Fortaleza: Festival Concreto começa hoje, reunindo grandes nomes da Arte Urbana

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Foto: Pedro Augusto Araripe/Reprodução Facebook

Os limites de uma cidade podem ser distendidos para além das percepções observadas no cotidiano. A arte urbana é um dos fatores que provocam esta distensão. E ela será intensificada em Fortaleza a partir de hoje, pelos próximos nove dias, na 3ª edição do Festival Concreto. Serão 110 artistas, de várias cidades do Brasil e do mundo, num total de 10 países. Ao todo, eles irão realizar 80 ações na Cidade, entre murais, instalações, mobiliário urbano, oficinas, palestras e atividades de formação. A abertura das atividades ocorre hoje, às 19 horas, no Centro Dragão do Mar. Após solenidade de abertura, a programação terá show com a banda Água de Quartinha, performances, além de Live Painting (pintura ao vivo) com Rafael Highraff (SP). A atividade é aberta ao público e gratuita.

Neste ano, explica o artista e organizador do evento, Narcélio Grud, o festival buscará pontos de convergência entre as propostas mais tradicionais e as de vanguarda. “Para ir além da compreensão da arte urbana, que, muitas vezes é mais focada em grafite, lambe-lambe e sticker. Teremos, além disso, instalações e intervenções”, explica, sem adiantar quais serão as grandes ações deste ano.

Nas duas primeiras edições, o Festival movimentou fortes discussões em Fortaleza a partir de obras polêmicas e episódios curiosos. Uma delas foi no Farol do Mucuripe, em 2013, após um grupo de artistas grafitar o equipamento tombado sem as autorizações devidas. Entre duras críticas e elogios, o painel continuou lá. “A gente quer transformar os espaços da Cidade, como aconteceu com o Farol. Aquelas pessoas que vivem no entorno despertaram após o Festival e passaram a ocupar a área com atividades”, defende Grud. “Tudo o que propõe algo novo e tira algo comum para fora da caixa tende a incomodar. Mas não pensamos em algo que vá prejudicar, a gente tem essa consciência. A gente não tem a pretensão de prejudicar ninguém, muito menos de agradar a todos”, emenda.

Outra obra que gerou confrontos de opiniões ocorreu na edição 2015 do evento, quando o navio encalhado na orla de Fortaleza há 30 anos, o Mara Hope, recebeu um banho de tintas coloridas. A intervenção foi organizada pela artista Maíra Ortins, que também irá participar das movimentações deste ano. Outra ação instalou cadeiras nas pedras do espigão da avenida Rui Barbosa, na Praia de Iracema, para convidar as pessoas a assistirem ao pôr do sol no local.

“A arte urbana tem que dialogar com as pessoas, quando a obra se impõe para além do olhar treinado do dia a dia. Mas o meu olhar, como artista, pode ou não agregar”, acredita Maíra, que adianta ainda não saber qual será o espaço onde colocará a obra que preparou para esta edição. Para ela, a arte urbana tem uma grande diferença da produção que está nos museus. “Lá, ela está muito protegida, há muitas barreiras com a cidade. Nas ruas é o contrário. É a obra que precisa se adequar à cidade, aos muros”.

 

SERVIÇO

3º Festival Concreto

De 4 a 12 de novembro

Abertura: dia 4, às 19 horas

Onde: Espaço Rogaciano Leite, Centro Dragão do Mar

Gratuito.

Veja a programação completa e os artistas convidados em:www.festivalconcreto.com.br

(Camila Holanda, O Povo)

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