Total de processos por assédio moral cresce 64,4% no Ceará

assedio-moral

O número de processos instaurados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) envolvendo assédio moral aumentou 64,4% de janeiro a agosto deste ano, no Ceará. A variação é resultado da comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o MPT, o setor de comércio e serviço é o que mais acumula denúncias. Profissionais que trabalham no combate a esse tipo de abuso apontam a dificuldade de as vítimas discernirem e provarem o que é assédio como empecilhos para evitar o problema.

Segundo dados colhidos pelo MPT, entre janeiro e agosto deste ano foram instalados 194 processos a partir de denúncias de assédio moral no Estado. Nos oito primeiros meses de 2015, foram 118 casos. As ações instauradas são coletivas, o que torna a situação mais grave, já que o número de afetados é maior que os dados apontam.

O procurador-chefe Carlos Leonardo Holanda explica que as condutas que caracterizam assédio moral podem ser variadas. “Essa subjetividade é que torna a situação mais delicada. O que pode ser (assédio) para mim, pode não ser para você. Não existe uma cartilha configurando”, diz. Ele define assédio como qualquer comportamento recorrente que perturbe o ambiente de trabalho e cause sofrimento.

Holanda pondera que é comum a confusão entre cobrança e pressão praticada por superiores com assédio. Segundo ele, outra dificuldade é que as denúncias costumam carecer de provas ou de vítimas dispostas a identificar os assediadores.

De acordo com o MPT, o setor de telecomunicações é o que mais tem denúncias de assédio moral. Há casos de funcionários que chegam a ser privados de utilizar banheiros. “Aparece muito em atividades onde se controla muito, se cobra muito o cumprimento de etapas, quando há muita fiscalização e monitoramento”, elenca o procurador-chefe.

Assédio

A professora e psicóloga do trabalho Raquel Coelho explica que a recorrência do assédio desencadeia problemas nas relações de trabalho, na autoestima e na carreira das vítimas. Segundo ela, as pessoas que sofrem assédio moral tendem a se sentir excluídas e inferiorizadas. “Às vezes, quem era um ótimo trabalhador começa a não se sentir realizado no trabalho, ter perda de desempenho e faltar. Em outros casos, a alternativa que a pessoa enxerga é a demissão”, explica.

Às vítimas de assédio a professora orienta que conversem com outras pessoas, juntem provas e denunciem o problema. O procurador-chefe do MPT sugere ainda que se busque ajuda dentro da empresa. Quando isso não for possível, os sindicatos podem ser alternativa. 

Números

194 processos de assédio moral foram instaurados pelo MPT no Ceará em 2016

118 processos foram instaurados, no mesmo período de 2015, no Estado

Sábia mais 

Assédio moral

O que é: comportamentos repetitivos que violam a dignidade da pessoa em situações humilhantes ou constrangedoras.

Situações que podem caracterizar assédio: não oferecer as mínimas condições de trabalho ou isolar um indivíduo dos demais colegas; desqualificar publicamente o desempenho de um profissional; criar apelidos pejorativos; humilhar o funcionário em frente a colegas ou clientes; omitir a participação de outros profissionais em atividades; impedir ou dificultar o uso a banheiros ou ao tempo de descanso.

O que fazer: procurar discernir se o assédio se configura; reunir provas e registrar os constrangimentos; conversar com profissionais ou pessoas de confiança sobre o problema; denunciar em setores da empresa ou no sindicato da categoria.

(Igor Cavalcante, O Povo Online)

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