Quem vazou as gravações de Sérgio Machado?

O teor explosivo das gravações de conversas entre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e caciques do PMDB caiu como uma bomba no já conturbado cenário político brasileiro, derrubando até ministro recém-empossado. Mas apesar do conteúdo revelador, a divulgação ainda deixa muitas perguntas no ar. E a principal delas é quem vazou as gravações.

Feitas em março deste ano durante conversas com os senadores Romero Jucá, Renan Calheiros e o ex-presidente José Sarney, as gravações estão com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A teoria mais imediata apontaria que o vazamento teria sido feito pelo próprio Sérgio Machado, que nas conversas pede ajuda contra as investigações da Operação Lava Jato. Mas nas conversas, Machado não poupa críticas pesadas ao procurador–geral Rodrigo Janot e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Janot é chamado de “mau caráter” e de “f.d.p.”. Machado afirma que “nunca viu um Supremo tão merda”, e que “o novo Supremo, com essa mulher, vai ser pior ainda. […]”, numa referência à ministra Carmem Lucia, que assume a presidência da Corte em setembro. Machado diz ainda que o STF rasgou a Constituição no episódio da prisão do então senador Delcídio do Amaral.

Com todas essas pesadas declarações, que prejudicam o próprio Sérgio Machado diante da Justiça, fica difícil imaginar que tenha sido ele o autor do vazamento.

Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro
Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro

Aliás, Carmem Lúcia teria dado gargalhadas ao ler a transcrição das gravações em que Machado faz referência a ela. É justo que a ministra ironize as declarações, mas o ataque a um membro e à própria Corte Suprema do país deve merecer uma reação à altura não apenas de Carmem Lúcia, mas de todo o STF. A instância máxima da Justiça do país não pode permitir que suas ações sejam questionadas de maneira tão rasteira, e ainda por cima por um suspeito de envolvimento com esquema de corrupção.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa contou, em delação premiada, que recebeu R$ 500 mil de Sérgio Machado como parte de pagamento de propina referente ao fretamento de navios entre 2009 e 2010. O dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, também revelou em sua delação que Machado pediu a ele R$ 1 milhão para que ‘as obras andassem normalmente’. Após as denúncias, em 2014, Machado se licenciou da Transpetro e, em fevereiro de 2015, pediu demissão.

Se as acusações que pesam sobre Sérgio Machado forem verdadeiras, ele será mais um a integrar o grupo de delinquentes que, com seus roubos, levaram o país ao fundo do poço. Sangraram a maior empresa do país, responsável por movimentar 60% da economia nacional; afundaram a economia, levando 11 milhões ao desemprego, à fome e à desesperança; derrubaram o investment grade e fizeram o país desabar. Não pode partir de um homem suspeito ataques à Corte maior do Brasil sem que haja uma forte e imediata reação.

(Jornal do Brasil)

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