As histórias de ruas de Fortaleza que mudaram de nome nestes 290 anos

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O que pensaria o historiador Raimundo Girão ao fazer uma caminhada tranquila pela avenida Aquidabã, sentindo a maresia da Praia de Iracema? Naquele momento, mal sabia ele que a via viria a homenageá-lo pouco após sua morte, em 1988. No decorrer dos 290 anos de Fortaleza, muitas das ruas pelas quais passamos diariamente tiveram o nome alterado. Assim, as placas nas esquinas, que informam e orientam, contam também histórias múltiplas de uma Cidade em que o efêmero está sempre presente e o dinamismo é uma constante.

As mudanças, no entanto, não significam apagar do inconsciente coletivo o que passou. Em algumas dessas ruas e avenidas, mesmo com a troca oficial, a denominação antiga persiste no cotidiano de quem se acostumou a chamar a via por um nome que não existe mais. Em um rápido pedido de informações a pessoas que passam pela avenida Virgílio Távora, a equipe do O POVO pergunta como chegar à avenida Estados Unidos. Os de mais idade, esboçam um sorriso. Já os mais novos se dividem entre os que sabem ou não de onde se trata.

“Acho que fica ali perto do Farias Brito, perto da 8 de setembro, não é?”, tenta orientar a estudante Larissa Freire, 20, surpresa ao saber que estava na via que já foi chamada avenida Estados Unidos. “Meus pais e avós são do Interior e vez ou outra chamam pelo antigo nome”, recorda-se o psicólogo Vítor Duarte, 28.

Novos nomes

As avenidas Aquidabã e Estados Unidos são apenas dois exemplos de vias que foram rebatizadas em Fortaleza. Uma das mais movimentadas do Centro da Capital, a Dom Manuel já foi Boulevard da Conceição, devido à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Prainha.

Na parada de ônibus em frente ao riacho Pajeú, as pessoas são rápidas ao informar que Nogueira Acioli fica a cinco quarteirões dali. E que talvez seja melhor pegar um ônibus para chegar à Dom Luís. E qual não foi o espanto ao saber que aquela Dom Manuel teve, em outros tempos, esses nomes.

Se, na maioria dos casos, a nomeação de uma rua é feita para homenagear uma personalidade (algumas de biografia controversa), por vezes um ponto de referência ou a própria forma como as pessoas a utilizam acabam sendo responsáveis pela alcunha da via. Exemplo é a Rua das Flores — que, antes de se chamar Castro e Silva, era a rota do cortejo fúnebre que saía da Igreja da Sé (hoje, Catedral Metropolitana) até o cemitério São João Batista. Já a Avenida do Seminário começava no Seminário da Prainha antes de se chamar Monsenhor Tabosa.

As vias que mudaram

Avenida Senador Virgílio Távora

(já foi a avenida Estados Unidos)

Avenida Silas Munguba (avenida Dedé Brasil/avenida Paranjana)

Avenida Hist. Raimundo Girão(avenida Aquidabã)

Rua Marechal Deodoro(rua Cachorra Magra)

Rua Clarindo de Queiroz(Rua do Livramento)

Rua Coronel Ferraz(Rua do Colégio)

Rua Costa Barros(Rua da Aurora/Rua do Sol)

Avenida Dom Luís(Rua Farias Brito)

Avenida Do, Manuel(Boulevard da Conceição, avenida NogueiraAcioli, Boulevard Dom(Manoel e Rua Dom Luiz)

Avenida Domingos Olímpio (Travessa dos Coelhos)

Rua General Sampaio(Rua da Cadeia)

Avenida Gomes de Matos (Estrada do Gado/14 de julho)

Rua Guilherme Rocha(Travessa Municipal)
Rua Jaime Benévolo (Rua Dr. João Tomé/Rua do Açude)

Rua Major Facundo(Rua Nova del Rei/Rua da Palma/Rua do Fogo)

Avenida Monsenhor Tabosa (Rua do Seminário)

FONTE: livro A história do Ceará passa por esta rua, de Rogaciano Leite Filho

(João Marcelo Sena, O Povo)

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