“Sensação de medo em Fortaleza é maior que a própria insegurança”, constata pesquisa da UFC

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O medo da insegurança de Fortaleza tem gerado discussões em centros acadêmicos cearenses. Um estudo desenvolvido por um estudante de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Yuri Costa, em coautoria com o professor José Raimundo Carvalho, mostra que, na realidade, a sensação de insegurança é maior que a própria insegurança na capital.

De acordo com o orientador da pesquisa de mestrado de Yuri, professor José Raimundo, o medo da população tem afetado diretamente em hábitos até então naturais. “A gente viu claramente que uma das questões que afligem mais a sociedade, além da repercussão do crime em si, está a questão do medo e a sensação de insegurança. Hoje, não saímos mais tanto à noite por medo. E essa visão vem sendo quantificada e colocada num patamar equivalente ao próprio crime”, explica o especialista.

Conforme José Raimundo, o resultado da pesquisa mostra que as pessoas comuns sobrevalorizam a probabilidade de serem vítimas de homicídios e mantêm essa impressão mesmo após serem confrontadas com as taxas reais de homicídios em Fortaleza. Sendo, em geral, as taxas reais menores do que aquelas percebidas pelos indivíduos.

4 mil entrevistados

Para chegar a essa conclusão, os estudiosos entrevistaram cerca de 4 mil pessoas na capital cearense nos últimos três anos. Yuri e seu orientador perguntavam aos entrevistados a sua opinião sobre a probabilidade de ser vítima de um homicídio em Fortaleza. Após a resposta, o entrevistado era informado sobre a verdadeira probabilidade que, geralmente, era mais baixa que a citada na primeira resposta.

Nesse caso, o professor da UFC explica que a pesquisa foi para identificar o tamanho do medo da população em relação à insegurança. “Nosso resultado foi simples e muito contundente: a maioria das pessoas sobreavalia o risco de ser vítima da violência. É um fenômeno psicológico ao qual estão relacionados vários fatores, como sociais e econômicos”, completa o professor José Raimundo.

Ações de redução

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, José Raimundo também destacou a importância de se fazer ações e campanhas que diminuam o medo da população. “É necessário fazer uma gestão de sentimento de segurança, a fim de identificar como as autoridades poderiam administrar essa insegurança em Fortaleza”, indica.

“É necessário fazer uma gestão de sentimento de segurança, a fim de identificar como as autoridades poderiam administrar essa insegurança em Fortaleza”. (José Raimundo Carvalho)

Outro resultado bastante contundente apontado pela pesquisa dos estudiosos foi o tipo de pessoa que possui essas sensações. Conforme a análise, as mulheres e os mais idosos são os que emitem o maior sinal de medo.

Para reduzir essas estatísticas, José Raimundo destaca uma ferramenta abordada após o ataque de 11 de setembro. “Três ou quatro meses após o ataque às torres gêmeas, os EUA desenvolveram um termômetro de segurança. Eles sabiam exatamente qual a sensação que a população estava sentindo em relação à insegurança do país. Isso é uma técnica de gerir e administrar o medo do cidadão, fato que devíamos abordar também”, conclui o professor.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que desde 2014 realiza o  Programa Em Defesa da Vida, que tem como objetivo reduzir efetivamente a criminalidade no Ceará e não apenas reduzir a “sensação de insegurança”. Conforme os dados da secretaria, desde a implementação do programa houve uma quebra na tendência de alta em um dos indicadores mais importantes – o de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que inclui homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte e se apresentava em uma crescente entre 2004 e 2013.

“As iniciativas desenvolvidas pela Secretaria da Segurança passaram a ter um reforço significativo com o trabalho realizado no âmbito do Pacto por um Ceará Pacífico, coordenado pelo Governo do Estado e que congrega parcerias com prefeituras, diversas secretarias estaduais e municipais, os demais poderes públicos, instituições não-governamentais e privadas, entre outros – atores importantes para a prevenção, bem como para maior efetividade das ações implementadas, na busca por um Ceará mais seguro e com mais oportunidades para toda a população”, detalha trecho da nota.

Workshop

O trabalho desenvolvido pelos especialistas deve ganhar grandes proporções. Nos próximos dias 12 e 13 de maio, a análise será apresentada no maior workshop sobre economia, estatística e psicologia do mundo, que acontecerá em Nova York, nos Estados Unidos. Na ocasião, o evento deve reunir diversos especialistas de todo o mundo nas áreas de economia e psicologia, que se dedicam a pesquisas sobre modelagem subjetiva e probabilidade.

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