Jornal GGN – Uma perícia da Polícia Federal, concluída em outubro deste ano, mostra que as investigações da Lava Jato sobre o envolvimento do deputado Aníbal Gomes (PMDB-AL) e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foram retomadas. De acordo com o documento, um sócio e amigo próximo de Aníbal, Luis Carlos Batista Sá, recebeu R$ 3 milhões em sua conta bancária, proveniente de um acordo entre duas empresas de serviço e a Petrobras.
Batista Sá e Aníbal são sócios em uma empresa “inoperante” e “de papel”, informou o próprio empresário à Folha de S. Paulo. Eles também possuem, juntos, duas empresas na área de energia, uma delas a Satel. A companhia, também de acordo com depoimento do próprio deputado, “nunca teve atividade operacional, tampouco conta bancária ou quadro de funcionários”.
Apesar de Aníbal Gomes negar o recebimento dos R$ 3 milhões, pelo menos R$ 31,7 mil foram repassados do empresário diretamente à conta do deputado, segundo o laudo da PF.
O deputado entrou para o rol dos investigadores da Operação Lava Jato ao lado das denúncias que envolvem o peemedebista presidente do Senado. Aníbal e Renan foram alvos de três denúncias do Ministério Público Federal, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em duas delas, são apuradas práticas de corrupção passiva qualificada e de lavagem de dinheiro. Na terceira petição, são investigadas 38 pessoas, incluindo o deputado, o senador e o lobista Fernando Baiano, além de outras figuras do PMDB e do PP, sobre o possível crime de quadrilha e lavagem de ativos financeiros.
Apontado como “o operador do Partido Movimento Democrático Brasileiro”, o PMDB, Fernando Baiano recebia de Nestor Cerveró, então diretor da área internacional da Petrobras, a propina que seria destinada ao PMDB, de acordo com os investigadores. O lobista também tinha boa circulação entre outros partidos, como o PP, que em determinada ocasião, entre 2008 e 2009, passou a cobrar um pagamento devido da Andrade Gutierrez ao PP.
Os dois partidos (PP e PMDB) tinham influência na diretoria de Abastecimento da Petrobras, então comandada por Paulo Roberto Costa. Em delação premiada, o ex-diretor afirmou que Aníbal “falava em nome” de Renan e teria lhe prometido, em 2007, R$ 800 mil “em caso de resolução favorável” em uma ação judicial, do qual duas empresas de serviços de praticagem da Baixada Santista cobravam R$ 60 milhões de indenização da Petrobras.
A PF então rastreou o dinheiro, concluindo que um advogado recebeu, no ano seguinte, R$ 6 milhões de “comissão” pelo acordo com a estatal. Desse montante total, a PF acredita que R$ 3 milhões foram destinados ao sócio de Aníbal, Batista Sá. Várias transferências foram identificadas pelos investigadores, além de parte do dinheiro ter sido sacado e depois destinados a diversas pessoas e empresas.
Luis Nassif
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