Yara e Gabriela são integrantes da quadrilha ‘Zé Moringa’ (Foto: Anderson Wagner)

A paixão das travestis cearenses Yara Brito e Gabriela Dias pelo São João rompeu preconceitos. Depois de muito tempo tentando entrar para uma quadrilha junina que as aceitassem como integrantes femininas, elas conseguiram colocar um vestido e se apresentar como as demais mulheres. As duas foram acolhidas pela Quadrilha Zé Moringa, do Bairro Jardim Guanabara, emFortaleza, que também tem outras duas travestis entre os brincantes.

“No começo foi difícil, porque a quadrilha que participava não me aceitava como mulher e tinha que dançar como homem”, conta Yara. Já Gabriela diz que ouviu vários “nãos” porque muitos grupos temiam que ela chamasse muita atenção. Atualmente, elas dizem que as mulheres da quadrilha chegam a pedir dicas de postura, passos e maquiagens. “Dançamos muito bem e somos inspiração de rainhas e damas da quadrilha”, completa Gabriela.

Yara, que também se apresenta como dançarina em boates segmentadas em Fortaleza, tem a oportunidade de mostrar o talento para diversos públicos no período junino. “Nessa época me sinto realizada, mostra uma dançarina travesti pode ter sim seu lugar na quadrilha. Antes, tinha medo que jogassem coisas em mim, mas hoje muita gente vem e pede para tirar foto”, relata.

O diretor quadrilha Zé Moringa, Anderson Wagner, afirma que é o quinto do grupo com travestis entre os membros e que elas se destacam por diversos motivos. “Nossa quadrilha quer mostrar que no São João não existe preconceito”, ressalta.

(Elias Bruno, G1 Ceará)