Poucas pessoas ousariam questionar o amor que Heloísa Juaçaba sentia pela arte. Ainda assim, quem o fizesse teria que argumentar muito bem, mas correria o risco de cometer um tremendo engano. Produzindo, colecionando ou incentivando novos artistas, esta cearense de Guaramiranga tornou-se um dos nomes mais importantes das artes plásticas do Ceará. Como uma forma de demonstrar isso, duas exposições entram em cartaz esta semana em Fortaleza, revelando duas porções distintas da pintora, escultura e tapeceira falecida em dezembro de 2013.

Com abertura programada para a próxima sexta-feira, 27, Heloísa Juaçaba – Obra e Coleção apresenta o acervo particular da artista, entre obras próprias e de gente como Aleijadinho e Di Cavalcante (veja mais na coordenada abaixo). Já a exposição Artequattro Convida reúne cinco artistas, entre novatos e veteranos, expondo obras próprias que, num primeiro momento, têm pouco em comum. No entanto, os artistas ali reunidos foram influenciados de diferentes maneiras por Heloísa, seja no relacionamento como aluno, amigo ou parente. São eles Totonho Laprovítera, Cadeh Juaçaba, Carlos Lebran, Rodrigo Frota e Zé Tarcísio.

Com vernissage marcada para amanhã, 25, Artequattro Convida fica em cartaz desta quinta, 26, até o dia 17 de março, na Galeria Ouvidor. A exposição também marca o lançamento do projeto Artequattro que visa um incremento do mercado de artes plásticas no Ceará. Coordenado pelo advogado Fernando Laprovítera, filho de Totonho Laprovítera, a proposta é voltada tanto para artistas dispostos a apresentarem suas obras, como para o público que queira consumi-las. “Não é só exposição, mas trabalhar o conhecimento do mercado de arte. Por isso convidamos profissionais para explicar como se começa uma coleção, o que se investe”, explica Fernando.

Para Totonho, iniciar esse projeto citando Heloísa Juaçaba é uma forma de exemplificar o quanto ela foi importante para o mercado de artes do Estado. “Ela lançou muita gente e cuidou de muitos artistas”, comenta o arquiteto fortalezense. Totonho diz ainda que Dona Heloísa foi a grande dama das artes do Ceará, alguém que buscava incentivar novos talentos através de conselhos ou mesmo adquirindo suas obras. “A elegância maior dela estava na simplicidade de fazer o bem através das artes. Além de me lançar e cuidar de mim, ela foi me mostrando os rumos das artes, os prazeres e responsabilidades. Ela mudou o meu olhar sobre do mundo”, acrescenta.

Participando de sua primeira exposição, Cadeh Juaçaba faz coro e lembra que sua trajetória sempre foi pontuada pelos incentivos da tia-avó. “Eu comecei a desenhar e pintar muito novo por influência dela. Desde os oito anos, ela já me chamava pra conversar sobre o que eu estava fazendo, produzindo, sobre os artistas que ela conhecia”, lembra Cadeh.

Outro sobrinho-neto, o escultor Carlos Lebran ressalta que Heloísa foi uma pessoa inspiradora para muita gente que vive de arte do Ceará. Para ele, uma das coisas mais marcantes na artista era seu olhar sobre a cidade natal. “Me impressionava a relação dela com Guaramiranga. Também lembro o jeito de ser dela, tranquilo e sereno. É uma coisa que busco”.

SERVIÇO 

Artequattro Convida

Quando: abertura amanhã (25), às 20h. Em cartaz até 17 de março, com visitações de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 9h às 14h Onde: Galeria Ouvidor (Rua Professor Dias da Rocha, 853 – Aldeota)

Entrada franca.

Telefone: 3267 6766.

(Marcos Sampaio, O Povo)