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Erik Farina, Jornal Zero Hora Online

Cada vez mais sólida no calendário do comércio, a Black Friday, que ocorre na sexta-feira, promete descontos imbatíveis — mas impõe aos internautas o desafio de analisar com lupa as ofertas e a reputação dos vendedores.

No ano passado, o Portal Reclame Aqui registrou 12 mil queixas durante o já tradicional dia de ofertas. Foram frequentes as reclamações por descontos enganosos, erros nos sites na hora de concluir a compra e falhas na entrega.

— Os casos mais preocupantes foram de “maquiagem” de preços. Algumas lojas aumentam o valor do produto antes da Black Friday e retornam ao preço original na data anunciando descontos — aponta a diretora do Procon-RS, Flávia do Canto Pereira.
Para escapar da armadilha, é preciso se cercar de referências, recomenda:

— Quem já vem pesquisando um produto há mais tempo e conhece seu valor médio terá mais facilidade para identificar ofertas falsas. Os demais precisam redobrar o cuidado.

Saber diferenciar impulso do essencial

Para quem arregaça as mangas e compara promoções, a data pode revelar bons negócios. A Black Friday promete economia de até 80% em itens mais baratos, como livros e roupas, em torno de 40% para artigos mais sofisticados, como tablets, celulares e eletrodomésticos.

— Os descontos são atraentes, mas a pessoa precisa diferenciar o que é impulso do que é realmente necessário e, assim, evitar gastar mais do que precisa — sugere o consultor financeiro Alfredo Meneghetti Neto. — A dica é anotar hoje mesmo o que se deseja comprar, e, se até sexta-feira a vontade continuar, fazer a compra.

De acordo com os organizadores do evento, a edição deste ano deve movimentar R$ 978 milhões, 12% a mais do que em 2014. Clientes de Porto Alegre vão gastar R$ 23 milhões na data — a mesma proporção do crescimento nacional.

— A alta é relevante em um ano de economia complicada. A previsão é de que o consumidor valorize mais seu dinheiro, pesquisando as ofertas — projeta Juliano Motta, diretor da BlackFriday.com.br.

10 DICAS PARA APROVEITAR AS PROMOÇÕES

1

Faça uma pesquisa prévia dos produtos que pretende comprar, para saber se os descontos que serão anuciados são verdadeiros – escapando da chamada maquiagem de preços.

2

Pesquise a reputação da loja em sites de reclamações, fóruns de consumidores, Procons e site do Tribunal de Justiça do Estado.

3

Desconfie de ofertas muito tentadoras. É estranho um site vender um produto muito mais barato do que a concorrência – principalmente eletroeletrônicos.

4

Prefira lojas conhecidas, com CNPJ, número para contato telefônico e endereço físico.

5

Prefira pagar com o cartão de crédito, em vez de boleto, ou por transferência bancária. Fica mais fácil de cancelar o pagamento caso haja problema na entrega.

6

Faça cópias de tela em cada etapa da compra – desde o anúncio até a conclusão do pagamento e o prazo de entrega.

7

Mesmo que as ofertas valham a pena, tome cuidado com as compras para não exceder o orçamento e passar aperto para pagar.

8

Para não comprar por impulso, a sugestão é escrever em uma lista quais produtos você realmente pretende comprar na data, e focar neles sua pesquisa.

9

Se chegar um produto diferente daquele escolhido, lembre-se de que poderá desistir da compra e devolver o item no prazo de sete dias.

10

Observe o selo do Busca Descontos do Reclame Aqui nos sites com melhor reputação. A marca estará presente em lojas que tenham avaliação boa ou ótima.

 

CAMPEÃS DE QUEIXAS

As empresas que apresentaram mais reclamações na Black Friday de 2014 – e o número de queixas*.

• Americanas: 1.219

• Submarino: 1.095

• Saraiva: 682

• Shoptime: 223

• KaBum!: 197

• Netshoes: 188

• Extra: 158

• Magazine Luiza: 139

• Walmart: 137

• Nescafé Dulce Gusto: 77

*Levantamento do portal Reclame Aqui

OS MAIS DESEJADOS NESTE ANO

O que os internautas pretendem comprar, conforme pesquisa do app MeSeems, de pesquisa de mercado.

• Roupas: 37%

• Eletrônicos em geral: 36%

• Celulares: 35%

• Livros: 28%

• Calçados : 28%

• Eletrodomésticos:  27%

• Computadores/Notebooks : 22%

O que é a Black Friday

A “Sexta-Feira Negra” tem origem nos Estados Unidos, onde os lojistas derrubam preços para esvaziar estoques e se preparar para as vendas de final de ano. Ocorre na última sexta-feira de novembro, após o feriado de Ação de Graças. Há algumas versões para a origem do termo – a mais conhecida é que as vendas deixam a última linha do balanço preta (indicando lucro), e não  vermelha (sinônimo de prejuízo).
No Brasil, a Black Friday ocorre desde 2010 e movimenta principalmente o e-commerce.

O repórter Erik Farina produz as matérias da série Encare a Crise.

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