Mostra de fotografias e vídeos reconta trajetória do rock no Ceará – KAREN PEDREGAL/DIVULGAÇÃO

Viver de música ou apenas produzir e disseminar o trabalho desenvolvido no campo artístico autoral é sinônimo de resistência para quem se propõe a realizá-lo. Assim nasce a exposição Cultura, acordes e afazeres políticos – nomadismos e resistências no Rock da ‘Terra do Sol com fotografias, vídeos e sons sobre o rock cearense.

Iniciativa da Associação Cultural Cearense do Rock (ACR), o evento tem curadoria de Amaudson Ximenes, fundador da banda Obskure, da socióloga e pesquisadora em Antropologia Urbana, Abda Medeiros, e da professora Aline Basso. Mais de mil fotos do acervo da ACR foram analisadas até chegar às 40 expostas.

Criatividade

Amaudson acredita que o Ceará tem um dos cenários mais “ativos e criativos” no País. Para ele, ainda faltam políticas de incentivo à cultura, “mas se falta oportunidade, sobra criatividade”. “Quem circula pela periferia e pelo interior do Estado vê que existem realizadores que trabalham para que a cena permaneça viva”.

Fortaleza tem histórico de festivais conhecidos no meio underground, como o ForCaos, que completa 16 anos de atividade, e o Ponto CE, referência no meio há quase uma década.

Márcio F. Benevides, doutorando em Sociologia pela UFC e músico, diz que o cenário melhorou nos últimos anos no que condiz à estrutura, divulgação e acesso a bons equipamentos.

Márcio diz que parte principal do processo criativo da Black Knight Frequency, banda que ele formou após sua saída do grupo PlastiqueNoir, é a pequena adesão do público aos eventos. Para ele, existe uma tendência em“apreciar mais bandas tributo”, resultando no “esvaziamento da crença na força criativa local”.

Para João Wilson Damasceno, diretor de ação cultural do Centro Dragão do Mar, os editais do governo ajudam a fortalecer o meio. Em 2014, foi lançado, em parceria com a ACR, o projeto Dragão do Metal.

Damasceno afirma que o rock exerce influência na “arte, na sociedade e nos comportamentos, emergindo como espaço de resistência e convívio social”. Mesmo com bons resultados, ele reconhece que os editais são apenas um dos caminhos de política cultural e instiga: “outras formas de incentivo devem existir”. (Rubens Rodrigues/ESPECIAL PARA O POVO)

 

Serviço

Exposição Cultura, acordes e fazeres políticos – nomadismos e resistências no Rock da Terra do Sol

Quando: hoje a 30 de julho, de 10h às 22h.

Onde: Shopping Benfica (Av. Carapinima, 2200)

Visitação gratuita.

(O Povo)

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