Importante aliado de Roberto Cláudio (Pros) na campanha para Prefeitura de Fortaleza em 2012, Eunício Oliveira (PMDB) agora ensaia uma nova aproximação com a deputada federal Luizianne Lins (PT). O senador avalia a atual gestão municipal como “muito ruim” e tece elogios à petista.

“Eu tinha esperança que as coisas seriam diferentes. Eu acho, sinceramente, que Luizianne foi melhor prefeita que Roberto Cláudio. Ela é uma mulher de muito valor”, afirma Eunício.

De acordo com o senador, apesar da pouca experiência quando assumiu o primeiro mandato (2005), Luizianne conseguiu tocar a cidade de forma mais eficiente que Roberto Cláudio.

Adversários políticos nas eleições de 2012, o peemedebista não descarta apoio à ex-prefeita numa eventual candidatura ao Paço Municipal em 2016. “Vamos ver se ela fica nesse PT, não sei como é que vai ficar. Nessa questão de formação de chapa, às vezes, a gente fica até o último dia, último minuto, tentando resolver”, pondera.

Na primeira eleição municipal após a ruptura entre PMDB e os Ferreira Gomes, o senador deve mudar de lado. O amparo de Eunício pode ser significativo. Ele teve 57% dos votos válidos da Capital no segundo turno, quando concorreu ao governo do Estado no ano passado.

Mudança

Em 2012, o senador Eunício Oliveira teve participação ativa na campanha de Roberto Cláudio, até aquele momento filiado ao PSB. Para angariar votos, o peemedebista chegou a pedalar em bicicleta repleta de adesivos do candidato nas ruas da periferia da cidade. 

A outra ala da disputa era encabeçada por Elmano de Freitas (PT), com apoio da então prefeita Luizianne Lins.

A parceria entre PMDB e o grupo político dos Ferreira Gomes, antes no PSB e depois no Pros, se desfez dois anos depois, quando o senador decidiu se candidatar ao Palácio da Abolição.

Em vez de apoiá-lo, o então governador Cid Gomes (Pros), rival político de Luizianne, lançou Camilo Santana (PT) na disputa. A ex-prefeita se negou a fazer campanha para o correligionário, mas também não declarou publicamente apoio a Eunício.

No entanto, a mãe dela, Luiza Lins, organizou manifesto pró-Eunício e se postou contra o que classificou de “subserviência do PT”.

“A candidatura do Camilo não é do PT, é uma candidatura dos Ferreira Gomes. Ela não tem legitimidade dentro do PT”, disse Luiza ao O POVO, à época. Já o PT nacional, aliado do PMDB, se manteve neutro durante a corrida estadual. 

Futuro

Desde a disputa em que passou de aliado a adversário de Cid Gomes, Eunício Oliveira tem buscado novas alianças. O suporte de Tasso Jereissati (PSDB) foi uma delas.  

O peemedebista adianta que a coligação das últimas eleições deve se repetir no próximo pleito, com a participação de partidos como DEM e PSDB, adversários nacionais do PT.

“O bloco que disputou as eleições (de 2012), espero que somado a outras lideranças, vai ter candidatura própria. Pode ser do PMDB ou de partidos coligados”, diz. 

Saiba mais

A candidatura de Roberto Cláudio (Pros) já havia custado a aliança entre PSB e PT em 2012. O nome de Camilo Santana (PT) teria sido sugerido por Cid Gomes para disputar a Prefeitura. Na época. Luizianne insistiu na candidatura de seu secretário de Educação, Elmano de Freitas (PT). A discordância levou à ruptura entre as legendas.

O vice-prefeito Gaudêncio Lucena (PMDB) rompeu politicamento com o prefeito Roberto Cláudio durante à campanha para sucessão estadual. Gaudêncio declarou apoio a Eunício e Roberto Cláudio, a Camilo. A crise entre eles se intensificou quando o prefeito demitiu dois aliados de Eunício. Marlon Cambraia (Controladoria) e Jade Romero (Participação Popular) deixaram as secretarias em julho de 2014.

(Isabel Filgueiras, O Povo)