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Créditos: Reprodução Facebook / Bruno Veiga

Chico Buarque está em plena forma. A mesma que encanta e arrasta multidões há mais de 50 anos, em uma euforia de lotar plateias fervorosas. Importante voz cronista, política, social e sobre amantes, a sofisticação popular de Chico é reafirmada em novo disco, o 23º da carreira. A turnê do trabalho, Caravanas, chega a Fortaleza em shows amanhã e sábado, no Centro de Eventos do Ceará.

O álbum que motiva a turnê foi lançado em agosto do ano passado, mas não sem instigar debates nas redes sociais, que giraram em torno das músicas Tua Cantiga – em que o autor foi acusado de personalizar machismo em sua (bela) canção – e Blues para Bia. Na segunda, Chico se mostra vigilante ao tecer a letra: “No coração de Bia/ Meninos não têm lugar / Porém nada me amofina / Até posso virar menina / Pra ela me namorar”.

Além do novo repertório, canções mais antigas estão no setlist, em um percurso por 31 composições do artista, como Dueto, Mambembe, Palavra de Mulher, Outros Sonhos, Geni e o Zepelim e Futuros Amantes.

Ladeado de queridos e antigos parceiros, Chico viaja o Brasil ao lado de sete multi-instrumentistas, em banda formada originalmente em 1987, à época da turnê Francisco: João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo), Marcelo Bernardes (flauta e sopros) e Jurim Moreira (bateria). O maestro, arranjador e violonista Luiz Claudio Ramos também é presença nos shows de Chico desde então. Ele é quem orquestra a direção musical do espetáculo.

Esta turnê tem ainda algo particular, lembra o maestro. É a primeira em 35 anos sem a presença do aclamado baterista Wilson das Neves, que companhou a trupe de Chico por mais de três décadas até falecer, em 2017. “Este show é dedicado a ele”, conta Luiz Claudio Ramos em entrevista ao O POVO. “A lembrança dele é sempre presente. Foi uma pessoa muito especial, muito inteligente”, evoca.

O espetáculo, portanto, segue o fluxo inverso de muitos artistas atualmente, que fazem shows mais enxutos, com número reduzido de músicos no palco. “Existe uma arte, que é a de escrever para orquestra. Com a decadência da indústria fonográfica e da venda de discos, começou a acabar esse tipo de conceito de usar orquestra. Então, isso foi se refletindo em shows. A situação do músico, atualmente, é muito complicada”, contextualiza.

O maestro, que outrora sentia-se intruso na estrada com a banda de Chico Buarque, conta que baixou a guarda quando percebeu uma forma de compreender as músicas. “Tem uma matemática. Eu já tinha a experiência de estúdio. Fui diretor musical do Quarteto em Cy durante muito tempo, que foi uma escola”. Foi na turnê de Paratodos em que o maestro passou a fazer parte, de vez, da trupe de Chico.

Setlist do show 

Minha Embaixada Chegou

Mambembe

Partido Alto

Iolanda

Casualmente

A Moça do Sonho

Retrato em Branco e Preto

Desaforos

Injuriado

Dueto

A Volta do Malandro

Homenagem ao Malandro

Palavra de Mulher

As Vitrines

Jogo de Bola

Massarandupió

Outros Sonhos

Blues pra Bia

A História de Lily Braun

A Bela e a Fera

Todo o Sentimento

Tua Cantiga

Sabiá

Grande Hotel

Gota d’Água

As Caravanas

Estação Derradeira/Minha Embaixada Chegou

Geni e o Zepelin

Futuros Amantes

Paratodos

 

Caravanas – Show com Chico Buarque e banda 

Onde: Centro de Eventos do Ceará (av. Washington Soares, 999 – Edson Queiroz)

Quando: 21 e 22 de setembro (sexta e sábado), às 21h30min (abertura da casa: 20 horas)

Quanto: entre R$ 95 e R$ 400. Vendas na Loja Feitiço (Shopping Iguatemi) – sem taxa

Venda Online: bilheteriavirtual.com (taxa: 15%)

Classificação indicativa: 16 anos.

(Camila Holanda, O Povo)