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O filme “Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírita” também foi produzido por Luis Eduardo Girão.

Com o objetivo de apresentar um panorama do cinema realizado no Nordeste e promover uma reflexão sobre os rumos do cinema nordestino contemporâneo, serão exibidos gratuitamente 8 longas e 22 curtas-metragem inéditos. A mostra é o Cine Nordeste, realizado desta terça-feira (4) até o dia 16 de abril, na Caixa Cultural Fortaleza.

A programação é gratuita e ainda conta com debates com cineastas, realizadores e demais profissionais da área do audiovisual. O curador da mostra é o professor e realizador Marcelo Ikeda.

“O cinema realizado no Nordeste tem passado por diversas transformações nos últimos anos. Se o cinema nordestino era identificado especialmente por suas temáticas regionalistas, relacionadas ao sertão, à seca ou ao cangaço, por exemplo, nos últimos anos a produção local tem assumido um olhar mais diversificado, incorporando características plurais”, esclarece.

Nos últimos anos, o cinema realizado no Nordeste tem alcançado amplo desenvolvimento, a partir da produção de curtas e longas-metragens que tem destacado a região no panorama da produção audiovisual contemporânea brasileira. Por exemplo, no ano passado, o filme Aquarius, de Kleber Mendonça Filho concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes, e Boi Neon, de Gabriel Mascaro, ao Prêmio Goya, da Espanha.

Além do cinema pernambucano, o cinema cearense também se destaca. Bezerra de Menezes e As mães de Chico são exemplos de diversidade temática. Já os fenômenos Cine Holliúdy O Shaolin do Sertão, ambos de Halder Gomes, relembram como o humor é um elemento forte da personalidade do povo cearense.

Marcelo Ikeda ainda explica que a mostra pretende levar ao conhecimento do público a diversidade nos modos de produção do cinema realizado no Nordeste hoje.

“Teremos filmes de todos os estados da Região Nordeste, pois uma de nossas principais preocupações é refletir sobre as semelhanças e diferenças entre os contextos locais. Também estamos interessados em investigar as possibilidades expressivas da produção do interior do Nordeste, em pensar as ações de descentralização dessa produção”, enfatiza Ikeda.

Confira a programação completa:

4 de abril

17h

Abissal, de Arthur Leite (CE)
Aqueles que ficam, de Arthur Lins (PB)
Restos, de Renato Gaiarsa (BA)
Nunca é noite no mapa, de Ernesto de Carvalho (PE)

19h

Martírio, de Ernesto de Carvalho (PB)

5 de abril

17h, Sessão Caboré

Sobre Duas Rodas (2015, 1 min), de Priscilla Vilela (RN)
Do Mar (2015, 1 min), de Santos (RN)
Pregobol (2015, 1 min), de Helio Ronyvon (RN)
Sailor (2014, 14 min), de Victor Ciriaco (RN)
Som do Morro (2015, 11 min), de Diana Coelho e Helio Ronyvon (RN)
Rastro da Flor (2014, 1 min), deAndré Santos (RN)
Chama na Trilha (2014, 1 min), de Debora Medeiros (RN)
Sob a Sombra da Estrela (2014, 1 min), de Priscilla Vilela (RN)
Janaína Colorida Feito o Céu (2014, 16 min), de Babi Baracho (RN)
Três Vezes Maria (2014, 20min), de Marcia Lohss (RN)

19h, Sessão Cual

Feio, velho e ruim, de Marcus Curvelo (BA) 9 min
Neandertais, de Marcus Curvelo (BA) 20 min
A praga do desaparecimento imperfeito, de Direção Coletiva (BA) 9min
Ritual pam pam pam, de Ramon Coutinho (BA) 4min
Ótimo amarelo, de Marcus Curvelo (BA) 20min
Onde cair morto, de Ramon Coutinho (BA)

6 de abril

17h

Tarja Preta, de Marcio Farias (PE) 24 min
Os mortos, de Jhesus Tribuzi (PB) 25 min
Cuscuz peitinho, de Rodrigo Sena (RN) 15 min
Baunilha, de Leo Tabosa (RN) 15min

19h

Debate “Coletivos Cinematográficos” com Marcus Curvelo (BA), Diana Coelho (RN), Arthur Lins (PB) e Pedro Diógenes (CE).

7 de abril

17h

Tá acabando!, de Eduardo Crispim (PI) 1 min
Retina, de Paulo Silver (AL) 13 min
A eleição é uma festa, de Fabio Rogerio (SE) 15 min
Superdrive, de Pedro Henrique (CE) 20 min
Bodas de Papel, de Keicy Martins e Breno Nina (MA) 12 min

19h

Lamparina da Aurora, de Frederico Machado (MA) 74 min

8 de abril

17h

Entre céus, de Alice Jardim (AL) 12 min
Frequências, de Adalberto Oliveira (PE) 19 min
Interdito, de Leon Sampaio (BA) 3 min
Vulgo Vando Vendita, de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus (CE) 20 min
Moido, de Torquato Joel (PB) 13 min

19h

Debate “Interiorização do Cinema Nordestino” com Virgínia Gualberto, do Projeto Cinestésico (PB), Alexandre Soares, do Curta Taquary (PE), Milena Evangelista, da Fundarpe (PE), Sérgio Onofre, do Circuito Penedo de Cinema (AL) e Adriano Lima, do Curta Canoa (CE).

9 de abril

17h

Astrogildo e a astronave, de Edson Bastos (BA) 18h min
Vivi, de Catarina Doolan (RN) 14 min
Macapá, de Marcos Pontes (MA) 8 min
Super frente, super oito, de Moema Pascoini (SE) 20min

19h

A cidade do futuro, de CLAUDIO MARQUES E MARILIA HUGHES (BA) 75min

11 de abril

17h

Astrogildo e a astronave, de Edson Bastos (BA) 18h min
Vivi, de Catarina Doolan (RN) 14 min
Macapá, de Marcos Pontes (MA) 8 min
Super frente, super oito, de Moema Pascoini (SE) 20min

19h

O Último Trago, de Alumbramento (CE) 90 min

12 de abril

17h

Entre céus, de Alice Jardim (AL) 12 min
Frequências, de Adalberto Oliveira (PE) 19 min
Interdito, de Leon Sampaio (BA) 3 min
Vulgo Vando Vendita, de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus (CE) 20 min
Moido, de Torquato Joel (PB) 13 min

19h

Corpo delito, de Pedro Rocha (CE) 74 min

13 de abril

17h

Tá acabando!, de Eduardo Crispim (PI) 1 min
Retina, de Paulo Silver (AL) 13 min
A eleição é uma festa, de Fabio Rogerio (SE) 15 min
Superdrive, de Pedro Henrique (CE) 20 min
Bodas de Papel, de Keicy Martins e Breno Nina (MA) 12 min

19h

Debate “O Cinema no Nordeste hoje” com Caroline Oliveira (PB/PE), Anna Andrade, da ABD/PE, Dênia Cruz, da ABD/RN e Ticiana Augusto Lima, da Tardo Filmes (CE)

14 de abril

17h

Tarja Preta, de Marcio Farias (PE) 24 min
Os mortos, de Jhesus Tribuzi (PB) 25 min
Cuscuz peitinho, de Rodrigo Sena (RN) 15 min
Baunilha, de Leo Tabosa (RN) 15min

19h

Invólucro, de Caroline Oliveira (PE/PB) 63 min

15 de abril

17h

Muleque tá doido 2, de Erlanes Duarte (MA) 128 min

19h

Debate “Humor no cinema nordestino” com Erlanes Durate (MA), Cícero Filho (PI/MA) e Karla Karenina (CE).

16 de abril

17h

Abissal, de Arthur Leite (CE)
Aqueles que ficam, de Arthur Lins (PB)
Restos, de Renato Gaiarsa (BA)
Nunca é noite no mapa, de Ernesto de Carvalho (PE)

19h

Ai que vida, de Cicero Filho (PI) 96 min

DEBATES:

Abertura – 4/04, às 19h

A abertura do Cine Nordeste será com o longa-metragem Martírio, de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita. O filme, premiado no último Festival de Brasília, é uma síntese do trabalho de mais de vinte anos de Vincent Carelli no Vídeo das Aldeias, com uma contundente reflexão sobre a identidade indígena e sua opressão pelos interesses do grande capital latifundiário do país. Com essa escolha, a Mostra aponta para uma preocupação política em sua curadoria.

Os coletivos cinematográficos – 06/04, às 19h

A Mostra promoverá duas sessões especiais, com uma coletânea de curtas realizados por dois coletivos cinematográficos: o Cual (Coletivo Urgente de Audiovisual), sediado em Salvador, e o Caboré, em Natal. O surgimento de diversos coletivos cinematográficos no Nordeste oferece novas possibilidades de produção para o cinema nordestino, com baixo custo e grande criatividade.

Convidados:

Arthur Lins – Filmes a Granel (PB)
Diana Coelho – Caboré (RN)
Marcus Curvelo – Cual (BA)
Pedro Diógenes – Alumbramento (CE)

O papel da interiorização no Nordeste – 8/04, às 19h

A produção cinematográfica no Nordeste ainda é muito concentrada na capital. No entanto, existem diversas iniciativas de ampliação desse cenário, avançando para o interior da Região, seja na produção seja na difusão, com mostras e festivais de cinema. Essa mesa refletirá sobre os desafios da interiorização no Nordeste, com vários convidades

Convidados:

Adriano Lima – Curta Canoa (CE)
Alexandre Soares – Cine Taquary (PE)
Milena Evangelista – Fundarpe (PE)
Sérgio Onofre – Circuito Penedo de Cinema (AL)
Virgínia Gualberto – Projeto Cinestésico (PB)

O cinema nordestino: o que nos une e o que nos diferencia? – 13/04, às 19h

O audiovisual realizado na região Nordeste tem passado por diversas transformações nos últimos anos, com o amadurecimento das políticas públicas e do lançamento de editais em diversos estados, e ao mesmo tempo com o surgimento de uma geração jovem que vem desafiando as formas tradicionais de se produzir cinema na região. Entre as singularidades de cada estado, é possível afirmar que há um “cinema nordestino”? Dado o panorama da realização em cada estado, o que “nos une” e o que “nos diferencia”? Quais as características e os desafios do cenário de cada estado?

Convidados:

Anna Andrade – ABD/PE (PE)
Caroline Oliveira – Realizadora (PB/PE)
Dênia Cruz – ABD/RN (RN)
Fábio Rogério – Realizador (SE)
Ticiana Augusto Lima- Realizador (CE)
O humor no cinema nordestino – 15/04, às 19h

A Mostra também terá a exibição de dois longas-metragens nordestinos do gênero comédia, com grande desempenho de bilheteria: O Shaolin do Sertão, de Halder Gomes (CE), e Muleque Tá Doido 2, de Erlanes Duarte (MA). Haverá um debate com a presença dos dois realizadores.

O humor é uma característica marcante das formas de expressão artísticas no Nordeste. Nos últimos anos, temos acompanhado o surgimento de filmes nordestinos que evocam um humor de matiz mais popular, em nítido contraste com o típico perfil dos fimes de comédia de classe média, oriundos especialmente do Rio de Janeiro. As comédias nordestinas têm apresentado um grande sucesso de público, mas apresentam dificuldades para se expandir para além da região. Quais as características da comédia nordestina? É possível afirmar que tem surgido um boom de filmes da Região e que tem características singulares?

Convidados:

Cícero Filho (PI) – realizador de “Ai que vida”
Erlanes Duarte (MA) – ator e realizador de “Muleque Tá doido”
Karla Karenina (CE) – atriz de “O Shaolin do Sertão”, entre outros filmes

Serviço:

Cinema: Cine Nordeste
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema
Data: 4 a 16 abril de 2017
Horários: Consultar programação no site http://www.mostracinenordeste.com.br
Entrada Gratuita
Acesso para pessoas com deficiência e assentos especiais

(Ana Clara Jovino, Tribuna do Ceará)

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