Morre aos 38 anos o ultraciclista Claudio Clarindo

O ultraciclista Claudio Clarindo, de 38 anos, morreu às 8h30 desta segunda-feira (25) enquanto realizava um treinamento na Rodovia-Rio Santos. Clarindo pedalava no percurso com o também ultraciclista Jacó Amorim, quando, no km 244 da rodovia, foram atropelados por um motorista que vinha na direção contrária e dormiu ao volante.

A dupla foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada para o Hospital Santo Amaro, em Guarujá. Claudio já chegou morto no local. Amorim sofreu fratura no fêmur e está neste momento no centro cirúrgico.

Um dia antes do acidente, Claudio Clarindo havia dado instruções para uma empresa de marketing de como se comportar na hora de sair para pedalar nas estradas.

Um dia antes, Clarindo havia dado instruções de como se portar nas estradas ao pedalar

Nota oficial

O Hospital Santo Amaro enviou nota oficial na manhã desta segunda informando a morte de Claudio Clarindo e a lesão sofrida por Jacó Amorim. Confira na íntegra:

O Hospital Santo Amaro informa que na manhã desta segunda –feira (25) o ciclista Claudio Clarindo, de 38 anos deu entrada no HSA já em óbito tendo sofrido parada cardio respiratória. Já o ciclista Jacob Amorim  da Silva, de 32 anos foi encaminhado à cirurgia, tendo sofrido uma fratura de fêmur.  Seu quadro é estável.

Pedido por mais Segurança

Em janeiro do ano passado, Claudio Clarindo liderou um movimento que pedia por mais segurança nas estradas. O evento aconteceu na rodovia Cônego Domênico Rangoni, no dia 17, e reuniu mais de 150 ciclistas. A iniciativa foi motivada depois de um grupo de 60 ciclistas terem sido surpreendidos na estrada por um grupo de criminosos.

“Eles (assaltantes) vieram contra o pelotão. Foi muito perigoso porque eles vieram no meio da estrada. Nós, sem motivo algum, tivemos que voltar correndo porque eram armas brancas, de fogo”, declarou Clarindo na época.

Conquistas

O ultraciclista teve seu início esportivo como nadador, mas foi em 1992 que iniciou no triathlon. Conquistando alguns títulos na categoria júnior, concluiu mais de 200 provas de triathlon. No Ironman Brasil, realizou por dois anos consecutivos a melhor natação do evento em 1998 e 1999, realizando oito provas de Ironman’s, dentre elas o mundial do Hawaii.

No ciclismo de longa distância, Clarindo foi o primeiro recordista brasileiro de longa distância em 2002, com 420 km entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. Foi também vice-campeão do Extra Distance, conquistou recorde sulamericano de 24 horas em velódromo, com 700km completados e vice-campeão das 24h de Sebring, realizada na Flórida (EUA). Sagrou-se bicampeão das 24h de Fortaleza.

Clarindo tinha ainda em seu currículo cinco participações na Race Cross America (Raam), considerada a disputa mais difícil e perigosa do mundo em sua modalidade. Os participantes têm que atravessar todo o continente norte-americano do lado oeste, da Califórnia, para o lado leste, ao estado de Maryland, num total de 5000km.

No ano passado ele fez o percurso de 4.800 quilômetros, que abrange as costas oeste e leste dos Estados Unidos, em aproximadamente 12 dias (11 dias e 23h59m), sem parar.

Em dezembro de 2011, foi lançado o documentário de Clarindo, produzido juntamente com a TV Tribuna e a 4.2 produtora. Intitulado ‘Sem Limites dia e noite’, o filme trazia um relato da participação do ultraciclista brasileiro na Raam daquele ano.

Na página do atleta no Fabebook, naquela que acabou sendo sua última mensagem e que foi postada domingo (24), Clarindo demonstrou sua fé e agradeceu justamente pela proteção que até então vinha tendo nas estradas.

Eis o texto: “E deste modo finalizamos nossa aventura! Foram três dias de puro pedal!!! Quero agradecer a Nossa Senhora Aparecida e a Deus pela proteção nas estradas, ao carinho dos amigos, patrocinadores, e a todos que amam o ciclismo como nós amamos!!! Ao parceiro ‪#‎JacoAmorim‬ os meus parabéns, foram 800km de qualidade!! Começamos muito bem 2016!!!”

A mensagem é ilustrada por um vídeo feito à noite que tem duração de apenas 14 segundos, filmado pelo companheiro Jacó, que pedalava atrás dele. Eles não estão conversando. O som é apenas do vento.

(A Tribuna)

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