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Manifestação conta a Islamofobia – Foto: ROBERT BONET

Thaís Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Idealizado pela muçulmana Karine Garcêz, o Congresso Refugiados e Transformações Globais terá sua primeira edição. O evento ocorre de 12 a 14 de novembro na Universidade Federal do Ceará (UFC) e traz entre os temas a Islamofobia. “A ideia de fazer o Congresso surgiu do meu trabalho e experiência, e em afirmar o Ceará nessa temática. Ficamos muito longe dessas questões e queria abrir essas possibilidades para nós, que somos um povo que migra por questões ambientais”, explica Karine, coordenadora científica do Congresso e fotógrafa à frente do projeto “Infância Refugiada”.

A iniciativa dela, que participa ativamente dos grupos de estudo na UFC, definiu seis temas para dividir as questões tratadas. São eles: Gênero e Sexualidade no Fenômeno da Migração; Migrações, Direito Internacional dos Direitos Humanos e Direito Humanitário; Islamofobia, Racismo e Educação; A Globalização Inacabada, Migrações e Pobreza Século XXI; Territorialidades étnicas e conflitos; e Mídia e Refugiados.

Além dos debates, Karine confirmou, nesta semana, a presença do palestrante do Líbano Ahmed Kayed, presidente da Humanitarian Relief for Development. Ele vai abordar o tema “Líbano – 70 anos de refúgio”, sobre como o país recebeu palestinos e agora sírios nos últimos anos. O encontro ocorre nos dias 13 e 14 de novembro. “Teremos palestrantes nacionais e internacionais, lançamento de livros como ‘Perfil Sócio Demográfico dos Refugiados do Brasil’, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ‘Posições diante do Terrorismo’, de Cilene Victor, além de vivência cultural com apresentações de artistas migrantes que vivem no Ceará”, revela.

O tema da Islamofobia será coordenado por Geny Lustosa, professora e coordenadora do Grupo Pró-inclusão da Faculdade de Educação da UFC. O evento pontua que “um dos principais relatórios sobre o fenômeno da islamofobia, do Runnymede Trust, em 1998, definiu a islamofobia como o receio, o ódio e a hostilidade em relação ao Islã e aos muçulmanos, procriando uma série de ‘visões fechadas’ que atribuem estereótipos depreciativos e negativos aos muçulmanos”.

As discussões, que incluem o racismo, se dão a partir da educação. Uma das reflexões é sobre a Lei 10.639/2003, que incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”; e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.
A organização do evento prevê um público de 1.500 pessoas nos três dias. Entre os apoiadores estão a UFC, o Instituto Latino Americano de Estudos sobre Direito, Política e Democracia, o Viès, a Comissão de Direitos Humanos da OAB, o Observatório da Nacionalidade, a Faculdade Stella Mares e o Sindeletro.

Inscrições de artigos

O Congresso está com inscrições abertas para artigos de estudantes de graduação e extensão, que podem ser enviados até dia 18 de outubro. “O Congresso é interdisciplinar, então alunos de todas as áreas que tenham interesse na temática podem enviar artigos e participar do evento. Os artigos serão publicados nos anais e os dois melhores artigos de cada Grupo de Trabalho serão publicados na Revista Tensões Mundiais, revista científica do Observatório das Nacionalidades da Universidade Estadual do Ceará”, explica Garcêz.

Serviço

I Congresso Refugiados, Transformações Globais
12 a 14 de novembro de 2018
Faculdade de Economia da Universidade Federal do Ceará
Informações: (85) 3366-7827 / https://www.refugiadosglobais.com.br/

Via https://anba.com.br/congresso-em-fortaleza-debate-islamofobia/

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