Condições sanitárias, de saúde e segurança possibilitaram que o brasileiro tenha tido três meses e 11 dias a mais de vida entre 2015 e 2016, chegando a 75,8 anos de idade. No Ceará, essa marca é menor, de 73,8 anos. E as mulheres cearenses deverão viver cerca de sete anos a mais do que os homens, confirmando um padrão de gênero também identificado em outros estados.

As projeções são da tábua de mortalidade feita anualmente e divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um modelo demográfico que subsidia o cálculo do fator previdenciário do País.

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Para a população masculina cearense a expectativa de vida é de 69,9 anos, enquanto para as mulheres a marca é de 77,8 anos. A esperança de vida para um senhor que chega aos 65 anos no Estado é de mais 16,3 anos. Para as senhoras da mesma idade, são esperados mais 19 anos de vida. “As diferenças entre homens e mulheres são recorrentes em todos os estados, pelo próprio estilo de vida, os cuidados com a saúde, o envolvimento em casos de violência. Onde os homens predominam”, avalia o professor do curso de Gestão de Políticas Públicas, Breno Pinho. A maior diferença foi identificada no estado de Alagoas, onde mulheres vivem em média 9,5 anos a mais.

O professor explica que o processo de transição demográfica no Brasil mudou desde a década de 1940, quando a prevalência de altas taxas de mortalidade (principalmente nos primeiros anos de vida) começou a diminuir. “É um conjunto de fatores, como políticas de saúde pública, a descoberta de antibióticos para doenças infectocontagiosas…”, lista.

Conforme análise do IBGE, doenças infecciosas, respiratórias e parasitárias começaram a perder importância em relação a patologias relacionadas à degeneração do organismo. Câncer e problemas cardíacos são algumas dessas doenças. “A expansão da produção agrícola, a estabilidade da oferta de alimentos e a consequente redução da fome também tiveram muita influência”, acrescenta o professor.

De acordo com Breno, não é possível afirmar que a expectativa de vida do brasileiro continuará a crescer, apesar da tendência positiva. “São hipóteses. Vai se observando o que acontece mundo afora e calculando”, afirma. A maior esperança de vida ao nascer para ambos os sexos (dados de 2015) é encontrada no Japão, com 83,7 anos. Itália, Singapura e Suíça seguem a lista, com 83 anos.

Dados

De acordo com análise do órgão, o nível de mortalidade está diretamente associado à esperança de vida ao nascer, que apresentou o maior índice no estado de Santa Catarina, com 79,1 anos. A diferença regional também se sobrepõe: uma recém-nascida catarinense deverá viver cerca de 15 anos a mais do que um bebê maranhense do sexo masculino.

A projeção feita pelo IGBE tem como base dados populacionais do Censo Demográfico 2010 e inclui, além de informações sobre óbitos por sexo e idade, estimativas de mortalidade infantil. No Brasil, há 13,3% entre mil nascidos vivos de probabilidades de um recém-nascido não completar o primeiro ano de vida. Essa média cearense é um pouco maior do que a brasileira, chegando a 14,4%.

(Sara Oliveira,  O Povo)