasileira, e sobre, especificamente, o processo do Mensalão. A história há de permitir um julgamento mais calmo, e tenho para mim que o papel do Supremo será visto como uma página de ignomínia.

Gushiken não foi atropelado apenas pela justiça. Veio, com ela, a mídia e, com a mídia, o massacre que conhecemos.

Um caso é exemplar.

Uma nota da seção Radar, da Veja, acusou Gushiken de ter pagado com dinheiro público um jantar com um interlocutor que saiu por mais de 3 000 reais. A nota descia a detalhes nos vinhos e nos charutos “cubanos”.

Gushiken processou a revista. Ele forneceu evidências – a começar pela nota e por testemunho de um garçom – de que a conta era na verdade um décimo da alegada, que o vinho fora levado de casa, e os charutos eram brasileiros.

Mais uma vez, uma demora enorme na justiça, graças a chicanas jurídicas da Abril.

Em junho passado, Gushiken enfim venceu a causa. A justiça condenou a Veja a pagar uma indenização de 20  mil reais.

O tamanho miserável da indenização se vê pelo seguinte: é uma fração de uma página de publicidade da Veja. Multas dessa dimensão não coíbem, antes estimulam, leviandades de empresas jornalísticas que faturam na casa dos bilhões.

Não vou entrar no mérito dos leitores enganado, que construíram um perfil imaginário de Gushiken com base em informações como aquela do Radar. Também eles deveriam ser indenizados, a rigor.

Gushiken enfrentou, na vida, a ditadura, as lutas sindicais por seus pares modestos, a justiça e a mídia predadora.

Combateu — ainda combate — o bom combate.