São Paulo – A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ofereceu reajuste salarial com base na inflação, sem ganho real, em um acordo que teria duração de quatro anos. A proposta foi apresentada aos representantes dos bancários na tarde desta terça-feira (7), durante a sexta rodada de negociação. Amanhã, a categoria faz assembleias pelo país para decidir os rumos da campanha salarial, com tendência de rejeição da proposta. A data-base é 1º de setembro.

“Enquanto oferecem zero de aumento real para os trabalhadores, cobram taxas de juros absurdas dos clientes, com cheque especial a 305% ao ano e 292% ao ano no rotativo do cartão de crédito. Lucraram R$ 80 bilhões em 2017 em plena crise econômica e fecham milhares de postos de trabalho e agências bancarias”, reagiu a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva.

“Vamos indicar a rejeição da proposta”, adiantou Ivone, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários. Ela considerou as ofertas da Fenaban “insuficientes e incompletas”, sem contemplar reivindicações consideradas importantes, como o fim de contratações “precárias”, criadas a partir da “reforma” trabalhista, garantia de emprego e melhores condições de trabalho.

“A categoria não aceitará uma proposta sem aumento real, manutenção dos direitos e sem a garantia de que os bancários não serão substituídos por formas de contratação precarizadas”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, também uma das coordenadoras do Comando Nacional. Foi marcada nova reunião para o dia 17.

A proposta aponta para um reajuste próximo entre 3% e 4%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE, soma 3,53% em 12 meses, até junho. Nesta quarta (8), sai o resultado de julho. No caso dos bancários, a taxa a ser considerada vai até agosto, véspera da data-base. A Contraf-CUT informou que a proposta patronal se aplica a salários, participação nos lucros ou resultados (PLR), vales e demais verbas econômicas.

O sindicato de São Paulo fará sua assembleia a partir das 19h desta quarta, na quadra da entidade, na região central. No mesmo horário, se reúnem trabalhadores do Distrito Federal, no Teatro dos Bancários. No Rio de Janeiro, a assembleia está marcada para as 18h, na sede do sindicato, no centro.

As assembleias deve discutir também a participação da categoria nos atos e paralisações da próxima sexta-feira, o Dia do Basta, chamado pelas centrais sindicais e movimentos sociais. As manifestações protestam contra os efeitos da reforma trabalhista, o desmonte das empresas públicas, o aumento do desemprego e o empobrecimento da população.

“Os bancários devem se unir às demais categorias para se manifestar contra as medidas do governo Temer e também contra a proposta insuficiente e incompleta dos bancos”, diz Ivone.

Juvandia Moreira e Ivone Silva, coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, falam sobre a proposta apresentada da Fenaban e as atividades desta quarta-feira:

(Rede Brasil Atual)

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