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Considerado campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais, o Brasil ainda amarga o fato de ser um país inseguro para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. A cada 20 horas um LGBT é barbaramente assassinado ou se suicida vítima da LGBTfobia. Conforme levantamento divulgado ontem pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o Ceará ocupa o 5º lugar na lista de mortes por estados, se levados em consideração os números absolutos. Em 2018, 23 pessoas foram mortas vítimas de LGBTfobia no Ceará. Em todo o País, este número é de 420 pessoas.

De acordo com o relatório, 320 dessas mortes violentas foram homicídios, o que representa 76% do número total. Foram registrados 100 suicídios (24%). Há, conforme o estudo, uma redução de 6% em relação a 2017, quando foram apontadas 445 mortes, número recorde nos 39 anos desde que o GGB iniciou esse banco de dados. Em números absolutos, o Ceará fica atrás de São Paulo (58), Minas Gerais (36), Bahia (35) e Rio de Janeiro (32).

No entanto, quando é feita a contabilização destes números levando em consideração o número de habitantes, o Ceará fica em 12º lugar e São Paulo, mesmo com números absolutos mais elevados, fica em 24º.

Analisando os homicídios e suicídios nas capitais, “em números absolutos chama atenção que São Paulo, Manaus e Fortaleza registraram o mesmo número, oito mortes, sendo que a metrópole paulistana, com mais de 12 milhões de habitantes, é quase seis vezes mais populosa que Fortaleza e Manaus”.

O levantamento aponta que em termos absolutos no Brasil todo predominaram as mortes de 191 Gays (45%), seguido de 164 Trans (39%), 52 Lésbicas (12%), 8 Bissexuais (2%) e 5 Heterossexuais (1%). “Justifica-se a inclusão destes heterossexuais, pois foram assassinados por serem confundidos com gays ou por envolvimento direto com a cena ou com indivíduos LGBT quando executados”, afirma o documento.

Um dos últimos casos registrados no ano passado no Ceará foi a morte da travesti identificada como Flávia, em novembro. Ela foi encontrada morta com o corpo em estado avançado de decomposição na própria residência, no bairro Planalto Ayrton Senna. O então companheiro, Francisco das Chagas Rodrigues de Souza, 29, assumiu o crime.

Para Dário Bezerra, coordenador de política de projetos do Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), apesar de os números terem apresentado leve redução em relação a 2017 é uma queda que não representa controle da homofobia.

“A gente não tem uma estatística oficial para contabilizar esses dados, os dados que o GGB contabiliza é de uma forma bastante artesanal, a partir de notícias de jornal ou de relatos de ativistas. Então, a gente sempre teve a ideia de que o número de LGBTcídios são muito superiores”. Ele ressalta que a cobrança é por mais segurança, políticas públicas e oportunidades sociais.

Uma das conclusões do relatório é que as mortes alcançaram diversos estratos sociais de classe, raça e faixa etária, o que aponta para necessidade ainda mais descentralizada de políticas afirmativas. No Brasil, o caso emblemático é o assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco, esposa da arquiteta Monica Benício, ocorrido em março de 2018, a quem o relatório foi dedicado. O POVO solicitou os números de mortes por homofobia à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, mas até o fechamento desta página a demanda não foi respondida.

Números

76% das mortes violentas de LGBTs são homicídios

100 LGBTs cometeram suicídio em 2018, conforme o relatório

(Eduarda Tulicy, O Povo)