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Quatro pessoas, sendo dois casais e muitas coisas em comum para além de um mesmo sobrenome: Silva. Os Realistas, montagem do dramaturgo norte-americano Will Eno, 53, fisgou Débora Bloch à primeira audição na Broadway. “Me tocou por ser uma história sobre pessoas comuns, ordinárias. Mas ordinárias no sentido de que não fazem nada de extraordinário em suas vidas. Outro ponto é que o texto tem muito humor, mas, aos poucos, a plateia vai ficando silenciosa porque fica tocada com as situações”, afirma ela que, após aquele momento, decidiu trazer o trabalho ao Brasil, estreando em 2016.

“Os Realistas é interessante porque fala de questões comuns, básicas de todos nós. Fala de casamento, amor, a morte e a busca de um extraordinário na vida. Ao mesmo tempo em que tem muito humor, também é um texto que vai te envolvendo”, resume a atriz, que estará em Fortaleza neste fim de semana para apresentações, sábado e domingo, no Cineteatro São Luiz. A montagem, que marca o retorno de Débora à produção teatral, também celebra seus 35 anos de trajetória nos palcos e traz, além dela, as presenças de Guilherme Weber (também diretor), Emílio de Mello e Isabel Teixeira.

A montagem, viabilizada por meio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2017/2018, já percorreu diversas cidades do País, sendo inclusive agraciada com prêmios como o Shell 2016 (Melhor Atriz para Débora Bloch) e o Questão de Crítica (Melhor Ator para Emílio de Mello). Para Débora, a adaptação brasileira difere muito da original, de 2014. “Essa direção traz uma linguagem muito diferente, até porque o Guilherme Weber já fez muitos espetáculos do Will Eno, que trabalha um teatro de atores. É um tipo de montagem aonde você vai ver os atores representarem, não é uma peça de efeitos espetaculares”, explicou.

O trabalho de Will Eno, chamado de “o Samuel Beckett da geração Jon Stewart” pela crítica novaiorquina, já era de conhecimento da atriz. “Já o conhecia porque assisti outros espetáculos dele, justamente com a companhia do Felipe Hirsh (referindo-se à Sutil Companhia de Teatro, fundada por ele e Guilherme Weber). Depois vi lá mesmo nos Estados Unidos e já me interessava pelo trabalho do Will Eno. Vi essa outra montagem num teatro bem pequeno, e foi muito legal. Não trouxe para cá porque era um tema muito americano. No caso d’Os Realistas, esta pode se passar em qualquer local. São quatro personagens que vivem no campo, mas podem estar em qualquer lugar”, pontuou Débora, que atuou recentemente na supersérie Onde Nascem os Fortes.

As situações que decorrem do encontro desses dois casais é que, de acordo com a atriz, dão peso à narrativa. “Durante a peça, um dos personagens tem uma doença. Então, aos poucos, os conflitos passam a falar sobre isso porque descobre-se que o outro homem tem a mesma doença que ele. Esses dois casais vão se espelhando porque, antes, cada um deles estava num momento diferente do casamento. Cada mulher tem reações diferentes”, adiantou. A expectativa de retorno foi explicitada.

“Não sei se dará certo em Fortaleza, mas a gente fez em Natal e foi muito legal, que é de uma conversa sobre o espetáculo após as sessões. Acredito que a última vez que vim a Fortaleza foi com o Luiz Fernando Guimarães no TJA. Estamos na expectativa, estou curiosa”, confessou.

 

Os Realistas

Quando: sábado, 1º, 18h e 21 horas (apresentações em Libras); e domingo, 2, às 18 horas (com audiodescrição)

Onde: Cineteatro São Luiz (rua Major Facundo, 500)

Quanto: R$ 25 (inteira). À venda no local ou http://www.tudus.com.br

Classificação: 12 anos

(Teresa Monteiro, O Povo Online)

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