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Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Rodrigo Vasconcelos, do R7, em Brasília

Em operação que se estendeu ao longo da manhã desta terça-feira (15), com duração de quase seis horas, a PF (Polícia Federal) apreendeu celulares e documentos que pertencem ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao cumprir mandados de busca e apreensão em Brasília e no Rio de Janeiro. Eles deixaram a residência oficial da Câmara com malotes nas viaturas por volta das 11h25.

A Operação Catilinárias, que tem como objetivo cumprir 53 mandados de busca em vários estados foram expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, baseada em provas ligadas a Operação Lava-Jato, da qual ele é relator.
Nos mandados, Teori pede a PF que sejam apreendidos computadores, mídias eletrônicas, HDs externos, anotações ou qualquer elemento que materialize comunicação dos investigados para apurar as denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os agentes estão autorizados a vasculhar dados digitais, tal como fizeram na diretoria-geral da Câmara.

Os agentes também solicitaram os serviços de um chaveiro, que se dirigiu para a residência oficial da Câmara. No local, também participam das diligências delegados da PF e representantes da PGR (Procuradoria-Geral da República), que pediu os mandados expedidos pelo STF.

Além de Cunha, a PF também procurou a chefe de gabinete da presidência da Câmara, Denise Santos, e por conta disso, advogados dela tentaram trocar informações com os do deputado, mas foram impedidos de entrar na residência oficial. Outro alvo da operação ligado ao peemedebista foi o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fábio Cleto.

Na Câmara, os agentes se dirigiram para a diretoria-geral da Casa, onde teriam interceptado e-mails enviados pelo deputado Anibal Gomes (PMDB-CE). O deputado Áureo (SD-RJ) também foi alvo de mandados de busca. A PF também foi a sede do PMDB em Alagoas.
Além dos deputados, os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) também estão entre os alvos da Catilinárias. Em nota, Bezerra confirma a ação no escritório dele, em Petrolina (PE), e disse estar a disposição para colaborar com as investigações, “com confiança no trabalho das autoridades que conduzem o processo”.

No governo federal, a operação chegou nos ministros Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), do Turismo, e Celso Pansera (PMDB-RJ), de Ciência e Tecnologia. O Planalto afirma, em nota, que espera que os fatos investigados envolvendo ministros sejam esclarecidos o mais rápido possível, e que eles possam apresentar suas defesas dentro do princípio do contraditório.

Os mandados expedidos pelo STF estão sendo cumpridos em Sâo Paulo (15), Rio de Janeiro (14), Pará (6), Pernambuco (4), Alagoas (2), Ceará (2) e Rio Grande do Norte (1). As buscas tentam impedir a destruição de provas da Lava-Jato.

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