Paulo Gustavo com figurinos da peça 200 Volts – Créditos: Reprodução do Facebook Oficial

Seis toneladas de equipamentos, telão de led de 40 metros quadrados, dezenas de trocas de roupa, muitos dançarinos. Poderia ser Beyoncé ou Madonna, mas é Paulo Gustavo. “A gente, homem, é mais sem graça. Mulher é poderosa, complexa, dá muito pano para manga, geralmente é mais legal de brincar”, destaca o intérprete em entrevista ao O POVO. Ele sobe ao palco do Siará Hall para apresentar 220 Volts amanhã, às 22 horas, e domingo, às 20 horas.

Mulher Famosa, Mulher Feia, Senhora dos Absurdos, Vagaba e Ivonete são algumas das personagens do ator que ganharão vida na apresentação em Fortaleza. Para ele, o universo das mulheres é mais rico e incorporar os trejeitos femininos é um processo natural. “Eu não sou o cara mais masculino do mundo, aí já tem meio caminho
andado”, brinca.

Paulo conta ter começado a fazer sucesso com a personagem Dona Hermínia, da montagem (que também virou filme) Minha mãe é um peça. Isso, ele diz, ajudou a marcá-lo como um intérprete de mulheres. “Foi o personagem que mudou minha vida para sempre, me inseriu no mercado, me fez ser reconhecido, me fez acreditar que eu estava no lugar certo, que eu queria ser ator”, conta.

Apesar do sucesso no cinema e em programas como Vai que cola, Paulo se diz apaixonado pelo teatro. “Na TV, cinema e teatro, em qualquer um desses espaços, eu me sinto desafiado, mas o meu lugar, meu porto-seguro, que é onde eu me sinto melhor, é no teatro”. Para o artista, esse apego às artes cênicas não compromete seus trabalhos em outras linguagens. “É uma característica minha, não é um defeito ou uma qualidade”, ressalta.

Animado para o encontro com o público fortalezense, o ator destaca a importância do contato direto com os fãs. “Eu adoro chegar cedo no teatro, adoro abrir a cortina e ver o público, adoro ter o retorno do público ali com aplauso, risada, choro”, enumera. E reforça: “O lugar que me dá mais emoção é o teatro”.

Absurdos e preconceitos

A personagem Senhora dos Absurdos é sucesso de público pelo jeito preconceituoso como trata gays, negros e pobres. Para o criador, porém, a cria pode ser uma ferramenta de crítica social. “Através dela, eu consigo fazer bastante crítica, falar de assuntos que são delicados. Com a comédia, é possível falar de jeito suave, sutil, comentar sobre esses assuntos que precisam ser falados”, afirma.

Paulo Gustavo diz acreditar que a homofobia e o racismo vem crescendo no País. “O preconceito existe muito ainda, é muito forte. E eu acho até que as coisas pioraram”, lamenta. Para ele, porém, é importante que o público aprenda a rir do preconceituoso. “A Senhora dos Absurdos consegue, com humor, que as pessoas riam. Ela acaba mostrando que ser daquele jeito é absurdo”. (Paulo Renato Abreu)

SERVIÇO

220 Volts, com Paulo Gustavo

Quando: Amanhã, às 22 horas e domingo às 20 horas

Onde: Siará Hall (Avenida Washington Soares, 3199 – Edson Queiroz

Quanto: Plateia Premium: R$ 120 (valor único) / Plateia Pista: R$ 90 (inteira) e R$ 45,00 (meia)

Onde comprar: www.bilheteriavirtual.com.br/ e quiosque da Bilheteria Virtual no Del Paseo, 3º piso

Telefone: 3261 0665

(O Povo)