Não existem planos para uma volta do Kid Abelha e ponto. Esse assunto parece fora de discussão para o trio que segue tocando trabalhos individuais. No caso de Paula Toller, 52, os mais de 30 anos como frontgirl do grupo carioca vêm sendo substituídos por uma promissora carreira solo, que chega hoje a Fortaleza. Na bagagem, a bela loura traz as canções de Transbordada, quarto disco da lavra particular. Produzido pelo ex-Mutante e amigo de longa data Liminha, o álbum vem mais caloroso e agitado que seus antecessores. “É um show para cantar e dançar, bem animado”, adianta Paula, por email, sobre o clima que deve tomar conta da Barraca Santa Praia, onde acontece o show amanhã.

O POVO – Como será este show em Fortaleza. O que pode adiantar do repertório?

Paula Toller – Vou cantar músicas do disco novo, como Calmaí, Transbordada, Já chegou a hora e Tímidos românticos. E vou alternar com grandes sucessos de toda minha trajetória como Fixação, Nada Sei, Oito anos, Derretendo Satélites e Deus (apareça na televisão). É um show para cantar e dançar, bem animado!

OP – Seus três discos solo trazem sonoridades bem diferentes. Este novo é mais solar e dançante. Como você vê essa mudança de rumo?

Paula – Transbordada é um disco que soma todas as Paulas anteriores. A cantora sofisticada e madura dos discos solo e a líder de banda de rock, mais moleque. É o disco do meu momento, um pop clássico com experimentações.

OP – Transbordada conta com o ex-mutante Liminha e com Hélio Flandres, da nova geração do rock nacional. Você acaba representando uma geração de “meio de campo”. Essa ponte foi proposital?

Paula – A minha geração foi explosiva. É chamada “geração de ouro” do rock brasileiro. No meu DNA também estão os Mutantes, mas o Liminha produziu os maiores sucessos do Kid. Então, temos uma história muito rica e conseguimos ir além, compor juntos e foi maravilhoso. Hélio é o sangue novo do disco, convidei-o porque admiro sua voz e suas composições, e também para dar visibilidade aos bons da nova geração.

OP – Você é de uma geração em que o rock funcionou como voz da juventude num período político conturbado. Qual o papel do rock atualmente?

Paula – Como artista, não me sinto obrigada a falar sobre nenhum assunto. Mas, também não temo a patrulha quando desejo opinar sobre qualquer coisa. Acho importante que a música, além de pop, chiclete, tenha uma mensagem interessante escrita de uma forma única. O papel do rock é ser livre.

OP – O suporte físico sofre constantes crises e a música de consumo rápido vem tomando o espaço que antes era do rock nacional e da MPB. Diante desse cenário, o que te leva a lançar um trabalho inédito?

Paula – O suporte foi diminuindo, diminuindo, até que sumiu. Essa carreira é assim, tem altos e baixos, mas eu não trocaria por nenhuma outra mais estável. Tenho fé que esse trabalho é especial e poderoso. Por isso tive a coragem de lançar, inclusive bancando tudo do meu próprio bolso.

OP – Transbordada sai 10 anos
depois do último disco de inéditas do Kid. Do que sente falta em tocar numa banda?

Paula Toller – O fato de ter meu nome nos cartazes não quer dizer que esteja sozinha. Meus músicos são artistas de alto nível que contribuem muito com ideias, só que nesse formato a liderança é clara.

SERVIÇO

Paula Toller – Transbordada

Quando: amanhã, 18, às 22 horas.

Onde: Barraca Santa Praia (Av. Zezé Diogo, 3345 – Praia do Futuro)

Quanto: R$ 40 (pista/meia), R$ 80 (pista/inteira), R$ 60 (front stage/meia) e R$ 120 (front stage/inteira).

Telefone: 3261 0665.

(Marcos Sampaio, O Povo)