Não foi à toa que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu adiar a análise e despacho de pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff, marcada em princípio para esta segunda-feira (30).

Com as denúncias surgidas neste domingo (29) de que o deputado teria recebido R$ 45 milhões para aprovar em 2013 uma emenda que favorecia o banco BTG Pactual, a defesa do peemedebista acendeu a luz vermelha.

Interlocutores no Congresso ouvidos pelo Jornal do Brasilgarantem que o Conselho de Ética, que já estava inclinado a pedir abertura de processo de cassação contra Cunha, está agora mais convencido e pressionado a partir das novas denúncias.

Presidente da Câmara deu entrevista coletiva nesta segunda-feira (30) negando denúncias de propina
Presidente da Câmara deu entrevista coletiva nesta segunda-feira (30) negando denúncias de propina

Pesa, ainda, contra Cunha o recente aval do plenário do Senado pela manutenção da prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), pedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão estimula procuradores a despachar um pedido de afastamento de Cunha do cargo que dorme há um mês no Ministério Público Federal (MPF).

Os problemas de Eduardo Cunha ainda podem resvalar no Palácio do Planalto. Tanto oposição quanto governistas apostam que ele coloca em andamento um processo de impeachment caso perca no Conselho de Ética.

Nesta segunda, o presidente do órgão, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), afirmou que quer dar celeridade para que os integrantes do Conselho possam apreciar o parecer do relator Fausto Pinato (PRB-SP) até quinta-feira. Araújo afirmou, porém, que não está em questão a nova denúncia que vincula Cunha ao BTG Pactual.

De todo modo, a nova denúncia teve impacto entre os membros do Conselho de Ética e deixou em alerta a Procuradoria-Geral da República.

(Eduardo Miranda, Jornal do Brasil)

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