Foram cerca de 63 mil ingressos colocados à venda para Brasil x Venezuela nesta terça-feira. Mas o público cearense, que tradicionalmente costuma apoiar a seleção, demonstrou que também está desanimado com os resultados recentes do futebol brasileiro. A prova disso é que apenas 38.970 pessoas compareceram nas arquibancadas da Arena Castelão, que somaram quase R$ 3 milhões de renda.

O número não é nem sombra do que vem acontecendo com relação aos dois principais times locais, o Ceará e o Fortaleza.

O primeiro, por exemplo, fez uma linda festa na decisão da Copa do Nordeste 2015, ao mandar 63.399 torcedores à Arena Castelão neste ano, no que virou o recorde de público do estádio desde que ele foi inaugurado após a reforma.

Já o segundo possui o segundo maior público – 62.345 pessoas – na Arena Castelão se computados apenas jogos entre clubes. E, no próximo sábado, pode até quebrar o recorde do arquirrival.

Para o duelo diante do Brasil de Pelotas, que vale acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, mais de 50 mil ingressos já foram comercializados. Isso porque ainda faltam três dias para o confronto, marcado para as 16h de sábado. O Fortaleza precisa vencer por dois gols para ir às semifinais da terceira divisão e, consequentemente, ser promovido.

“Nos últimos anos tive a oportunidade de ver a Arena Castelão com o seu público na totalidade. O torcedor cearense adora futebol é isso se deve principalmente a credibilidade com que ele é administrado. Poderemos ter domingo entre Fortaleza e Brasil de Pelotas mais uma quebra de recorde de público, pois antecipadamente já foram vendidos mais de 48.000. Estão faltando poucos ingressos e apenas em setores mais caros. Acredito que teremos um público de 60.000 torcedores para acompanhar finalmente o acesso do Fortaleza para a Série B Nacional”, disse o presidente da Federação Cearense, Mauro Carmélio, ao ESPN.com.br.

O decepcionante público desta terça-feira também destoa do que ocorreu na Copa do Mundo de 2014 nas partidas ocorridas na Arena Castelão. Na ocasião, os dois jogos do Brasil – contra México e Colômbia – levaram exatas 60.342 pessoas cada. Até o duelo entre Holanda e México contabilizou um público de 58.817.

No ano anterior, pela Copa das Confederações, a seleção já havia mandado 57.804 torcedores para o jogo diante do México. Até um Nigéria e Espanha teve 51.263.

Como se vê, todos públicos bem superiores ao da noite desta terça, no Castelão.

Apesar dos números, o técnico Dunga preferiu enaltecer a postura do torcedor cearense ao longo da partida, que terminou com triunfo por 3 a 1 da seleção brasileira. As arquibancadas chegaram a esboçar vaias, mas em seguida comemoraram o gol de Willian.

“Temos que dar parabéns ao torcedor, que entendeu bem o espírito do jogo, aplaudiu a equipe, que voltou ao jogo com qualidade. Valeu pela apresentação, queremos manter isso e melhorar”, definiu Dunga.

Mas ainda há quem não precise reclamar do público: a CBF.

Afinal, a renda da partida, apesar do público que desapontou, foi de R$ 2.722.220,00.

Para efeito de comparação, se entrasse para o ranking oficial de maiores arrecadações, o duelo ganharia de longe do Fortaleza x Macaé citado acima, que teve renda de R$ 1.981.117,00. Já o recorde de público – do Ceará x Bahia deste ano – somou R$ 1.807.162,00 nos cofres.

(Diego Garcia, de Fortaleza (CE), para o ESPN.com.br)

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