Em 2014, a Região Nordeste foi a campeã do País em índice de tentativas de fraudes pela Internet. Neste ranking, o Ceará aparece em segundo, superado apenas pela Bahia. O índice de tentativas de golpes virtuais no Ceará saltou de 8,08%, em 2013, para 9,16% no ano passado. Os dados são do Mapa de Fraude no Brasil 2014, da ClearSale, empresa especializada em soluções antifraudes para transações comerciais de diversos segmentos.

O Nordeste havia registrado um índice de 6,09% de fraudes em 2013. Em 2014, a quantidade de ataques saltou para 7,18%, na região. Conforme o estudo, o número representa que a cada R$ 100 movimentados no comércio eletrônico da região, R$ 7,18 são tentativas de fraudes, causando prejuízos aos empresários que atuam no setor e às pessoas, que são vítimas dos falsários.

Conforme o gerente de Inteligência da ClearSale, Omar Jarouche, as regiões Norte e Nordeste foram as principais responsáveis pelo aumento de golpes. “As tentativas de fraude, analisando a média brasileira, apresentaram leve crescimento de 2013 para 2014. Se no ano retrasado a cada R$ 100 em compras, R$ 3,70 eram em tentativas de fraude, no último período o valor subiu para R$ 3,98. E esse aumento pode ser apontado, entre outras causas, pelo comportamento das regiões Norte e Nordeste. A primeira passou de 5,71%, para 6,48%; enquanto a segunda foi de 6,09% para 7,18%”, disse Jarouche.

Tipos de crimes

Em geral, os crimes são cometidos com a utilização de cartões de crédito clonados. Softwares maliciosos, na maioria dos casos, costumam utilizar os dados das vítimas diversas vezes até conseguirem finalizar a compra, nas fraudes registradas.

“Existem três tipos de golpe, que podem variar de caso a caso. O primeiro, o mais comum, é a falsidade ideológica com cartão de crédito. Ocorre quando existe um uso indevido, isto é, sem o consentimento do titular do cartão. Frequentemente são utilizados dados roubados para a compra. Muitas vezes profissionais utilizam dados e cartões de terceiros para adquirir produtos ou serviços sem pagar por eles. Todos os dados desse relatório consideram somente este tipo de fraude. A segunda maneira é o “phishing”, ação feita por hackers, que agem para adquirir informações pessoais sigilosas, como senhas e dados bancários, através de mensagens e e-mails falsos. A terceira ocorre por meio de páginas falsas na internet, seja de um banco ou uma loja virtual, onde são oferecidos produtos com preços atrativos ou promocionais. As ofertas normalmente são enviadas por e-mail e o site é praticamente idêntico ao da loja verdadeira, o que faz com que as pessoas efetuem falsas compras”, diz.

Vale destacar que em todos os nove estados do Nordeste foi registrado aumento nas fraudes em relação ao ano de 2013. A Bahia continua como o maior índice da Região, fechando 2014 com 9,39% de fraudes, ante 8,20% percebidos no ano anterior. O Ceará permanece no segundo lugar, com 9,16%.

Segmentos

Entre os segmentos com maior procura dos fraudadores, o de aparelhos celulares terminou o ano em primeiro, com 18,09% dos casos. Completam a lista produtos de informática, com 8,16% das ocorrências; aparelhos e jogos de videogame, registrando 7,10% das ações; itens automotivos, com 6,81%; e produtos de beleza, com 6,42% das fraudes. Segundo Jarouche, a recente alta da oferta de crédito via cartões de crédito, e o acesso crescente à internet, e de dispositivos com conexão à rede, como smartphones, pode ser explicada, entre outras coisas, a manutenção do Nordeste como região mais vulnerável. “Desde 2013, Ceará e Bahia se revezam entre as primeiras posições entre os menos seguros”, afirma.

(Levi de Freitas – Diário do Nordeste)

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