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Crédito: ILUSTRAÇÃO: PEDRO FRANZ_2018

São Paulo – Com a terceira maior taxa de mortes violentas por habitantes (59,1 mil por 100 mil), o Ceará também é o terceiro estado com mais integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no país. Lançado recentemente, o livro A Guerra: A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil aborda a expansão da facção paulista nas regiões Norte e Nordeste e, para seus autores, a eclosão de ondas de violência e rebeliões nestes lugares se relaciona com uma intensa disputa entre diferentes grupos do poder paralelo que buscam o domínio local.

De acordo com a publicação, de 2012 até este ano o Ceará passou de 77 filiados da facção para 2.500, e nos últimos quatros anos o PCC ganhou, ao todo, 18 mil membros. O livro coincide com a divulgação do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revelou um novo recorde: 63.880 mortes violentas intencionais em 2017, aumento de 2,9% em relação a 2016.

Em entrevista à repórter Beatriz Drague Ramos, da Rádio Brasil Atual, a socióloga, pesquisadora da Universidade Federal do ABC e uma das autoras da obra Camila Nunes Dias cita o contraste da violência entre diferentes regiões como um retrato da movimentação das facções criminosas pelo país. “Com a rivalidade entre elas, existe um aumento drástico nas taxas de homicídio nestes estados. Em São Paulo, onde o PCC está estabelecido há muito tempo e não tem grupos rivais, ele acaba sendo um fator de estabilização, que se chama pacificação, caracterizado pela redução no número de homicídios”.

Em um momento de intensa disputa, o estado do Ceará vive dias de conflito entre as facções Comando Vermelho, PCC e Guardiões do Estado. No último mês foram mais de 30 ataques contra ônibus, prédios públicos e bancos. Para o pesquisador do Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) e também autor do livro Bruno Paes Manso, a localização do estado nordestino, reconhecida como ponto estratégico para o tráfico internacional, também motiva a disputa.

(Rede Brasil Atual)

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