Bancários: Acordo de dois anos é uma boa?

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São Paulo – O Sindicato acredita que esta pode ser uma boa opção para a categoria que, com o aumento real garantido em 2017, poderá investir mais tempo na defesa dos empregos e de melhores condições de trabalho (veja perguntas e respostas abaixo).

Outras categorias no Brasil mantêm esse tipo de acordo ou já fizeram no passado. É o caso dos metalúrgicos do ABC e em outras cidades com grandes empresas como Volks, Toyota e Renault, dos trabalhadores de calçados em Franca, comerciários do Rio de Janeiro, do Acre, da construção civil em várias cidades do país, de setores de processamento de dados, transporte, vestuário, vigilantes.

Fora do Brasil, esse modelo também é utilizado: os trabalhadores dos correios no Canadá fecharam acordo de dois anos, assim como os empregados da construção civil no Reino Unido. Nos EUA, empregados da Verizon, uma grande empresa de telecomunicação, fecharam acordo de quatro anos.

“Para o Comando Nacional dos Bancários, essa é uma boa saída para os trabalhadores. Queremos resolver a campanha na mesa de negociação, sem intervenção da Justiça. E garantir aumento real para o próximo ano é muito importante, diante da situação política e econômica que o país atravessa. Com reajuste acertado, podemos concentrar esforços na luta por nossos direitos, e na defesa dos bancos públicos, ameaçados pelo ajuste fiscal do governo Temer”, afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando. “A Campanha Nacional Unificada garante ganhos para os bancários desde 2004 e não podemos permitir que a lógica privatista desse governo ameace essa conquista da nossa categoria.”

Como saber se a proposta para 2017 é boa, se não sabemos o cenário econômico?
Em 2015, fizemos 21 dias de greve e conseguimos aumento real de 0,11% em uma conjuntura mais favorável aos trabalhadores. Diante de um governo que defende a retirada de direitos, manter todas as cláusulas da nossa CCT garantidas por dois anos e ainda reposição total da inflação mais aumento real de 1%, sem o desgaste da greve, é uma conquista da nossa mobilização este ano.

Mas o Sindicato não defendia o aumento real?
Defendia e defende. Em mais de uma dezena de reuniões com os bancos, o Comando Nacional dos Bancários insistiu na reivindicação do aumento real. Com a nossa luta, conseguimos avançar nos reajustes acima da inflação para vales e auxílios e garantimos elevação da primeira proposta de 6,5% para 8% com abono de R$ 3.500, além da reposição total da inflação mais aumento real de 1% em 2017. Não é a proposta que queríamos, mas é o acordo possível nessa conjuntura. Estamos chegando ao teto da greve e, após um mês, a grande imprensa começa a jogar os clientes contra a categoria, em um cenário em que o  governo também investe contra os direitos dos trabalhadores. O Comando tem de ter responsabilidade com os bancários que fizeram os 30 dias de greve.

O acordo de dois anos não vai proibir que a categoria lute por outras pautas?
Muito pelo contrário. O acordo de dois anos vai permitir que os bancários se mobilizem contra a retirada de direitos, a terceirização, a privatização dos bancos públicos. Teremos garantido que não se repita o reajuste abaixo da inflação, quebrando a lógica do abono que os bancos queriam resgatar dos anos 1990. Durante o ano faremos nossas conferências e teremos mesas para debater com os bancos condições de trabalho, emprego bancário, agências digitais. E greve, inclusive, caso ameacem nossos direitos.

Como ficam vales e auxílios em 2017?
Assim como os salários, vales alimentação, refeição, 13ª cesta-alimentação, auxílio-creche, PLR e demais verbas, tudo será reajustado de acordo com a inflação mais 1% de aumento real. Ou seja, independentemente de quanto for a inflação (5%, 8%, 10%, o que for), os bancários terão direito à reposição desse índice mais 1% de aumento real.

(Sindicato dos Bancários e Financiários de SP, Osasco e Região)

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