A Copa do Nordeste não chama a atenção apenas pelos mais de R$ 20 milhões de faturamento e expectativa de finais com 100 mil pessoas em 2015. Na organização de toda a estrutura responsável por seus contratos de patrocínio, vendas de direitos de transmissão e 20 clubes, o único campeonato profissional do país organizado por uma liga conta com apenas uma funcionária remunerada.

Ela trabalha no escritório do presidente da entidade, Alexi Portela.

Ainda sem uma sede própria, a sua ‘casa’ é estabelecida por estatuto na cidade de residência de seu mandatário – neste caso, Salvador. Com um mandato de três anos, o ex-cartola do Vitória encerra seu ciclo no próximo mês de setembro.

A prestação de contas do exercício de 2014 será feita nesta quarta-feira, em Fortaleza, antes do confronto decisivo entre Bahia e Ceará, na Arena Castelão, às 22h (de Brasília).

A reportagem do ESPN.com.br tentou acesso durante uma semana aos balanços financeiros anteriores da Liga do Nordeste, sem sucesso. A competição não conta também com um site próprio.

“Nesta reunião, vamos fazer toda a prestação e como foi gasto o dinheiro. Não há gatuno aqui, mostramos como os repasses financeiros foram feitos, passagens aéreas desembolsadas, hospedagens, temos que declarar para a Receita (Federal) tudo o que arrecadamos, INSS, comprovamos número por número”, explica o diretor da liga, Eduardo Rocha.

O Nordestão tem outros dois diretores ainda: Milton Dantas, vice-presidente da federação sergipana, e Ariano Wanderley, ex-dirigente do Botafogo-PB.

No comando de toda a parte burocrática, somente uma funcionária.

“A sede é fixada pelo estatuto onde tem o seu presidente tem moradia. Por questão de custo, ela está hoje no escritório de Alexi (Portela), em Salvador. Só tem uma funcionária, mesmo, remunerada por ele com gratificações. Fazemos o máximo para economizar e retornar todos os recursos para os clubes. Não há retirada da nossa parte, salário nem nada – só não arcamos com as passagens e hospedagens”, prossegue Eduardo Rocha.

“Existe até quem pense que devíamos ser pagos para isso, mas, como a competição se dá em 3,5 meses, não vemos necessidade para isso. Todo mundo tem suas atividades, bancário, procurador, empresário. Essa funcionária fica a cargo, então, das burocracias, fazer o contato para as reuniões, pagamento dos valores aos clubes e preencher os cheques para mandar que eu e Alexi assinemos, por exemplo”, conclui.

A independência da Liga do Nordeste ainda não é total, no entanto.

Cabe à CBF cuidar do lado técnico da competição, com suas tabelas e regulamentos.

Em acordo com a entidade, o Nordestão está garantido no calendário até pelo menos 2022. Existe uma conversa ainda em estágio inicial, contudo, para que ele possa ser prorrogado por no mínimo mais cinco anos.

(Marcus Alves, ESPN)

Anúncios