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Em O Destino de uma Nação, Gary Oldman dá vida a Winston Churchill em um dos grandes papeis da sua carreira DIVULGAÇÃO

O diretor Joe Wright, conhecido por seus trabalhos em Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação, Anna Karenina e outras obras, retorna, depois do drama mediano Pan, para contar uma história que se sustenta em um único homem, ao contrário de casais literários, seu foco por muitos anos. O relato em O destino de uma nação, que estreia amanhã, 11, traz um momento definitivo na Segunda Guerra Mundial, que mostra o então primeiro-ministro britânico Wiston Churchill (1874 – 1965) no poder para decidir o futuro da Inglaterra enquanto Adolf Hitler massacrava a Europa em 1940.

A primeira cena, que tem a câmera partindo de uma sala e descendo gradualmente para observar a assembleia que tirou Neville Chamberlain e colocou Churchill no cargo de primeiro-ministro, mostra o intuito de Wright em apresentar uma Inglaterra cinza, suja e sem esperanças. Ele cria uma atmosfera com cores e estética, antes de apresentar os personagens e as suas características. O movimento de câmera, nesse sentido, confirma esse intuito.

Quando Churchill surge, percebemos de imediato o tipo de filme que estamos assistindo. A jovem secretária, vivida por Lily James (Em ritmo de fuga), como os olhos do espectador, descobre o político em uma escuridão profunda, iluminado pela chama do fósforo que acende o seu charuto. Essa sequência mostra, através do estilo de cores, as características sombrias do protagonista, e o exibicionismo desnecessário de Wright.

O diretor continua essa forma sombria pelos cenários, que contribuem para a noção de construção de personagem, mais ainda por que o protagonista fica mais de 50% da obra dentro de uma sala escura. Por outro lado, a música, assinada por Dario Marianelli, é cômica, visto que se destaca quando acompanha o drama do homem solitário em seus momentos descontraídos. Ela só se torna intensa em sequências pontuais, como nos discursos de Churchill. A montagem também se sobressai, principalmente quando o diretor emula uma prisão diária que o personagem passa, seja na janela que forma uma cerca ou no elevador que o deixa isolado, preso, distante de todos.

O destino de uma nação fica nas mãos de Gary Oldman, que venceu no último domingo, 7, o Globo de Ouro de melhor ator dramático do ano justamente pela atuação como Churchill. A obra, se não foi pensada para ser interpretada por ele, foi perfeita na escolha. O ator – como Daniel Day-Lewis como Abraham Lincoln (Lincoln) e Meryl Streep como Margaret Thatcher (A Dama de Ferro), que também interpretaram políticos – é um dos mais fortes candidatos ao Oscar, em março próximo. Oldman, conhecido pelas franquias Batman: O Cavaleiro das Trevas (comissário Gordon) e Harry Potter (Sirius Black), o interpreta com tamanha dedicação. Ele anda, gesticula, discursa como Churchill, fazendo com que o político fique vivo na tela. A maquiagem, obviamente, ajuda na construção do personagem.

Um exemplo que ficará na memória dos votantes da Academia do Oscar será a cena do metrô, que diverte, emociona e marca Oldman como um dos melhores astros em ascensão. A cena representa o contato que o povo tem com a política, que é divertida e tocante. Fora a atuação de Oldman, O destino de uma Nação é um filme feito, claramente, para ganhar prêmios. É superior ao recente Dunkirk, de Christopher Nolan, já que tem mais sentido em sua contação de história. E só por contar essa história, já vale assisti-lo.

(Gabriel Amora, O Povo Online)

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