Hospital Walter Cantídio é referência em transplante de fígado (Foto: UFC/Divulgação)

Pelo segundo ano consecutivo, o  Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da Universidade Federal do Ceará, se destaca como o maior serviço de transplantes de fígado do País, ultrapassando o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Os dados são do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) 2014, documento oficial da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Em agosto do ano passado, o serviço de transplantes do HUWC alcançou a marca total de 1.000 transplantes de fígado realizados em sua história.

Segundo o coordenador do serviço de transplante de fígado do HUWC, Huygens Garcia, o Hospital Universitário é também o maior de toda a América do Sul nessa área. Conforme foi anunciado no ano passado, o HUWC sozinho já havia feito mais transplantes de fígado que o México (106 transplantes, dados relativos a 2012) ou Chile (74 transplantes, em 2012).

No documento “Dimensionamento dos transplantes no Brasil e em cada estado”, o HUWC é registrado como centro que mais realizou transplante de fígado no Brasil em 2014. Foi um total de 135 transplantes de fígado, sendo três de doadores vivos e 132 de doadores falecidos, no ano de 2014. Em segundo lugar vem o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com 125 transplantes de fígado.

Para Huygens Garcia, o desempenho alcançado “é fruto da dedicação da equipe multidisciplinar, do apoio do HUWC/UFC, do excelente trabalho de captação da Central de Transplantes e da solidariedade do povo cearense em doar os órgãos de seus entes queridos acometidos por morte encefálica”. Ainda assim, a taxa de negação ainda é muito alta: 45%. “Para que mais pessoas doem os órgãos é necessário um trabalho de educação e, principalmente, um melhor atendimento nos serviços de saúde, especialmente os de emergência”.

Como exemplo da excelência do trabalho, o médico lembra de um procedimento realizado no fim de 2014. Foram quatro transplantes envolvendo doadores vivos por meio da técnica denominada “transplante dominó” ou “transplante repique”. O procedimento consiste na retirada do fígado de pacientes com uma doença chamada polineuropatia amiloidótica familiar (PAF), que recebem outro órgão de um doador morto. Simultaneamente, o fígado de paciente de PAF é transplantado para outro paciente, da fila de transplantes.

A PAF é uma doença hereditária, que se caracteriza pela deposição nos nervos periféricos de uma fibra amiloide (pré-albumina anômala), produzida por uma deficiência enzimática do fígado. No geral, a PAF é assintomática até em torno dos 25 anos mas, quando se manifesta, se não for feito o transplante a doença pode evoluir chegando a causar o óbito do paciente.

Outros estados
O HUWC recebe pacientes de todas as regiões do Brasil. De acordo com o médico Huygens Garcia, dos mais mil transplantes de fígado realizados nos últimos 13 anos, mais de 60% foram realizados em pacientes de outros estados. “Atendemos pacientes de quase todos os estados do país, até de São Paulo. O nosso sonho é ter [no HUWC] uma unidade de transplantes com pelo menos mais 20 leitos. Hoje, só contamos com oito leitos na enfermaria e três na UTI. Esse aumento nos permitiria atender um maior número de pacientes e com mais qualidade”.

Transplantes de fígado
O relatório da ABTO aponta ainda dados relativos aos transplantes de fígado no Brasil e no Ceará: no período de 2007 a 2014 houve um aumento em mais de 700 transplantes de fígado no País, passando de 1.008, em 2007, para 1.755, em 2014. Em números absolutos, os transplantes de fígado no Ceará passaram de 64, no ano de 2007, para 195, no ano passado. “De 2007 até agora, já realizamos, no Ceará, 1.075 transplantes de fígado”, revela o médico.

O transplante hepático, com crescimento anual desde 2008, aumentou 1,9% em 2014, sendo o incremento de 1,1% com doador falecido e de 10,3% com doador vivo. Apenas Ceará e o Distrito Federal apresentaram taxa de transplante superior a 20 por milhão de população (por milhão de pessoas).

Além da UFC, os procedimentos foram realizados no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e no Hospital São Carlos. Para cada transplante de fígado é mobilizada uma equipe multidisciplinar composta por oito cirurgiões, cinco anestesistas, seis clínicos, além de enfermeiras, psicólogos e terapeutas.

(Verônica Prado, G1 Ceará)

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