Falta de interesse nas atividades da escola, dispersão, dificuldades em acompanhar o ritmo de outras crianças da mesma idade em atividades que exigem concentração, como ler e escrever, inquietude e desatenção. Esses são os principais sintomas que uma pessoa com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode apresentar.

A doença é de ordem genética, passada de pais para filhos, aparece logo na infância e acompanha o paciente por toda a vida. O TDAH é caracterizado pela falta de dois neurotransmissores, dopamina e noradrenalina.

O psicoestimulante Ritalina é o único medicamento existente no Brasil para o tratamento de pacientes que apresentam TDAH.  O diagnóstico é clínico e feito por meio de observação do comportamento do paciente e de entrevista no consultório de um neurologista ou psiquiatra.

De acordo com a médica psiquiatra da infância e adolescência Daniele Leite Carvalho, o medicamento só pode ser prescrito para pessoas com diagnóstico (TDAH). E o ideal é que o tratamento seja feito ainda na infância, para que haja menos sofrimento.

Crianças acima de seis anos já podem ser medicadas com a Ritalina. Estas crianças se destacam uma das outras de forma bem pontual. “A criança e o adolescente com TDAH se diferenciam no comportamento dos colegas da mesma idade. Na sala de aula ou em casa é notável que ela é inquieta”, afirma.

O transtorno não tem cura, e os sintomas são amenizados pelo tratamento que é de aproximadamente um ano, podendo se estender a dois, com o medicamento aliado a consultas com psicólogos. “Aliado a medicação, os pacientes são indicados a um psicólogo comportamental para que aprendam a lidar com as consequências que TDAH traz para a sua vida. A medicação somente não basta”, afirma a médica.

Há ainda a possibilidade de o medicamento gerar um tipo de comportamento descrito como “Zumbie like”, que acabou apelidando a Ritalina de “droga da obediência”. A médica afirma que, essa espécie de apatia ou letargia é um efeito colateral do remédio, e acontece raramente. Quando for relatado, o paciente deve conversar com seu médico para que o remédio seja suspenso ou a dosagem readequada.

Na vida adulta, os sintomas do transtorno se complicam. Organizar o dia a dia, planejar o futuro, manter relações amorosas e até se fixar em um emprego se torna algo quase impossível. A vida acadêmica se torna complicada, em muitos casos pode levar ao uso de drogas.

“Os adultos com TDAH não medicados têm mais acidentes de trânsito, mais divórcios, mais incidência de uso de drogas ilícitas, mais problemas de demissão do emprego, além de problemas como depressão e ansiedade”, afirma a psiquiatra.

SUS

São disponibilizados mensamente 2.500 comprimidos de Ritalina, de diversos miligramas, apenas pelo Sistema Único de Saúde em Cuiabá. Para a Dra. Daniela, um avanço, pois “há um aumento no número de pessoas em tratamento, comparado à estimativa de pessoas que têm o transtorno, ainda é muito baixo”.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) reconhece o transtorno e, juntamente com a Associação Americana de Psiquiatria, estima que cerca de 4% dos adultos e de 5% a 8% de crianças e adolescentes em todo o mundo tenham TDAH. Além disso, as entidades calculam que pelo menos duas crianças de uma sala de aula de 40 alunos sejam portadores.

Uso abusivo

Na selva de pedra dos grandes centros é desejo quase unânime: alto desemprenho mental. Nos corredores de faculdades, entre acadêmicos e concurseiros, o uso da Ritalina é altamente difundido e de fácil acesso. O medicamento é usado por alguns estudantes com o argumento de que aumenta o poder de concentração e absorção de conteúdo.

“Se tomado por pessoas sem o transtorno, o medicamento funciona como qualquer outro estimulante, a cafeína e a guaranina, por exemplo. Porém, diferentemente dos estimulantes naturais, essas pessoas têm um grande risco de sofrer com os efeitos colaterais do medicamento, como dependência”, esclarece a médica.

E além disso, o metilfenidato (nome científico da Ritalina) pode causar reações adversas no sistema nervoso central como, por exemplo, psicose, alucinações, convulsões, sonolência, ansiedade e, até mesmo, tendência ao suicídio.
Aqui no Brasil, a Ritalina é distribuída apenas pela farmacêutica Novartis. Os preços podem variar de R$ 19 a R$ 200 dependendo da quantidade de miligramas e de comprimidos.

Via http://circuitomt.com.br/editorias/cidades/69570-ritalina-o-psicoestimulante-do-momento.html