Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, autorizou, nesta quinta-feira, a abertura de inquérito contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O STF atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele quer saber se o peemedebista usou contas na Suíça para receber propina e lavar dinheiro de contratos entre a Petrobras e empresas investigadas pela Operação Lava Jato.

A procuradoria baseou seu novo pedido de investigação em relatório entregue pelo Ministério Público suíço às autoridades brasileiras. Segundo o órgão, Cunha e sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz, teriam recebido ao todo R$ 23,2 milhões em quatro contas bancárias, referentes a um negócio de U$ 34 milhões da Petrobras.

Janot quer saber se Cunha usou contas na Suíça para lavagem

Foto: ABr

As autoridades suíças chegaram à conclusão de que a mulher do parlamentar usou o dinheiro desviado até para pagar uma academia de tênis na Flórida e cursos na Espanha e no Reino Unido. As contas bancárias estão bloqueadas.

Janot enviou ao STF toda a cópia do material da investigação suíça. Cunha já é investigado por outra denúncia, por corrupção e lavagem de dinheiro, desde agosto. Ele é acusado de receber propinas de U$ 5 milhões para facilitar a contratação de navios-sonda para Petrobras.

O procurador-geral da República incluiu na denúncia trechos da delação premiada de Fernando Baiano, doleiro e apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção. Os termos da delação ainda estão em sigilo, mas ele teria confirmado o pagamento de propina para Eduardo Cunha. Baiano está preso e foi condenado a 16 anos de prisão.

‘Pedaladas’ em 2015

O governo da presidenta Dilma Rousseff (PT) também se tornou alvo de investigação nesta quinta-feira: o Tribunal de Contas da União (TCU) quer apurar se a prática das maquiagens nas contas públicas conhecida como ‘pedaladas fiscais’ ocorreu também neste ano. O plenário da Corte de contas rejeitou por unanimidade as contas do governo Dilma em 2014.

A suspeita da repetição da manobra levou a oposição a elaborar novo pedido de impeachment contra Dilma. A entrega do novo documento, porém, ficou para semana que vem, pois hoje nenhum dos líderes da oposição estará em Brasília para cumprir o protocolo. Ontem, os juristas Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo registraram em cartório documento com as ‘pedaladas’ de 2015.

(O Dia)