Oito em cada 10 crianças e jovens brasileiros entre 9 e 17 anos usuários de internet costumam acessar a rede pelo celular todos ou quase todos os dias. Pela primeira vez, o dispositivo móvel ultrapassou o computador de mesa como principal equipamento utilizado pela garotada para navegar. Em 2013, os celulares correspondiam a 53% dos acessos (contra 71% de desktops), e em 2014 o número passou para 82%. Os dados são da edição 2014 da pesquisa anual sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil feita pelo Cetic.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil).

“O crescimento do número de celulares influencia diretamente no tempo de navegação. Em 2012, por exemplo, apenas 47% dos jovens utilizavam a internet todo dia, principalmente porque tinham que dividir o computador de mesa com alguém. O celular traz uma navegação individual, você não precisa mais compartilhar”, conta Fábio Senne, coordenador de projetos e pesquisas do Cetic.br.

A pesquisa também mostra que a sala de casa é o local onde 81% dos jovens acessam a internet na maioria das vezes, seguido pelo próprio quarto ou outro cômodo privado da casa (73%). Quase metade deles (49%) costuma navegar quando está na rua ou em deslocamento. Em 2012, esse número era de apenas 18%. As velhas lan houses, que em 2012 correspondiam a 35% dos locais de acesso, hoje correspondem a apenas 22%.   “Hoje vemos uma estagnação das lan houses e um aumento considerável no uso dentro dos domicílios, também graças ao celular.”, diz Senne. Em 2012, 40% dos jovens usavam a internet na sala de casa. Em 2013, eram 68%.

E engana-se quem acha que os jovens “não saem dos joguinhos” enquanto estão navegando. De acordo com os dados, a principal atividade feita por eles é acessar redes sociais  (73%). O Facebook é a rede preferida e conta com o perfil de oito em cada 10 jovens entrevistados (eram 43% em 2012).

Segundo os dados, 43% das crianças entre 9 e 10 anos que acessam a internet tem um perfil em alguma rede social. Entre a faixa de 11 a 12 anos, o número sobe para 68% e entre 13 e 14 vai para 88%. Quanto mais alta a classe social, maior o número de jovens com perfil nas redes sociais (85% nas classes A e B e 69% na classe D e E).

Fazer trabalhos escolares é a segunda atividade mais feita na internet, com 68% dos jovens admitindo que usam a rede para ajudar na escola. Pesquisas em geral e uso de mensagens instantâneas ocuparam o segundo e terceiro lugar, respectivamente. Metade dos jovens disse que ouve música ou vê vídeos. Pouco mais de 40% posta fotos e vídeos em redes sociais (43%), joga sozinho (42%) ou baixa aplicativos gratuitos (41%).

Segurança na rede

Com o aumento do uso das redes sociais por crianças e jovens, também cresce a preocupação a respeito da segurança deles na internet. Metade dos entrevistados (52%), por exemplo, disse que seus perfis são públicos, ou seja, podem ser vistos por qualquer pessoa. Se somarmos ao número de perfis “parcialmente privados”, o número chega a 64%. Apenas 56% deles sabe mudar as configurações de privacidade, o que pode garantir que apenas conhecidos e amigos vejam suas publicações.

No entanto, 64% dos entrevistados disseram que sabem como bloquear mensagens indesejadas de uma pessoa e 58% sabe encontrar informações sobre como usar a internet com segurança. Menos da metade sabe bloquear propaganda indesejada ou lixo eletrônico ou mudar as preferências de navegação.

Segundo os dados, 15% dos entrevistados entre 11 e 17 anos disseram que já foram tratados de forma ofensiva na internet. O número sobe para 20% na faixa dos 15 aos 17 anos. Dois em cada 10 já encontrou mensagens de ódio contra uma pessoa ou grupo de pessoas. Entre 15 e 17 anos, o número é de 27%.

Para a pesquisa, foram entrevistados 2.015 crianças e adolescentes usuários de Internet com idades entre 9 e 17 anos em todo o território nacional, entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015.

(Uol São Paulo)

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