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Bastou estarmos a pouco mais de um mês do Natal para que o Itaú começasse a entregar um presente de grego para os funcionários. Na sexta-feira, 13/11, quatro colegas da área de serviços cash, filial de Porto Alegre, foram comunicados de que estavam demitidos. Eles contam que o banco anunciou que estava tomando uma “decisão institucional” e de que estava começando uma reestruturação do banco de atacado. O SindBancários já está investigando as demissões e vai cobrar esclarecimentos do Itaú. Em todo o país, mais de 20 colegas da área de serviços cash foram demitidos.

O problema é que essas palavras que servem para diminuir o impacto da total falta de ética e de transparência, dois conceitos de que o banco se orgulha, atingiram funcionários considerados muito competentes. São analistas e especialistas no setor de cash, onde transitam folhas de pagamentos de grandes e médias empresas, que receberam prêmios pelo oitavo ano consecutivo no mês passado. Os colegas fazem parte de um setor que recebeu o título de melhor cash da América Latina. A distinção é importante. É da Agência Euromoney.

Pela premiação, os colegas das outras filiais, que também fazem parte do setor de cash, ganharam um saco de balas. Como vergonha pouca é bobagem para o Itaú, a forma como os colegas foram comunicados da demissão chega a deixar indignado. Chamaram os quatro colegas de Porto Alegre para um conversa às 16h da sexta-feira e comunicaram as demissões. Telefones das mesas dos colegas ficaram tocando. Eram clientes. Computadores ficaram abertos e contratos ficaram por ser fechados, à espera de assinatura.

A diretora do SindBancários e funcionária do Itaú, Catia Nunes, disse que o banco já havia cobrado dos colegas um relatório completo das contas que administravam, o que os bancários chamam de “book”. “Esse é o presente de Natal que o Itaú está dando aos colegas, a demissão. Recebemos denúncias dizendo que o banco está comunicando que as demissões obedecem a um processo de reestruturação. Nós sabemos que se trata de demissão e rotatividade. Porque os colegas que foram demitidos têm todos mais de nove anos de banco”, explicou Catia.

O SindBancários está investigando as demissões. Mesmo que o banco diga que se trata de “decisão institucional”, o SindBancários irá cobrar esclarecimentos. Isso porque a reestruturação fechou todas as filiais da área de cash das filiais do Itaú no país. De um só golpe, o banco fechou Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Goiânia e Rio de Janeiro. Tudo ficou centralizado em São Paulo.

“Os colegas demitidos disseram que a última semana deles foi de total pressão. Não avisaram sobre a demissão, não ofereceram sequer curso para realocação. Foram corridos pelo banco. Simplesmente demitiram. O banco tem falado em eficiência. Mas eficiência, no caso do Itaú, é sinônimo de demissão e cobrança ainda maior de metas. A partir de janeiro, o banco já anunciou que a cobrança de metas será por gerente. O banco vai colocar o corte de custos como meta”, avaliou a diretora Catia Nunes.

(Sindicato dos Bancários de Porto Alegre)

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