Luana Severo, O Povo

“Tem, mas tá faltando”. A frase é ouvida dezenas de vezes no balcão de distribuição de medicamentos em postos de saúde de Fortaleza. Apesar das promessas de regularização do material até o mês de abril, ainda hoje faltam remédios, principalmente os de controle da pressão, do colesterol e da acidez gástrica.

Uma senhora de 63 anos, que pediu para não ser identificada, carrega na bolsa uma receita médica que indica a necessidade de um tratamento à base de omeprazol, amantadina, sinvastatina e captopril. Ontem, a empregada doméstica saiu do posto Carlos Ribeiro, no Jacarecanga, apenas com o último medicamento. “Dizem que, daqui para o fim do mês, chegam os outros. Eu moro na Aerolândia, costumava pegar lá, mas também tá faltando”, relatou.

Conforme uma funcionária do posto Paulo Marcelo, no Centro, o suprimento de medicamentos tem sido feito quinzenalmente, mas, apesar da recarga, fármacos como omeprazol e losartana estão em falta. Ela afirma, por outro lado, que a unidade recebeu um bom carregamento de captopril e ranitidina. No posto Paulo de Melo, no Monte Castelo, a carência é de remédios como metformina, um antidiabético, e salbutamol, para o controle da asma.

Logística

Assim como há três meses, a razão da falta de medicamentos nos postos de saúde é justificada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) por problemas de logística e de negociação com os fornecedores dos remédios.

“A logística ainda é o maior gargalo. A gente também está estudando algum protocolo clínico pra uso do omeprazol e outros que têm uso indiscriminado, ou seja, há o mau uso do medicamento. É todo um processo de reorganização da rede”, avalia o gerente da Célula de Assistência Farmacêutica da SMS, Magno Sampaio.

Ele estima que, apesar da situação, o estoque da central de abastecimento está em torno de 90%. “A falta do medicamento, muitas vezes, é localizada em um posto, então o cidadão pode procurar outra unidade que vai encontrar, embora o ideal seja ter no posto perto de casa”, considera.

As questões financeiras, segundo Magno, foram resolvidas. “O que acontece é que o Município, pelo porte, demanda uma quantidade grande de medicamentos e não está sendo atendido a contento”, afirma o gerente. “Temos 93 unidades e a gente atende dez por dia, então o abastecimento acontece a cada 15 dias. Até o fim do mês a gente vai estar com esse problema resolvido”, garante.

(colaborou Viviane Sobral)

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